Começar de novo. Por Slavoj Žižek

Em vez de procurar em vão pelo reforço em alguma esperança, devemos aceitar que nossa situação é desesperadora, e então agir firmemente quanto a ela

No A Terra é Redonda

Ainda em abril de 2020, reagindo à pandemia de Covid-19, Jürgen Habermas apontou que “a incerteza existencial está se espalhando globalmente e simultaneamente, nas mentes dos próprios indivíduos midiaticamente conectados”. Ele continua, “nunca houve tanto conhecimento de nosso desconhecimento e sobre as dificuldades de agir e viver na incerteza”.

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Prefeito indígena barrado por TRE já sofreu atentado e teve pai assassinado. Por Rubens Valente

No Uol

A trajetória do indígena que foi eleito prefeito no município de Pesqueira (PE) Marcos Luidson de Araújo, 42, o Cacique Marquinhos – impedido de tomar posse nesta sexta-feira (1) por decisão do TRE (Tribunal Regional Eleitoral) de Pernambuco – e de sua família se confunde com a história dos últimos 30 anos de sua etnia Xukuru.

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Traição de Bolsonaro e Pazuello se demonstra com população desguarnecida de vacinas e seringas. Por Janio de Freitas

Na Folha

O contraste entre a dedicação corajosa do pessoal da saúde e a sabotagem da turma de Bolsonaro à imunização geral reflete, e denuncia, a falta de caráter coletivo das classes e categorias que dominam o Brasil.

O alheamento dessa porção poderosa, historicamente ativa na fermentação dos golpes de Estado e, com menor necessidade, contra reduções das desigualdades, oferece o alicerce para uma traição que passa de presumida a demonstrada.

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Autodemarcação Tupinambá reivindica reconhecimento do território no Pará

Por Tainá Aragão, no Amazônia Real

Santarém (PA) – No auge da polêmica sobre a votação pelo Supremo Tribunal Federal (STF) do processo que definirá os rumos das demarcações das terras indígenas no Brasil, conhecido como “Marco Temporal”, as 21 aldeias Tupinambá deram continuidade, no último trimestre do ano, ao processo de autodemarcação do seu território, na margem esquerda do rio Tapajós, município de Santarém, Oeste do Pará. A votação, agendada para o dia 28 outubro pelo Supremo Tribunal Federal (STF), foi suspensa por grande pressão dos movimentos indígenas e no território Tupinambá a luta pela permanência e defesa territorial segue constante no baixo Tapajós.

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Sob os escombros. Por José Luís Fiori

As digitais de um responsável

No A Terra é Redonda

“Nessa situação que vive o Brasil, resta perguntar às instituições e ao povo quem realmente está pensando no bem do país e das gerações futuras e quem está preocupado apenas com interesses pessoais?”
(Gal. Eduardo Villa Boas) [1].

A soma dos fatos e dos números não deixa lugar a dúvidas que a resposta do governo brasileiro à pandemia do COVID-19 foi absolutamente desastrosa, quando não criminosa; e seu plano de vacinação massiva da população é um caos, quando não um engodo. Já são 7,5 milhões de brasileiros infectados e aproximadamente 200 mil morreram até agora, e as autoridades seguem batendo cabeça diariamente, como se fossem um bando de palhaços irresponsáveis e debochados.

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Movimento Zapatista lança Declaração pela Vida

No Servindi

Encontros, diálogos e intercâmbios nos cinco continentes promoverão durante o ano de 2021 um grupo de organizações indígenas e zapatistas com o apoio de numerosas coalizões e redes internacionais.

Através de uma breve mensagem divulgada no dia 1º de janeiro de 2021 no site Enlace Zapatista convida “todos os homens honestos e todos os  Abajos   que se rebelam e resistem em muitos cantos do mundo” a aderir e participar desses encontros e atividades “

No continente europeu, os eventos estão previstos para ocorrer em julho, agosto, setembro e outubro de 2021. Nos outros continentes, a previsão é que ocorram em data posterior.

Delegação com representantes do Congresso Nacional Indígena – Conselho de Governo Indígena (CNI-CIG), Frente dos Povos em Defesa da Água e da Terra de Morelos, Puebla e Tlaxcala e Exército Zapatista de Libertação Nacional ( EZLN). 

Apesar das diferenças nos movimentos e identidades que subscrevem, eles reconhecem que há uma unidade básica na identificação do capitalismo como o executor de um “sistema explorador, patriarcal, piramidal, racista, ladrão e criminoso.

Ele destaca a convicção de que existem muitos mundos que vivem e lutam no mundo. “E que qualquer pretensão de homogeneidade e hegemonia ameaça a essência do ser humano: a liberdade”. 

“A igualdade da humanidade é no respeito à diferença. Em sua diversidade está sua semelhança”, indica o manifesto.

O manifesto é assinado por numerosas articulações da Alemanha, Áustria, Bélgica, Bulgária, Catalunha, Chipre, Escócia, Eslováquia, Europa, França, Grécia, Inglaterra, Irlanda, Nigéria, Noruega, Portugal e País Basco.

Além disso, da Argentina, Brasil, Canadá, Chile, Colômbia, Equador, Estados Unidos, Itália, Peru, Portugal, República Tcheca, Rússia, Suíça, Togo e México. 

Da mesma forma, convida você a assinar e endossar a declaração PELA VIDA enviando um e-mail indicando: nome completo do seu grupo, coletivo, organização ou o que seja, no seu idioma e na sua geografia. 

As assinaturas serão adicionadas à medida que chegarem. As adesões  devem ser enviadas para o email:  [email protected] .

Deutsch Übersetzung (Alemán)
Traduction en Français (Francés)
Norsk oversettelse (Noruego)
Перевод на русский язык (Ruso)
English Translation (Inglés)
Ελληνική μετάφραση (Griego)
Euskarazko Itzulpena (Euskera)
فارسی (Farsí)
Tradução em portugês (Portugués)
Traducione Italiano (Italiano)

***

Primeira parte:
Uma declaração… pela vida

Primeiro de janeiro do ano de 2021.

Aos povos do mundo:
Às pessoas que lutam nos cinco continentes:
Irmãs e irmãos, companheir@s:

Durante esses meses anteriores, temos estabelecido contato entre nós por diversos meios. Somos mulheres, lésbicas, gays, bissexuais, transgêneros, travestis, transsexuais, intersexuais, queer e muito mais, homens, grupos coletivos, associações, organizações, movimentos sociais, povos originários, associações de bairros, comunidades e um longo etc etc que nos dá identidade.

Nos diferenciam e distanciam terras, céus, montanhas, vales, estepes, selvas, desertos, oceanos, lagos, rios, arroios, lagoas, raças, culturas, idiomas, histórias, idades, geografias, identidades sexuais e não sexuais, raízes, fronteiras, formas de organização, classes sociais, poder aquisitivo, prestígio social, fama, popularidade, seguidores, likes, moedas, graus de escolaridade, formas de ser, afazeres, virtudes, defeitos, prós, contras, mas, contudo, rivalidades, inimizades, concepções, argumentações, contra argumentações, debates, desacordos, denúncias, acusações, desprezos, fobias, filias, elogios, repúdios, vaias, aplausos, divindades, demônios, dogmas, heresias, gostos, desgostos, modos e um longo etc etc que nos faz distintos e, não poucas vezes, contrários.

Só nos unem muito poucas coisas:

Fazer nossas as dores da terra: a violência contra as mulheres; a perseguição e desprezo às diferenças em sua identidade afetiva, emocional, sexual; o aniquilamento da infância; o genocídio contra os povos originários; o racismo; o militarismo; a exploração; a espoliação; a destruição da natureza.

O entendimento de que é um sistema o responsável destas dores. O verdugo é um sistema explorador, patriarcal, piramidal, racista, ladrão e criminoso: o capitalismo.

O conhecimento de que não é possível reformar este sistema, educá-lo, limá-lo, domesticá-lo, humanizá-lo.

O compromisso de lutar, em todas as partes e por todas as horas – cada qual em seu terreno –, contra este sistema até destruí-lo por completo. A sobrevivência da humanidade depende da destruição do capitalismo. Não nos rendemos, não estamos à venda e não cederemos.

A certeza de que a luta pela humanidade é mundial. Assim como a destruição em curso não reconhece fronteiras, nacionalidades, bandeiras, línguas, culturas, raças; assim a luta pela humanidade é em todas as partes, todo o tempo.

A convicção de que são muitos os mundos que vivem e lutam no mundo. E que toda pretensão de homogeneidade e hegemonia atenta contra a essência do ser humano: a liberdade. A igualdade da humanidade está no respeito à diferença. Em sua diversidade está sua semelhança.

A compreensão de que não é a pretensão de impor nossa visão, nossos passos, companhias, caminhos e destinos, o que nos permitirá avançar, e sim a escuta e o olhar do outro que, distinto e diferente, tem a mesma vocação de liberdade e justiça.

Por estas coincidências e sem abandonar nossas convicções, nem deixar de ser o que somos, temos concordado:

Primeiro: Realizar encontros, diálogos, intercâmbios de ideias, experiências, análises e avaliações entre aqueles que nós encontramos empenhados, desde distintas concepções e em diferentes terrenos, na luta pela vida. Depois, cada um seguirá seu caminho ou não. Olhar e escutar o outro talvez nos ajudará ou não em nossos passos. Mas conhecer o diferente é também parte de nossa luta e de nosso empenho, de nossa humanidade.

Segundo: Que estes encontros e atividades se realizem nos cinco continentes. Que, no que se refere ao continente europeu, se concentrem nos meses de Julho, Agosto, Setembro e Outubro do ano de 2021, com a participação direta de uma delegação mexicana formada pelo CNI-CIG, a Frente de Povos em Defesa da Água e da Terra de Morelos, Puebla e Tlaxcala, e o EZLN. E em datas ainda a marcar, apoiar segundo nossas possibilidades, para que se realizem na Ásia, África, Oceania e América.

Terceiro: convidar quem compartilha das mesmas preocupações e lutas parecidas, a todas as pessoas honestas e a todos os de abaixo que se rebelem e resistam nos muitos rincões do mundo, a que se somem, aportem, apoiem e participem nestes encontros e atividades; e que firmem e façam suas esta declaração PELA VIDA.

Desde um dos pontos da dignidade que une aos cinco continentes.

Nós.

Planeta Terra.

1 de janeiro de 2021.

Desde diversos, díspares, diferentes, dessemelhantes, desiguais, distantes e distintos rincões do mundo (em arte, ciência e luta em resistência e rebeldia):

[As assinaturas podem ser conferidas em Zapatista]

Desde las montañas del Sureste Mexicano.
Por las mujeres, hombres, otroas, niñ@s y ancian@s del
Ejército Zapatista de Liberación Nacional:

Comandante Don Pablo Contreras y Subcomandante Insurgente Moisés.
México.

Si usted (es) quiere (n) firmar esta Declaración, mandar su firma a  [email protected].  Por favor nombre completo de su grupo, colectivo, organización o lo que sea, en su idioma, y su geografía.  Las firmas se irán agregando conforme vayan llegando.

–

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Inpe informou ao governo que satélite “não é apropriado” para Amazônia. Por Rubens Valente

No Uol

Em um documento protocolado em setembro, o Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) informou ao MCTIC (Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovações) que o satélite-radar da banda X – nos mesmos moldes de um que o Ministério da Defesa estudava adquirir na época – “não é apropriado para o monitoramento do desmatamento na Amazônia”.

Nesta quarta-feira (30), conforme a coluna divulgou ontem, o Comando da Aeronáutica assinou o contrato com a empresa finlandesa Iceye pelo qual adquiriu um satélite-radar por US$ 33,8 milhões, ou cerca de R$ 175 milhões ao câmbio de ontem.

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Petição exige libertação de Julian Assange

Com mais de 100 mil assinaturas, documento é enviado ao governo britânico pela Repórteres sem Fronteiras, dias antes de decisão sobre extradição do fundador do Wikileaks para os EUA.

Na DW

Às vésperas da decisão da Justiça britânica sobre uma possível extradição de Julian Assange para os EUA, a organização Repórteres sem Fronteiras (RSF) enviou ao governo do Reino Unido uma petição com mais de 108 mil assinaturas exigindo a libertação imediata do fundador do Wikileaks.

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Desrespeitando STF, juiz nega acesso de Lula a mensagens de Moro e procuradores

Por Tiago Angelo, no Conjur

O juiz substituto Waldemar Cláudio de Carvalho, da 10ª Vara Federal Criminal do DF, negou à defesa do ex-presidente Lula acesso às conversas apreendidas pela chamada operação “spoofing”. O compartilhamento do conteúdo hackeado do celular de autoridades, em especial de integrantes do Ministério Público Federal no Paraná e do ex-juiz Sergio Moro, foi determinado por Ricardo Lewandowski, do Supremo Tribunal Federal, no último dia 28.

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O Brasil despertou para o racismo?

Em meio à pandemia, país acordou para crimes raciais. Ainda que em 2020 tenha havido avanços tímidos sobre a causa, tragédias rotineiras conquistaram repercussão inédita, colocando o debate no centro da sociedade.

Por João Pedro Soares, no DW

O Brasil viu dobrar o número de mortos pela pandemia no país em junho deste ano. A gravidade da crise sanitária se fez evidente e deixou pouco espaço para temas menos urgentes no debate público. Nesse delicado cenário, a morte de George Floyd pela polícia nos Estados Unidos fez o Brasil debater seu racismo e colocou o movimento negro em evidência inédita no ano de 2020.

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