Ele tinha 8 ou 9 anos quando, voltando do colégio, viu algo entre os arbustos. Parecia o cano de um rifle. Receoso, aproximou-se e descobriu que o objeto era, na verdade, um telescópio. Estava nas mãos de um idoso que simplesmente “observava a lua”. A recordação da infância, relatada pelo antropólogo Tim Ingold em seu novo livro, subsidia a encruzilhada existencial que propõe: devemos almejar a conquista do futuro, como o jovem astronauta que almeja chegar a outros planetas, ou devemos reaprender o assombro e o “anseio” do idoso, cuja atenção se une ao brilho da lua em um arco de correspondência?
A entrevista é de Daniel Arjona, publicada por El Mundo, 29-07-2025. A tradução é do Cepat, em IHU
Tim Ingold (Kent, Reino Unido, 1948), um dos pensadores mais influentes da antropologia contemporânea, professor emérito da Universidade de Aberdeen (Escócia), explora de modo radical, em suas pesquisas, as relações entre seres humanos, meio ambiente, técnica e percepção. La cuerda de las generaciones: Repensar la continuidad en tiempos de ruptura (Alianza Editorial, 2025) nasce justamente de sua participação no grupo de trabalho interdisciplinar Enfrentando o Antropoceno, organizado pela Universidade Duke (Estados Unidos). Foi durante essas conversas sobre a crise planetária que Ingold se convenceu de que grande parte da nossa dificuldade em abordar o futuro reside em uma ideia tóxica sobre como as gerações se relacionam. Continue lendo ““Tenho a esperança de que nossa civilização entre em colapso e possamos construir sobre novos alicerces”. Entrevista com Tim Ingold”