Marcelo Firpo: ‘Se quisermos retornar a democracia teremos que construir um outro modelo de desenvolvimento’

Por Daiane Batista, no blog do CEE-Fiocruz

“Temos uma relação de neoextrativismo e envenenamento, não só dos trabalhadores e da população, mas das bases civilizatórias da democracia e da proteção da vida e do meio ambiente. Estamos em um grande abismo civilizatório”. A análise é do pesquisador Marcelo Firpo da Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca (Ensp/Fiocruz). Coordenador do Núcleo Ecologias, Epistemologias e Promoção Emancipatória da Saúde (Neepes) da instituição, Marcelo discute o atual cenário brasileiro no que tange à liberação desregulamentada de agrotóxicos no país, em comentário ao blog do CEE-Fiocruz. Em 2019, já são 74 produtos ligados a agrotóxicos – cerca de um por dia – liberados, sendo já com formalização no Diário Oficial da União. “A forma com que a regulação está sendo violentamente quebrada, só é possível porque o Brasil é um caso absurdo do que alguns autores chamam de paraíso da poluição”, explica.

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Agrotóxico e câncer, não; agroecologia, sim. Por Gilvander Moreira[1]

Já está acionada a luz vermelha sobre a relação da ‘epidemia’ de câncer com o uso e a aplicação de agrotóxicos nas lavouras de monoculturas do café, da cana, do eucalipto, do feijão, da soja e outras. Está comprovado pelo Programa de Avaliação de Resíduos de Agrotóxicos em Alimentos – PARA -, da ANVISA[2]: a) a presença de resíduos de agrotóxicos em alimentos acima dos limites máximos “recomendados”; b) a presença em muitos alimentos de venenos não permitidos.  Afora isso, nas fiscalizações junto às empresas produtoras de agrotóxicos observa-se, recorrentemente, muitas irregularidades. “No Município de Lucas de Rio Verde, no Mato Grosso, constatou-se a contaminação do leite materno, das águas da chuva, do solo e até do ar” (MOREIRA, 2016b, p. 224). Estima-se que, a cada ano, 25 milhões de trabalhadores são contaminados por agrotóxicos apenas nos países empobrecidos.

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Por que o Brasil deveria se importar com a morte de abelhas

País enfrenta mortandade de colmeias em vários estados. Diminuição das espécies tem impactos na agricultura, meio ambiente e economia. Mas tema ainda é negligenciado.

Por Clarissa Neher, na Deutsche Welle

A morte de abelhas não é um fenômeno recente: é observada por pesquisadores ao menos desde a década passada. No entanto, nos últimos meses, a mortandade alcançou números alarmantes no Brasil.

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MST no sul de MG e Agroecologia: que beleza! Por Gilvander Moreira[1]

Para Combate Racismo Ambiental

O Projeto de Assentamento (PA) Primeiro do Sul, do MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra), em Campo do Meio, no sul de Minas Gerais, foi formado, primeiro, para produzir alimentos com a finalidade de matar a fome e eliminar a miséria que reinava no seio das 48 famílias camponesas assentadas. Ainda não se tinha a consciência do paradigma agroecológico. Diferentemente, o PA Santo Dias, em Guapé, de 12 de maio de 2006, distante 70 quilômetros de Campo do Meio, nasceu dentro da concepção agroecológica e, por isso, sua produção é hoje, basicamente, agroecológica. É o que informa Sílvio Neto, da Direção Nacional do MST: “No PA Santo Dias, em Guapé, desde que os Sem Terra pisaram lá não jogaram nem uma gota de agrotóxico no assentamento. Lá tem 19 modelos agroecológicos sendo praticados. Temos, inclusive, homeopatia para o manejo do gado. Enfim, temos no PA Santo Dias um amplo processo agroecológico, coisa que não existe em nenhuma outra propriedade da região sul de Minas”.

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Justiça europeia exige acesso público a estudos sobre glifosato

Agência alimentar europeia argumentava que tornar públicos seus levantamentos sobre efeitos do controverso herbicida sobre a saúde humana e o meio ambiente contrariava interesses comerciais de empresas produtoras.

Na Deutsche Welle

Uma corte europeia determinou nesta quinta-feira (07/03) que cidadãos têm o direito de ter acesso a estudos sobre os efeitos do herbicida glifosato, amplamente utilizado na agricultura.

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Licença para envenenar. Por Janio de Freitas

No Congresso já houve CPI dos agrotóxicos; todos acharam melhor seguir ‘o curso normal’

Na Folha

Jair Bolsonaro está preocupado. Com a banana.

Não a que lhe dão. A que representa uma incógnita nas suas reflexões sobre o que vê como um ataque externo ao Brasil. Em síntese: “Não consigo entender como uma banana do Equador viaja 10 mil quilômetros até a Ceagesp [mercadão paulista] e compete no preço com a banana do Vale do Ribeira” –por coincidência, a do seu sobrinho produtor. A reflexão não alcançou deduzir que produtores e exportadores equatorianos, somados, são menos gananciosos do que o parente bananeiro, tal como os outros produtores na região onde os Bolsonaros têm muitas empresas.

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Consulta pública da Anvisa sobre uso de glifosato no Brasil manipula dados

Documento afirma, por exemplo, que apenas 0,03% da água potável apresenta resíduo de glifosato acima do limite permitido, porém esconde que o limite no Brasil é cinco mil vezes superior ao da União Europeia

por Redação RBA 

consulta pública aberta pela Anvisapara reavaliação do uso de glifosato no Brasil, o agrotóxico mais utilizado no país, contém informações que podem confundir a população sobre o assunto. A opinião é de Larissa Mies Bombardi, pesquisadora do Departamento de Geografia da Universidade de São Paulo (USP) e autora do Atlas Geografia do Uso de Agrotóxicos no Brasil e Conexões com a União Europeia

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Os donos do agronegócio e a alimentação

Um relatório de organizações alemãs mostra como algumas corporações controlam o sistema alimentar do planeta. O agronegócio e a conivência dos governos. O caso argentino: os povos fumigados e a expulsão da  Monsanto de uma região de Córdoba

por Darío Aranda, em Página/12 / IHU On-Line*

Um punhado de empresas dos Estados Unidos, Europa e China decide o que o agronegócio mundial produz, como a população se alimenta e, ao mesmo tempo, como se adoece e empobrece. São algumas das definições do Atlas do agronegócio, uma pesquisa de organizações alemãs que denuncia com nomes próprios as práticas das companhias e a conivência dos governos. O trabalho também derruba o mito das multinacionais agrícolas. “O agronegócio (de transgênicos e agrotóxicos) não pode conservar o meio ambiente, nem a subsistência de produtores, como também não pode alimentar o mundo”.

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Em área da Reforma Agrária, Romaria da Terra evidencia a alimentação saudável

Tema da 42ª edição do evento dialoga com uma das principais pautas defendidas pelo MST

Por Leandro Molina, da Página do MST 

Devoção, fé, defesa da alimentação saudável e protestos contra a retirada de direitos. Esse foi o tom dos romeiros que participaram da tradicional Romaria da Terra do Rio Grande do Sul, realizada sempre na terça-feira de Carnaval. A 42ª edição aconteceu no Assentamento Conquista da Luta, do MST, no município de Itacurubi, localizado na região das Missões e a mais de 500 quilômetros de Porto Alegre. O tema da Romaria deu destaque este ano à alimentação saudável, com abordagem sobre o modelo de organização e produção no campo, em contraposição ao atual modelo do agronegócio.

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A colonização do Oeste foi a saída conservadora para a questão agrária no Brasil. Entrevista especial com Rafael Assumpção de Abreu

No IHU

Talvez o processo de reprimarização da economia que tornou o Brasil refém do agronegócio para manter a estabilidade da balança comercial não seja, tão simplesmente, um acontecimento espontâneo, mas, sim, um projeto político de longo prazo. Voltemos um pouco na história. Desde a primeira metade do século XX, de Cândido Rondon a Getúlio Vargas, a ocupação do Oeste por parte da população branca se tornou um projeto de Estado. Os habitantes do Sul do Brasil foram os escolhidos para ocuparem os territórios. “É importante ter em mente que a concepção de que indivíduos da região Sul do país deveriam ser os alvos do processo de ocupação não nasceu com os projetos de colonização na Ditadura Militar. Anteriormente, na campanha da Marcha para Oeste, Getúlio Vargas manifestou a preferência por colonos do Sul, pois estes possuiriam uma mentalidade mais europeia e empresarial”, salienta Rafael Assumpção de Abreu, professor e pesquisador, em entrevista por e-mail à IHU On-Line.

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