Aves infectadas com vírus teriam sido testadas pelos EUA como armas biológicas no Brasil

Sede da COP30, Belém virou laboratório norte-americano como possível esforço de combate no Vietnã durante a Guerra Fria

Por Thiago Domenici | Edição: Ed Wanderley, Agência Pública

A historiadora Laura de Oliveira Sangiovanni estava em um subsolo de Washington, D.C., quando o ar começou a faltar. Na frente dela, o funcionário do Museu Nacional de História Natural Smithsonian Chris Milensky puxava com cuidado uma longa gaveta de metal. Dentro, centenas de aves amazônicas, perfeitamente empalhadas, repousavam em silêncio, entre elas o urubu-de-cabeça-preta. Milensky abriu outra gaveta. Eram muitas gavetas, que são parte da chamada reserva técnica do museu. (mais…)

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O futuro das ‘terras raras’ e o desafio amazônico

Entre a promessa de protagonismo na transição energética e o risco de repetir velhos ciclos de devastação, o Brasil surge como peça-chave no novo tabuleiro global das terras raras

Por Ismael Machado, em Amazônia Real

Belém (PA) – Nas últimas décadas, as chamadas “terras raras” — um grupo de 17 elementos químicos essenciais para a produção de tecnologias de ponta — deixaram de ser uma curiosidade mineral para se tornarem protagonistas silenciosos da geopolítica global. Neodímio, lantânio, disprósio e outros nomes pouco familiares são hoje fundamentais para motores elétricos, turbinas eólicas, baterias e dispositivos eletrônicos. (mais…)

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Cerca de 1,6 mil indígenas da Amazônia participam da COP30 em Belém

Lideranças reivindicam participação real nas decisões, reconhecimento e proteção dos territórios indígenas como ação e política de clima

Coiab

Uma delegação com cerca de 1,6 mil indígenas dos nove países da Bacia Amazônica vai até Belém (PA) para participar da Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas, a COP30. Entre as demandas dos povos indígenas estão o reconhecimento e proteção dos territórios indígenas como ação e política de clima, acesso direto a financiamento climático e representação e participação efetiva nos espaços de decisão oficiais. (mais…)

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Sem peixe nem tapioca: mudança na alimentação ameaça cultura e saúde de ribeirinhos da Amazônia

Tese da USP mostra como fatores ambientais e sociais estão promovendo o “nutricídio” da cultura alimentar de comunidades tradicionais no Pará

por Maria Eduarda Oliveira*, no Jornal da USP

Comunidades ribeirinhas da Amazônia localizadas na Floresta Nacional de Caxiuanã, no Pará, estão trocando alimentos tradicionais por produtos industrializados, aumentando risco de doenças graves e perda de qualidade de vida, como mostra um estudo realizado no Instituto de Biociências (IB) da USP. A pesquisa, que tem como autora a bioantropóloga Mariana Inglez, foi premiada na categoria Inclusão Social e Cultural e Redução das Desigualdades da 14ª edição do Prêmio Tese Destaque USP.

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Domingo na Vila da Barca

Com mais de 5 mil habitantes, a maior comunidade ribeirinha urbana e de palafitas do país, em Belém, denuncia exclusão, o racismo ambiental e luta por moradia digna às vésperas da COP30

Por Cristina Serra, em Amazônia Real

Belém (PA)  Na padaria Deus Proverá, encontrei-me para um café com a educadora popular Suane Barreirinhas, 37 anos, cidadã e liderança da Vila da Barca. Comunidade centenária do bairro do Telégrafo, a Vila da Barca é conhecida pelas palafitas fincadas sobre as águas da Baía do Guajará, que banha Belém. Era domingo de céu azul e Suane me convidou para um passeio pelas ruas de tábuas que conhece tão bem. Ela é cria daquele chão e daquelas águas, que vão e vêm, ao sabor das marés. “Aqui, eu me geolocalizo”, me disse, ao explicar sua conexão com o território que a formou. (mais…)

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A Amazônia que resiste

Jornadas Anarquistas Anti-COP30 propõem alternativas libertárias à crise climática

Por Ismael Machado, em Amazônia Real

(Belém) – Entre os dias 10 e 21 de novembro, Belém se torna palco de uma experiência política e cultural incomum no Brasil: as Jornadas Anarquistas Anti-COP30, promovidas pelo Centro de Cultura Libertária da Amazônia (CCLA). No mesmo território onde governos e corporações se preparam para debater a “sustentabilidade” global sob o olhar do mercado, o CCLA ergue uma contraposição radical, ou seja, um espaço de reflexão, convivência e ação direta que questiona as próprias bases do sistema responsável pelo colapso ambiental. (mais…)

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BR-319: a lição sombria da aprovação do petróleo na foz do Amazonas

Como as pressões políticas influencia na autorização de licenciamentos ambientais de empreendimentos na Amazônia, como a exploração de petróleo na foz do Amazonas e na BR-319, e quais as consequências ambientais?

Por Philip Martin Fearnside, em Amazônia Real

Em 20 de outubro, o IBAMA aprovou a licença para o primeiro poço “de pesquisa” de petróleo na foz do rio Amazonas, contradizendo não apenas as conclusões de especialistas externos (por exemplo, [1-3], mas também os pareceres formais da própria equipe técnica do IBAMA [4, 5]. A recente “simulação” de resposta a um derramamento de petróleo, que apresentou resultado negativo e exigiu diversas medidas corretivas, além de uma segunda “simulação” [6], apenas serviu para acelerar a aprovação. As lições a serem aprendidas com esse histórico recente são altamente relevantes para a aprovação pendente do projeto de reconstrução da rodovia BR-319. (mais…)

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