Lula precisa reconstitucionalizar o Brasil. Por Luis Felipe Miguel

É fundamental voltar a traçar as fronteiras entre os poderes e a definir as atribuições de cada um, permitindo tanto que eles deem previsibilidade à disputa política e à vida social quanto restabelecendo o equilíbrio do sistema de freios mútuos, que, no arranjo liberal, é a garantia da não-tirania.

No Blog da Boitempo

Lula assume a presidência no próximo dia 1º de janeiro com um conjunto hercúleo de tarefas a cumprir. Afinal, os últimos anos foram de acelerada destruição do país. O novo presidente precisa reinserir o Brasil no mundo, restaurar os compromissos sociais do Estado, retomar o caminho do desenvolvimento, conter o colapso ambiental e pacificar a disputa política. Um desafio, em particular, atravessa todos os outros e é crucial para o futuro de nossa democracia: Lula precisa comandar o processo de reconstitucionalização do Brasil. (mais…)

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Esperar não é saber… Por Cândido Grzybowski

Em Sentidos e Rumos

A vitória na disputa eleitoral foi um ganho estratégico para quem luta pela democracia, afastando temporariamente a ameaça fascista. Mas a disputa democrática não acaba com as eleições e a institucionalidade que as regula, legitima e confere poder estatal. Já entramos em um novo momento, uma nova conjuntura. E as ameaças estão aí, com forças que não podemos ignorar, tanto na esfera política, como, sobretudo no seio da sociedade civil. O imaginário autoritário e fascista se revelou forte e está entre nós, nem tão camuflado e envergonhado de pregar a sua visão de mundo, seus valores e seus métodos. (mais…)

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A recalcada raiva do homúnculo

Por Halley Margon, em Terapia Política

Política é magia. Quem sabe invocar as forças das profundezas, a este seguirão.”
Hofmannsthal citado por Carl E. Schorske em Viena Fin-de-Siécle

Tanto quanto o Estado e a política moderna, nós, os cidadãos que legitimamos esse Estado e essa política, somos filhos do Iluminismo. Mesmo que já um tanto quanto descrentes, seguimos nos esforçando para acreditar na razão e na racionalidade como guias de conduta e da vida em sociedade, na palavra como mecanismo do pacto que vigia as paixões e os comportamentos e negocia as possibilidades de mudanças (apesar de tudo e meio insensatamente, mantemos a fé na ideia de progresso e avanço da vida social) e garante a convivência entre as diferenças – mesmo as mais absurdas e injustas. Longínquos talvez, renitentes, mas ainda assim, herdeiros de uma tradição básica. Quem sabe apenas para podermos dormir sem temer que vençam as sombras: sempre à espreita, prontas para capturar nossas ações e conduzir nossas vontades. (mais…)

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E agora, para onde vamos? Por Eva Alterman Blay

Por Eva Alterman Blay, professora da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP

Jornal da USP

Pode parecer um programa estranho a realização de um festival literário no Museu Judaico em São Paulo. Pois ocorreu nos dias 6 a 9 de outubro, numa data simbolicamente judaica: entre o Dia do Perdão (Iom Kipur) e a Festa das Cabanas (Sucot), quando os judeus que saíram da escravidão do Egito dormiam em cabanas no deserto ao buscarem Jerusalém. (mais…)

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A figura tenebrosa que ameaça a democracia. Por Leonardo Boff

A vitória de Bolsonaro levaria avante seu projeto de desmontagem das instituições de forma abertamente autoritária e ameaçadora de um golpe de Estado

Em A Terra é Redonda

O atual presidente apresenta traços desvairados e tem feito constantes ameaças à normalidade democrática, caso venha perder as eleições. No primeiro turno em 2 de outubro recebeu 43,44% dos votos enquanto o ex-presidente Lula levou 48,5% dos votos. Há grande expectativa que Lula venha a ganhar a eleição, pois a superioridade sobre Jair Bolsonaro é notável. (mais…)

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Desculpem, mas dá para ganhar. Por Gilberto Maringoni

O bolsonarismo oculto – ou envergonhado – é fenômeno que desafia as estatísticas.

No GGN

1. O RESULTADO DAS ELEIÇÕES deste 2 de outubro é impactante em vários aspectos. O primeiro e mais evidente é o da falha gritante das pesquisas: elas não captaram a força do bolsonarismo e de seus agregados na sociedade brasileira.

2. O BRASIL É MUITO MAIS CONSERVADOR do que supunha nossa vã filosofia. Para qualquer um, que se paute por um pensamento democrático e progressista, é chocante ver gente como Hamilton Mourão, Sérgio Moro, Deltan Dallagnol, Ricardo Salles, Mario Frias, Damares Alves, Magno Malta e semelhantes serem consagrados pelo voto popular. Temos aqui o enraizamento social da extrema-direita após os quase 700 mil mortos da pandemia, os 33 milhões com fome, a apologia das armas e de tudo o mais. O fascismo não nos é mais um corpo estranho; foi naturalizado. Ao mesmo tempo, esse é o país que gera o fenômeno Boulos, que trafega em sentido contrário, com um milhão de votos. (mais…)

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Contra o golpe do medo. Por Boaventura de Sousa Santos

Atrevo-me a identificar vários fatores que me levam a pensar que o perigo do colapso da democracia brasileira, embora real, não é iminente. A retórica do golpe é muito mais eficaz em instalar o medo do que em condicionar opções finais.

No Blog da Boitempo

Os olhos da inquietação do mundo têm hoje muito para onde olhar. O processo eleitoral em curso no Brasil é, certamente, um dos alvos de atenção. Os processos eleitorais, mesmo quando muito intensos, como aconteceu recentemente na Colômbia (eleição do primeiro presidente de esquerda na história do país e da primeira vice-presidente negra na história da América Latina) e no Chile (rejeição do projeto da nova Constituição que substituiria a atual, herdeira da ditadura de Pinochet), não costumam atingir o nível de drama existencial que a democracia brasileira vive atualmente. Esse drama resulta da ameaça que paira sobre a sobrevivência da própria democracia, ameaça que decorre das declarações e mobilizações públicas do presidente Jair Bolsonaro e seus seguidores, pondo em causa a transparência do escrutínio eleitoral, fazendo a apologia de um possível golpe de Estado, com apelos às Forças Armadas para intervir e suspender ou encerrar as instituições democráticas, nomeadamente o Supremo Tribunal Federal, um dos principais garantes da normalidade democrática no atual contexto. (mais…)

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