Wallerstein, o sociólogo da descolonização. Por Boaventura de Sousa Santos

Ele difundiu o conceito de sistema mundo, que permitiu às ciências sociais enxergar além dos espaços nacionais. Longe de se limitar à teoria, apoiou movimentos anticoloniais e reconstruiu comunidades científicas em países liberados

por Boaventura de Sousa Santos*, em Outras Palavras

A morte de Immanuel Wallerstein é uma perda irreparável para as ciências sociais. Foi, sem sombra de dúvida, o mais notável sociólogo norte-americano do século XX e o de maior projeção internacional. O seu maior mérito foi ter levado gerações sucessivas de sociólogos a deixarem para trás a unidade de análise em que se tinham treinado (as sociedades nacionais) e a debruçarem-se sobre o sistema mundo (a economia-mundo e o sistema de Estados soberanos).

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O novo plano colonial para a América Latina

Tudo indica que movimentos “anticorrupção”, golpe em Dilma e Lava Jato foram operações conjuntas entre Washington e as elites brasileiras. Petrobrás fortalecida e política externa altiva eram ameaças à geopolítica estadunidense na região

Um ensaio de Samuel Pinheiro Guimarães, em Outras Palavras

1. Os objetivos estratégicos dos Estados Unidos para a América Latina e, em especial para o Brasil, são importantes para compreender a política externa e interna brasileira, inclusive a Operação Lava Jato.

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A Lava Jato destruiu as construtoras brasileiras para entregar obras do país às empreiteiras dos EUA

A destruição das empreiteiras não só removeu um poderoso competidor internacional das firmas estadunidenses, como também, abriu um dos maiores mercados de infraestrutura para empresas como a Halliburton e suas filiais, assim como para outras grandes construtoras dos Estados Unidos.

Por Gonzaga Alves, no GGN

Os governos do Brasil e dos Estados Unidos assinaram dia 01 de agosto de 2019 um memorando, para entregar bilionárias obras de infraestrutura do país a construtoras estadunidenses. O acordo foi possível porque a Lavajato destruiu as empreiteiras brasileiras, que chegaram a ser as mais avançadas e competitivas do mundo, o que é comprovado pelas frequentes vitórias em concorrências internacionais. A proposta abre as portas do Brasil para empresas como a Halliburton e suas subsidiárias, consideradas as mais corruptas do planeta.

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Por um Fanon revolucionário

Por João Carvalho, no blog da Boitempo

Introdução

“Os filósofos têm apenas interpretado o mundo de maneiras diferentes; a questão, porém, é transformá-lo.”[1] Frantz Fanon foi um desses transformadores. Em sua obra, bem como em sua vida, sempre soube aliar a teoria à prática não apenas para compreender e tornar cognoscível o mundo que o cercava e o mundo dentro de si, mas, sobremaneira, para transformá-lo. Dentre as ferramentas de seu vasto arsenal teórico, além de Freud e Hegel,  se encontravam Marx, Lênin e Mao.

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Descolonizar o saber e o poder. Por Boaventura Sousa Santos*

O que está em jogo é muito e o pragmatismo impõe-se. A resposta à extrema-direita racista tem de ser tanto política como jurídica e judicial

Público

Os conflitos sociais têm ritmos e intensidades que variam consoante as conjunturas. Muitas vezes acirram-se para atingir objectivos que permanecem ocultos ou implícitos nos debates que suscitam. Num período pré-eleitoral em que as opções políticas sejam de espectro limitado, os conflitos estruturais são o modo de dramatizar o indramatizável.

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Novo colonialismo não explora apenas riquezas naturais, explora nossos dados

Para o professor Nick Couldry, da London School of Economics and Political Science, o chamado “colonialismo de dados” pode marcar nova fase histórica, mediada pelas corporações

Por Denis Pacheco, no Jornal da USP

Nas salas de aula, durante o ensino fundamental, aprendemos as primeiras noções sobre as origens do nosso País. Da chegada dos portugueses até o estabelecimento de uma república independente, nos acostumamos a dividir nossa história a partir de um período conhecido como “colonialismo”.

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O bispo que não vai para o céu

No Araguaia, Pedro Casaldáliga evangeliza contra o colonialismo e desperta ira da elite local ao denunciar seus crimes. Num mundo dividido por muros e ódio, seu exemplo é inspirador: o paraíso também pode ser construído na terra

por Ana Helena Tavares, em Outras Palavras

Quem fica um dia na floresta quer escrever uma enciclopédia.
Quem fica cinco anos quer ficar em silêncio para contemplar”. 
(Pedro Casaldáliga)

Ouvi falar de Pedro pela primeira vez por intermédio de Dom Waldyr Calheiros, no início de 2012. Dom Waldyr, então bispo emérito de Volta Redonda e Barra do Piraí (RJ), contava-me, durante entrevista sobre a ditadura, que havia recebido em sua casa presos políticos recomendados aos cuidados dele por Dom Pedro Casaldáliga, vindos “láááááááááá” da Prelazia de São Félix do Araguaia. Ele pronunciou o “láááááááááá” assim longo, e que lugar “tão, tão distante” aquilo me pareceu!

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Nunca fomos tão pequenos

Atitude submissa, alienação e oportunismo mofado marcaram visita de Bolsonaro a Trump. Felizmente, mostra o novo Ibope, pode durar pouco – desde que haja uma oposição

por Antonio Martins, em Outras Palavras

No início desta tarde (20/3), o Ibope tornou públicos os dados da primeira pesquisa de opinião sobre o governo Bolsonaro feita por um instituto relevante. O desgaste foi rápido, nos dois primeiros meses de mandato. O presidente, que já não assumiu com popularidade excepcional, perdeu 15 pontos percentuais de apoio, em 60 dias. Agora, apenas 34% consideram seu governo “ótimo” ou “bom”. No gráfico abaixo a queda fica mais nítida. Agora, a linha que representa as opiniões favoráveis, descendente já se encontra com o “regular” e se aproxima perigosamente daquela que registra a crítica, os que julgam o governo “ruim” ou “péssimo”.

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Nota pública de repulsa às recentes manifestações do Presidente Jair Bolsonaro sobre imigrantes brasileiros

CDHM/Câmara dos Deputados

Na condição de presidente da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara Federal expresso nossa profunda repulsa às recentes manifestações do Presidente Jair Messias Bolsonaro, a respeito dos brasileiros e brasileiras que emigram para o exterior.

Não podemos de forma alguma aceitar que o presidente de nosso país se refira aos brasileiros que, pelos mais diversos motivos, inclusive dificuldades econômicas, emigram para os EUA atrás do chamado sonho americano, como pessoas de má índole ou criminosos. Estudos acadêmicos apontam que, historicamente, homens e mulheres migram em busca de uma vida melhor, jamais para cometer crimes! Mostram, igualmente, que as pessoas que migram costumam ser as mais corajosas e empreendedoras de suas comunidades, que muito fazem por estas e por seus países, seja pelas remessas de valores efetuadas, seja retornando com economias para investir e com riquíssimas experiências de vida.

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