Dossiê: Adeus à Embraer?

Venda à Boeing liquida empresa brasileira de sucesso mundial, frustra 50 anos de investimentos públicos e quebra sistema nacional de inovação. Governo pode barrar a venda. Terá coragem?

Por David Deccache, em Economia à Esquerda

O acordo básico

A Embraer anunciou, nesta segunda-feira, dia 17/12/2018, que aprovou, junto com a Boeing, os termos para a formação de uma joint venture na área de aviação comercial. O acordo ainda depende da aprovação do governo brasileiro e dos acionistas. A expectativa da empresa é de que receba o aval em 2019. O acerto prevê que a subsidiária da Boeing no Brasil adquirirá a participação de 80% do capital social no fechamento da operação, por um valor agregado de US$ 4,2 bilhões.  O acordo manteve a possibilidade de a Embraer vender sua participação na joint venture de aviação comercial para a Boeing, a qualquer momento, por meio do exercício de uma opção de venda.  Trata-se, basicamente, da aquisição de controle da Embraer pela Boeing. A Embraer é uma das maiores fabricantes globais de jatos de passageiros e foi a terceira maior exportadora do Brasil em 2017.

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Dowbor: há saída no labirinto capitalista?

Em sua fase delirante, sistema comete todos os desvarios – e os trata como alta sabedoria. Teremos inteligência para escapar da cilada?

por Ladislau Dowbor, em Outras Palavras

The most intellectual creature ever to walk the earth,
is destroying its only home
.” (Jane Goodall)

A burrice no poder tende não só a se perpetuar, como nela se afundar. O acúmulo de bobagens ou de tragédias, a partir de um certo ponto, exigiria tamanha confissão de incompetência, que os donos de poder continuam até a ruptura total. Reconhecer a burrice torna-se demasiado penoso. Barbara Tuchman nos dá uma análise preciosa dos mecanismos, no que ela chama de Marcha da Insensatez: “Uma vez que uma política foi adotada e implementada, toda atividade subsequente se transforma num esforço para justificá-la.” Isso levou, por exemplo, cinco presidentes norte-americanos sucessivos a se afundarem na guerra do Vietnã, apesar da convicção íntima, hoje conhecida, de que era uma causa perdida. A burrice política obedece a uma impressionante força de inércia. (263)

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Fazer política é se engajar na disputa de hegemonia. Por Cândido Grzybowski

do Ibase

Em minha última crônica, de 26/11, defendi a ideia que precisamos voltar a disputar sentidos, direções e propostas no seio da sociedade civil, berço real da democracia como processo transformador. Volto a esta reflexão, desta vez sobre algumas das grandes questões incontornáveis que exigem aprofundado esforço coletivo de análise, debate e ação cidadã, gestando idéias e propostas capazes de agregar nossas diversidades, sem negá-las, e de nos forjar como bloco histórico com vontade para outro Brasil e outro mundo. Tarefa ousada, longa e difícil, que exige determinação e paciência.

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Diante do avanço do populismo de direita, “o único caminho é desenvolver um populismo de esquerda”. Entrevista com Chantal Mouffe

IHU On-Line

Após visitar a Argentina pela última vez em 2015, a cientista política belga Chantal Mouffe retornou ao país esta semana para apresentar seu novo livro e participar do Fórum Mundial do Pensamento Crítico, organizado pelo Clacso. Ao contrário de suas obras anteriores, Por um populismo de esquerda (Siglo Veintiuno Editores) não é um texto de teoria política, mas uma interpelação direta aos diferentes setores da esquerda diante daquilo que chama de “momento populista”, iniciado com a crise do atual modelo neoliberal. (mais…)

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Hegemonia e miséria do “management”

Um pilar oculto do domínio neoliberal sustenta: Estado, escola, família e até a vida pessoal devem orientar-se pelas lógicas e éticas das corporações. É uma prisão, mas há rotas de fuga

Por Marco Antonio G. de Oliveira*, em Outras Palavras

É comum ouvir que o problema do Brasil é de gestão. No entanto, se há uma área em que grande parte dos seus termos, conceitos e valores foram disseminados a ponto de se incorporarem ao senso comum da sociedade contemporânea, essa área é a da gestão, dos negócios, do business. Há menos de uma semana, em um simpósio de início de semestre organizado por uma universidade de renome da capital paulista, com cursos em diversas áreas como filosofia, direito, fisioterapia, psicologia, entre tantos outros, ouvi, do atual executivo-chefe (não mais reitor), que a educação do futuro é a educação empreendedora, do aluno empreendedor, polivalente, inovador, de atitude e sem medo de assumir responsabilidades. Em suma, ele recitou o conhecido conceito pregado pelos estudiosos e profissionais de gestão de pessoas como determinante para o sucesso dos alunos de todos os cursos da universidade: o famoso conceito CHA (competência, habilidade e atitude). (mais…)

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A fuga para dentro do capitalismo e a aceleração da democracia. Entrevista especial com Bruno Cava

por Ricardo Machado, em IHU On-Line

O imperativo existencial do capitalismo é a liberdade, mas não no seu sentido integral, senão aquela capaz de produzir algo que, por sua vez, pode ser vigiada, monitorada, controlada. “O processo do capital precisa de um limiar democrático, precisa do fogo do trabalho vivo que, fora de controle, pode terminar consumindo-o. Esse é o problema da democracia moderna”, pontua Bruno Cava, em entrevista por e-mail à IHU On-Line. De outro lado, o capitalismo contemporâneo experimenta uma forma de tensionamento nova, do processo de ingresso dos marginalizados à revelia do próprio sistema. Tal característica produz uma espécie de aceleração na democracia, “que se manifesta na fuga dos imigrantes, na fuga dos precários, na fuga das ocupações acampadas pelo mundo, numa fuga dos pobres diante da piora das condições de vida. Não exatamente uma fuga para fora do capitalismo, mas uma fuga do Fora do capitalismo, do ingovernável que é uma democracia que não mais se contém”, complementa. (mais…)

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Por que tornou-se possível fugir do capitalismo

Os riscos de horror fascista, bem sabemos, são reais. Mas surgiu pela primeira vez, na história da humanidade, a chance de deixar para trás um sistema que, no fundo, todos detestam

Por Umair Haque | Tradução: Inês Castilho, em Outras Palavras

Há uma pergunta recorrente para mim nesses dias. Se a questão, no capitalismo, é escapar do sistema, então qual a razão do capitalismo? É uma questão circular e, em certa medida, engraçada. Vou tentar explicar. (mais…)

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