Tarefa da esquerda permanece a mesma: barrar o caráter predatório automático do capitalismo. Entrevista com Acauam Oliveira

Por Rafael Francisco Hiller, no IHU On-Line

Existe, em alguns setores da esquerda mundial, um apelo à reinvenção. Tal apelo não é algo recente, pelo contrário, perpassa toda a história de luta e desenvolvimento dos partidos de esquerda. “A tarefa da esquerda, que já foi a de projetar todo o futuro da sociedade global a partir de uma cadeira dançante, reduziu-se à necessidade de se esconder envergonhada para garantir o que comer na semana seguinte. Cada vez mais a resposta à pergunta clássica de Lenin sobre o que fazer parece ser uma só: respirar por aparelhos”, afirma Acauam Oliveira. (mais…)

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Domenico Losurdo (1941-2018)

Perda imensurável para o pensamento crítico mundial, o filósofo italiano Domenico Losurdo deixa um precioso legado para o pensamento marxista. Leia aqui as páginas finais de sua última obra publicada em vida: “O marxismo ocidental: como nasceu, como morreu, como pode renascer”.

No Blog da Boitempo

É com profundo pesar que comunicamos o falecimento de Domenico Losurdo, um dos maiores e mais originais filósofos marxistas da atualidade, querido amigo e camarada. Ele nos deixou nesta manhã de quinta-feira, dia 28, aos 77 anos, vítima de um súbito câncer cerebral. Perda imensurável para o pensamento crítico mundial, Losurdo deixa um precioso legado para o pensamento marxista. Suas reflexões, sempre afiadas e eruditas, concentram-se na crítica radical ao liberalismo, ao capitalismo, ao imperialismo e à “tradição colonialista”. Sua última obra publicada em vida é O marxismo ocidental: como nasceu, como morreu, como pode renascer. Como forma de homenagem, disponibilizamos abaixo as páginas finais da obra, em que Losurdo reflete sobre as condições para o renascimento do marxismo no ocidente. A TV Boitempo está atualmente preparando a publicação de uma série inédita de vídeos com ele sobre comunismo e revolução no século XXI.

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Latifúndio, violência; campesinato, classe social que luta pela terra. Por Gilvander Moreira[1]

O latifúndio não é apenas o cercamento de um território que pode ser medido em hectares e alqueires, mas significa poder e muita violência perpetrada pela transformação da terra em mercadoria, o que aconteceu “com o crescimento do capitalismo e com a transformação agrária na Inglaterra” (MARÉS, 2003, p. 26) e se espalhou pelo mundo. A falta de luta pela terra ou lutas ingênuas e equivocadas pela terra aprofundam a violência e o poderio de quem controla a terra para fins capitalistas. A estrutura fundiária brasileira se constitui de minifúndio, propriedades médias e latifúndios. O conceito latifúndio vem do latim latifundium, que é composto do adjetivo latus (amplo, grande, extenso) e do substantivo fundus (fundo, base, domínio rural), são as propriedades rurais que têm área acima de 15 módulos rurais. Derivado do conceito de propriedade familiar, o conceito de módulo rural, segundo o Estatuto da Terra (Lei nº 4504, de 1964), trata-se de uma unidade de medida agrária de “imóvel rural que, direta e pessoalmente, explorado pelo agricultor e sua família, lhes absorva toda força de trabalho, garantindo-lhes a subsistência e o progresso social e econômico, com área máxima fixada para cada região e tipo de exploração, e eventualmente trabalhado com ajuda de terceiros” (inciso II, do artigo 4º da lei nº 4504/64). (mais…)

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As novas tecnologias, as notícias falsas e o jornalismo

por Elaine Tavares, em Palavras Insurgentes

As novas tecnologias e a criação das redes sociais colocaram uma novidade na vida cotidiana de bilhões de pessoas: o acesso rápido às informações e também a possibilidade de produzi-las e distribuí-las. Assim, o que era até bem pouco tempo quase que exclusividade dos jornalistas ou formadores de opinião ligados aos meios de comunicação, passou a ser comum para qualquer pessoa no planeta que tenha acesso à rede mundial de computadores. Mas, o que parecia ser uma vitória da democracia tem mostrado que, no sistema capitalista de produção, nada mais é do que mais do mesmo. Isso porque nos últimos tempos o que se percebeu foi que as informações  que circulam na internet também estão dentro da forma-mercadoria geradora de mais-valia ideológica. A enxurrada de notícias falsas, fabricadas por empresas especializadas nesse fazer, tem servido para produzir “verdades” que servem aos interesses do capital e das forças que conformam o poder político e econômico do sistema. (mais…)

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Saúde: Quando o prontuário é um livro aberto

Coleta e venda de dados de saúde é negócio multibilionário e de contornos opacos. Tramita no Congresso um projeto de que lei pode ajudar a garantir privacidade

Por Raquel Torres, do Outra Saúde

O mundo todo repercutiu a notícia quando, em março deste ano, soubemos que informações de dezenas de milhões de perfis do Facebook tinham vazado e ficado à disposição da empresa de análise de dados Cambridge Analytica. O escândalo foi ainda maior porque os dados, em sua maioria coletados sem consentimento por meio de um teste de personalidade, serviram para direcionar propagandas políticas e tiveram papel relevante tanto na campanha eleitoral de Donald Trump, nos Estados Unidos, como na votação do Brexit, a saída do Reino Unido da União Europeia. Aqui no Brasil, 443 mil perfis foram afetados. (mais…)

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Teremos coragem para a revolução?

A era do “crescimento” acabou. O progresso virou uma falácia. Um novo projeto de esquerda precisa dar-se conta que não se trata de ocupar o poder — mas de questionar os paradigmas da civilização

Por Mauri Cruz*, em Outras Palavras

Com a greve [i] dos caminhoneiros autônomos e o lockout [ii] das empresas de transportes de cargas ficou escancarada a profunda dependência que nós brasileiras e brasileiros temos em relação aos mecanismos criados pela economia do sistema neoliberal. Até a mais básica das necessidades, que é o acesso a água, depende de como os grandes monopólios econômicos organizam os seus interesses. Nos demos conta da profunda dependência do sistema rodoviário e dos combustíveis fósseis. Sem eles, nada funciona. Os ditos comentaristas” televisivos se perguntam: quem acabou com os trens e com as hidrovias? A resposta, como sabemos, está nos comerciais. Basta olhar para seus patrocinadores como a Shell e as empresas da indústria automobilística. Enfim, o neoliberalismo transformou em mercadoria todas as dimensões da vida. Isso vale dizer que, se o grande capital decidir “fechar as torneiras” não há as mínimas condições de manutenção da vida, pelo menos, no curto prazo. (mais…)

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