Ainda se encarcera crianças, no século 21?

Política anti-imigrantes dos EUA vai muito além. Em um ano, 38 mil foram presos, por serem estrangeiros. Um milhão de outros podem ser deportados. Crianças aprisionadas podem nunca mais encontrar os pais

Por Amanda Holpuch, no The Guardian / Outras Palavras

Um mês antes de Donald Trump promulgar uma política que permite a seu governo tirar milhares de crianças migrantes de seus pais, o presidente disse duas vezes a multidões, em seus comícios, que membros de gangues de imigrantes não eram pessoas. “Eles são animais”, afirmou em maio. No último fim de semana, surgiram vídeos e fotos  dos centros de detenção, semelhantes a gaiolas, onde crianças, separadas de seus pais, estão abrigadas. (mais…)

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A sociedade dos empregos de merda

Como o capitalismo contemporâneo cria sem cessar ocupações inúteis, enquanto remunera muito mal as mais necessárias. Quais as alternativas? Garantia de trabalho? Ou Renda Cidadã Universal?

David Graeber*, entrevistado por Eric Allen Been, na ViceTradução: Antonio Martins, em Outras Palavras

Em 1930, o economista britânico John Maynard Keynes previu que, no final do século 20, países como os Estados Unidos teriam – ou deveriam ter – jornadas de trabalho de 15 horas semanais. Por que? Em grande medida, a tecnologia tiraria de nossas mãos tarefas sem sentido. Claro, isso nunca ocorreu. Ao contrário, muitíssimas pessoas, em todo o mundo, estão submetidas a longas jornadas como advogados corporativos, consultores, operadores de telemarketing e outras ocupações. (mais…)

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A apropriação privada do ‘general intelect’. As mudanças na lógica da acumulação capitalista precisam de uma crítica a partir da periferia. Entrevista especial com Pablo Míguez

por Vitor Necchi, em IHU On-Line

Ao destacar governos alinhados ao pensamento de esquerda na América Latina no século 20, o professor Pablo Míguez cita a Revolução Cubana, o governo de Allende e experiências mais localizadas, como a Revolução Sandinista, e avalia que as duas primeiras “conviveram com ditaduras militares no seu entorno e com o peso dos Estados Unidos apoiando-as politicamente”, enquanto as outras “perderam peso com a queda da União Soviética e a ascensão do neoliberalismo”. A partir dos anos 80, “com o conhecido retrocesso da ideologia esquerdista, após a queda do Muro de Berlim e o aparente sucesso do capitalismo como o único sistema econômico sustentável, a esquerda teve de esperar pela crise do neoliberalismo, no final dos anos 90, para ter opções reais de formar um governo novamente”. (mais…)

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Turbulência na Petrobras lembra que o Brasil não é uma planilha de Excel. Por Leonardo Sakamoto

No blog do Sakamoto

Estabeleceu-se uma batalha de discursos por conta do pedido de demissão, nesta sexta (1), do presidente da Petrobras Pedro Parente. Ele não concordava em mudar a política de preços de combustíveis da companhia, que tem acompanhado variações do dólar e do preço do barril de petróleo no exterior, frente à greve dos caminhoneiros. Acatando a exigência de Parente, o governo acabou jogando nas costas da população parte do custo do desconto de R$ 0,46 por litro de diesel. (mais…)

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Autônomo só no nome: Caminhoneiro é explorado por empresas de transporte

Por Vitor Araújo Filgueiras e José Dari Krein*, para o blog do Sakamoto

Os preços dos combustíveis têm sido o foco dos debates sobre o movimento que praticamente paralisou o transporte de mercadorias no Brasil. Muito tem se falado na Petrobras e na dependência da economia em relação às rodovias. Mas há algo essencial que não tem aparecido nas discussões: como a regulação do trabalho no transporte rodoviário de cargas é uma raiz da crise. (mais…)

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Cuidar da Casa Comum, para evitar desastre anunciado

De origens indígenas ancestrais, o Bem Viver revela-se uma forma política de resistência ao capitalismo e à modernidade — assim como alternativa a esse mesmo sistema capitalista

Por Ivo Lesbaupin*, em Outras Palavras

“Bem viver” é uma concepção de vida proveniente dos povos indígenas andinos, presente tanto nos Aimara (Bolívia) quanto nos Quechua (Bolívia e Equador), e também dos povos Guarani (Brasil, Paraguai): Suma Qamaña em aimara, Sumak Kawsay em quechua, Teko Porã em guarani. Não tem uma definição única, mas podemos indicar alguns elementos comuns. Segundo esta concepção, não existe de um lado o ser humano e de outro a natureza, mas todos – seres humanos e demais seres – fazem parte da natureza. Com ela devemos viver de forma harmoniosa: “para a perspectiva do Viver Bem, a natureza não é um objeto; não é uma fonte de recursos e matérias primas; é um ser vivo. Esta dimensão ecológica da realidade reconhece que a natureza é indivisível e intrinsecamente imbricada à vida dos seres humanos; somos parte da natureza” (Isabel Rauber) . (mais…)

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