Projeto registra sabedoria tradicional de parteiras indígenas do Amazonas

Vídeo-receitas transmitem conhecimentos populares relacionados à nutrição e segurança alimentar das mães e bebês

Catarina Barbosa, Brasil de Fato

Assistir aos vídeos de parteiras indígenas do Amazonas sobre o tratamento dado para as mulheres e crianças antes, durante e no pós-parto mostra o quanto a cultura não indígena tem que aprender com essas mulheres. Um projeto da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) – financiado pelo CNPq – registrou os cuidados alimentares dessas mulheres, que ajudam não apenas no parto, mas também cuidam das mães após o nascimento da criança.

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Carta aberta pela preservação e recuperação da Aldeia de São Fidélis, Valença

Valença, 24 de Abril de 2020 – Dia de São Fidélis

Mais um monumento em Valença poderá cair. Não estamos falando dos casarões da Praça da República, do Teatro Municipal, da Câmara, da Cadeia (embora estes requeiram também atenção urgente). Trata-se da Igreja de São Fidélis, cujos festejos (outrora comemorados com uma cavalgada) esse ano passaram despercebidos. Documentos mostram que é ela, talvez, uma das construções mais antigas ainda em pé, já que sua existência remonta ao período em que se iniciou a construção da Igreja do Amparo, em 1757.

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‘Quantos ianomâmis vão morrer?’ O isolamento deste líder indígena na floresta

Filho de Davi Kopenawa, o autor do livro ‘A queda do céu’, revela o medo de o xawara, coronavírus no idioma yanomami, chegar às aldeias por meio dos garimpeiros

Por Bertha Maakaroun, no Estado de Minas

“Os garimpeiros estão na nossa casa e não temos a barreira contra a transmissão da pandemia. Pode espalhar dentro da terra indígena, temos nossos velhinhos. E se chegar, se entrar lá, quantos ianomâmis vão morrer? Não sabemos. É problema muito sério e corremos esse risco trazido por garimpeiros em nossa comunidade. Nós, yanomami, estamos com muito medo. Quem vai nos proteger, quem vai barrar essa doença?”

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Ouça canções do Candomblé gravadas em 1940: etnomusicologia

Do Observatório Nacional de Cultura

Em 2002, Xavier Vatin, professor de antropologia na Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB), encontrou nos arquivos da Universidade de Indiana (EUA) uma vasta coleção de áudios gravados pelo linguista americano Lorenzo Turner durante uma viagem à Bahia. Tratava-se de um tesouro ainda inédito: mais de cem discos de alumínio (um total de 17 horas de áudio) contendo registros de sacerdotes e sacerdotisas de candomblés dos anos 1940.

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“O samba da avenida fala de resistência muito antes dessa palavra entrar na moda”. Entrevista especial com Orlando Calheiros

Para o antropólogo, “ao medirmos a potência de um desfile meramente por suas afinidades políticas, ignoramos todo o resto”.

Por: Patricia Fachin, em IHU On-Line

carnaval e o samba, muito antes de apresentarem um retrato unívoco do Brasil, são artes que expressam “as mazelas dos oprimidos, isto é, dos seus criadores” e refletem sobre temas que perpassam suas vidas há séculos, como a violência, o racismo e a opressão, mas não só. O carnaval, como uma “forma de arte extremamente complexa”, também manifesta em seus sambas-enredo uma visão cosmopolítica, religiosa, o modo de vida que circunda elementos do candomblé, a cultura negra e a arte de matriz africana, e isso faz “toda a diferença”, diz o antropólogo Orlando Calheiros  à IHU On-Line.

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Indígenas do Vale do Javari denunciam investidas de evangélicos junto a povos sem contato

O temor das lideranças é de que as incursões abram as portas da terra indígena para “ações nefastas de proselitismo religioso em todas as aldeias”

Por José Rosha, no Cimi

A Coordenadoria Geral de Índios Isolados e de Recente Contato (CGIIRC), da Fundação Nacional do Índio (Funai), estaria sendo usada como “ponta de lança” numa investida “etnocida e genocida”, alertam lideranças dos povos indígenas do Vale do Javari. Em nota, a Univaja (União dos Povos Indígenas do Vale do Javari) denuncia que “alguns missionários vêm intensificando ações de cooptação de indígenas, sobretudo jovens estudantes com o objetivo de desestabilizar as ações do Movimento Indígena, dar a largada para uma corrida pela ‘conquista de almas’ por religiosos fundamentalistas e desbloquear os entraves para a exploração comercial de nossas terras por um projeto genocida de Governo”.

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A América Latina derrota a ilusão de identidade

Os colonizadores tentaram. Mas seu projeto de pureza, razão, ordem e centralismo sucumbiu à potência da natureza e da mestiçagem. Esta subversão histórica, e singular, deveria dizer algo aos movimentos emancipatórios contemporâneos

Por Ricardo Cavalcanti-Schiel*, em Outras Palavras

Antes dos governos de Evo Morales na Bolívia, sobretudo nas duas últimas décadas do século XX e no primeiro lustro do século XXI, as organizações de base indígena do país (o que não deixa de incluir, apesar das marcas históricas específicas, as organizações de mineiros), quando queriam alçar seus protestos de modo mais contundente, lançavam mão de um recurso tático de fato impressionante para a realidade dos demais países latino-americanos: realizavam, por alguns dias (ou, no caso da derrubada do governo neoliberal de Gonzalo Sánchez de Lozada em 2003, por várias semanas), um “bloqueo general de caminos”: simplesmente fechavam todas as estradas do país. E então a Bolívia se mostrava como realmente é: um esquálido arquipélago de hispanidade em meio a um denso mar indígena. Para ir de uma cidade a outra, só de avião. Claro que a Bolívia é um caso especial. Trata-se do único país das Américas com população de maioria indígena (6,2 milhões, representando 62,2% do total; seguido da Guatemala, com 41%) ― mesmo que a maior população indígena se concentre no México (17 milhões). Mas talvez, por isso mesmo, ela nos sugira uma aproximação genética a uma imagem ancestral da conformação histórico-social do continente. Essa figura de cidades plantadas como enclaves adventícios ― e pretensamente dominantes ― em um espaço de outra natureza nos remete a uma elaboração interpretativa do crítico literário uruguaio Ángel Rama.

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Em oficina, mulheres Dow e Baniwa compartilham conhecimentos sobre a medicina tradicional

FOIRN

A importância da valorização e compartilhamento dos saberes tradicionais indígenas sobre as plantas medicinais – a chamada farmácia viva – foi um dos temas tratados durante a oficina “Conhecimento das Mulheres Dãw e Baniwa para o bem viver”. O encontro foi realizado pelo Departamento de Mulheres da Federação das Organizações Indígenas do Alto Rio Negro (FOIRN) na comunidade Yamado, nos dias 20 e 21 de fevereiro, em parceria com o Distrito Sanitário Especial Indígena (Dsei) do Alto Rio Negro. Também participaram das atividades lideranças e representantes das comunidades Waruá e Cewari.

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“Minha luta é ao lado do povo”, diz Megaron, o intérprete de Raoni

O intérprete de Raoni, seu sobrinho Megaron Txucarramãe, fala sobre a conjuntura, a luta indígena e a festa momesca

Por Felipe Milanez, na Carta Capital

Em meio à polêmica da utilização de cocares, penas e outros acessórios indígenas no Carnaval, uma das maiores lideranças brasileiras, o cacique Raoni Metuktire, irá desfilar no circuito de trios elétricos de Salvador. É a segunda vez que ele acompanha a festa: há vinte anos, foi homenageado pelo cantor Edu Casanova, cujo maior sucesso, Cabelo Raspadinho, tem um refrão dedicado a Raoni – “eu quero ver o índio / dançando fumando um cachimbo da paz / a sua cabeleira beleza / é chic é chic é chic demais”. A música estourou nas paradas na voz de Bell Marques, então no Chiclete com Banana. Raoni sairá novamente com o bloco de Casanova, previsto para o domingo e a segunda-feira no circuito do Campo Grande (Osmar).

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Justiça nega pedido de liminar contra nomeação de ex-missionário para Coordenação de indígenas em isolamento voluntário da Funai

Juíza disse não haver, pelo menos até o momento, elementos que configurem conflito de interesse no fato de um ex-missionário chefiar o setor responsável pelos índios isolados

Por Leandro Prazeres, no Correio do Povo

BRASÍLIA — A Justiça Federal indeferiu nesta terça-feira (18) um pedido de liminar feito pelo Ministério Público Federal (MPF) contra a nomeação do ex-missionário evangélico e antropólogo Ricardo Lopes Dias para a coordenação de proteção a índios isolados e de recente contato da Fundação Nacional do Índio (Funai). Na decisão, a juíza Ivani Silva da Luz, da 6ª Vara Federal do DF, disse não haver, pelo menos até o momento, elementos que configurem conflito de interesse no fato de um ex-missionário chefiar o setor responsável pelos índios isolados.

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