Movimento Armorial, 50 anos do convite para que o Brasil mire as suas entranhas

Suassuna liderou ideias para estimular a criação de uma arte erudita a partir da cultura popular. Cinco décadas depois, matriz ainda influencia a produção cultural de seus herdeiros

Por Beatriz Jucá e Joana Oliveira, no El País Brasil

No início da noite do dia 18 de outubro de 1970, um grupo de artistas de distintas linguagens se reunia no pátio da igreja de São Pedro dos Clérigos, no centro de Recife. Inflados pelo escritor e dramaturgo Ariano Suassuna, preparavam-se para apresentar obras que incluiam artes plásticas, dança, um concerto. Estavam unidos sob uma mesma premissa: a de criar uma arte erudita brasileira a partir de elementos da cultura popular. O movimento que nascia oficialmente naquele dia exaltava o armorial. Seu batismo com essa palavra, sinônimo de heráldico, se ancorava simbolicamente nos brasões e signos presentes dos estandartes do maracatu às escolas de samba. Os armoriais queriam fazer o Brasil olhar para si mesmo. Estimulavam que os artistas evitassem escolher entre as avenidas do erudito e do popular para se aventurar, com técnica, pelas ruelas e morros que as separavam. Uma matriz que, 50 anos depois, ainda influencia a produção cultural de seus herdeiros.

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Combatemos a covid-19 com nosso conhecimento tradicional, afirmam as lideranças indígenas do médio e baixo Rio Negro em Assembleia Regional

“Dizem que não existe remédio para combater a covid-19. Mas, nós povos indígenas estamos combatendo essa doença com nosso conhecimento tradicional”, afirma José Maria Ferreira, liderança Yanomami durante a Assembleia Geral das Associações Indígenas do Médio e Baixo Rio Negro (Caimbrn), realizado em Canafé, no município de Barcelos, nos dias 2 e 3 de outubro. A IX assembleia definiu representatividade regional para os próximos quatro anos e aprovou estatuto social da coordenadoria

Na Foirn

A Comunidade de Canafé, localizada na região do baixo Rio Negro, no município de Barcelos, recebeu lideranças indígenas de doze associações de base da Caimbrn. Como em outras assembleias sub-regionais já realizadas, os participantes seguiram as orientações de órgãos de saúde, como o uso obrigatório de máscaras e álcool em gel.

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Com uso de aplicativo e posto de saúde, aldeia indígena no Xingu registra zero mortes por covid-19

Estratégia tem sucesso no combate à pandemia, mas aldeia Ipatse teme que fumaça dos incêndios no Pantanal agrave o quadro respiratório dos infectados

por Beatriz Jucá, no El País

Em meio aos incêndios que destroem o Pantanal e ameaçam expor as populações indígenas da região à covid-19, boas notícias são raras. Uma delas vem da aldeia Ipatse ―uma das 109 comunidades indígenas do Xingu―, que atingiu um objetivo abraçado coletivamente há seis meses: não perder nenhuma vida para o novo coronavírus. Historicamente submetido a um sistema de saúde mais frágil ―sem a presença diária da equipe médica ou hospitais próximos ao território―, o povo Kuikuro desta comunidade se mobiliza, desde março, para criar uma estratégia própria e frear a doença.

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Pará: MPF faz oitiva para discutir rituais funerários indígenas durante a pandemia de covid-19

Pará: MPF faz oitiva para discutir rituais funerários indígenas durante a pandemia de covid-19

Ministério Público Federal no Pará

O Ministério Público Federal (MPF) vai promover nesta quinta-feira (17) um encontro entre especialistas e órgãos públicos que atuam na região do médio Xingu, no Pará, para debater os rituais funerários indígenas durante a pandemia de covid-19.

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Rosto de índia que viveu há 2 mil anos em Pernambuco é reconstituído pela primeira vez

Segundo pesquisadores que fizeram a reconstituição facial com ajuda da tecnologia, indígena é considerada a parente mais antiga dos pernambucanos.

Por Beatriz Castro, TV Globo, no G1

Através do uso da tecnologia, pesquisadores conseguiram reconstituir a face de uma índia que viveu há 2 mil anos no município de Brejo da Madre de Deus, no Agreste de Pernambuco, a partir do crânio dela. A indígena, que pertenceu a um grupo nômade e tinha idade entre 15 e 18 anos, é considerada a parente mais antiga dos pernambucanos (veja vídeo acima).

O rosto da jovem índia foi reconstituído por Cícero Moraes, um 3D designer do município de Sinop, no Mato Grosso.

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Pela primeira vez, Candombe do Quilombo do Açude em homenagem a Nossa Senhora será fechado ao público

Celebração com mais de 100 anos é realizada no Quilombo do Açude, em Jaboticatubas

Por Leandro Couri, no Estado de Minas

Com a tradição secular de manter a “casa aberta” para a festa de Nossa Senhora do Rosário, que acontece sempre no segundo sábado de setembro, ao final da novena desta, que é a santa dos pretos, membros do Quilombo do Açude, em Jaboticatubas, na Serra do Cipó, a 100 quilômetros de BH informam que, no ano da pandemia e, pela primeira vez em sua história, o Candombe será feito de portas fechadas e somente quem mora na comunidade poderá participar presencialmente. Os descendentes de escravos e guardiões da tradição sincretista, por outro lado, apontam como um dos anos mais importantes para a propagação da fé e, mesmo não permitindo a entrada de pessoas, que anualmente vêm de todos os cantos do Brasil e de outros países também, garantem que vão rezar em nome de todos, inclusive de quem ainda não conhece o Candombe.

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Exposição virtual: Yamî, espíritos cantores na aldeia Maxakali

Por Ramon Rafaello

Em abril de 2019 estive acompanhando um grupo da aldeia Pataxó de Coroa Vermelha (BA) em uma visita no território indígena de Pradinho (Aldeia Boa Vida), onde aconteceram os rituais em homenagem ao pajé e mestre de saberes Toninho Maxakali. Nesta ocasião foi produzido um registro etno-fotográfico que encontra-se no acervo do Museu de Arqueologia e Etnologia Americana (MAEA) da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), através da exposição Maxakali – A Resistência de um Povo, e devido ao isolamento social em função da pandemia do covid-19, as fotografias encontram-se também (temporariamente) na exposição virtual Yamî, espíritos cantores na aldeia Maxakali.

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Covid-19: sepultamento de indígenas deve ser feito na terra indígena de origem, recomenda MPF

Recomendação foi enviada à Sesai, ao Dsei e às prefeituras de Porto Velho e Guajará-Mirim (RO). Na terra indígena, enterro deve ocorrer em local distante das casas e do cemitério tradicional para evitar contaminação

Ministério Público Federal em Rondônia

O Ministério Público Federal (MPF) encaminhou recomendação à Secretaria Especial de Saúde indígena (Sesai), ao Distrito Sanitário Especial Indígena (Dsei) e às prefeituras de Porto Velho e Guajará-Mirim (RO) para que o enterro dos indígenas vítimas da covid-19 seja feito na terra indígena ou aldeia de origem. No que se refere ao transporte do corpo, o MPF solicita que sejam incluídos os trechos que precisam ser realizados de barco.

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Sobre Wakanda e o socialismo

por Elaine Tavares, em Palavras Insurgentes

Chadwick Boseman é um ator negro que morreu aos 40 e poucos anos e causou uma grande comoção nos Estados Unidos. Ele interpretou um rei africano de uma terra imaginária, Wakanda, no cinema. Um filme sobre um reino negro, feito só com pessoas negras. Um marco nos Estados Unidos. Não vou entrar aqui no debate sobre a mensagem do filme, absolutamente liberal. Vou apenas perguntar: e poderia ser diferente? 

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Aldeia Kuikuro do Alto Xingu improvisa hospital, contrata médica e tem mortalidade zero por Covid-19

Médica de saúde da família pediu demissão de hospital em São Paulo para ser contratada pela Associação Índigena Kuikuro do Alto Xingu. Covid atingiu dezenas de índios da comunidade, cacique e até anciã de 90 anos. Todos sobreviveram.

Por Carolina Dantas, G1

Os índios Kuikuro, de Mato Grosso, entenderam em março, ainda sem casos de Covid-19 na sua aldeia, que era importante ter atendimento de saúde dentro do seu território. Eles conseguiram dinheiro, improvisaram um hospital dentro da associação indígena e contrataram uma médica, um enfermeiro e três assistentes de enfermagem. Uma oca se tornou casa de isolamento.

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