A UFPR vai à guerra

Por Rogerio W. Galindo, no Plural

Na última sexta-feira, quando foi dar as boas-vindas à nova leva de calouros da Universidade Federal do Paraná (UFPR), o reitor Ricardo Marcelo Fonseca fez um duplo papel. Por um lado, foi o anfitrião gentil que acolheu os mais de cinco mil alunos em sua nova família. Por outro, parecia um general preparando seus soldados para a guerra.

Ricardo Marcelo não tem dúvidas de que as universidades públicas estão sendo transformadas na “Geni” da sociedade brasileira. Disse aos alunos que as instituições federais de ensino superior são fundamentais para o futuro do Brasil e incitou-os a defender com unhas e dentes a universidade em que estão entrando agora.

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“Caça às Bruxas”: termo do séc. XV expressa muito bem o Brasil de hoje

Por José Ítalo Oliveira dos Santos. no Justificando

Chegou ao conhecimento da mídia que o Ministério da Educação, comandado por Ricardo Vélez Rodríguez, pretende adotar critérios “ideológicos” para a concessão de bolsas de pós-graduação. Na suposta “ditadura petista”, ou melhor, no “comunismo brasileiro”, ninguém perdeu a bolsa de Iniciação Científica ou Pós-graduação por ser contra o governo. A bem da verdade, o que mais se via era gente cuspindo no prato que comia. É isso que separa a democracia do autoritarismo: na democracia você pode se opor sem temer represália, já ser oposição em governos autoritários equivale a pôr em risco os anseios por cidadania.

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Boaventura e os caminhos da esquerda: “Maioria do Brasil nunca viveu na democracia”

Em entrevista, o professor português discute alternativas para a esquerda e analisa ascensão da extrema direita

Lu Sudré e Pedro Ribeiro Nogueira*, Brasil de Fato 

“Não faltam alternativos no mundo, o que falta, de fato, é um pensamento alternativo das alternativas”, disse certa vez o professor, sociólogo e pensador português Boaventura Sousa Santos. Interessado em ideias que promovam a emancipação social e tendo dedicado sua vida e atividade intelectual à descolonização de pensamentos e alternativas ao capitalismo tardio, Boaventura recebeu a reportagem do Brasil de Fato, na cobertura do hotel em que se hospedou em São Paulo no fim de dezembro de 2018.

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O ano em que a democracia tropeçou

Por Átila Roque, na Carta Capital

É difícil contemplar o encerramento de 2018 sem um aperto no peito e um sentimento de que chegamos ao fim de uma longa transição, que nos trouxe da ditadura para a democracia, sem plena confiança no que nos espera adiante. O aperto vem da lembrança da noite de 14 de março, quando fomos tragados pelo turbilhão de dor e indignação que se seguiu ao assassinato da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes, no Centro do Rio de Janeiro.

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Projetando o futuro: ensinamentos do triunfo de Bolsonaro para as esquerdas latino-americanas. Artigo de Eduardo Gudynas e Alberto Acosta

No IHU

“Apesar da opressão que poderiam provocar essas manifestações de ressurgimento da extrema direita na América Latina e em outras partes do planeta, não compartilhamos do pessimismo extremo que existe entre alguns atores, ainda que possamos entendê-lo. Um pessimismo que considera que o  capitalismo alcançou uma vitória total na América Latina e que qualquer  opção de esquerda se tornou inviável. Ao contrário, entendemos que esse colapso afeta os progressismos, e que eles deveriam permitir novas opções para reconstruir as esquerdas”, escrevem Eduardo Gudynas, ambientalista e pesquisador vinculado ao Centro Latino-Americano de Ecologia Social – CLAES, e Alberto Acosta, economista, foi presidente da Assembleia Constituinte do Equador e candidato à presidência pela Unidad Plurinacional de las Izquierdas. A tradução é de Wagner Fernandes de Azevedo.

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A democracia como proposta de convivência civilizada

por Cândido Grzybowski*

Continuo no esforço de apontar pistas e esboçar questões incontornáveis para a disputa de hegemonia com perspectiva democrática ecossocial de longo prazo. A poucos dias de se instalar um novo governo legitimado pelo voto, pode parecer que não estou dando atenção para a conjuntura imediata. Na verdade, diante da tempestade política anunciada, a única coisa prática a fazer é olhar para a capacidade de reconstrução da resiliência cidadã. Sempre digo que o melhor de tudo é a garantia da terra girar e os dias se sucederem, pois a história não acaba aqui. O que vem nos próximos meses e anos ainda está por ser feito, na disputa. Na adversidade conjuntural do momento, o jeito é pensar estrategicamente o depois de amanhã.

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Carta do Conselho da CPT Regional Nordeste III 2018

Na CPT/BA

Nós, agentes da Comissão Pastoral da Terra Regional Nordeste III – Bahia / Sergipe e trabalhadores e trabalhadoras do campo representantes das comunidades acompanhadas pela CPT na Bahia, em número de 40 pessoas, reunimo-nos em Conselho avaliativo do ano, entre 10 e 14 de dezembro, na Casa da Roça, em Casa Nova – BA. Inspirados/as no sentimento de rebeldia e ousadia de comunhão dos movimentos camponeses de Canudos e Pau de Colher reafirmamos nosso compromisso pastoral junto aos povos da terra e das águas, nesta hora grave que vivemos. Estes movimentos ousaram reviver o que nos contam o livro dos Atos dos Apóstolos (4,32) sobre as primeiras comunidades cristãs: “… da multidão dos que creram, um só era o sentimento e a maneira de pensar. Ninguém considerava exclusivamente seu os bens que possuía, mas todos compartilhavam tudo entre si”. Ressurgem hoje como utopia e desafio.

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Democracia não pode ser reduzida ao exercício do voto. Entrevista especial com Giannino Piana

por Vitor Necchi, em IHU On-Line

Nos últimos tempos, em especial depois do processo eleitoral pelo qual o Brasil passou, é comum se ouvir que é preciso aceitar a decisão da maioria. Essa perspectiva revela um entendimento parcial do conceito de democracia, sendo apenas associado à ideia de que uma decisão democrática é aquela que contemple a maioria. “A democracia – é bom lembrar – não pode se reduzir ao simples respeito formal pelo princípio da maioria, por mais importante que ele seja. Ela envolve a adesão a algumas posturas éticas, que são os pressupostos dos quais não se pode abrir mão se pretendemos concorrer para a busca do bem comum”, alerta o teólogo Giannino Piana. (mais…)

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O Estado Democrático de Direito e o Judiciário. Por Kenarik Boujikian

O artigo abaixo, de Kenarik Boujikian, integra o livro Direitos Humanos no Brasil 2018, que será lançado no próximo dia 5 de dezembro, às 18 horas, no Sesc Bom Retiro, em São Paulo.

A democracia não pode ficar à mercê do tempo ou da vontade particular dos ministros do Supremo Tribunal Federal. Precisamos de um judiciário capaz de dar as respostas necessárias para o projeto de democracia do país.

O Brasil, pós período ditadura civil militar 1964-1985, se reconstruiu sobre a base de um Estado Democrático de Direito que se funda no princípio da soberania popular, que como ensina José Afonso da Silva, impõe a participação efetiva e operante do povo na coisa pública, participação que não se exaure na formação das instituições representativas, que constituem um estágio da evolução do Estado democrático, mas não o seu completo desenvolvimento. (mais…)

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