Por que há tantas mães adolescentes no Brasil?

Estudo mostra: fenômeno está ligado a privação de recursos e falta de acesso à contracepção. Gravidez antes dos 20 é arriscada ao bebê e mantém a mãe em situação vulnerável. Mais preocupante: cerca de 16 mil crianças de até 14 anos dão à luz anualmente

Por Sophia Vieira, em Outra Saúde

O Brasil tem taxas de gravidez na adolescência mais altas que países com renda similar e quase o dobro da média encontrada em outros integrantes dos BRICS. Quais fatores sócio-culturais estão por trás desses números? Como a desigualdade regional opera? Quais os problemas trazidos pela maternidade antes dos 20 anos? (mais…)

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Doenças que revelam desigualdades

Dos relatos no diário de Carolina Maria de Jesus na década de 1950, ao Brasil atual, algumas doenças ainda são determinadas pela classe e pela cor

Giulia Escuri – EPSJV/Fiocruz

“Era a Secretaria da Saúde. Veio passar um filme para os favelados ver como é que o caramujo transmite a doença anêmica. Para não usar as águas do rio. Que as larvas desenvolve-se nas águas”. O trecho foi retirado do livro “Quarto de Despejo”, de Carolina Maria de Jesus. Em seu diário, no dia 9 de junho de 1958, a autora relata que a lagoa de onde retirava água para lavar roupas era um foco da esquistossomose — infecção que ocorre quando uma pessoa entra em contato com larvas de um parasita liberadas por caramujos infectados, frequente em locais sem saneamento básico. (mais…)

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Assim os rentistas dissolvem a democracia. Por Ladislau Dowbor

Desigualdade abissal exposta em Davos serve-se também de um abismo técnico. Sociedades e Estados decidem em ritmo analógico, mas riqueza social é capturada em velocidade quântica. Luta por soberania tem dimensão político-digital decisiva

Por Ladislau Dowbor | Tradução: Antonio Martins, em Outras Palavras

Quando Jack Welch transformou a General Electric de uma produtora de eletrodomésticos em uma “investidora” financeira, multiplicando lucros com uma base produtiva reduzida, ele influenciou uma profunda mudança na cultura empresarial norte-americana, generalizando o rentismo. No centro das empresas produtivas agora está o acionista. (mais…)

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Monbiot: A espantosa vitória da desigualdade

Os bilionários tornaram-se cada vez mais fortes, na política e na mídia. Porém, em todo o mundo, vastas maiorias apoiam a redistribuição da riqueza. Como esta vontade é sequestrada? O que ela diz sobre a urgência de novo horizonte político?

Por George Monbiot* | Tradução: Antonio Martins, em Outras Palavras

Há um problema político do qual todos os outros derivam. É a principal impulso a Donald Trump e seus iguais, e a causa central da chocante fraqueza de seus oponentes, da polarização que dilacera as sociedades, da devastação do mundo natural. Numa frase: a riqueza extrema concentrada em um pequeno número de pessoas. (mais…)

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Ambiente de trabalho lidera denúncias de racismo no Brasil

Estudo mostra que 30% das decisões sobre o crime em 2025 tiveram origem em empresas

Em Debate Jurídico

O ambiente de trabalho é atualmente o principal cenário de denúncias de racismo e injúria racial no Brasil. Um levantamento da plataforma Jusbrasil, com base em 4.838 decisões judiciais publicadas entre janeiro e outubro de 2025, revela que 30% dos casos (1.407 decisões) tiveram origem dentro de empresas. (mais…)

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Desigualdade, sintoma do fracasso da democracia?

O cerne da profunda crise que a democracia atravessa é o abismo entre o palácio e o barraco. Sem atacá-lo, centros de decisão continuarão espaços abstratos, blindados por instituições que domesticam anseios populares para, depois, destruí-los

Por Mauro Junior Griggi, em Outras Palavras

A pergunta que a modernidade finge não ouvir é simples, porém fatal: quanto abismo social um sistema de iguais consegue suportar antes de se converter em um simulacro de soberania? O que chamamos de democracia hoje não é um projeto ético de liberdade, mas uma tecnocracia da gestão biopolítica: o Estado tornou-se o síndico de um condomínio de luxo cercado por periferias existenciais, onde o voto é um signo vazio, mas a vida permanece prisioneira de uma ontologia da sobrevivência. No Brasil, o que vemos não é uma disfunção, mas a estrutura atingindo sua hiper-realidade: a transformação da miséria em dado algorítmico e da política em um teatro de sombras onde o real foi devorado pela performance. (mais…)

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