Supersalários privados, escândalo invisível

A luta de Flávio Dino contra os “penduricalhos” no setor público é indispensável. Porém mostramos: muito maiores são os rendimentos e privilégios no topo das empresas privadas – pagos pelas tarifas e preços impostos à população

Por Marcos Helano Montenegro*, em Outras Palavras

A imprensa repercutiu intensamente, há semanas, à decisão do Ministro do STF Flávio Dino que mandou suspender pagamento de penduricalhos ilegais no serviço público. A decisão ampla abrange tanto os servidores do Executivo quanto do Legislativo e do Judiciário. Os valores pagos não podem ultrapassar o teto do funcionalismo, de R$ 46.366,00, podendo ficar fora deste teto apenas parcelas indenizatórias expressamente previstas em lei. (mais…)

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Cidade partida: geografia da desigualdade

O que explica moradores de periferia de SP viverem 24 anos menos do que os de bairros ricos? Por que a desigualdade de gênero é a maior do Brasil? Como o transporte rouba tempo de vida das maiorias? Uma análise da dominação através do espaço urbano

Por Erik Chiconelli Gomes, em Outras Palavras

São Paulo completa 472 anos carregando em sua paisagem urbana as marcas profundas de uma formação social desigual. A metrópole que se consolidou como principal polo econômico do país exibe, paradoxalmente, contrastes que desafiam qualquer noção simplificada de progresso ou desenvolvimento. Os dados apresentados pela reportagem do Valor Econômico, publicada em janeiro de 2026, revelam que a média salarial paulistana de R$ 4.587 supera em quase dois terços a média nacional de R$ 2.851. Contudo, este número abstrato esconde realidades radicalmente distintas vividas por trabalhadores e trabalhadoras que habitam territórios diferentes da mesma cidade. A capital ocupa apenas a 31ª posição no ranking de rendimentos do Brasil, demonstrando que a riqueza concentrada na metrópole não se traduz em bem-estar generalizado, mas antes consolida um padrão de acumulação excludente que marca historicamente a urbanização brasileira. (mais…)

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Estudo aponta que crianças indígenas têm dificuldade de manter crescimento adequado

Victória Alvineiro, Cidacs/Fiocruz Bahia

As crianças brasileiras têm enfrentado cada vez mais cedo problemas de saúde crônicos, que podem ser estendidos para a vida inteira. Alguns deles, como a dificuldade de manter o crescimento linear adequado, atingem de forma intensa as crianças de famílias com baixa renda e grupos que estão em vulnerabilidade social, a exemplo dos indígenas. Ao analisar os dados de 6 milhões de crianças brasileiras que convivem com desigualdade, um estudo com participação da Fiocruz aponta que as crianças estão lidando mais cedo com crescimento e peso fora do padrão determinado pela Organização Mundial da Saúde (OMS). (mais…)

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Ermínia Maricato: As lutas no “chão de cidade” em 2026

Renomada urbanista analisa os desafios do governo Lula nas políticas urbanas. Crítica uma esquerda que dá as costas ao debate sobre o futuro das cidades, onde vivem 85% da população. E propõe caminhos para unir as lutas sociais neste ano eleitoral

Por Rôney Rodrigues, em Outras Palavras

Uma pensadora inquieta. Talvez esta seja uma boa definição da urbanista Ermínia Maricato. Há mais de cinco décadas, ela acompanha de perto a política urbana brasileira, em várias trincheiras: como pesquisadora em renomadas universidades; botando a mão na massa ao lado dos ativismos urbanos; e em experiências pioneiras no poder público. Hoje, Ermínia está à frente do BrCidade, uma articulação nacional em torno de um projeto de Reforma Urbana Popular, presente em 19 estados. (mais…)

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Por que há tantas mães adolescentes no Brasil?

Estudo mostra: fenômeno está ligado a privação de recursos e falta de acesso à contracepção. Gravidez antes dos 20 é arriscada ao bebê e mantém a mãe em situação vulnerável. Mais preocupante: cerca de 16 mil crianças de até 14 anos dão à luz anualmente

Por Sophia Vieira, em Outra Saúde

O Brasil tem taxas de gravidez na adolescência mais altas que países com renda similar e quase o dobro da média encontrada em outros integrantes dos BRICS. Quais fatores sócio-culturais estão por trás desses números? Como a desigualdade regional opera? Quais os problemas trazidos pela maternidade antes dos 20 anos? (mais…)

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Doenças que revelam desigualdades

Dos relatos no diário de Carolina Maria de Jesus na década de 1950, ao Brasil atual, algumas doenças ainda são determinadas pela classe e pela cor

Giulia Escuri – EPSJV/Fiocruz

“Era a Secretaria da Saúde. Veio passar um filme para os favelados ver como é que o caramujo transmite a doença anêmica. Para não usar as águas do rio. Que as larvas desenvolve-se nas águas”. O trecho foi retirado do livro “Quarto de Despejo”, de Carolina Maria de Jesus. Em seu diário, no dia 9 de junho de 1958, a autora relata que a lagoa de onde retirava água para lavar roupas era um foco da esquistossomose — infecção que ocorre quando uma pessoa entra em contato com larvas de um parasita liberadas por caramujos infectados, frequente em locais sem saneamento básico. (mais…)

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Assim os rentistas dissolvem a democracia. Por Ladislau Dowbor

Desigualdade abissal exposta em Davos serve-se também de um abismo técnico. Sociedades e Estados decidem em ritmo analógico, mas riqueza social é capturada em velocidade quântica. Luta por soberania tem dimensão político-digital decisiva

Por Ladislau Dowbor | Tradução: Antonio Martins, em Outras Palavras

Quando Jack Welch transformou a General Electric de uma produtora de eletrodomésticos em uma “investidora” financeira, multiplicando lucros com uma base produtiva reduzida, ele influenciou uma profunda mudança na cultura empresarial norte-americana, generalizando o rentismo. No centro das empresas produtivas agora está o acionista. (mais…)

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