A anomalia brasileira. Por Valerio Arcary

Entre o samba e a superexploração, a nação mais injusta do mundo segue buscando uma resposta para o seu abismo social — e a chave pode estar nas lutas históricas de sua imensa classe trabalhadora

Em A Terra é Redonda

“Quem semeia a injustiça colherá a desgraça” (Provérbio popular português).
“A união do rebanho obriga o leão a deitar-se com fome” (Provérbio popular africano).

1.

O Brasil é a nação mais injusta do mundo. Mas é, também, uma sociedade fascinante. Temos a grandeza da Amazônia e o encanto de um povo diverso em uma nação jovem, o samba, o Rio do Janeiro e Villa-Lobos, o Pantanal, as montanhas de Minas, Chico Buarque, a maior classe trabalhadora do sul do planeta e tudo o mais, que é, maravilhosamente, muito, e não cabe em palavras. (mais…)

Ler Mais

Grupos de Trabalho do BRICS discutem medidas para o desenvolvimento do Sul Global

Debate ressaltou necessidade de fortalecer a participação social, construir alternativas a partir do Sul Global e enfrentar desigualdades estruturais

Por Leon Continetino, da Página do MST

A Cúpula Popular dos BRICS promoveu, nesta terça-feira (02), no Rio de Janeiro, um painel dedicado às agendas dos Grupos de Trabalho (GTs) do Conselho Popular, reunindo representantes das áreas de Saúde, Educação, Ecologia, Cultura, Finanças, Segurança de Ciber Informação, Tecnologias Avançadas e Inteligência Artificial, além da apresentação de um relatório sobre participação social na trilha financeira. As falas ressaltaram a necessidade de fortalecer a participação social, construir alternativas a partir do Sul Global e enfrentar desigualdades estruturais ainda presentes nas dinâmicas culturais e financeiras internacionais. (mais…)

Ler Mais

Manaus: Quando o risco toca o sagrado

A ameaça da crise climática e do descaso do poder público aos terreiros de religiões de matrizes africanas e a luta pela proteção desses territórios sagrados, em Manaus

Por Caio Mota, Le Monde Diplomatique Brasil

No mês em que o Brasil celebrou a Consciência Negra e sediou a COP30, a Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, um mapeamento inédito revelou uma ameaça direta aos terreiros de religiões de matrizes africanas, em Manaus. Muitos desses territórios sagrados estão instalados em áreas suscetíveis a deslizamentos e inundações. O levantamento, construído a partir de dados públicos, mostra que comunidades negras e de terreiro convivem com riscos altos em regiões marcadas por ocupações precárias, falta de infraestrutura e impactos que se intensificam com a crise climática. Esse cenário expressa o racismo ambiental e expõe como a cidade foi organizada de forma desigual, deixando populações inteiras sem proteção e sem acesso a políticas de adaptação. (mais…)

Ler Mais

Quando a ciência busca transformar a realidade

No 14º Abrascão, perspectivas inovadoras de pesquisadores brasileiros: epidemiologia baseada em big data e uma nova – e subversiva – maneira de enxergar a alimentação. Como o poder público pode aliar-se à academia para enfrentar as enormes desigualdades do Brasil?

Por Gabriela Leite, Outra Saúde

Dois dos maiores expoentes da ciência brasileira estiveram presentes na noite de terça (2) no 14º Congresso Brasileiro de Saúde Coletiva, ao lado da sanitarista, socióloga e ex-ministra da Saúde que comandou a reconstrução do SUS após a pandemia, Nísia Trindade. Eram os epidemiologistas Carlos Monteiro, fundador do Núcleo de Pesquisas Epidemiológicas em Nutrição e Saúde (Nupens/USP), e Mauricio Barreto, criador do Centro de Integração de Dados e Conhecimento para Saúde (Cidacs/Fiocruz) ­– duas enormes conquistas para a saúde dos brasileiros, com influência global. A concepção e condução do grande debate ficou a cargo do sanitarista e vice-presidente da Abrasco, Reinaldo Guimarães. (mais…)

Ler Mais

“O principal desafio do SUS é político”

Medidas para melhoria dos serviços são relevantes. Mas com o avanço do capital sobre a saúde, não bastam. É urgente lutar por uma política econômica condizente com o projeto da Reforma Sanitária – e uma Reforma Tributária que de fato combata desigualdades

Por Guilherme Arruda, Outra Saúde

Apesar da importância de ações técnicas que melhorem o atendimento no Sistema Único de Saúde (SUS), o caminho para enfrentar decisivamente os desafios mais amplos da Saúde no Brasil passa pela política e não por medidas administrativas. Foi o que defendeu Jairnilson Paim, sanitarista e professor da Universidade Federal da Bahia (UFBA), no primeiro Grande Debate do 14º Congresso Brasileiro de Saúde Coletiva. (mais…)

Ler Mais

Fim da escala 6×1: Uma luta também antirracista

Vítimas da precarização, trabalhadores negros seriam os mais beneficiados com a redução da jornada. Também seria possível combater outra desigualdade racial: a “pobreza de tempo”, que impacta na saúde mental e acesso à educação, alimentando um ciclo vicioso de exclusão

Por Taís Dias de Moraes, em Outras Palavras

Introdução

Desde a abolição da escravidão, a população negra (pretos e pardos) permanece em posições de desvantagem estrutural no mercado de trabalho brasileiro, resultado de um racismo que se mantém como traço central da sociedade e se manifesta na persistente desigualdade de oportunidades e condições (De Moraes, 2025). O Estado brasileiro teve papel decisivo nesse processo, seja por meio da exclusão da população negra das principais proteções sociais na Consolidação das Leis do Trabalho de 1943, seja pela negligência da questão racial durante a consolidação do mercado de trabalho e mesmo após a Constituição de 1988 (De Moraes, 2025). (mais…)

Ler Mais

Vila Liberdade: comunidade em Porto Alegre retrata racismo ambiental escancarado pela enchente

Negros representam 25% dos moradores da Capital, mas são quase metade dos moradores de áreas de risco

Por Bettina Gehm, Sul21

A Vila Liberdade é um aglomerado de casas que ocupa poucas quadras dentro da Vila Farrapos, bairro Humaitá, zona norte de Porto Alegre. Apesar do espaço reduzido, muitas pessoas moram ali. Maria Elise Borges da Rosa, 41 anos, já perdeu a conta dos moradores. Ela é uma das mais antigas – sua mãe ajudou a aterrar a área – e todos a conhecem como Mary. Só na casa dela vivem sete pessoas, entre esposo, pai, filhas e netos. Mas a soma total de habitantes da Liberdade ficou mais complicada depois da enchente, quando algumas famílias precisaram abandonar suas casas e nunca mais voltaram. (mais…)

Ler Mais