E se o SUS fosse modelo para o Direito à Cidade?

Uma proposta arrojada para políticas urbanas no Brasil, a partir de três pilares do sistema de saúde. A urbe seria entendida como extensão real da cidadania. Haveria políticas específicas para os territórios e populações vulneráveis – além de articulação intersetorial

Por Ion de Andrade, em Outra Saúde

O Sistema Único de Saúde (SUS), instituído pela Constituição Federal de 1988 [1], representa uma das mais significativas conquistas sociais do Brasil, fundamentado em três princípios doutrinários que revolucionaram o acesso à saúde: a universalidade, a equidade e a integralidade. (mais…)

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E quem mora longe?

Quando o transporte público custa caro e funciona mal, não é apenas um problema de mobilidade. É a reprodução diária da desigualdade urbana e racial

Por Katarine Flor, Le Monde Diplomatique Brasil

A gratuidade no transporte público não é uma utopia distante. Hoje, 138 municípios brasileiros já adotaram a tarifa zero de forma integral, beneficiando milhões de pessoas. Hoje a maioria dessas cidades é de pequeno e médio porte, mas em termos relativos, também há experiências em cidades maiores, como Teresina (PI), com cerca de 900 mil habitantes, onde a tarifa zero vale para o sistema sobre trilhos. Além disso, metade da população beneficiada vive em municípios com mais de 100 mil habitantes, e já são pelo menos seis cidades com mais de 200 mil habitantes que implementaram a gratuidade. (mais…)

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BNDES acata recomendação do MPF para incluir participação social na elaboração de projetos urbanísticos no Centro do Rio

Banco criará norma para garantir escuta pública em projetos que impactam o direito à moradia

Procuradoria da República no Rio de Janeiro

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) acatou recomendação do Ministério Público Federal (MPF) e se comprometeu a instituir uma normativa interna para assegurar participação social em projetos urbanísticos voltados à requalificação do Centro do Rio de Janeiro. A decisão, comunicada formalmente ao MPF, estabelece prazo de 60 dias para a sistematização de um processo de escuta social nas futuras iniciativas com perfil semelhante ao projeto Masterplan. (mais…)

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Encontro Nacional da Pastoral da Moradia e Favela fortalece missão em todo Brasil

Por Juce Rocha | Cepast-CNBB / CPT
Edição: Carlos Henrique Silva (Comunicação CPT Nacional)

“A pastoral da moradia tem uma perspectiva própria, a partir do Evangelho mesmo, em que o Senhor nos ensina a lutar pela vida das pessoas. ‘Eu vim para que todos tenham vida e tenham vida plenamente’ (Jo10,10). O Senhor veio habitar no meio de nós e não teve uma casa onde nascer, então, a partir dessa experiência religiosa é que a Pastoral da Moradia orienta todas as pessoas que querem buscar um mundo melhor, onde a moradia esteja presente na vida do nosso povo, das famílias”, afirma dom Manoel Ferreira dos Santos Junior, bispo diocesano de Registro (SP) e referencial para a Pastoral da Moradia e Favela. (mais…)

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Rio: A nova rodada de captura da cidade

Eduardo Paes inicia projeto que construirá moradias no Centro – porém, capitaneado pelo financismo e voltado às plataformas de aluguel. A tática: espetacularização da cidade, obras descabidas e agenda permanente de eventos. Candidatura ao Pan 2031 é exemplo

Por Erick Omena, Breno Serodio, Utanaan Reis e Danielle Meth, do Observatório das Metrópoles

Na virada do primeiro para o segundo quarto do século XXI, a cidade do Rio de Janeiro continua refém de um longo processo de transformações socioespaciais guiadas pela ideologia do empresariamento urbano, que prioriza a atração de agentes de mercado externos e consumidores em detrimento das necessidades da população local. Apesar desta persistência, há uma série de novidades no projeto de cidade anunciado pelos atuais representantes públicos do município. Para aqueles que buscam a garantia do direito à cidade para todos, o desafio envolve entender tais mudanças, que são constitutivas do terreno onde as lutas por uma cidade mais justa ocorrerão nos próximos anos. (mais…)

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Tarifa Zero, saída para o colapso urbano

Novo livro aponta paradoxo nas cidades brasileiras: quanto mais tecnologia e uberização, mais caos e mortes no trânsito. Como o transporte público gratuito é alternativa — e por que o Brasil tornou-se líder mundial em sua adoção

por Daniel Santini, em Outras Palavras

“Os desajustamentos causados pela exclusão social de parcelas crescentes de
população emergem como o mais grave problema em sociedades pobres e ricas.
Esses desajustamentos não decorrem apenas da orientação
assumida pelo progresso tecnológico (…).
Os novos desafios (…) são de caráter social e não basicamente econômico
como ocorreu na fase anterior do desenvolvimento do capitalismo.
A imaginação política terá assim que passar ao primeiro plano.
Equivoca-se quem imagina que já não existe espaço para a utopia.
Ao contrário do que profetizou Marx, a administração das coisas
será mais e mais substituída pelo governo criativo dos homens.”
(Celso Furtado, O Capitalismo Global,1998.)

Carros autônomos, s elétricos, drones voadores para entrega de mercadorias, túneis exclusivos para veículos sônicos ultra­hiper­tecno­ló­gi­cos, blá-blá-blá… A lista de soluções mágicas é quase interminável. Mesmo insustentáveis ou sem muita conexão com a realidade, elas são apresentadas sem constrangimento, no mesmo ritmo que a vida nas cidades vai ficando mais travada, poluída, perigosa, chata e impossível. As promessas baratas costumam ser recebidas com entusiasmo, o que talvez seja fruto da busca aflita por uma saída rápida para a crise de múltiplas dimensões que enfrentamos. Ou, talvez, seja desespero mesmo, uma angústia alimentada pela falta de horizontes que mina qualquer senso-crítico. (mais…)

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Cidades: convite a outras cosmovisões

O pensamento de Krenak e Nêgo Bispo sobre a crise urbana sugere: o modelo de “concreto, aço e asfalto” só levou às catástrofes. Mas a ancestralidade pode contribuir para superá-lo. Rever a cisão entre Natureza e Cultura é o primeiro passo

por Rôney Rodrigues, em Outras Palavras

Ideias fora do lugar

Escuta? São os gritos de socorro das cidades. A catástrofe no Rio Grande do Sul, deixando rastros de lama e mortes, é o mais recente deles no Brasil. Afinal, são tempos de eventos climáticos extremos – de grandes inundações e secas a ondas de calor extremo – nas cidades. E o preço da inação é mais alto que o boleto enviado ao poder público por consultorias estrangeiras e grandes empreiteiras para a reconstrução de cidades. (mais…)

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