Enfim, uma alternativa aos opioides?

Recém-aprovada pelas autoridades dos EUA, a suzetrigina mostrou-se um analgésico muito eficaz – sem os efeitos viciantes de outras substâncias. Para especialistas, isso pode torná-la uma poderosa ferramenta contra a epidemia de overdoses no país

por Revista Nature, em Outra Saúde

Em 2023, quando Terp Vairin acordou de uma cirurgia em sua cavidade nasal, ela sentia como se tivesse levado um soco forte no nariz. Quando o efeito da anestesia passou, Vairin pediu algo para aliviar a dor e teve uma surpresa agradável. O medicamento que ela recebeu — um novo tipo de analgésico administrado como parte de um ensaio clínico — aliviou seu desconforto sem os efeitos de tontura ou náusea típicos de um opioide. (mais…)

Ler Mais

Elas pedem para existir: pessoas trans e não-binárias lutam por legitimação e saúde mental

Burocracia ou preconceito estrutural? Pessoas trans e não binárias relatam danos à saúde mental por luta contra o Estado

Por Guilherme Cavalcanti | Edição: Ed Wanderley, Agência Pública

“A única coisa que eu fiz na frente da operadora foi chorar. Eu caí em choro profundo. Um choro convulsionante, na frente da atendente da Receita Federal, porque ela disse que não podia mudar [meu gênero no registro]”, relata Iasmin Rodrigues. No dia em que tentou alinhar os dados do CPF com os do registro civil, Iasmin já possuía os documentos devidamente assinados e ratificados pelo cartório, comprovando o novo nome e gênero não-binário. Ainda assim, teve o pedido negado. O transtorno vai além de protocolos e burocracias e, acumulado em diversas frentes, se torna obstáculo à saúde mental de pessoas que já enfrentaram períodos de conflito, por vezes até com o próprio corpo. (mais…)

Ler Mais

Justiça nega maioria dos pedidos por maconha medicinal gratuita no Brasil

Segundo o Conselho de Justiça, menos de 20% das ações têm desfecho favorável aos pacientes

Por Leandro Aguiar | Edição: Bruno Fonseca | Fotógrafo: Carolina Faraco, Agência Pública

Bárbara Mello, de 25 anos, moradora de Diadema, região metropolitana de São Paulo, é a mãe de Maria Clara, que completou 3 anos em 2024. Em seus primeiros dias de vida, a menina teve a primeira convulsão. Passou nove meses internada, uma série de exames foi feita e os médicos tentaram diferentes medicações para controlar as crises: barbitúricos, benzodiazepínicos e anticonvulsivantes, muitos de alta potência, os chamados “tarja preta”. Nenhum surtiu efeito por muito tempo, até começar a se tratar com a maconha medicinal. (mais…)

Ler Mais

O HIV, entre o Comércio e a Saúde

No Brasil, são mais de 40 mil novos casos por ano. Por regras arbitrárias de “mercado” e decisões políticas equivocadas, país não tem acesso a medicamentos mais baratos. É hora de tomar um novo caminho, de compromisso real com o SUS e os brasileiros

Por Susana van der Ploeg, para a coluna Saúde não é mercadoria, no Outra Saúde

O mais recente Boletim Epidemiológico de HIV/AIDS, divulgado em 11 de dezembro de 2024, revela que em 2023, o Brasil registrou 46.495 novos casos de HIV, o que representa um aumento de 4,5% em relação a 2022. A maior concentração de casos ocorre entre jovens de 15 a 24 anos (23,2%), adultos de 25 a 34 anos (34,9%) e homens que fazem sexo com homens (HSH) (53,6%). Além disso, a epidemia afeta de maneira desproporcional a população negra, que corresponde a 63,2% dos casos (49,7% pardos e 13,5% pretos). Entre os 10.338 óbitos registrados em 2023, 63% foram de pessoas negras, sendo 48% pardos e 15% pretos. As mulheres negras, particularmente vulneráveis, representaram 63,3% das mortes femininas e 67,4% da taxa de infecção em gestantes. Esses números refletem desigualdades sociais profundas e estruturais que persistem no Brasil e que comprimidos diários, por si só, não resolvem. (mais…)

Ler Mais

Resiliência em saúde, conceito em disputa

Evento do CEE debate de que forma os sistemas de saúde podem responder a pressões de todos os tipos – em especial neste momento de catástrofes climáticas. Estratégia de Saúde da Família e Agentes Comunitários de Saúde, essenciais para contextos de urgência, podem ser referência para o mundo

por Gabriel Brito, em Outra Saúde

Afinal, o que é resiliência? Palavra da moda em diversos círculos sociais e profissionais, resiliência tornou-se predicado discursivo de toda sorte de atores, de modo que seu significado acaba por se submeter a orientações dos mais variados tipos. Tal noção pode ser lida como síntese do seminário Resiliência em Saúde Pública: desafios e perspectivas, promovido pelo Centro de Estudos Estratégicos (CEE) da Fiocruz nesta segunda, 9/12. Reuniu pesquisadores brasileiros e estrangeiros que estudam experiências de variados sistemas de saúde. (mais…)

Ler Mais

A era de crise psíquica fabricada. Por Vladimir Safatle

Saber psiquiátrico e sua profusão de diagnósticos patologizam todas as formas de mal estar. Ao fazê-lo, tentam calar as insubmissões à subjetividade neoliberal. Não seria ela a grande adoecedora da sociedade? Quais as brechas para contestá-la?

em Outras Palavras

Há quase dez anos, começamos a desenvolver na Universidade de São Paulo a pesquisa que resultou no livro Neoliberalismo como gestão do sofrimento psíquico. Tal pesquisa foi feita pelo Laboratório de Teoria Social, Filosofia e Psicanálise (Latesfip/USP), que congrega professores e pesquisadores do Departamento de Filosofia e do Instituto de Psicologia da nossa universidade. Durante os piores momentos da universidade pública brasileira, lutamos para levar a cabo essa pesquisa como forma de começar a analisar as mutações pelas quais os sujeitos estavam a passar no interior da nova ordem econômica com suas estruturas próprias de brutalização social e violência. (mais…)

Ler Mais

Escala 6×1: como se blindam os CEOs

Documento do CADE revela que empresários de dezenas de megacorporações se reúnem para combinar salários, licenças e benefícios. Brasil, país com recordes de acidentes de trabalho e burnout, precisa pôr a jornada de trabalho no centro das discussões sobre saúde

por Leandro Modolo e Raquel Rachid, em Outra Saúde

No último mês, o Brasil se reacendeu politicamente para falar do fim da “Jornada 6×1”. E não foi apenas nas “redes sociais”. Muitos movimentos foram às ruas para levantar a bandeira. Uma rede difusa de vanguardas, militantes e ativistas esteve nas calçadas panfletando e dialogando com a população. A receptividade foi das melhores. As classes subalternizadas percebem e sentem que há algo de brutalmente injusto em uma condição de ausência de vida para além do trabalho. (mais…)

Ler Mais