Debate do aborto: por que a Espanha avança e o Brasil caminha para mais restrições?

Enquanto a Espanha se move para blindar o direito ao aborto em sua Constituição, o Brasil aprofunda a criminalização

Por Guilherme Cavalcanti | Edição: Thiago Domenici, Agência Brasil

Neste mês de outubro de 2025, enquanto o governo de Pedro Sánchez anunciava a intenção de inscrever o direito ao aborto na Constituição da Espanha, como uma muralha contra o avanço da extrema-direita no país, o Brasil dava mais um passo contra a criminalização, com o voto do agora ex-ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Luís Roberto Barroso, que decidiu pela descriminalização até a 12ª semana, sob o argumento de que o aborto é “questão de saúde pública, não de direito penal”. (mais…)

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Vereadores emplacam leis de ‘síndrome pós-aborto’ não reconhecida por entidades de saúde

Projetos criam data de síndrome que não é reconhecida pela OMS nem pela Associação Brasileira de Psiquiatria

Por Mariama Correia | Edição: Bruno Fonseca, Agência Pública

Vereadores de extrema direita do PL, União Brasil e MDB, de diversos estados no Brasil, estão apresentando projetos de lei para instituir a “semana de combate à síndrome pós-aborto” no calendário oficial de várias cidades brasileiras. A reportagem da Agência Pública localizou propostas quase idênticas em Maceió (AL), Recife (PE), São Paulo (SP), Lages (SC) e Manacapuru (AM). Os textos preveem as mesmas ações de conscientização sobre o adoecimento psicológico que seria causado pela interrupção da gravidez. Acontece que a síndrome pós-aborto não é reconhecida pela Organização Mundial de Saúde (OMS), nem pela Associação Brasileira de Psiquiatria, que informou à reportagem que ela “não está em manuais de classificação de doenças mentais, portanto, não tem relação com questões ligadas à saúde mental”. (mais…)

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‘Rede invisível’: como a rede de acolhimento se vira contra meninas que necessitam abortar

Maioria dos casos de violência sexual contra menores no Brasil são causados por adultos que convivem com as vítimas

Por Andrea DiP | Edição: Natalia Viana, Agência Pública

Mariana* tinha 12 anos quando foi levada para um abrigo no interior de São Paulo com suas duas irmãs de 9 e 4 anos, em novembro de 2023. Apesar da pouca idade, era a segunda vez que a menina era afastada dos pais e posta em acolhimento institucional, “devido à complexa problemática da família” e “intenso risco”, segundo documentos sigilosos obtidos pela Agência Pública. A mãe, dependente química, era constantemente internada e passava longos períodos fora de casa. O pai era ausente e negligente. Mariana tinha ainda duas irmãs gêmeas bebês, que foram levadas para outro abrigo. (mais…)

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Em carta aberta, Abrasco repudia Lei municipal que obriga desinformação sobre aborto nas unidades de saúde do Rio de Janeiro

Na Abrasco

Excelentíssimo Senhor Eduardo Paes,

No dia 12 de junho de 2025, foi sancionada a Lei nº. 8936, que dispõe sobre a “obrigatoriedade de afixação de cartazes ou placas informativas acerca do aborto nas unidades hospitalares, instituições de saúde, clínicas de planejamento familiar, e outros estabelecimentos relacionados à saúde, no âmbito do Município”. (mais…)

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Em defesa da vida das meninas e mulheres: legalizar o aborto para garantir saúde pública para todas

Por Maria Fernanda Marcelino, Renata Reis e Sonia Coelho*, Brasil de Fato

O histórico de luta no dia 28 de maio

No início da década de 1980, o movimento feminista e pela saúde das mulheres ganhou mais força no processo de articulação em termos internacionais. Nesse contexto, a Campanha Internacional por Contraceptivos, Aborto e Esterilização (Icasc) realizou o 4º Encontro Internacional Mulher e Saúde (IWHM) em 1984, com o tema “Não ao Controle Populacional… As Mulheres Decidem!”. A perspectiva da autodeterminação das mulheres sobre seus corpos, sexualidades e desejos era central. Nessa conferência de 1984 foi apontada a necessidade de respostas comuns e estratégias globais frente às violências patriarcais sobre a sexualidade, reconhecendo as particularidades e diferenças entre os grupos de mulheres ao redor do mundo. (mais…)

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Direitos reprodutivos em disputa

As negociações da 58ª Sessão da Comissão de População e Desenvolvimento (CPD) da ONU foram travadas por obstruções dos Estados Unidos e da Argentina, que se opuseram ao debate sobre direitos sexuais e reprodutivos, temas ligados a gênero e aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável.

Por Kelly Ribeiro, no Portal Catarinas

A 58ª Sessão da Comissão sobre População e Desenvolvimento (CPD) da ONU, realizada em abril, em Nova York (EUA), terminou sem a aprovação de uma resolução final. Criada para monitorar a implementação do Programa de Ação da Conferência Internacional sobre População e Desenvolvimento, realizada no Cairo em 1994, a CPD é um dos principais espaços globais de negociação sobre direitos sexuais e reprodutivos. (mais…)

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Justiça derruba liminar e mantém resolução do Conanda sobre aborto legal para crianças e adolescentes vítimas de violência sexual

Aprovação de norma havia sido questionada pela oposição e colocado em lados opostos governo Lula e sociedade civil

Cristiane Sampaio, Brasil de Fato

O Poder Judiciário derrubou, no final da noite de segunda-feira (6), a liminar que suspendia a resolução do Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente (Conanda) sobre o atendimento do segmento em casos de aborto legal – no Brasil, a interrupção da gravidez é autorizada quando há risco de vida para a gestante, gravidez após estupro e fetos anencéfalos. Aprovada pelo órgão em dezembro, a norma havia sido suspensa pela Justiça Federal após pedido da senadora bolsonarista Damares Alves (Republicanos-DF), que alegou desrespeito ao rito de votação do texto por parte do Conanda. Agora, a resolução volta a valer. (mais…)

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