Pandemia não inventou a desigualdade, mas enriqueceu alguns e empobreceu bilhões

“Estamos na mesma tempestade, no mesmo furacão. Só que uns têm barco, outros têm terra firme, outros têm salva-vidas meia-boca, muitos estão tentando nadar”, afirmou o secretário-geral do IndustriALL

Por Redação RBA

A desigualdade econômica e social não surgiu com a pandemia do coronavírus, mas sua superação passa pela contribuição dos beneficiados com a crise, afirma o secretário-geral do IndustriALL, o brasileiro Valter Sanches. Em entrevista na manhã desta quinta-feira (2) a Glauco Faria, na Rádio Brasil Atual, Sanches falou de Genebra, sede do sindicato global, que representa mais de 50 milhões de trabalhadores em 140 países, avaliou os impactos da crise sanitária e observou que aqueles que se beneficiaram da situação precisam agora dar sua parcela para iniciar um processo de recuperação.

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Pesquisa aponta as precárias condições de trabalho dos profissionais de saúde

Há vários relatos de imposição patronal para reutilização incorreta e explicitamente proibida de EPIs

Por Denise Motta Dau, Carta Capital

O Brasil é o novo epicentro da pandemia da covid-19. No último período, ocupou o primeiro lugar no número de mortes diárias várias vezes e, em relação ao total de mortes, ocupa o segundo lugar, atrás somente dos Estados Unidos. Representamos, em média, 23% das mortes do mundo. O número de mortes e de casos de infecção, mais de três meses após a chegada da pandemia, supera o que especialistas compreendem como o limite inevitável dos impactos decorrentes da pandemia. O cenário sombrio tende a se agravar, caso as autoridades não a enfrentem efetivamente e não mudem, a partir de seus estados e municípios, a lógica e a atitude equivocada – e cruel – do governo federal, que tem colocado o lucro como valor supremo em detrimento da vida do povo.

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Trabalho escravo contemporâneo não traz correntes, torna a pessoa uma ‘coisa’

Professores e juízes chamam a atenção para a atualização do conceito, que envolve “desumanização” e vulnerabilidade

Por Vitor Nuzzi, da RBA

O conceito de trabalho escravo contemporâneo mostra a evolução do combate a essa prática no Brasil. Mas quem acompanha o tema de perto destaca os desafios e as ameaças à continuidade das ações. O antropólogo e professor Ricardo Rezende Figueira, por exemplo, observa que na origem a ideia está ligada basicamente à restrição de liberdade. Mas o elemento central, acrescenta, é a “dignidade humana ofendida”.

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Em São Paulo, trabalhadores da construção civil veem escalada da Covid-19: “Tá todo mundo contaminando um ao outro”

Sindicato da categoria fala em 57 mortes ocorridas entre trabalhadores do setor e familiares e anuncia greve para o próximo dia 16; 28% dos trabalhadores testados até agora foram contaminados pelo coronavírus, segundo a entidade

Por Ciro Barros, Agência Pública

Wilson* voltou a trabalhar há poucos dias num canteiro de obras na zona oeste de São Paulo após ter vivenciado na pele o drama da Covid-19. “Teve uma semana que eu senti uma falta de ar da zorra. Na hora de deitar, antes de dormir, era muita falta de ar. Depois, eu comecei a sentir muito cansaço. Quando ia subir escada, me sentia muito cansado. Aí passou. Outro dia eu tava trabalhando e senti uma moleza nas pernas, não aguentei trabalhar à tarde e, quando cheguei em casa, fiquei com febre”, conta o pedreiro, que pediu para não ser identificado. Ele sentiu os sintomas em meados de abril, mas só testou positivo para o coronavírus na obra em que trabalha no dia 5 de maio. Antes de saber que estava infectado, porém, reparou que sua esposa apresentava uma tosse seca persistente e insistiu para ela ir ao médico, mas ela relutava. Assim que soube que estava com Covid, foi mais enfático e levou-a ao hospital. A esposa de Wilson também recebeu o diagnóstico positivo e foi internada no mesmo dia. “Mas aí ela ficou só oito dias. Foi no dia 8 [de maio], quando foi do dia 13 para o dia 14 ela não resistiu. A falta de ar tava muita e ela já tinha problema de respiração, quando andava no sol ficava cansada. Aí ela faleceu”, relata. “Estou sem chão”, diz ele, que morava sozinho com a esposa, a quem chamou de “minha grande companheira”. Resigna-se de ter dado à esposa uma despedida digna. “Quando eu vi na televisão aquelas imagens dos enterros no cemitério da Vila Formosa, eu pensei: ‘Não quero isso pra ela’. Falei com o antigo patrão dela e ele me ajudou a fazer o enterro”, relata.

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Trabalhadoras domésticas enfrentam coação de patrões durante pandemia

Segundo Federação Nacional, domésticas são obrigadas a trabalhar e ameaçadas de demissão; maioria de denúncias é sobre patrões que as obrigam a dormir no trabalho

Por José Cícero da Silva, Agência Pública

A morte do menino Miguel Otávio Santana da Silva, de 5 anos, que caiu do 9° andar de um condomínio de luxo em Recife, Pernambuco, revela um drama silencioso que tem marcado a pandemia brasileira: a situação precária das trabalhadoras domésticas.

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Terceirizados e precarizados, operadores de telemarketing se arriscam ao contágio em salas sem janelas

Incluído entre os serviços essenciais, teleatendimento continua funcionando mesmo para atividades comerciais; com baixa taxa de home office, funcionários relatam que colegas com sintomas trabalham presencialmente por medo de demissões

Por Rute Pina, Agência Pública

“Quando a gente ouviu falar em evitar aglomerações porque o vírus se propaga mais rápido, todo mundo ficou desesperado”, conta a teleoperadora Beatriz Silva*, ao lembrar a reação dos colegas de call center ao ouvir as primeiras notícias sobre o avanço da pandemia de coronavírus no país. “Isso é tudo o que uma operação de telemarketing é: um lugar totalmente fechado, sem janelas, com ar-condicionado por todos os lados.”

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Escravidão no Brasil: até quando? Por Gilvander Moreira[1]

Desde a década de 1980, a Comissão Pastoral da Terra (CPT) está comprometida com a luta pela superação do Trabalho escravo contemporâneo. Exemplifica esse compromisso a atuação, a partir de 1986, no sul de Minas Gerais, de 15 Sindicatos de Trabalhadores Rurais (STRs) que aderiram a esta luta e passaram a denunciar a existência e a intensificação de trabalho escravo nas fazendas de café.

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Trabalho escravo contemporâneo: Brasil escravocrata. Por Gilvander Moreira[1]

Por meio da Campanha Nacional de Combate ao Trabalho Escravo, da Comissão Pastoral da Terra (CPT), de 11 a 15 de maio de 2020, acontece mais uma Semana de Comunicação em Combate ao Trabalho Escravo. Neste ínterim trazemos à memória o 132º ano da Lei Áurea, que dia 13 de maio de 1888, aboliu formal e mentirosamente a escravidão no Brasil. Trinta e oito  anos antes, em 1850, com a Lei 601, conhecida como Lei de Terras, reforçou-se o sistema escravista ao se afirmar que a única possibilidade de acessar a terra seria por meio da compra. Criou-se, assim, “o cativeiro da terra” (como bem denominou José de Souza Martins) antes de acabar com o cativeiro de seres humanos, em especial dos povos negros trazidos de forma forçada da África. Procedendo assim, juridicamente se pavimentou a estrada para se criar outro tipo de escravidão sob a égide de liberdade abstrata e formal. Com a Lei Áurea, os negros escravizados ao serem “libertos” acabavam de mãos vazias sem jamais ter condições de ter acesso à terra, pois não tinham dinheiro para comprá-la. Consequentemente, de escravizados juridicamente se tornaram sem-terra, sem-teto, sem nada, iniciando o que muitos chamam de escravidão contemporânea.

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Jornalistas arriscam a vida na crise do coronavírus em meio a demissões, cortes de salário e agressões do presidente

Enquanto presidente manda os jornalistas calarem a boca, pelo menos quatro profissionais já morreram durante a cobertura e muitos estão contaminados

Por Alice Maciel e Julia Dolce, da Agência Pública

“Cala a boca, não perguntei nada!”, esbravejou o presidente Jair Bolsonaro a uma repórter do jornal O Estado de S. Paulo, o Estadão, na manhã da terça-feira (5). Para muitos, a atitude foi uma das cenas mais violentas propagadas por um chefe de Estado contra profissionais de imprensa no Brasil desde a ditadura militar.

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Perda maciça de renda afeta 90% dos trabalhadores informais na América Latina e no Caribe

ONU Brasil 

As estimativas da Organização Internacional do Trabalho (OIT) sobre o impacto da pandemia de COVID-19 revelam que na América Latina e no Caribe há uma perda maciça de renda do trabalho entre as pessoas com emprego informal, o que poderá causar um aumento acentuado nas taxas de pobreza relativa, afetando quase metade da força de trabalho.

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