Renda Universal, nova aposta do feminismo?

Invisível e sem remuneração, trabalho doméstico consome tempo e liberdade das mulheres. Para se livrarem do “patrão de casa”, elas precisam superar um sistema que flerta com o desemprego em massa e o fascismo

Por Nuria Alabao | Tradução: Rôney Rodrigues, em Outras Palavras

Todas sabemos: a crise continua. Crise econômica, mas também ecológica, política e de cuidados. Alguns falam de crise civilizatória. (Já não acreditamos que tudo melhorará amanhã na História). Dessa crise, conhecemos as consequências mais obscuras: a emergência da ultradireita em todo o planeta, o anoitecer do século está apenas começando. Uma ultradireita que diz oferecer uma saída radical, uma saída violenta e reacionária a essa crise sistêmica, e à indeterminação e ao medo de nossas vidas por um fio. Precisamos de propostas ousadas. Estamos obrigadas a criar meios que nos levem a outro modelo de sociedade, mas também a incorporar os movimentos tornem isso possível. Decrescer redistribuindo recursos e dinheiro; frear as mudanças climáticas que ameaçam toda a vida; reduzir a jornada de trabalho e reparti-lo; vencer batalhas contra o capital que nos permitam conquistar novos direitos — como uma Renda Básica Universal (RBU), que nos dê mais poder e mais liberdade…

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Nota Pública da AJD em repúdio às declarações do Desembargador Jaime Machado Júnior

Por AJD

A Associação Juízes para a Democracia (AJD), entidade não governamental e sem fins corporativos, que tem dentre seus objetivos estatutários o respeito aos valores próprios do Estado Democrático de Direito, vem, diante da veiculação, nas redes sociais e em diversas matérias jornalísticas, de vídeo do Desembargador Jaime Machado Júnior, do Tribunal de Justiça de Santa Catarina – TJSC, manifestar o total repúdio às suas declarações, que incitam a cultura do assédio e estupro contra as mulheres.

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Violência obstétrica, uma forma de desumanização das mulheres

O fenômeno é muito mais comum do que a novidade da palavra parece sugerir: são muitas as mulheres que ignoram ter sofrido com isso

por Debora Diniz e Giselle Carino, em El País

A expressão “violência obstétrica” ofende médicos. Dizem não existir o fenômeno, mas casos isolados de imperícia ou negligência médicas. O que aconteceu com a brasileira Adelir Gomes, grávida e forçada pela equipe de saúde a realizar uma cesárea contra sua vontade, dizem ser um caso extremo, escandalizado pelas feministas como de violência obstétrica. Não é verdade. A violência obstétrica se manifesta de várias formas no ciclo de vida reprodutiva das mulheres. Em cada mulher insultada verbalmente porque sente dor no momento do parto ou quando não lhe oferecem analgesia. Na violência sexual sofrida em atendimento pré-natal ou em clínicas de reprodução assistida. No uso de fórceps, na proibição de doulas ou pessoas de confiança na sala de parto. Na cesárea como indicação médica para o parto seguro. A verdade é que a violência obstétrica é uma forma de desumanização das mulheres.

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Contra o racismo e pela agroecologia: confira como foi a marcha das mulheres camponesas na Paraíba

Em sua décima edição, Marcha pela Vida das Mulheres e pela Agroecologia reuniu 6 mil pessoas e celebrou legado de Marielle Franco; camponesas do Polo da Borborema debatem racismo e violência

Por Helena Dias e Inês Campelo, em Remígio (PB)
Em parceria com a Marco Zero Conteúdo / De Olho nos Ruralistas

“Quem mandou matar Marielle Franco?”. Estampada em cartazes e gritada em uníssono por cerca de 6 mil mulheres – muitas delas negras, como a vereadora carioca cujo assassinato completou um ano nesta quinta-feira (14) -, a pergunta foi a tônica da décima Marcha pela Vida das Mulheres e pela Agroecologia, realizada em Remígio, no Polo da Borborema, Agreste da Paraíba.

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Quatro Coisas Que Aprendi Com a Luta de Marielle Franco #1AnoSemMarielle

por Thaís Cavalcante, em RioOnWatch

A primeira vez que vi Marielle Franco pelas ruas da Maré foi em 2016. Lembro bem de seu turbante colorido e de estar sentada numa cadeira de bar em pleno sábado, assim como os comunicadores de favelas, ativistas e universitários dali. A roda de conversa foi sobre gênero, raça e juventude, no Morro do Timbau.

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Margaridas e Marielles: quatro histórias de luta camponesa na Paraíba

Em seu décimo ano, Marcha pela Vida das Mulheres e pela Agroecologia, no Polo da Borborema, homenageia vereadora carioca, no primeiro aniversário de sua morte; expectativa é reunir 5 mil pessoas

Por Helena Dias e Inês Campelo, em Remígio (PB)
Em parceria com a Marco Zero Conteúdo, em De Olho nos Ruralistas

Quem chega em Remígio (PB) logo percebe que as chuvas das últimas semanas vestiram de esperança a vegetação da cidade, como se fosse para contrastar com o lilás da 10ª Marcha pela Vida das Mulheres e pela Agroecologia. Desde segunda, a Marco Zero Conteúdo, em parceria com o De Olho nos Ruralistas, está no município do agreste paraibano para sentir o clima da mobilização e conhecer algumas das líderes que compõem o movimento camponês do Polo da Borborema – rede de 13 sindicatos de trabalhadoras e trabalhadores rurais.

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A invisibilidade da violência contra as mulheres do campo e das florestas

Artigo fala sobre importância de entender as diferentes faces da violência contra as mulheres

Por Adriana Rodrigues Novais e Lucinéia Freitas​*, na Página do MST

Durante o mês março as propagandas na televisão mostram celebrações e flores. Trata-se de uma cortina de fumaça para as reportagens veiculadas ao longo do ano sobre a permanente violência contra mulher. Com objetivo de aquecer as vendas e garantir o lucro, festeja-se a data e homenageia-se as mulheres, destacando-as como vencedoras ou investidoras. A mesma televisão busca esconder nos sorrisos fabricados do “Feliz dia!” as mulheres que, organizadas com suas próprias bandeiras, flores, cantos e tambores, denunciam as inúmeras violações que uma sociedade patriarcal, racista e capitalista impões sobre seus corpos e territórios.

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Por justiça a Marielle e aos mortos da mineração, mulheres paralisam o trem da Vale em MG

No dia em que o assassinato de Marielle completa um ano, as mulheres do MST e do MAM prestam homenagem à memória da vereadora e encerram a jornada de lutas denunciando os crimes da Vale

Por Geanini Hackbardt, na Página do MST

Na manhã desta quinta-feira (14/03) cerca de 400 mulheres denunciaram o assassinato em massa de trabalhadores e trabalhadoras, com o rompimento da barragem Córrego do Feijão, em Brumadinho-MG; a violência da mineração predatória contra as mulheres; a ameaça ao abastecimento de água à população gerada pelas mineradoras e sua total irresponsabilidade ambiental, além da sonegação da previdência e o não pagamento dos impostos sobre a extração mineral. As mulheres pararam o trem que transporta o minério de ferro extraído da região do quadrilátero ferrífero mineiro, próximo ao centro de Sarzedo, cidade vizinha a Brumadinho.

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As mulheres que cuidam de mulheres encarceradas

Em meio à violência do aprisionamento em massa, um oásis de humanidade: retratos de mães, irmãs e companheiras que madrugam para dar conforto a quem está atrás das grades – quase sempre por delitos menores

Por Julia Reis, na Vice Brasil / Outras Palavras

“Eu fico até às duas da manhã cozinhando pra ela. Depois acordo bem antes do sol nascer pra refogar o arroz e o macarrão, aí chega quentinho.” Essa é a rotina de toda madrugada de quinta-feira da Dona Clarisse de Jesus. Com 63 anos ela faz toda semana uma compra de R$ 200 para suprir os mantimentos que o Estado não consegue dar para sua filha Tatiane, detenta há sete meses na penitenciária feminina do Estado de São Paulo, em Santana, zona norte.

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Primeira pajé mulher dos Kamayurá afirma protagonismo feminino no Xingu

Ganhadora do Prêmio Direitos Humanos 2018, Mapulu Kamayurá articula projetos para levar centros de informática às aldeias e incentivar venda pela internet de artesanato de jovens indígenas no Alto Xingu

Por Clarissa Beretz, do Alto Xingu, em De Olho nos Ruralistas

Mapulu está em transe. Ela fuma um charuto de folha de tabaco, fecha os olhos e “desmaia” por uns minutos. Ao  acordar, começa a caminhar até uma árvore, na aldeia Ipavu, da etnia Kamayurá, no Alto Xingu, em Mato Grosso. Ela então se abaixa, começa a escavar a terra com as mãos e tira dali um pequeno emaranhado de pedacinhos de pau com fios, arames e elásticos. Mapulu acaba de encontrar um feitiço.

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