Assim o jornalismo quer diminuir as mulheres

Salários menores, cargos inferiores, assédio sexual, violência. Uma pesquisa revela o quanto as jornalistas, maioria nas escolas e redações, ainda são discriminadas nos jornalões brasileiros

Por Inês Castilho – Outras Palavras

São Paulo, 1968. O movimento estudantil ferve nas ruas, e a repressão avança com a proximidade do AI-5. A Folha da Tarde é o único entre os jornais da grande imprensa que cobre as manifestações (1). Na redação, entre cerca de 40 homens, apenas três mulheres, muito jovens: Rose Nogueira, uma fotógrafa nipo-brasileira e eu, grávida. (mais…)

Ler Mais

Mortalidade materna no Brasil tem raízes no racismo, na falta de pré-natal e de parto adequado

Por Luís Eduardo Gomes, no Sul 21

Alyne Pimentel, 28 anos, mulher negra, estava grávida de 27 semanas quando procurou uma clínica em Belford Roxo (RJ) após sentir fortes dores abdominais e ter vômitos. No atendimento, o médico prescreveu remédios para náuseas, contra infecção vaginal, vitamina B12 e a encaminhou de volta para casa. Dois dias depois, Alyne voltou a se sentir mal. Na nova consulta, foi constatado que o bebê que carregava na barriga estava morto. Ela passou por um parto induzido e, 14 horas depois, por uma cirurgia para a retirada dos restos da placenta. Alyne teve hemorragia, vomitou sangue e sua pressão arterial caiu. Depois de oito horas de espera por uma ambulância, foi transferida para um hospital em Nova Iguaçu, outra cidade. Por falta de leito, aguardou mais várias horas no corredor da emergência. Cinco dias depois de procurar ajuda pela primeira vez, faleceu em 16 de novembro de 2002. A causa da morte: hemorragia digestiva resultante do parto do feto morto. Ela era casada e tinha uma filha de 5 anos. (mais…)

Ler Mais

Lei Maria da Penha: Quando Cileide achava que nada mais ia mudar, tudo mudou

No dia em que a lei Maria da Penha entrou em vigor, em 2006, pernambucana denunciou agressor. Segundo ONU Mulheres, 17% das nordestinas já foram agredidas alguma vez

Por Felipe Betim, El País Brasil

“Eu acho até bom contar minha história, porque chega mais longe, chega em mais pessoas que vivem o que eu vivi”, começa dizendo Cileide Cristina da Silva, que por muito tempo sentiu na pele o fato de ter nascido mulher e pobre em uma cidade do nordeste do Brasil. “Outro dia eu e minha filha estávamos olhando que eu tenho dois perfumes fechados. Aí eu lembrei que ele dizia que mulher que usava perfume era para ‘botar gaia’ [trair]. Minha filha não podia usar creme no cabelo, ele dizia para colocar óleo de cozinha. Hoje a gente ter um perfume fechado é muito, sabe? E faz a gente pensar em coisas que já passou”, prossegue. “Ele” é seu ex-marido Francisco, que durante duas décadas agrediu Cileide de todas as formas possíveis. (mais…)

Ler Mais

Bancada da Bala, Boi e Bíblia impõe ano de retrocesso para mulheres e indígenas

Ala conservadora do Congresso aproveitou situação delicada de Temer para barganhar apoio para suas pautas

Gil Alessi – El País

Proibição do aborto em caso de estupro, posse de armas para quem vive no campo, restrições à demarcação de terras indígenas e flexibilização do que é trabalho escravo… O ano de 2017 foi marcado pelo avanço de vários projetos e pautas conservadoras no Legislativo, a maior parte encampada pela bancada BBB (Bala, boi e bíblia), apelido dado às Frentes Parlamentares da Segurança Pública, Agropecuária e Evangélica. Contando respectivamente com 299, 226 e 198 deputados, elas surfaram na onda moralista que atingiu o país – e que recentemente incluiu o boicote a exposições de arte e a defesa da malfadada cura gay. A bancada BBB, que já serviu como tropa de choque e escudo para o ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha (PMDB-RJ) em 2015 e ajudou a derrubar a presidenta Dilma em 2016, agora, em 2017, cobra a fatura e barganha com o Planalto para ver algumas de suas bandeiras avançarem. (mais…)

Ler Mais

Crônica: o desamparo sentido pelas mulheres vítimas da violência é real – e letal

No Justificando*

O direito das mulheres vítimas de violência não é um tema novo para mim. Em razão da minha profissão, interesse pessoal e senso de dever, a questão já foi objeto de várias reportagens que escrevi. Ouvi muitas mulheres agredidas, cujas histórias realmente me comoveram.

No entanto, apesar da empatia e da indignação que sentia, a verdade é que meu envolvimento com a causa nunca havia passado da página três. Afinal, ao fim do dia, estava de volta à minha casa, meu refúgio, lar seguro – o que me distanciava de todos aqueles infortúnios. (mais…)

Ler Mais

Precisamos falar sobre gênero

Enquanto a precarização da vida dilui vínculos e constitui novas subjetividades, a construção política das inseguranças pode obscurecer os circuitos reais em que essa precarização se estabelece. Diante de mudanças profundas no mundo do trabalho e com a financeirização da vida, trata-se da mobilização política de estereótipos e preconceitos presentes na sociedade para ativar inseguranças e situá-las como questões de ordem moral. 

Por Flávia Biroli, no blog da Boitempo* (mais…)

Ler Mais

Assédio sexual: “o corpo da mulher é visto como algo que não lhe pertence”

Combater o assédio e toda a violência sexual contra mulheres implica desconstruir um sistema de opressões intercruzadas que vão do machismo sistémico ao racismo estrutural. São vários os corpos estigmatizados neste processo, de várias formas. As raízes e as consequências do assédio são densas e complexas. Olhá-lo de frente é também reconstruir sociedades mais justas.

Por Mariana Duarte, no Público (mais…)

Ler Mais

Estudo da Defensoria mostra quem são as mulheres criminalizadas pela prática do aborto

No Justificando

Negra, mãe, pobre e sem antecedentes criminais. Este é o perfil das mulheres que respondem a processo criminal pela prática de aborto, conforme levantamento realizado pela Diretoria de Pesquisa e Acesso à Justiça da Defensoria Pública do Rio de Janeiro. O grupo analisado é pequeno se comparado ao universo estimado em cerca de meio milhão de brasileiras submetidas anualmente a abortos clandestinos. (mais…)

Ler Mais

Todavía existe legislación que discrimina a las mujeres

Aunque los tiempos en que las mujeres por ley no podían votar o estudiar han sido superados, en América Latina y el Caribe todavía existen leyes que discriminan a las mujeres en distintos ámbitos. El Equipo Latinoamericano de Justicia y Género (ELA), junto con ONU Mujeres, está realizando un mapeo de leyes discriminatorias en la región con miras a facilitar su derogación

ONU Mujeres / Servindi

En América Latina y el Caribe hay mujeres que, por ley, en pleno 2017, no pueden heredar tierras, no pueden acceder a ciertos trabajos, como la minería, o no pueden darle su nacionalidad a los hijos e hijas que tengan. (mais…)

Ler Mais