Piauí abre matéria sobre Bolsonaro e STF: “Vou intervir!”

O dia em que Bolsonaro decidiu mandar tropas para o Supremo

Por Monica Gugliano, na piauí

A temperatura em Brasília não passou de 27ºC naquela sexta-feira, mas o ambiente estava tórrido no gabinete presidencial, no Palácio do Planalto. Ainda pela manhã, Jair Bolsonaro fora informado que o ministro Celso de Mello, o decano do Supremo Tribunal Federal, consultara a Procuradoria-Geral da República para saber se deveria ou não mandar apreender o celular do presidente e do seu filho Carlos Bolsonaro. Era uma formalidade de rotina, decorrente de uma notícia-crime apresentada por três partidos, mas a mera possibilidade de que seu celular viesse a ser apreendido deixou Bolsonaro transtornado. No seu gabinete, a reunião das 9 horas começou com um pequeno atraso. Estavam presentes dois generais: o ministro-chefe da Casa Civil, Walter Braga Netto, e o ministro-chefe da Secretaria de Governo, Luiz Eduardo Ramos. O terceiro general a participar do encontro, Augusto Heleno, ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional, achando que aquele 22 de maio de 2020 seria um dia tranquilo, marcara uma consulta médica na parte da manhã. Foi o último a chegar à reunião. Agitado, entre xingamentos e palavrões, o presidente saiu logo anunciando sua decisão:

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Mapas inéditos indicam que ditadura mascarou dados ao retirar indígenas em Itaipu

Novos registros cartográficos mostram que ditadura militar agiu para apagar a história dos Avá-Guarani que ocupavam o território antes da construção da hidrelétrica. Augusto Aras, chefe do MPF, pediu extinção da ação reparatória à etnia

Por Thais Lazzeri, em Repórter Brasil

Mapas e registros cartográficos inéditos, analisados por Paulo Tavares, professor e pesquisador da UnB (Universidade de Brasília), mostram em detalhes como era a presença indígena na área da usina hidrelétrica de Itaipu, no Paraná, antes das obras e da consequente inundação do local, na década de 1970.

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Baderna e Democracia para derrotar a ultradireita

Corporações sustentam governos que trabalham a seu serviço, destruindo confiança na Democracia. Mas foi dentro dela que conquistamos avanços importantes, e apenas uma defesa rebelde em seu nome garantirá ampliação da justiça e igualdade

Por SOS Corpo*, na coluna Baderna Feminista / Outras Palavras

Por diferentes meios, vozes políticas ergueram-se nas semanas recentes contra a desrazão e impossibilidade do governo Bolsonaro dar alguma resposta segura de proteção à vida no Brasil. O horizonte de chegarmos ao marco de 100 mil mortes pela covid-19 é a mais escancarada demonstração da indisposição da coalizão de forças no poder em colocar-se a serviço do bem-estar e proteção da população brasileira, ou, pelo menos, de sua maior parte, preta e pobre.

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MPF denuncia torturadores da “Casa da Morte” da ditadura militar

Os ex-agentes militares respondem pelo sequestro, tortura e desaparecimento do advogado Paulo de Tarso

Procuradoria da República no Rio de Janeiro

O Ministério Público Federal (MPF) apresentou ação penal contra Rubens Gomes Carneiro (Laecato ou Boamorte), Ubirajara Ribeiro de Souza (Zé Gomes ou Zezão) e Antonio Waneir Pinheiro Lima (Camarão) pelo sequestro e tortura do advogado e militante político Paulo de Tarso Celestino da Silva, preso no final de julho de 1971, torturado na “Casa da Morte” em Petrópolis (RJ) e desaparecido até a presente data.

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Heroínas desta história. Por Maria Rita Kehl

Prefácio do livro homônimo, relatos de mulheres em busca de justiça por familiares mortos pela ditadura

No A Terra é Redonda

A dinâmica da vida social exige que as práticas de linguagem se renovem continuamente. Novas invenções, novos estilos artísticos, novas práticas sociais exigem novas nomeações. Algumas nascem como gírias e se incorporam ao repertório cotidiano. Outras nascem eruditas, mas o povo se apropria delas e exige que saiam do panteão. No entanto, alguns fenômenos existentes no mundo são impronunciáveis. Talvez pelo horror que evocam, permanecem num estado de exceção em que não podem ser nomeados.

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Justiça Federal reitera: é inconstitucional comemorar o golpe militar de 1964

Ação Popular pediu que o governo federal se abstenha de exaltar o golpe e quer a retirada da “ordem do dia alusiva ao 31 de março de 1964” do site do Ministério da Defesa

A Justiça Federal no Rio Grande do Norte (JF/RN) seguiu entendimento do Ministério Público Federal (MPF) e confirmou decisão – já adotada em liminar – pela inconstitucionalidade de celebrações do golpe militar de 1964. De acordo com a decisão da juíza Federal Moniky Mayara Costa Fonseca, a União e o ministro da Defesa, Fernando Azevedo e Silva, devem proceder a “retirada da ordem do dia 31 de março de 2020 do sítio eletrônico do Ministério da Defesa, além da abstenção de publicação de qualquer anúncio comemorativo relativo ao golpe de Estado praticado em 1964, em rádio e televisão, internet ou qualquer meio de comunicação escrita e/ou falada”. A “ordem do dia” se refere ao golpe como um “marco para a democracia brasileira”.

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Os Subterrâneos da Psiquiatria em Sergipe

por Antonio Samarone, em seu Blog

Em meados da década de 1970, a Atalaia Nova, na Barra dos Coqueiros, era uma Arembepe de Província, frequentada por hippies, comunistas, artistas, bichos grilos, maconheiros e desocupados. Era a nossa Praia. Sem contar que o aluguel era barato.

Circulava entre os moradores uma lenda, de que antes do golpe de 1964, morou na Ilha, num barraco isolado, um mulher desconhecida, altiva, bem falante, feminista, poeta, jornalista e escritora. Era vista diariamente na tó-tó-tó, indo e vindo de Aracaju. Se falava que era até comunista.

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Ditaduras, memória e história. Por Henri Acselrad

No Brasil de hoje, o exercício da memória mostra que por mais que se conquistem liberdades, elas nunca estarão conquistadas o bastante

A Terra é Redonda

O retorno à cena pública brasileira de ideias autoritárias e social-darwinistas nos remete a uma antiga discussão sobre as relações entre memória e História: a memória, por um lado, originada em fontes orais; a historiografia, por outro, tendo por base documentos escritos analisados por quem não necessariamente vivenciou a experiência histórica. Aos poucos, firmou-se a ideia de que história e memória se conectam e se complementam. Poderíamos acrescentar que quando, com medo do julgamento da História, os agentes de práticas violentas exercidas em regimes autoritários ocultam e destroem documentos, como foi o caso dos criminosos nazistas na Europa e dos torturadores e promotores do regime de exceção no Brasil, a memória é mais do que um complemento – ela torna-se um instrumento essencial para a própria História. O testemunho dos que viveram este passado é indispensável para se restituir o que ocorreu de modo que historiadores possam, por sua vez, procurar explicar analiticamente por que isto ocorreu.

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