Enquanto Brasil pode eleger viúvas da ditadura, Chile segue punindo seus militares

Por , The Intercept Brasil

Na noite de sexta-feira, pouco mais de 24 horas após o atentado a Jair Bolsonaro em Minas Gerais, seu candidato a vice já estava a postos para uma sabatina. Nos estúdios da GloboNews, participando das entrevistas que o canal tem promovido com os integrantes das chapas presidenciais, o general Hamilton Mourão acabou mais enredado em discussões militares do que sobre programas de governo – entre outros temas, teve tempo de justificar a hipótese de um “autogolpe” diante de uma situação de “anarquia generalizada” e chamar o torturador Carlos Alberto Brilhante Ustra de “herói”. Apesar da fala, Mourão não foi penalizado: não sofreu advertências mais sérias dos entrevistadores e, na última pesquisa Datafolha, sua chapa seguiu em primeiro lugar. (mais…)

Ler Mais

Pesquisa e ciência neutras? Por Gilvander Moreira[1]

Fez parte da dominação imperialista a afirmação de uma ciência neutra, pura, apolítica, pretensamente objetiva, portadora de uma verdade única e universal e não comprometida com a causa das classes (super) exploradas. Afirmar a neutralidade da ciência é uma forma de tergiversar sobre o compromisso conservador que as universidades via de regra têm. Assim, muitas vezes, pesquisa-se para manter e reproduzir o sistema estabelecido opressor. Entretanto, “com o marxismo, começou a batalha pelo desmascaramento do discurso pretensamente neutro e objetivo presente no positivismo e no empirismo lógico, e mesmo no historicismo” (OLIVEIRA, 2004, p. 33). E a partir da década de 1980, “os cientistas sociais se veem na contingência de tomar partido, de colocarem com urgência a que interesses sociais e políticos servem. Como nos tempos de Hitler, os cientistas que guardam silêncio ou pretendem ser neutros estão, na prática, tão comprometidos com as atrocidades do sistema vigente como aqueles que o fazem conscientemente” (BONILLA et al., 1987, p. 135). (mais…)

Ler Mais

Brasil não pode esquecer que “heróis” torturadores foram pessoas covardes. Por Leonardo Sakamoto

No blog do Sakamoto

O general Antonio Hamilton Mourão, vice de Jair Bolsonaro, em sabatina na GloboNews, nesta sexta (8), disse que “heróis matam” ao falar do finado torturador Brilhante Ustra, responsável pela repressão política violenta na ditadura. Considerando, contudo, que Ustra espancava e matava quem não podia reagir por já estar preso e sob tutela do poder público, diria que seu exemplo de herói foi um sujeitinho bem covarde.

(mais…)

Ler Mais

Os indígenas do Rio Grande do Sul e a Ditadura Militar

A relação que a Ditadura Militar teve com os indígenas ainda é pouco conhecida por boa parcela da sociedade brasileira. A partir do Volume II do Relatório da Comissão Nacional da Verdade/ CNV (Apêndice I) isto começou a mudar um pouco. Neste documento se traz textos temáticos, no qual o 5º fala das violações em direitos humanos dos povos indígenas. A própria CNV afirma que o resultado mostra apenas “uma pequena parcela do que se perpetrou contra os índios” (p. 204). Desta forma, ainda há muito que se aprofundar. (mais…)

Ler Mais

Camponeses do Pará relatam a deputados tortura durante regime militar

Repressão ocorreu dois anos após fim da Guerrilha do Araguaia

por Juliana Cézar Nunes, em Agência Brasil – EBC / IHU On-Line

A Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara dos Deputados ouviu esta semana depoimentos de camponeses da região de Piçarra, no sudeste do Pará, que afirmam ter sofrido perseguição e tortura por parte de agentes da ditadura militar, após a chamada Revolução dos Perdidos. Eles reivindicam a condição de anistiados e a indenização do Estado brasileiro. (mais…)

Ler Mais

Waimiri Atroari enfrentam intenso ataque contra seus direitos

Governo pressiona construção do linhão de transmissão fracionando licenciamento e Eletronorte ameaça suspender repasses indenizatórios para forçar autorização. Índios resistem, pedem para serem ouvidos e lembram que foi o governo quem quebrou o diálogo

por Instituto Socioambiental – ISA / IHU On-Line

Os Waimiri Atroari sofrem uma nova ofensiva do governo e da Eletronorte, que tentam passar, na marra, um linhão de transmissão de energia pelo território desse povo. O linhão busca levar energia de Manaus (AM) até Boa Vista (RR) e, segundo os planos do governo atravessaria a TI Waimiri Atroari por 125 km, acompanhando o traçado da BR 174. A TI fica na divisa entre os Estados de Roraima e Amazonas. (mais…)

Ler Mais

Discurso contra direitos humanos de Bolsonaro é ‘perigoso’, diz alto comissariado da ONU

Discursos como o do candidato do PSL à Presidência da República, Jair Bolsonaro (RJ) sobre direitos humanos podem representar “um perigo” para certas parcelas da população no curto prazo e para “o país todo” no longo prazo. O alerta é de Zeid Al Hussein, alto comissariado da ONU para Direitos Humanos. Ele deixa seu cargo no final desta semana e será substituído pela chilena Michelle Bachelet

por Jamil Chade, em O Estado de S. Paulo / IHU On-Line

Em sua última coletiva de imprensa nesta quarta-feira em Genebra, o jordaniano respondeu a uma pergunta da reportagem do Estado sobre como ele via a popularidade do discurso adotado por Jair Bolsonaro. Para Zeid, o “instrumento” usado para ver o avanço de tais posições é “simples”. “Quando as pessoas estão ansiosas, quando existem incertezas econômicas, globais ou não, por conta da crise nas commodities nos últimos anos, ao dar uma resposta simplista e tocando nas emoções naturais das pessoas – e talvez olhando para uma liderança mais forte, firme – é uma combinação que é bastante poderosa”, disse Zeid. (mais…)

Ler Mais

A Lei da Anistia 39 anos depois: ainda restrita e parcial

Por Pedro Calvi / CDHM

Cerca de 16 mil brasileiros recebem algum tipo de reparação através da Lei da Anistia assinada em 28 de agosto de 1979. Ela abrange o período que vai de 1961 a 1979. Muitos já morreram e os viúvos recebem o benefício. São dois tipos de concessão. Um, de prestação continuada com valor máximo de seis mil reais. Outro, de pagamento único com teto de 100 mil reais. Eles são pagos a pessoas que sofreram perseguição política, banimento, tortura, entre outros arbítrios. Cerca de mais 10 mil processos ainda estariam no Ministério da Justiça para julgamento da concessão. Esses processos beneficiariam civis, militares, índios e lavradores, por exemplo. Muito além dos números existem histórias de civis, indígenas, camponeses e militares que perderam direitos, família, trabalho, foram torturados, assassinados e muitos desaparecidos até hoje. (mais…)

Ler Mais

“Quem procura osso é cachorro”

Essa frase foi dita pelo agricultor Crispim Manoel de Santana, de 62 anos, remanescente da Guerrilha do Araguaia e da Revolta dos Perdidos. Os dois levantes aconteceram na mesma região, com poucos anos de diferença. O primeiro, entre 1972 e 1974. O segundo em 1976. Em comum, os arbítrios dos agentes da repressão da ditadura militar. Uns, lutavam por um ideal. Outros, por terra para plantar. Todos foram atropelados pela truculência do Estado. Aliás, a frase usada por Crispim ele ouviu de um militar, o conhecido major Curió, enquanto era torturado confundido com algum “povo da mata”, como eram chamados os guerrilheiros. O militar se referia a ossos de desaparecidos ou assassinados na região durante a ditadura militar. O encontro dessas histórias foi narrado nesta segunda-feira (27), durante o primeiro depoimento, desde o fim do conflito, de quatro camponeses na Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara dos Deputados

por Pedro Calvi, em CDHM

Também conhecida como Segunda Guerrilha do Araguaia, a Revolta dos Perdidos foi um conflito por terras que aconteceu na região de Piçarras, no Pará, mesmo local da guerrilha, porém em uma área bem menor. (mais…)

Ler Mais

Sessão Solene na Câmara dos Deputados marca os 39 anos da Lei da Anistia

Pedro Calvi / CDHM

A Lei 6.683 concedeu a anistia a todos que cometeram crimes políticos ou eleitorais, e também para quem teve os direitos políticos restritos, por causa de Atos Institucionais ou Complementares, entre 2 de setembro de 1961 e 15 de agosto de 1979. Foram excluídos os condenados por crime de terrorismo, atentado pessoal ou sequestro. Mas, ao mesmo tempo, a lei também concedeu o controverso perdão aos crimes realizados por integrantes das forças armadas durante o regime militar. (mais…)

Ler Mais