As filhas que romperam com os genocidas

Eram ternos, como pais. Um torturava para a ditadura argentina. Outro indicava, aos esquadrões da morte, os jovens inquietos. Agora, elas expõem a máquina psíquica que leva homens “cordiais” a banalizar a eliminação dos diferentes

Por Valeria Perasso, no OtherNews/Outras Palavras
Tradução: Simone Paz 

“Pai, é verdade que você matou centenas de pessoas?” Certamente, essa não é uma pergunta que muitos filhos e filhas sintam necessidade de fazer aos seus pais. Mas, para um grupo de mulheres na Argentina, tornou-se uma questão inevitável e urgente.

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EUA sabiam da tortura na ditadura brasileira e poderiam intervir se quisessem

Documento oficial aponta pela primeira vez possível destino do militante Stuart Wright, filho de missionários norte-americanos, desaparecido em 1973. Texto diz que, se Washington manifestasse interesse, talvez pudesse “salvá-lo de algumas horas de tortura”

Por Eduardo Reina, no El País Brasil

Mais que influenciar o Governo durante o golpe de Estado em 1964 no Brasil e a ditadura, os Estados Unidos acompanhavam todos os detalhes nos porões militares durante os piores anos da repressão nos anos 1960 e 1970. Promoviam intervenções em casos que envolviam seus interesses diretos. Principalmente se o opositor tivesse cidadania norte-americana. É o que revela documento de dezembro de 1973, apontando que o militante da Ação Popular Marxista Leninista (APML) Paulo Stuart Wright, desaparecido desde então, “foi preso no final de setembro em São Paulo e removido para a Cenimar (Centro de Informações da Marinha) no Rio”. É a primeira vez que um documento oficial aponta o possível destino de Stuart Wright.

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Átila Rohrsetzer pode ser o primeiro brasileiro condenado por crime da ditadura na operação Condor

Assassinato do ítalo-argentino Lorenzo Viñas Gigli em 1980 está em julgamento em tribunal na Itália sem presença do acusado, que vive no litoral de Santa Catarina. Juízo internacional dribla a lei da Anistia que protege militares de prestar contas sobre crimes no regime de exceção

Por Aiuri Rebello, no El País Brasil

Os agentes da Polícia Federal já sabiam que o montonero ítalo-argentino Lorenzo Ismael Viñas Gigli, à época com 25 anos, estava no ônibus vindo de Santa Fé naquela noite de 26 de junho de 1980, na fronteira entre Paso de Los Libres e Uruguaiana. De acordo com o relato do motorista à esposa dele, os agentes foram direto até sua poltrona, a de número 11, reservada com um nome falso dias antes, e o retiraram do veículo sem perguntas. Perseguido pela ditadura militar da Argentina e pai de uma menina recém-nascida 20 dias antes, desapareceu na Operação Condor quando tentava viabilizar uma fuga para a Itália com a família a partir do Brasil. Mais de 40 anos depois, esse crime com vítima argentina e algozes brasileiros deve ser julgado definitivamente na justiça italiana até o final do mês.

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31 de março/1º de abril de 1964

Além de praticar torturas e outros crimes contra a humanidade, a Ditadura Militar de 64 não teve compromisso sequer com a verdade sobre a data de sua implantação

por Eugênia Augusta Gonzaga*, em A Terra é Redonda

O golpe civil-militar ocorrido no Brasil em 1964 começa com uma fake news ou, pelo menos, uma dúvida substancial. Qual foi o seu dia afinal? “O processo pode ter começado no dia 31 de março, mas o regime se fez viger mesmo no dia 1° de abril”, pontua Marcos Antonio Silva, professor de história da USP.[i]

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O dia do Golpe: diferenças entre Brasil e Argentina

Neste 31 de março, completa-se 57 anos do golpe militar, que instaurou 21 anos de ditadura com perseguição, privação de direitos, torturas, mortes e desaparecimento de opositores políticos

Por Marleide Ferreira Rocha*, na Página do MST

Se considerarmos as últimas ditaduras militares na América Latina, elas, apesar de suas particularidades, guardam muitas semelhanças, ao ponto de garantir a celebração e o sucesso (dentro de seus objetivos) do que hoje provavelmente conheceríamos como um Acordo de Cooperação Internacional Regional, a Operação Condor.

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MPF, MPSP e MPT divulgam relatório final sobre participação da Volkswagen na repressão durante regime militar

Com 64 páginas, material esclarece como a empresa se envolveu com a polícia política e ajudou a violar direitos humanos

Ministério Público Federal em São Paulo

“Não me lembro de chorarmos pelo desaparecimento da democracia”. Esta frase traduz o posicionamento de uma das maiores empresas sediadas no Brasil durante a ditadura militar (1964 – 1985) e foi dita por Carl Hahn em uma entrevista à emissora alemã Das Erst. Ele, que chegou a ser presidente do grupo Volkswagen AG na Alemanha, de 1982 a 1993, era diretor de vendas na época retratada pelo relatório Direitos Humanos, Empresas e Justiça de Transição: o Papel da Volkswagen na Repressão Política Durante a Ditadura Militar, elaborado pelo Ministério Público Federal (MPF), Ministério Público do Trabalho (MPT) e Ministério Público do Estado de São Paulo (MPSP).

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PSol denuncia Bolsonaro e Braga Netto ao MPF por defesa do golpe de 64

Em ação junto ao Ministério Público Federal, os parlamentares pedem a retirada de nota comemorativa da data de 31 de março do site da Defesa

por Nathalia Kuhl e Luciana Lima, em Metrópoles

Um representação foi protocolada no Ministério Público Federal (MPF) pela bancada do PSol na Câmara contra o presidente da República, Jair Bolsonaro (sem partido), e o novo ministro da Defesa, Braga Netto. Os parlamentares repudiam a publicação, na noite desta terça-feira (30/3), de um texto no site do Ministério da Defesa em defesa do golpe militar, sob o título de Ordem do Dia Alusiva ao 31 de Março de 1964.

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MPF recorre de acórdão do TRF3 que negou indenização à viúva de preso pela ditadura

Recurso defende ainda a necessidade de se cuidar para que, ainda que involuntariamente, o sistema de Justiça não seja fonte de revitimização

O Ministério Público Federal (MPF) apresentou nesta segunda-feira (22), ao Tribunal Regional Federal da 3ª Região (TRF3), recurso contra acórdão que negou reparação à viúva de Antonio Torini, por danos morais decorrentes de sua perseguição política pelo aparato de repressão da ditadura militar. A União havia sido condenada, em primeiro grau, a pagar uma indenização no montante de R$ 150 mil, acrescido de juros e atualização monetária, à sucessora de Torini, cujo marido faleceu em 1998, a qual foi revertida pelo tribunal.

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Brasil em tempos de negacionismo. Por Danilo Pereira Lima

Na Conjur

A defesa da supremacia constitucional e do Estado de Direito contra maiorias eventuais — que porventura tenham o controle do Executivo e do Legislativo — é uma das maiores responsabilidades institucionais do Poder Judiciário. No longínquo século 17, o juiz Edward Coke ensinou uma importante lição por meio do julgamento do Bonham’s case. Segundo esse juiz inglês, diante de qualquer violação do common law, seja ela proveniente do monarca ou do Parlamento, os tribunais deviam assegurar a supremacia do Common Law. No entanto, no mês em que o Brasil aproxima-se rapidamente dos 300 mil mortos por Covid-19, sendo que muitos desses casos poderiam ser evitados se o país não fosse governado por um negacionista da ciência, a maioria dos desembargadores da 3ª Turma do TRF-5 e a unanimidade dos desembargadores da 6ª Turma do TRF-3 preferiram se portar de maneira subserviente diante do negacionismo histórico do governo.

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