As eleições 2020 na encruzilhada brasileira

Em um ano, estará eu jogo o poder local – capilar e presente. Bolsonarismo quer torná-lo mais primitivo e violento, mas enfrentará resistências sociais. Partidos de esquerda saberão acolhê-las? Ou se fecharão em suas máquinas e certezas?

Por Áurea Carolina*, em Outras Palavras

As eleições de 2020 serão um teste decisivo para os rumos políticos do Brasil. De um lado, o bolsonarismo poderá consolidar e expandir sua capacidade de captura institucional a partir de uma entrada inédita nas câmaras municipais e prefeituras, em um processo difuso de interiorização capaz de articular novos arranjos entre os setores conservadores. De outro, as forças progressistas deverão exercitar práticas de abertura e confluência para reconquistar a esperança das maiorias sociais, contrapor o apelo bolsonarista e produzir alternativas eleitorais viáveis. Resultante do confronto entre os dois campos, por mais que outros também possam se configurar, o poder local terá sua importância acentuada na transição histórica que estamos atravessando.

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Eleições 2020: a hipótese Drauzio Varella

Pleito do ano que vem pode promover a difusão do bolsonarismo por todo o país; ou, ao contrário, sua derrota – e a emergência de uma esquerda de valores. Para que esta opção prevaleça, serão necessárias decisões não-convencionais

Por Antonio Martins, em Outras Palavras

Um paradoxo marca as eleições para prefeitos e vereadores do próximo ano. O governo Bolsonaro, que já expôs seu imenso potencial destrutivo e que não tem outro projeto, além da devastação nacional, pode, porém, colher um resultado favorável e espalhar raízes pelo país. Alguns fatores concorrem para isso. Embora seu apoio popular decline, o bolsonarismo consolidou-se fortemente num segmento da população que, em meio à crise, gira pouco abaixo dos 30%. O antigo “centro” e a direita convencional estão enfraquecidos e desestruturados, o que permite à extrema direita avançar sobre um eleitorado mais vasto – em especial, nas capitais e maiores cidades, onde pode haver segundo turno. A esquerda não se recompôs da derrota de 2018; mantém-se desorientada e sem comando; não tem, salvo raras exceções, lideranças municipais prestigiadas e potentes – e nas condições atuais, tende a se dividir. Esta somatória de fatores conjura a ameaça: eleição, em pouco mais de um ano, de várias centenas de prefeitos e milhares de vereadores protofascistas e ou ultracapitalistas, ao estilo Paulo Guedes; ramificação destas correntes pelo país, agora ocupando o importantíssimo poder local. Ainda há tempo e recursos políticos para evitar o desastre – mas é preciso agir rápido.

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Cinco dos dez canais que explodiram no ranking do YouTube durante as eleições são de extrema direita

Por Rodrigo Ghedin, The Intercept Brasil

O YOUTUBE TEVE um papel crucial na eleição de Jair Bolsonaro. Não é mais especulação afirmar que a rede social aumentou a audiência da extrema-direita – e ajudou a formar o público que refletiria esse ideário nas urnas. Agora, uma análise inédita dá a dimensão do problema: dos dez canais que mais cresceram no YouTube Brasil no segundo semestre de 2018 – época das eleições –, metade era dedicada a promover Bolsonaro e extremistas de direita como ele. E isso aconteceu com uma mãozinha do algoritmo do YouTube que recomenda conteúdo na seção “Em Alta”, área nobre do site que mostra os canais e vídeos que estão bombando no momento.

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Eleições municipais: alternativa contra a barbárie

Em São Paulo, conferência autônoma articulará propostas da sociedade civil para prefeitura. Em resposta à onda conservadora, debates em 32 regiões lançarão reflexões e lutas por uma cidade menos desigual e devastada

Por Allen Habert, em Outras Palavras

Num chá de bebê beneficente de mães de filhos da Cracolândia uma menina de 7 anos pediu aquilo que ela mais desejava: veneno de rato. Para quê? Colocar em torno dela na rua para que os ratos não a mordessem no rosto durante a noite. Era o seu objeto de desejo na cidade real de São Paulo. A 10ª mais rica do planeta, a mais populosa do país, com o maior dinamismo econômico, produção imobiliária, ativismo e mobilização da sociedade.

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Justiça recebeu mais de 200 denúncias de propaganda religiosa irregular nas últimas eleições

Levantamento inédito da Pública apurou que, de 228 denúncias, apenas duas não foram arquivadas

Por Ana Karoline Silano, Bruno Fonseca, Agência Pública

“Senhor, eu te louvo, porque esse homem tem valores cristãos. Que nem os hackers, Senhor, consigam mudar aqueles votos da urna. Que ninguém consiga, ó Deus, de alguma maneira, desfazer o propósito melhor para nossa nação. Capacita Jair Bolsonaro, dá palavras sábias, dá saúde. Blinda o teu filho até de uma gripe. Querendo o Senhor, que, no dia 1º de janeiro, esse homem possa subir a rampa do Planalto.”

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Descobertas redes de extrema direita com meio bilhão de visualizações na Europa

Relatório da Avaaz revela redes de ódio em sites como Facebook antes de eleições da União Europeia

Redação Brasil de Fato*

Um novo relatório da ONG Avaaz divulgado nesta quarta-feira (22) mostra que pelo menos 533 milhões de europeus, nos últimos três meses, foram expostos a propaganda de extrema direita, mensagens de ódio, notícias e citações falsas e vídeos editados para estigmatizar imigrantes.

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Procuradora do MPF defende ação conjunta de órgãos públicos e sociedade para combater fake news nas eleições

Para Raquel Branquinho, é preciso encontrar novos meios para enfrentar o problema e impedir que a manipulação de informações comprometa a escolha dos eleitores

Procuradoria-Geral da República

A procuradora regional da República Raquel Branquinho defendeu, nesta quinta-feira (16), que os órgãos públicos e os cidadãos precisam atuar em conjunto para minimizar os danos causados pelas notícias falsas no processo eleitoral. Segundo ela, as eleições de 2018 mostraram que as regras jurídicas e penais hoje existentes no Brasil são insuficientes para evitar a manipulação de dados e informações. “Há que se pensar em outras formas, alternativas e meios eficazes de se garantir o equilíbrio de forças entre os candidatos e impedir que haja informações falsas a ponto de comprometer a lisura e a liberdade de expressão de cada um dos eleitores”, afirmou.

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MP Eleitoral defende cassação e inelegibilidade de beneficiados por candidaturas fictícias de mulheres

Para vice-PGE, votos recebidos por coligação que pratica a fraude devem ser anulados, dada a gravidade da prática, que contamina lisura de todo o processo eleitoral

MPF

O procurador-geral Eleitoral, Humberto Jacques de Medeiros, defendeu, nesta quinta-feira (14), no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), a cassação do mandato e a declaração de inelegibilidade de candidatos beneficiados por candidaturas fictícias de mulheres, nas eleições proporcionais. Segundo o vice-PGE, a fraude, praticada por alguns partidos para cumprir a cota de gênero exigida pela legislação, é espúria e contamina toda a lisura do processo eleitoral e democrático. Por esse motivo, defendeu, ainda, a cassação de toda a chapa, a anulação dos votos recebidos nas eleições proporcionais e o consequente recálculo do coeficiente eleitoral.

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O Caminho para a Representatividade Negra, Feminina e Favelada na ALERJ

por Renata Queiroz Ramos, em RioOnWatch

Nas eleições de 2018 o país elegeu representantes a nível nacional (presidente, deputados federais e senadores) e estadual (governadores e deputados estaduais). Dentre os deputados estaduais eleitos pelo Rio de Janeiro, estão três mulheres—a estudante de ciências sociais Dani Monteiro, a doutora em comunicação Renata Souza e a cientista social Mônica Francisco—três ex-assessoras da vereadora Marielle Franco, assassinada em 14 de março de 2018. Todas vêm pautando questões relacionadas à violência contra a mulher, ao genocídio da população negra e às políticas de ações afirmativas.

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A crise do PT vista por dentro

Só uma grande reviravolta – como a que Jeremy Corbyn liderou na Inglaterra – tornaria o partido novamente relevante. Mas haverá caminhos, em meio a vasta burocratização? Dez teses incômodas

Por Eduardo Mancuso*, em Outras Palavras

1. Entre 1988 e 2016, após superar a ditadura militar, o Brasil experimenta o seu mais longo período de democracia com estabilidade política, promulga a chamada Constituição Cidadã, realiza sete eleições para a Presidência da República, conquista avanços civilizatórios com a universalização de direitos e de políticas sociais. O golpe do impeachment (sem crime de responsabilidade) contra a presidenta Dilma, cassa 54 milhões de votos e encerra o ciclo de governos do PT, conquistado em quatro vitórias eleitorais consecutivas, e joga o país em uma longa crise político-institucional. O golpe parlamentar capitaneado por PSDB/MDB, com aval do STF e cobertura da mídia, rompe o pacto democrático, manipulando hipocritamente a bandeira da corrupção contra o Partido dos Trabalhadores e derruba a experiência de governo liderada por Lula – um projeto nacional de desenvolvimento com soberania e inclusão social.

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