A arrogância de Trump e o risco nuclear

Casa Branca mantém política de agressões e ameaças, em busca de vantagens econômicas e geopolíticas. Além disso, ignora Direito e fóruns internacionais. Suas 5 mil ogivas atômicas já não são dissuasórias: tornaram-se ameaça real de conflito devastador

Por Ronaldo Queiroz de Morais, em Outras Palavras

“Um modelo unipolar não é apenas inaceitável para o mundo moderno,
mas também impossível”.

(Vladimir Putin – Conferência de Segurança de Munique, 10/02/2007)

Parafraseando Antonio Gramsci, o novo mundo agoniza ainda na infância, um velho mundo teima em renascer e, nesse breu assustador, irrompem os monstros da modernidade ocidental. Porque o tempo é outro, diferente do contexto do filósofo italiano, percorremos no limite da linha que aparta civilização e barbárie. (mais…)

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Brasil: há espaço para a Soberania Digital

Atraso do país nas tecnologias do século XXI pode ser encarado. Caíram os argumentos contra a tributação das big techs. É possível obter os necessários – e livrá-los do “ajuste fiscal”. Há luta política adiante – mas, agora, um horizonte viável

Por James Gorgen, em Outras Palavras

Em 5 de janeiro, a Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE) anunciou a alteração em um acordo que pode representar a maior oportunidade tributária do Brasil na era digital. Após negociações com a administração Trump, 147 países aprovaram a exclusão de multinacionais americanas do imposto mínimo global de 15% estabelecido pelo Pilar 2 do Base Erosion and Profit Shifting Project (BEPS) em um acordo de 2021. Comentando o feito, o Secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, foi direto ao ponto: o acordo reconhece “a soberania tributária dos Estados Unidos sobre as operações mundiais de empresas americanas e a soberania tributária de outros países sobre a atividade comercial dentro de suas próprias fronteiras”1. (mais…)

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Estrangular Cuba, ordena Trump

Seis décadas de bloqueio chegam ao máximo: EUA proíbem Venezuela e México de fornecer petróleo à ilha e esperam seu colapso. Por que temem invadi-la – e como ela resistiu tanto? Poderá o cerco reacender a chama hoje tênue da revolução?

Por Rob Lucas, na New Left Review | Tradução: Antonio Martins, em Outras Palavras

Na minha última visita a Havana, em março de 2025, a cidade estava no meio do que era o pior apagão em anos. À medida em que o avião se aproximava, via o solo quase todo escuro – pontilhado apenas pela luz dos microssistemas, que funcionavam mesmo em momentos de falta de energia. Naquela noite de sábado, os bares estavam quase todos fechados, exceto aqueles que podiam pagar seus próprios geradores. Por acaso, meu vizinho de bordo durante a travessia do Atlântico era um engenheiro falante, de uma delegação da União Europeia que propunha parques solares descentralizados e baterias que, segundo ele, poderiam resolver os problemas crônicos de falta de energia por três décadas. Mas o progresso era lento – uma demora de anos, em vez de uma solução de curto prazo para a crise  – e ele culpava a burocracia. (mais…)

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Jesuíta Reese sobre Trump: Um desastre para os Estados Unidos e para o mundo inteiro

“Donald Trump é uma dádiva para cartunistas políticos, editorialistas e entusiastas das redes sociais, mas eu o considero paralisante”; “Eu o considero psicologicamente exaustivo”; “ele age como uma criança mimada e descontrolada, só que maior, mais cruel e mais forte do que todos ao seu redor.” O padre jesuíta americano Thomas J. Reese, ex-editor da revista jesuíta americana America Magazine, não poupa palavras em um editorial dedicado ao presidente dos EUA, Donald Trump, na agência de notícias Religion News Service (4/2).

por Ludovica Eugênio, em Adista Notizie / IHU

“Se ele fosse um cidadão comum, poderíamos rir dele e chamá-lo de mentiroso, um narcisista egocêntrico, mas ele é o presidente dos Estados Unidos”, escreve Reese. “Como presidente, Trump está destruindo os Estados Unidos. Ele envenenou nossa cultura política, colocando cidadãos uns contra os outros, celebrando conflitos e até mesmo a violência. Ele une sua base alimentando o ódio contra aqueles que ele percebe como inimigos. Seu partidarismo exacerbado tornou impossível uma discussão política calma, mesmo entre amigos e vizinhos. Como presidente, ele está enriquecendo a si mesmo, sua família e seus amigos. Ele até corrompeu a religião, a ponto de pastores poderem perder seus púlpitos se não forem seus apoiadores entusiasmados, alienando aqueles que desejam suas igrejas livres da política partidária.” (mais…)

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Raio-x dos militares na Venezuela indica cansaço com chavismo, mas manutenção da ordem

Apesar de deserções e insatisfação de soldados com a crise econômica, militares ainda são apoio do governo pós-Maduro

Por Danna Urdaneta | Edição: Bruno Fonseca, em Agência Pública

Em 2025, dois meses após María Alejandra Díaz Marín deixar a Venezuela e chegar exilada à Colômbia, ela buscou proteção junto ao Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados, a Acnur. Nesse dia, a advogada e doutoranda em Segurança da Nação, viu ao seu redor três militares venezuelanos desertores. Um se aproximou e disse: “Doutora, veja, eu sou do primeiro anel e aquele que está sentado ali também”. A Guarda de Honra é o corpo especial responsável pela segurança presidencial. O jovem disse a Díaz Marín que a deserção é assustadora porque eles são presos se pedirem baixa — o pedido de desligamento. (mais…)

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O que o ataque à Venezuela diz à soberania digital

Sequestro de Nicolas Maduro teve ação destacada das big techs – e elas estão abertamente alinhadas à ultradireita global. Brasil, porém, segue desatento a seu poder e ameaça. Que riscos corremos – e que respostas é preciso construir

Por Damny Laya*, em Outras Palavras

O ataque estadunidense à Venezuela, que resultou no assassinato de mais de 100 pessoas e no sequestro do primeiro mandatário do país, Nicolás Maduro, e da primeira-dama, Cilia Flores, representou um dos eventos mais violentos de ruptura da soberania de um país da América Latina por Washington, algo que não se via neste século. É o que informam analistas ouvidos nesta reportagem, que avaliam o cenário após o evento e suas possíveis repercussões na soberania do Brasil e da região. (mais…)

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O eclipse do direito internacional

Tratar o assalto à Venezuela como caso isolado é erro de perspectiva. Em Gaza, Telaviv e Washington promoveram massacre zombando da diplomacia, enquanto o bombardeio do Irã expressou o colapso do princípio de soberania territorial. A impunidade sistêmica deu sinal verde a Trump

Por Adilson Major, em Outras Palavras

Introdução

Na madrugada de sábado, 3 de janeiro de 2026, o presidente Donald Trump, ordenou o início de uma intervenção militar na República Bolivariana Venezuela. O objetivo declarado da operação foi a captura e extradição forçada do presidente Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores. Ambos foram detidos em um complexo residencial em Caracas e transferidos para os Estados Unidos, onde permanecem em um presídio federal no Brooklyn, em Nova York, aguardando julgamento por acusações de “narcoterrorismo”. (mais…)

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