Venezuela: a Europa prostrada

Passividade diante da agressão de Trump custará caro, e não apenas porque a Groenlândia está ameaçada. Continente parece incapaz tanto de defender o direito internacional quanto de atuar como um sujeito autônomo, num tempo de transformações geopolíticas

Por Raul Noetzold, em Outras Palavras

I. A Venezuela no centro de uma ordem em crise

A crise venezuelana costuma ser apresentada no debate público europeu e norte-americano como um fenômeno isolado, resultado exclusivo de decisões internas, autoritarismo político ou má gestão econômica. Essa leitura, no entanto, ignora deliberadamente o contexto histórico mais amplo no qual a Venezuela se insere: o de uma América Latina sistematicamente tratada como zona de influência estratégica dos Estados Unidos desde o século XIX. (mais…)

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A Doutrina Donroe e o sequestro de Maduro: a exceção como método de governo no “Hemisfério Ocidental”. Entrevista especial com Armando Alvares Garcia Junior

“O ataque testa limites de tolerância interna e externa a uma gramática de exceção que pode ser replicada em outros cenários”, adverte o professor

IHU

A captura de Nicolás Maduro pelo governo dos Estados Unidos e a subsequente política de pressão do governo Trump representam, para o jurista Armando Alvares Garcia Junior, uma “‘prova de conceito’ da nova Estratégia de Segurança Nacional dos EUA”. Segundo ele, a ação não foi um evento isolado, mas um “laboratório” onde se testou uma nova gramática de intervenção que combina guerra às drogas e controle migratório para legitimar o sequestro de um chefe de Estado. A ação “projeta o Caribe e o ‘Hemisfério Ocidental’ como extensão da fronteira interna”, aponta. “Mais que uma violação grave do direito internacional, existe uma tentativa deliberada de rebaixar o próprio patamar do que será considerado aceitável no uso unilateral da força nas próximas décadas”, alerta o entrevistado. (mais…)

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Ninguém escapa

Boletim Venezuela em Foco #5

Da Página do MST

A chamada “tensa calma” que paira sobre a Venezuela desde o ataque de 3 de janeiro está longe de ser um fenômeno isolado. Ao contrário: o episódio sinaliza uma escalada que pode atingir toda a América Latina caso os Estados Unidos avancem em uma estratégia mais ampla de intervenções diretas ou indiretas na região. Sob a justificativa de combater o narcotráfico e o “colapso institucional”, a narrativa do governo Donald Trump volta a reeditar um roteiro conhecido no continente: o da criminalização de governos soberanos para viabilizar ações de força e o controle de recursos estratégicos. (mais…)

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“O sequestro de Maduro é um espasmo do declínio imperial.” Entrevista com Rodrigo Martin-Iglesias

Rodrigo Martin-Iglesias analisa a “nova desordem mundial” que reconfigura a América Latina

IHU

A invasão da Venezuela é um sintoma do pânico diante da dissolução do mundo unipolar sem uma hegemonia clara. Seus alicerces estão ruindo — o petrodólar, o monopólio da energia, a subserviência geopolítica — e Trump está optando por demonstrar sua força. Este não é o alvorecer de um novo século americano. A América Latina deixou de ser o “quintal” e se tornou o laboratório vivo. (mais…)

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A América Latina vê a Venezuela no espelho

Quais os próximos passos (e dilemas) da resistência bolivariana? Caracas ficará sozinha frente ao acosso dos EUA? Como enfrentar o projeto trumpista de recolonização da região? Seria possível construir uma cooperação entre países latino-americanos que garanta paz e soberania?

Por Rôney Rodrigues, em Outras Palavras

Na coletiva em Mar-a-Lago, na Flórida, Donald Trump colheu os louros do ataque do Exército “mais forte e feroz do planeta” à Venezuela — ataque que incluiu o sequestro do presidente Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores, tratado por ele como sinônimo da derrubada do governo bolivariano. Sem qualquer constrangimento, desmontou a própria narrativa que ajudara a construir para justificar o crime internacional: o suposto “combate ao narcoterrorismo”, expediente que lhe permitiu agredir arbitrariamente outro país sem aval do Congresso. O objetivo real, deixou claro, é a pilhagem do petróleo venezuelano — tanto que ações da ExxonMobil e da Chevron dispararam! (mais…)

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O lobista do petróleo

Boletim Venezuela em Foco #3

Da Página do MST

​​Qualquer análise sobre o atentado do último 3 de janeiro contra a Venezuela que ignore o apetite histórico dos Estados Unidos pelo petróleo do país simplesmente não se sustenta. É como fechar os olhos para o óbvio, já que por trás da retórica agressiva e do desprezo explícito pelo povo venezuelano — a quem Trump chegou a se referir como o povo mais feio do mundo — está a velha obsessão do país imperialista pelo controle do petróleo. (mais…)

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