O cálculo de Caiado e Kassab

Aparente fragmentação da direita revela algo a mais. Centrão aposta em reorganizar a direita e se libertar dos Bolsonaro, pensando em 2030. No curto prazo, busca ampliar bancada, projetar candidato próprio e testar sua força – para negociar, com Lula ou Flávio, o segundo turno

Por Glauco Faria, em Outras Palavras

No final de janeiro, o governador de Goiás, Ronaldo Caiado, anunciou sua saída do União Brasil e, em seguida, sua filiação ao PSD. A justificativa foi o fato de sua hoje ex-legenda, dentro da recém-formada e ainda não oficializada federação União Progressista, inviabilizar sua possível candidatura à Presidência da República. (mais…)

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A máquina de histeria moral das elites

Predatórias, porém hipócritas, elas evocam o combate à corrupção sempre que ameaçadas. A cada pleito, o discurso moral retorna para camuflar e legitimar seus privilégios e dominação – com apelos à intervenção das forças “puras” contra a “bandidagem” no poder

Por João Carlos Loebens, em Outras Palavras

Um discurso tem se repetido nos momentos de crise política da história brasileira: o combate à corrupção como imperativo moral supremo. Cabe lembrar que o discurso moral sempre é verdadeiro, mas a prática cotidiana pode estar completamente dissociada do discurso, como na famosa hipocrisia dos fariseus descrita na Bíblia. Esse discurso moralista é a ferramenta predileta da elite (na verdade, oligarquia econômica e midiática), para justificar aquilo que ela sempre executou quando perde o jogo democrático eleitoral: o Golpe de Estado. (mais…)

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Os colonizadores – quem diria? – temem a macumba

Em Nova Orleans, vodu feito com um boneco de agente do ICE expressa a ira dos perseguidos. Na Itália, um ex-ministro de ultradireita teme o pai – feiticeiro – de uma política negra que insultou. Por que, após séculos de perseguições, certas práticas espirituais continuam vivas?

Por Fabiane Albuquerque, em Outras Palavras

Brujería (Feitiçaria, 2023) é um filme de Christopher Murray que se passa na Ilha de Chiloé, no Chile, no final do século XIX, e mostra a feitiçaria usada como resistência e luta contra os colonizadores alemães. A protagonista, Rosa Raín, busca justiça após o assassinato do pai e se envolve com a sociedade secreta de feiticeiros chamada La Recta Provincia, que existiu de fato na história chilena. Ao descobrir seus poderes e presenciar aqueles do seu povo, ela e o grupo passam a ser perseguidos e presos. É um filme que mistura drama histórico com realismo mágico, trazendo a espiritualidade indígena como arma política e cultural descolonial (processo histórico de superação do colonialismo formal.  Os poderes invocados, além de causar medo, provocavam a ira dos alemães que, embora não acreditassem no que chamavam de “crenças primitivas”, mantinham sob controle os povos originários e suas práticas. E, em muitas situações, até solicitavam os “serviços” espirituais dos nativos para resolveram os próprios problemas. (mais…)

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O retorno à política de força e o fim da ilusão multilateral: como um mundo conflagrado abre caminho para a política da extrema direita. Por Estevão Rafael Fernandes

No Blog da Boitempo

Há alguns acontecimentos capazes de revelar transformações já em curso antes mesmo de serem percebidas. Tratar as declarações e ameaças de Trump meramente como bravatas de um mandatário excêntrico já se provou um erro de leitura; estamos, na verdade, diante de sintomas de uma reconfiguração estrutural da ordem internacional.

Em janeiro de 2026, reportagens do periódico canadense Globe and Mail revelaram que as Forças Armadas daquele país vinham desenvolvendo cenários de contingência para tensões com os Estados Unidos, incluindo a modelagem de resposta a uma hipotética invasão americana. A informação passou quase despercebida fora do Canadá, talvez porque já tenhamos nos acostumado a ouvir um presidente dos Estados Unidos tratar países soberanos como imóveis à venda e alianças históricas como contratos rescindíveis. É assim que funciona normalização do impensável, como uma erosão gradual, perceptível apenas quando o terreno já cedeu. (mais…)

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Santa Catarina requenta a Lei da Mordaça

Nova onda reacionária ameaça o estado. Governo tenta impor fim às cotas raciais no ensino superior e afronta direitos LGBTQIA+. Também reprime os professores: com câmeras nas salas de aula e tentativa de reviver o Escola Sem Partido

Por Michel Goulart da Silva*, em Outras Palavras

Santa Catarina voltou a ser comentada na imprensa nacional por ações reacionárias de seu governador, Jorginho Mello, e dos parlamentares de sua bancada de apoio. No final do ano passado, o bloco de apoio ao governador na Assembleia Legislativa aprovou um pacote de medidas, que passava pela limitação ao sistema de cotas, pela proibição de banheiros unissex e até mesmo da comemoração do Halloween nas escolas. Contudo, em meio ao pacote reacionário, talvez o mais importante seja a tentativa de ressuscitar o projeto de Escola Sem Partido, ainda que não mencione que se trata de uma versão requentada da mesma proposta rechaçada em anos anteriores por educadores, por parlamentares e mesmo por diferentes órgãos judiciais.[1] (mais…)

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Geopolítica em perspectiva gângster. Por Jayati Ghosh

Nos últimos séculos, os países que exerceram liderança souberam combinar poder superior com instituições internacionais e regras estabilizadoras. Ao romper com elas, Trump espalha a instabilidade e o risco de conflitos devastadores. Só a ação coletiva pode enfrentá-los

Em Outras Palavras

Há método por trás da aparente loucura da abordagem — transacional e baseada em esferas de influência – de Donald Trump, em relação à geopolítica e à economia global. Em nenhum momento essa lógica ficou mais clara do que no sequestro ilegal do presidente venezuelano Nicolás Maduro e em seus esforços contínuos para garantir o controle das reservas de petróleo do país. (mais…)

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Eleições: A direita sem candidato dos sonhos. Por Rômulo Paes de Sousa

O bolsonarismo quer, a todo custo, que Flávio esteja na urna. E o recuo de Tarcísio revela a dependência da direita ao ex-presidente. Farialimers, pastores, jornalões e Centrão reféns de uma agenda que exige a infame anistia aos golpistas

Em Outras Palavras

A melhora dos resultados do senador Flávio Bolsonaro nas pesquisas de intenção de voto selou, na prática, o enterro da última quimera daqueles que apostavam em Tarcísio de Freitas como único representante do direitismo na disputa presidencial. Farialimers, pastores influentes, grandes jornais, partidos do Centrão e até a ex-primeira-dama defendiam que o governador de São Paulo liderasse uma ampla frente de direita, empurrando a disputa para o posto de vice na chapa. Enquanto setores do mercado prefeririam outro governador nessa composição, Michelle Bolsonaro e parte expressiva de lideranças evangélicas insistem no seu nome para a vaga. (mais…)

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