Coordenado por monarquista, curso ligado à Brasil Paralelo forma professores de história

Curso foi aprovado pelo MEC no governo Bolsonaro e é coordenado pelo ex-presidente da Biblioteca Nacional

Por Amanda Audi | Edição: Natalia Viana, Agência Pública

No final de 2023, me matriculei no curso à distância (EAD) de licenciatura em História do Centro Universitário Ítalo Brasileiro. Aprendi noções de História do Brasil e do mundo, historiografia e até alguma coisa de psicologia e matemática – como é comum em outros cursos de História. A diferença, porém, é que o meu curso é uma parceria com a produtora de extrema direita Brasil Paralelo e coordenado pelo bolsonarista e monarquista Rafael Nogueira, que foi presidente da Biblioteca Nacional entre 2019 e 2022, durante o governo Bolsonaro. (mais…)

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Gaza é o fim da humanidade. “Existe um projeto para exterminar as pessoas problemáticas”. Entrevista com Raúl Zibechi

Raúl Zibechi é um dos pensadores latino-americanos que melhor explicou, com seu trabalho como ensaísta e jornalista, as transformações vividas nas últimas décadas e o papel dos movimentos no passado e no futuro da região.

A entrevista é de Berta Camprubí, publicada por El Salto / IHU

Raul Zibechi (Montevidéu, 1952) começa a ser o que algumas comunidades chamam de ancião, um pensador com visão global, localizado na América Latina, com experiência e com um longo caminho a percorrer. Uma pessoa idosa que, além disso, dá cada vez mais importância à espiritualidade e ao cuidado. Ele gosta de voltar a lugares – Chiapas, Wallmapu, Cauca… – de vez em quando, para ver como os processos de luta, as comunidades organizadas, os povos resilientes e os territórios vivos avançam, regridem ou se transformam. Ele é um daqueles que traz à tona o patriarcado e o machismo em qualquer resposta, sem precisar nomeá-los de propósito, algo raro em homens brancos relativamente privilegiados. E está em Barcelona apenas alguns dias, para apresentar o livro Veus per una transició ecosocial (Pol·len Edicions, 2024) no qual colaborou com um artigo sobre a descolonização da transição ecossocial, basicamente um apelo a não fingir que esta transição é liderada pelos Estados, mas pelas pessoas e pelos processos. Conversamos em Ona ​​Llibres em uma grata tarde chuvosa. (mais…)

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Os escombros negacionistas. Por Tarso Genro

A eternidade que não existe é a eternidade que pensa em repetir sempre a mesma humanidade ou a que julga ser impossível a extinção dos humanos

A Terra é Redonda

Ambiente, exclusão, renda, insegurança, são os problemas mais graves que, com suas especificidades regionais, ofendem as possibilidades de uma vida ecologicamente saudável e socialmente solidária, na ampla maioria dos países do mundo. A perseverança desses problemas ou sua “eternidade” –como queiram – não encontra prioridade que mereceria nos partidos democráticos (de esquerda ou não), cujos “propósitos” estão em regra soterrados pelos identitarismos que venceram a inércia burocrática das políticas tradicionais: a democracia é lerda para resolver problemas, os partidos envelheceram, os centros de poder do capital financeiro comandam as “reformas” e o fascismo avança. (mais…)

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Portas abertas para os neonazistas

Por Halley Margon, em Terapia Política

I

Em pouco menos de três semanas, um jovem conhecido como “mentiroso patológico, profundamente racista e misógino” formalizou um agrupamento para concorrer às eleições europeias do dia 9 passado, ao qual deu o nome de Se Acabó la Fiesta. Terminada a apuração, comemorava o sexto posto da lista dos mais votados, praticamente empatado com o Sumar da agora baqueada Yolanda Diaz, segunda vice-presidenta do governo espanhol. Havia arrebatado mais de 800 mil votos. Esse jovem propagador de maledicências sem nexo, a não ser com o da sua própria miséria mental, difusor de mensagens xenófobas e grosserias capazes de envergonhar o mais rude dos bolsonaros (trata-se de uma hipérbole, evidentemente), é um personagem mais ou menos conhecido do submundo da política espanhola. Chama-se Alvise Pérez e pertenceu ao praticamente extinto Ciudadanos (liberais) antes de migrar para o Vox e finalmente tornar-se franco-atirador. Nas primeiras horas pós-apuração, foi um dos destaques das mesas de debates nas TVs e mereceu manchetes nos jornais do dia seguinte. É provável que não seja mais que uma onda momentânea – dessas que eventualmente formam ou sobram de um grande tsunami. No quadro histórico da ultradireita europeia, poderia ser associado às tropas SA dos hitleristas, com as devidas vênias à inteligência e cultura desses. Volta e meia têm aparecido bandos assemelhados. Nas eleições gregas de 2016 houve um tal de Amanhecer Dourado que voou muito mais alto, alcançando o terceiro posto entre os partidos helenos antes de ser abatido, envolto em nebulosos processos criminais. Aqui na Espanha há quem diga que sua base eleitoral vem quase toda da que antes sustentava os liberais (Ciudadanos). Liberais ao cair da noite, neonazistas ao amanhecer. Faz todo sentido e não é de hoje. Desde pelo menos a Viena na virada do século XIX (ver Viena Fin-de-Siècle – Política e Cultura, Carl Schorske). Para além dessa base eleitoral, fenômenos tão persistentes quanto esses não poderiam existir sem um caldo de cultura ou sentimentos sociais bem enraizados na sociedade. Pode parecer especulativo e vago, mas o fato é que volta e meia eles emergem e ganham corpo nas formações políticas dos séculos XX e XXI. Tanto quanto esse misógino, racista e xenófobo, talvez por puro oportunismo (muitas vezes a política cobra a presença de uma boa junta de psicanalistas para melhorar a composição do quadro), seus similares de grande porte são parte do mesmo espetáculo. (mais…)

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A perversidade tomou conta do Brasil. Artigo de Rudá Ricci

No IHU

“Não temos na nossa história qualquer vínculo com o Império Mongol. Porém, o fundamentalismo desumano que toma conta da Câmara dos Deputados procura, de todas as formas, negar os princípios da sociedade civil e sufoca o futuro de muitas crianças brasileiras. Um basta seria pouco para este tipo de ataque à democracia e humanidade em nosso país. É preciso algo grandioso para restabelecermos as bases da nossa Janela de Overton”, escreve Rudá Ricci, sociólogo, com larga experiência em educação e gestão participativa, diretor do Instituto Cultiva.

Eis o artigo.

Tenho a impressão de que giramos a chave no Brasil. A perversidade, revestida de fundamentalismo religioso, foi além do imaginável com a PL do Estupro. Foi como um soco no estômago de quem tem um mínimo de empatia com a vida de crianças que sofreram abusos e atrocidades. (mais…)

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Perversidades e retrocessos na agenda do aborto. Por Flávia Biroli

É razoável impor a maternidade a crianças a quem a sociedade não foi capaz de proteger? Em que tipo de sociedade é legítimo tratar uma mulher estuprada com penalidades mais duras que a do estuprador? Em que contexto de exercício de poder pode ser normalizada a ideia de que uma mulher deve morrer ou ir para a cadeia se a gestação é de risco, mesmo havendo lei que prevê que ela teria acesso ao aborto nesse caso?

Desde 1940, as mulheres brasileiras podem legalmente realizar um aborto quando a gestação resulta de estupro ou se há riscos de que morram devido a problemas gestacionais. São duas situações extremas, que foram tacitamente aceitas por muito tempo, embora o acesso ao aborto legal tenha sido sempre difícil no país. Em 2012, passamos a ter uma terceira exceção à criminalização, a anencefalia fetal, caso também extremo em que não há possibilidade de vida fora do útero. Também nos anos 2000, no primeiro ciclo de governos do PT, a Norma Técnica Atenção Humanizada ao Aborto, do Ministério da Saúde (2005 e 2014), apontava para uma orientação estatal alinhada à legislação existente, procurando garantir atendimento às mulheres que decidissem abortar nos casos permitidos por lei.

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Nota do Grupo Prerrogativas contra o Projeto de Lei 1904/24 [PL do Estuprador]

Prerrô

O Grupo Prerrogativas formado por juristas, docentes e profissionais da área jurídica, diante do Projeto de Lei 1904/24 de autoria do deputado Sóstenes Cavalcanti (PL-RJ) que equipara a pena do aborto de gestação acima de 22 semanas a pena do homicídio, aumentando a pena máxima para até 20 anos de reclusão para quem fizer o procedimento, vem repudiar veementemente o abominável Projeto de Lei. (mais…)

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