Chega de diálogo. A partir de certo ponto é apenas inútil. Por Vladimir Safatle*

Se há algo que marcou o Brasil nos últimos trinta anos foi a profusão de diálogo, quando muitas vezes é necessário dar forma à recusa clara em dialogar. Não é de diálogo que o Brasil precisa. É de ruptura

El País

De todas as ilusões que se desfazem atualmente no Brasil, uma das mais urgentes a se livrar é aquela que leva alguns a acreditar que nosso momento histórico pede mais diálogo. Ao contrário, é possível que chegou enfim a hora de dizer claramente: chega de diálogo. A partir de um certo ponto, dialogar é não apenas inútil. É espúrio. Se há algo que marcou o Brasil nos últimos trinta anos foi a profusão de diálogo. Nosso fim da ditadura foi “dialogado”. Antigos oposicionistas, militares torturadores, empresários que apoiaram o golpe e financiaram crimes contra a humanidade: todos eles “dialogaram”, fizeram uma transição “sem revanchismo” (como se dizia a época), sem nenhum terrorista de estado na cadeia. Depois, os governos da Nova República eram todos marcados pelo “diálogo” entre esquerda e direita, mesmo o PP que abrigou o sr. Jair Bolsonaro por 27 anos estava em todas as coalizões de governo. Todos “dialogaram” com Bolsonaro, mesmo quando ele expunha claramente seu desprezo a princípios elementares de direitos humanos. Em uma situação minimamente normal, seus impropérios como deputado teriam lhe valido a cassação de mandato. Como se não bastasse, até mesmo com as igrejas evangélicas o que não faltou foi “diálogo”. Edir Macedo estava lá “dialogando” com Lula e Dilma. O PSC do sr. Marco Feliciano fazia parte da coalizão de Dilma Rousseff. Mais um com quem não faltou “diálogo”.

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Miguel Arroyo: Escolas militarizadas criminalizam infâncias populares

Para o sociólogo e educador espanhol, governo aposta em discurso de medo, exceção e ameaça para questionar as escolas públicas

por Ana Luiza Basilio, em CartaCapital

O anúncio do Programa Nacional das Escolas Cívico-Militares apresentado pelo governo Bolsonaro no início do mês se apoia em duas narrativas principais: a de que, sob gestão dos militares, as escolas conseguirão resolver a questão da violência – motivo pelo qual o plano considera aplicar a militarização em territórios mais vulneráveis – e ainda produzir melhores resultados educacionais, a partir de mais regras e disciplinas no ambiente escolar.

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“Direitos Já”: Uma perigosa contradição

Ato uniu setores de direita e esquerda contra o governo Bolsonaro. Mas até que ponto são úteis Frentes com setores que defenderam o golpe e apoiam quase todas as contrarreformas propostas pelo governo?

Por Almir Felitte*, em Outras Palavras

Na última semana, voltamos a ver o acirramento dos debates entre os setores democráticos sobre a formação de uma grande frente contra os ataques do Governo Bolsonaro ao país. A formação do grupo intitulado “Direitos Já!”, em um evento no TUCA, na cidade de São Paulo, recolocou o tema dos limites da política de conciliação mais uma vez no centro das mesas de discussão.

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Próximo estágio: senzala?

Empobrecimento dos brasileiros produz retrocesso social emblemático: milhões de mulheres voltam à condição de doméstica — 72% das quais sem carteira assinada, sem direitos garantidos, à mercê dos patrões

Por Artur Araújo*, em Outras Palavras

Um grande amigo costuma comentar, parte como ironia mórbida, parte como análise realista, que o drama do desemprego, do subemprego, da subutilização e do desalento é tão crítico no Brasil que, se for publicado um anúncio de vagas para escravos, as filas serão enormes – porque pelo menos há garantia de casa, comida, remédio, água, luz e roupa.

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País sem ciência e sem futuro

Cortes em bolsas de pesquisa alastram-se e já afetam setores estratégicos, como a saúde. Propostas de remanejamento, como unir Capes ao CNPq, são ineficazes e podem enfraquecer ainda mais produção científica a longo prazo

Por Beatriz Jucá, no El País

Há dois anos, o pesquisador Lucas Pinheiro Dias estuda alternativas para o tratamento de infecções causadas por bactérias já resistentes aos antibióticos existentes no mercado. A pesquisa que ele desenvolve no pós-doutorado em Bioquímica que cursa na Universidade Federal do Ceará (UFC) têm relevância global: um levantamento da ONU estima que, até 2050, 10 milhões de pessoas no mundo poderão morrer anualmente por conta de doenças resistentes a medicamentos, e a Organização Mundial da Saúde considera este problema uma das dez maiores ameaças à saúde pública mundial.

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Com “Rouanet da segurança” empresários podem interferir na aplicação de recursos no RS

Legislação inédita autoriza empresários a abater impostos em troca de armas e viaturas para as forças de segurança; recursos vão para áreas escolhidas por doadores

Por Naira Hofmeister e Pedro Papini, em Agência Pública

Desde agosto de 2019, os empresários do Rio Grande do Sul podem trocar o pagamento de uma parte do imposto devido ao estado pela aquisição de armas, viaturas e outros equipamentos para as forças de segurança estaduais. A nova norma, apelidada de “lei Rouanet da segurança pública”, possibilita que os próprios empreendedores determinem a destinação dos bens adquiridos: podem indicar um uso específico do artigo comprado e até o local – município ou bairro – onde preferem que seja aplicado.

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O impacto dos gestos concretos de acolhimento de Francisco para a comunidade LGBT+. Entrevista especial com Cris Serra

Por: Ricardo Machado, em IHU On-Line

 A “imagem gay-friendly” do papa Francisco, construída em contraste com seus dois últimos antecessores, não contempla as declarações do pontífice condenando a teoria de gênero. Apesar desta posição aparentemente antagônica, a mudança de enfoque pastoral de seu pontificado “é inegável”, pontua Cris Serra, pesquisadora do Centro Latino-Americano em Sexualidade e Direitos Humanos – CLAM, coordenadora nacional da Rede Nacional de Grupos Católicos LGBT e ativista de Católicas pelo Direito de Decidir. “Francisco não se limita a defender uma ‘Igreja em saída’, uma Igreja que vá em direção às periferias, uma Igreja de ‘pastores com cheiro de ovelha’. Ele demonstra o que diz com seus atos ao receber em audiência o homem trans espanhol e sua companheira; ao lavar os pés da travesti numa Quinta-feira Santa; ao dizer para o gay chileno vítima de abuso por sacerdotes que Deus o fez assim e o ama como ele é; ao receber o grupo de católicos LGBT ingleses; entre tantas outras iniciativas”, afirma.

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Guerra de 4ª Geração e sistema-mundo em crise modelam conjuntura, defende sociólogo

Sociólogo Pedro A. Ribeiro de Oliveira, do Movimento Fé e Política, fala à XXIII Assembleia Geral do Cimi

Cimi

O sociólogo e integrante da coordenação do Movimento Fé e Política, Pedro A. Ribeiro de Oliveira, se dirigiu à XXIII Assembleia Nacional do Conselho Indigenista Missionário (Cimi), que acontece durante essa semana no Centro de Formação Vicente Cañas, em Luziânia (GO), com pessimismo sobre a atual conjuntura. “Nosso otimismo deve estar concentrado na ação porque a única leitura possível para o que estamos vivendo é a pessimista”, explicou.

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‘Impeachment de Jair Bolsonaro pelo crime de Ecocídio’

IHU On-Line

“O presidente Jair Bolsonaro se tornou uma ameaça para o meio ambiente do Brasil e do mundo. Assim, durante a manifestação, foi explicado que o aumento do desmatamento e das queimadas no Brasil pode ser considerado um crime, nacional e internacional, contra a natureza e a humanidade. O lema deveria ser: meio ambiente acima de tudo e a estabilidade climática acima de todos”, escreve José Eustáquio Diniz Alves, doutor em demografia e professor titular do mestrado e doutorado em População, Território e Estatísticas Públicas da Escola Nacional de Ciências Estatísticas – ENCE/IBGE, em artigo publicado por EcoDebate.

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A ultradireita global tenta o tudo-ou-nada

Em ações simultâneas, e possivelmente coordenadas, Trump, Boris Johnson e Bolsonaro radicalizam posições, afastam antigos aliados e ampliam ataque à democracia. Há estratégia por trás deste movimento? Como revertê-lo?

Por John Feffer*, do Foreign Policy in Focus. | Tradução: Gabriela Leite, em Outras Palavras

A estupidez não tira férias?

No final de agosto, a troika ultradireitista formada por Donald Trump, Boris Johnson e Jair Bolsonaro provou mais uma vez que os Estados Unidos, o Reino Unido e o Brasil estariam até melhores sem governante algum do que com esses personagens duvidosos que fingem governar os países.

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