Tarcísio x Flávio Bolsonaro: o que há de novo?

Entre os pré-candidatos para 2026, mais do que uma disputa familiar ou partidária. A Faria Lima tenta domesticar o extremismo, e buscar um “CEO” que garanta a agenda ultraliberal sem sobressaltos. Por trás do rótulo da moderação, o mesmo projeto

Por Glauco Faria, em Outras Palavras

O recente confronto velado entre o governador de São Paulo Tarcísio de Freitas (Republicanos) e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) envolvendo a disputa presidencial de 2026 é revelador das condições estruturais e conjunturais da cena política brasileira e de como as classes dirigente e a elite econômico-financeira se movimentam em meio a esse processo para não perder seu controle. E também uma continuidade de uma história distorcida sobre uma dita “terceira via”, propagandeada pela mídia tradicional como uma espécie de “voz da razão” diante da polarização. (mais…)

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A política dos problemas inexistentes. Por Raul Noetzold

Imigração. Vestuário muçulmano. Banheiros unissex. Na estratégia de guerra cultural da ultradireita, agitar fantasmas tornou-se ponto crucial. Por que ele é eficaz, em meio à crise da democracia? Quais os contravenenos?

Em Outras Palavras

A ascensão da extrema direita em diferentes países tem sido acompanhada por uma dinâmica recorrente no debate público: a centralidade conferida a problemas que possuem baixa ou nenhuma relevância empírica. Trata-se de uma estratégia política que desloca o foco das questões estruturais para conflitos simbólicos, frequentemente importados de outros contextos nacionais, com o objetivo de mobilizar afetos, produzir identidades rígidas e aprofundar divisões sociais. (mais…)

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Lei Rouanet, debate sequestrado

Direita faz cena contra a lei como parte de sua guerra cultural – mas está muito à vontade com o privatismo da ferramenta. Esquerda entrincheira-se em sua defesa, e ao fazê-lo abandona a luta por políticas públicas. Há alternativas a este nó

Por Ricardo Queiroz Pinheiro, em Outras Palavras

Nota do Autor: Este texto expande a análise iniciada em meu artigo “Lei Rouanet: das origens ao desastre”, publicado no portal Outras Palavras em 1º de abril de 2025. Naquele ensaio, demonstro como a legislação, concebida por Celso Furtado como uma tática emergencial e complementar, sofreu uma metástase institucional. De ferramenta auxiliar, ela converteu-se na espinha dorsal da política cultural, subordinando o interesse público à lógica do marketing empresarial e privatizando, na prática, a decisão sobre o que é ou não cultura no Brasil. Aqui, retomo essas premissas para apontar a saída desse labirinto. (mais…)

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O ICE se tornou um grupo paramilitar violento, ilegal e imoral

Chegou a hora de enxergarmos o ICE como ele já se vê: um exército enviado pelo governo Trump para aterrorizar pessoas vulneráveis ​​e intimidar violentamente adversários políticos, forçando-os à submissão.

Por Meagan Day / Tradução Cauê Seigner Ameni, na Jacobin

O assassinato de Renee Good pelas mãos do agente do ICE, Jonathan Ross, são indiscutíveis. Em uma sociedade liderada por pessoas comprometidas com a verdade e a decência humana, não precisaríamos relembrar esses fatos. Mas, infelizmente, não vivemos em uma sociedade assim. (mais…)

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A ultradireita nos EUA: do macarthismo a Trump

Presidente assimila a cartilha de perseguição política dos anos 50. Reveste o racismo de patriotismo e busca sustentar o poder a partir do medo. Só trocou alguns espantalhos, como a ameaça comunista pelo marxismo cultural e imigração. Como antes, o excesso pode levá-lo à implosão

Por Celso Pinto de Melo, em Outras Palavras

Até os grandes palácios se desfazem no ar rarefeito. Como recorda Shakespeare em A Tempestade, toda glória humana é efêmera — e o mesmo destino aguarda projetos políticos erguidos sobre o medo. Em momentos de crise e transição, surgem fantasmas coletivos: nos Estados Unidos dos anos 1950, o comunismo; no presente, sob Donald Trump em sua segunda administração, o chamado “Estado profundo” (deep state) e o espectro de uma conspiração cultural global. Hoje, documentos estruturantes da Nova Direita norte-americana como o Project 2025 (Heritage Foundation, 2023) e o Project Esther (Coates, 2024; Abrams, 2025) retomam, sob novas formas, o mesmo propósito do macarthismo: reorganizar a vida pública pela manipulação do medo. (mais…)

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A Venezuela e a tradição internacionalista. Por Valerio Arcary

A esquerda deve posicionar-se diante de dilemas históricos escolhendo o campo que enfraquece o imperialismo, sem jamais confundir aliança militar com submissão política

Em A Terra é Redonda

“Existe atualmente no Brasil um regime semifascista que qualquer revolucionário só pode encarar com ódio. Suponhamos, entretanto que, amanhã, a Inglaterra entre em conflito militar com o Brasil. Eu pergunto a você de que do conflito estará a classe operária? Eu responderia: nesse caso eu estaria do lado do Brasil “fascista” contra a Inglaterra “democrática”. Por que? Porque o conflito entre os dois países não será uma questão de democracia ou fascismo. Se a Inglaterra triunfasse ela colocaria um outro fascista no Rio de Janeiro e fortaleceria o controle sobre o Brasil. No caso contrário, se o Brasil triunfasse, isso daria um poderoso impulso à consciência nacional e democrática do país e levaria à derrubada da ditadura de Getúlio Vargas. A derrota da Inglaterra, ao mesmo tempo, representaria um duro golpe para o imperialismo britânico e daria um grande impulso ao movimento revolucionário do proletariado inglês”.[i]
(Leon Trotsky)

1.

Leon Trotsky defendeu a URSS, nos anos trinta, diante da iminência de uma invasão pela Alemanha nazista, apesar de sua posição crítica diante do governo de Joseph Stalin. No livro Em defesa do marxismo retomou a avaliação crítica da degeneração burocrática do regime político soviético apresentada no livro A revolução traída. (mais…)

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Entidades da saúde condenam intervenção na Venezuela

Com denúncia ao imperialismo, organizações apontam mortes causadas por ataques prévios dos EUA e relembram as colaborações da Venezuela com o Brasil durante a pandemia

Por Por Guilherme Arruda, Outra Saúde

Levada a seu clímax no último dia 3 de janeiro, com o sequestro do presidente venezuelano Nicolás Maduro por forças especiais dos Estados Unidos, a intervenção norte-americana na Venezuela foi amplamente condenada por entidades e movimentos sociais da Saúde Coletiva e da Ciência. Suas manifestações criticam o assassinato de cidadãos latino-americanos, a violação da soberania venezuelana e o desrespeito ao direito internacional. (mais…)

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