SC: A identidade branca como política de Estado. Por Marlon Ricardo de Amorim

O projeto aprovado não é um equívoco técnico nem um debate legítimo sobre políticas públicas. É uma tomada de posição política clara em defesa da preservação de privilégios raciais historicamente construídos neste estado

Santa Catarina voltou ao centro do debate nacional ao aprovar, na Assembleia Legislativa, um projeto que extingue as cotas raciais nas universidades estaduais e ainda prevê punições financeiras às instituições que insistirem em mantê-las. A medida, que aguarda sanção do governador, é apresentada por seus defensores como defesa da igualdade e do mérito. Mas, observada à luz da história e da formação social do estado, revela outra coisa. Não se trata de neutralidade, modernização ou justiça. Trata-se de uma escolha política consciente, que reafirma uma tradição catarinense de proteção de privilégios raciais, agora atualizada sob a linguagem técnica da legalidade e da eficiência administrativa. (mais…)

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A Terra como sujeito político: o grito de resistência que vem das mulheres indígenas

Para a escritora Moira Millán, a esperança contra o fascismo reside em ouvir a natureza. Confira no Bem Viver!

Beatriz Drague Ramos, no Brasil de Fato

Uma das principais vozes na articulação das Mulheres Indígenas pelo Bem Viver na Argentina, Moira Millán se destaca como ativista, escritora e se define como “weichafe” (guerreira) do povo Mapuche. Com uma trajetória marcada pela luta incansável em defesa dos territórios ancestrais, contra o avanço de megaprojetos extrativistas e pela denúncia do que ela classifica como “terricídio”, um conceito que engloba a destruição sistemática de todas as formas de vida e dos ecossistemas. (mais…)

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Congresso: Quando o porão transborda. Por Ricardo Queiroz Pinheiro

PEC da Anistia, queda-de-braço com o STF, cassação de deputados… Há lógica por trás dos abusos: sustentar impasses institucionais permanentes, o que move as negociatas, e garantir o controle do orçamento público, que financia o poder. 2026 promete ser ainda mais intenso…

Em Outras Palavras

A dinâmica da política tende a amortecer conflitos até que eles se tornem materialmente incontornáveis. Nesse percurso, intervêm vários filtros: a voracidade dos pregadores de certezas, o comportamento de torcida, o viés analítico que transforma processo em episódio. Soma-se a isso a ansiedade dos noticiários, que fragmenta o movimento em cenas isoladas e empobrece a leitura do que efetivamente se desloca. Há um ponto, porém, em que os acordos deixam de caber no porão, os bastidores já não absorvem as tensões e o cálculo passa a se impor com mais nitidez. Interesses antes dispersos se aproximam, decisões ganham peso imediato e a engrenagem começa a ranger. (mais…)

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A pedagogia de guerra nas escolas cívico-militares

Já são centenas delas no Brasil. O currículo oculto: propagandear a militarização da sociedade como saída à indisciplina e aos baixos resultados nos índices escolares. Docilizar corpos periféricos. E ocultar as raízes estruturais das desigualdades

Por Ronaldo Queiroz de Morais*, em Outras Palavras

Destituído de ilusão, toda sociedade moderna arrasta algum grau importante de militarização. Afinal, o sonho militar de sociedade anunciado por Michel Foucault é, demasiadamente, moderno. Entretanto, o Brasil constitui-se como sociedade militarizada antes mesmo de tornar-se nação e de efetivar-se como Estado Moderno no sentido weberiano, ou seja, de estabelecer o monopólio da violência a partir de instituições militares realmente militarizadas. A independência brasileira manteve o sistema escravocrata no território nacional e, inexoravelmente, arremeteu a força das armas contra a população escravizada e empobrecida. Nessa perspectiva, é possível discorrer que a história do Brasil independente é a história da incessante descarga de endocolonização junto à população tradicionalmente oprimida. (mais…)

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A transferência de paróquia foi desmentida diante dos protestos, mas Padre Júlio Lancellotti continua proibido de praticar de forma plena o cristianismo

Nota de Combate: O texto abaixo, da jornalista Denise Ribeiro, foi enviado e postado quando ainda prevalecia a informação da transferência de Padre Júlio da paróquia de São Miguel Arcanjo. A reação às medidas anunciadas contra ele foram seguidas de desmentidos quanto a isso, mas as demais sanções – com destaque para ter as missas de domingo transmitidas  ao vivo e usar redes sociais – foram mantidas.

Por Denise Ribeiro*

Nesta segunda-feira uma notícia estarrecedora deixou sem chão os católicos progressistas e todos os que admiram o trabalho da Pastoral Povo da Rua: dom Odílio Scherer, arcebispo de São Paulo, transferiu o padre Júlio Lancellotti da paróquia de São Miguel Arcanjo, no bairro da Mooca, onde ele atua há 40 anos. Para onde? Ninguém sabe.

Que motivos levariam dom Odílio a tomar decisão tão drástica em pleno final de ano? Que forças ocultas levariam o arcebispo a abrir mão de um homem dedicado a cuidar sem descanso da população mais vulnerável da cidade? (mais…)

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Congresso: a noitada dos patifes. Por Glauco Faria

Como ultradireita e Centrão uniram-se em Brasília, para ensaiar a grande aliança conservadora em 2026. Por que o arranjo vitimou os povos indígenas e favoreceu os golpistas. De que forma ele abre a disputa eleitoral – e quais os meios de reagir

Em Outras Palavras

O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), cometeu uma dupla falsidade na madrugada desta quarta-feira (10/12), logo após aquela casa legislativa aprovar o chamado “PL da Dosimetria”. A medida permite a redução de pena àqueles que foram condenados pelos crimes de tentativa de abolir o Estado Democrático de Direito e golpe de Estado. Segundo Motta, possibilitava “que os que tiveram menor importância no acontecido possam voltar às suas casas, ter as penas reduzidas e o Brasil possa, sem esquecer, virar essa página triste da democracia”, referindo-se aos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023. (mais…)

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Crise? Mesmo com prisão de Jair, bolsonarismo já perdeu quase 90% da força nas ruas

Estudo evidencia baixa adesão de bolsonaristas após o 8/1; crise de imagem dificulta pré-candidatura de Flávio Bolsonaro

Por Dyepeson Martins | Edição: Ed Wanderley, em Agência Pública

Ruas abarrotadas de camisas verde-amarelas e bandeiras do Brasil já não descrevem as atuais manifestações em defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). A ameaça de correligionários de que o Brasil iria “parar”, caso o principal líder da ultradireita no país fosse preso, não se concretizou e, após a prisão, a maioria dos atos foram discretos e isolados. É nesse contexto em que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) se coloca como indicado pelo pai para as eleições de 2026 – assumindo a responsabilidade de contornar uma crise na imagem do próprio bolsonarismo. (mais…)

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