Ilan Pappé (Haifa, 1954) é um dos mais reconhecidos historiadores israelenses, justamente por ter desmantelado as principais mentiras sobre as quais Israel construiu sua história. Agora, após ser uma das vozes internacionais mais incansáveis na denúncia do genocídio em Gaza, publica Israel vs. Palestina: A Mais Breve História do Conflito (Ideias de Ler, 2025), no qual relembra como a limpeza étnica dos palestinos não começou em 1948, mas nos anos 1920, quando o Mandato Britânico da Palestina permitiu que grupos sionistas se armassem e formassem um grupo paramilitar para expulsar os camponeses palestinos de suas terras, empobrecendo-os e condenando-os a viver em subúrbios como deslocados.
A entrevista é de Patricia Simón/ A tradução é do Cepat, no IHU
Nesse novo livro, essencial para lembrar como a violência sionista desembocou no genocídio, Pappé também explica como a Europa e os Estados Unidos apoiaram a criação do Estado judeu no Oriente Médio, antes do Holocausto, justamente por seu antissemitismo, para esvaziar seu território de judeus. Pappé destaca que a propaganda sionista no final do século XIX já apresentava os palestinos como estrangeiros em uma terra que pertencia aos judeus desde o Antigo Testamento. Mas, sobretudo, o ensaísta desmascara duas das falácias mais difundidas pelo sionismo: que a Palestina não tinha identidade nacional própria antes de 1948 e que o conflito é entre judeus e muçulmanos, sendo que os cristãos palestinos sempre tiveram um papel fundamental no movimento por uma Palestina árabe. (mais…)
