O valor do jornalismo e o genocídio indígena

Por Pedro Varoni, no Observatório da Imprensa

A reportagem “Genocídio” do jornalista e escritor britânico Norman Lewis ( 1908-2003), produzida no final dos anos 1960 e publicada na última edição da revista piauí, é um conteúdo que não pode passar despercebido diante do excesso de informações a que somos submetidos no dia a dia. O tema é a violência contra os povos indígenas brasileiros e a forma como historicamente prevaleceu a impunidade. Meio século depois, o relato tem sua validade ancorada no melhor jornalismo: levantamento de informações contextualizadas, reportagem de campo em amplos territórios e capacidade de prender o leitor com uma narrativa que valoriza os detalhes sem perder o foco no genocídio indígena como marca que atravessa nossa história.

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Documentário pra inglês ver o que o Brasil não quer ver

A emissora britânica BBC conta em três episódios a ascensão da direita brasileira desde as jornadas de 2013 até a eleição de Bolsonaro em 2018

Por Marcelo Menna Barreto, no Extra Classe

“Uma campanha eleitoral conturbada, ofuscada por notícias falsas e violência, levou à vitória do candidato da extrema direita, Jair Bolsonaro, polêmico por seus pontos de vista sobre a homossexualidade, raça, mulheres, tiroteios policiais e as forças armadas”. Diz trecho da sinopse de What Happened to Brazil… (O Que Aconteceu Com o Brasil…) da BBC World News, canal de notícias da inglesa British Broadcasting Corporation, e dá o tom da mais nova produção da agência que é considerada a mais assistida no mundo, à frente da americana CNN.

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‘Chico Rei’ e a luta pela superação do racismo e da escravidão. Por frei Gilvander Moreira*

“Feliz Ano Novo”, dizem pessoas, em uma padaria, enquanto compram o pão de cada dia. Em Brasília, com o maior aparato militar de segurança e repressão da história, Jair Bolsonaro toma posse como presidente do Brasil. Em 8 de dezembro de 1967, o papa Paulo VI propôs a criação do Dia Mundial da Paz a ser celebrado todo dia 1º de janeiro. Porém, como conquistar um “Feliz Ano Novo” e Paz como fruto de justiça social, agrária, ambiental, urbana e com respeito aos direitos humanos fundamentais diante do cenário e contexto político, econômico, religioso e social que atravessamos: imensa dívida histórica com o povo negro, racismo institucional, ascensão do fascismo e igrejas com teologia da prosperidade? Com 54% de sua população negra, segundo o IBGE, o Brasil continua reproduzindo uma das maiores desigualdades sociais e raciais do mundo. Essa questão nos remete à história do povo negro no Brasil e ao filme ‘Chico Rei’.

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“África é a última fronteira do capitalismo”, entrevista a Achille Mbembe

por António Guerreiro, do jornal Público, no BUALA

Achille Mbembe esteve em Portugal, em Outubro, para uma conferência na Culturgest que tinha por título Para Um Mundo Sem Fronteiras. A questão da fronteira é fundamental na obra deste teórico africano, nascido nos Camarões, em 1957, com doutoramento em Ciência Política feito em Paris (na Sorbonne), professor na Universidade de Witwatersrand, em Joanesburgo, África do Sul, e também em Harvard, nos Estados Unidos. A sua obra, objecto de um enorme reconhecimento internacional e traduzida em todo o mundo, compreende livros tão importantes como Crítica da Razão NegraPolíticas da Inimizade (estes dois traduzidos em português e editados pela Antígona) e De la Postcolonie. Essai sur l’imagination politique dans l’Afrique contemporaine.

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Pedro Casaldáliga do Araguaia

Maria Júlia Gomes Andrade*, no Brasil de Fato

“Para descansar
eu quero só
esta cruz de pau
como chuva e sol
estes sete palmos
e a Ressurreição!”

(Poema “Cemitério do Sertão”, de Dom Pedro Casaldáliga)

Há cerca de 20 anos Dom Pedro Casaldáliga celebrou uma missa no dia de finados num dos cemitérios de São Félix do Araguaia, no Mato Grosso. Ao final, ele disse na presença do povo e agentes pastorais: “Quero que vocês todos escutem muito bem, porque vou falar algo muito sério: é aqui que eu quero ser enterrado”. O “aqui” era o que o povo da região chama de “Cemitério Karajá”, onde foram enterrados muitos indígenas, e outros tantos trabalhadores que vinham de muitas partes e eram explorados nas fazendas de gado. O lugar onde foi enterrada a gente mais humilde daquela terra. O cemitério dos mais pobres.

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Nota do CEDEFES e da ANAÍ sobre “Índio Pré-Histórico” e Direitos dos Povos Indígenas

O Centro de Documentação Eloy Ferreira da Silva- CEDEFES e a Associação Nacional de Ação Indigenista-ANAÍ entidades que há mais de trinta anos desenvolvem pesquisas sobre história indígena e projetos que subsidiam a organização e o empoderamento de comunidades indígenas em busca de seus direitos, compostas por equipe de experientes antropólogos, arqueólogos, historiadores, sociólogos, educadores e profissionais de áreas afins manifesta seu repúdio a mais um pronunciamento inaceitável do político de extrema direita Jair Bolsonaro a respeito dos povos indígenas publicado em matéria intitulada “Bolsonaro ataca índios, imigrantes e Ibama”.     

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Após 50 anos do AI-5, ‘toda a nação está sob ameaça’

A Faculdade de Direito da USP, no Largo São Francisco, em São Paulo, recebeu personalidades históricas em ato que rememorou a ditadura e alertou sobre a ameaça de novos tempos sombrios

por Gabriel Valery, da RBA

Há 50 anos, o regime ditatorial civil-militar, que alcançara o poder por meio de um golpe quatro anos antes, em 1964, dava seu passo mais sombrio com o Ato Institucional Número Cinco, o AI-5. Naquele 13 de dezembro, a força da ditadura fechou o Congresso, cassou parlamentares, demitiu funcionários públicos, suspendeu habeas corpus e quaisquer garantias constitucionais. O resultado foi a institucionalização da tortura e da censura no país.

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‘Toda ditadura quer controlar o campo educacional, porque é nele que há liberdade para pensar e construir novos caminhos para a sociedade’

Julia Neves – EPSJV/Fiocruz

Era 13 de dezembro de 1968 quando o então presidente da República, general Artur da Costa e Silva, autorizou o Ato Institucional nº 5 (AI-5), que cassou as liberdades civis no país por quase duas décadas. À época, várias medidas de exceção foram impostas, como o fechamento do Congresso Nacional, a suspensão do habeas corpus para crimes políticos e a intensificação da censura. Antes do AI-5, em 28 de junho, milhares de trabalhadores e estudantes se reuniram na chamada Passeata dos Cem Mil, no Rio de Janeiro, tendo como pano de fundo o recente assassinato do estudante Édson Luís pela ditadura. Somando-se a isso, greves em todo o país mostravam os problemas e a indignação de grande parte da sociedade. A Educação foi bastante impactada pelo decreto do AI-5. No final de novembro daquele mesmo ano, os militares já haviam promulgado a Lei nº 5.540, da Reforma Universitária. Já o ensino profissional foi modificado em 1971, com a Lei nº 5.692, que instituiu o segundo grau técnico obrigatório. Cinquenta anos depois, as medidas de 1968 ainda impactam o sistema educacional brasileiro.

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Eugênia Gonzaga: “O Brasil não cumpriu o dever de pôr a ditadura em pauta. Há um pacto para não constranger os militares”

Eugênia Gonzaga, da Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos, diz que hierarquia do presidente em relação às Forças Armadas poderia facilitar a demanda das famílias dos desaparecidos

Por Marina Rossi, no El País

No aniversário de 50 anos do Ato Institucional número 5 (AI-5, de 13 de dezembro de 1968), considerado o ato mais duro dos 17 instituídos durante a ditadura militar brasileira, a procuradora Eugênia Gonzaga, presidente da Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos, faz questão de pontuar os poucos – mas importantes – avanços na pauta dos desaparecidos políticos. Dentre elas, a identificação das ossadas de dois militantes dados como desaparecidos, que ela considera “a melhor notícia do ano”.

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