MPF denuncia ex-médico do IML que fraudou laudo para omitir tortura de militante político morto na ditadura

José Manella Netto assinou relatório necroscópico do integrante da VPR Carlos Roberto Zanirato, preso pelo Deops/SP em 1969

Ministério Público Federal em São Paulo

O Ministério Público Federal (MPF) denunciou o ex-médico legista José Manella Netto por ocultação de cadáver e falsidade ideológica. Integrante do Instituto Médico Legal (IML) de São Paulo durante a ditadura militar, ele é acusado de forjar o laudo necroscópico do militante político Carlos Roberto Zanirato, omitindo que a vítima havia sido submetida a intensas sessões de tortura. Zanirato morreu em 29 de junho de 1969, quando estava sob custódia de agentes da repressão e foi empurrado contra um ônibus que trafegava na Avenida Celso Garcia, na zona leste da capital paulista.

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Amor e militância contra a ditadura: “A morte de Merlino nos uniu definitivamente”

Angela Mendes de Almeida, de 82 anos, foi companheira do jornalista Eduardo Merlino, morto em 1971 nos porões da ditadura militar. Ela relata como o assassinato reforçou seu compromisso com a luta que travavam contra o regime, que chegou a levá-la ao exílio

Por Felipe Betim, no El País Brasil

Amor e militância são duas palavras que sempre andaram juntas ao longo da vida de Angela Maria Mendes de Almeida. Nascida há 82 anos em São Paulo, essa socióloga, historiadora e cientista política passou a militar no movimento estudantil, como muitos outros de sua geração, pouco depois do golpe militar de 1964. Foi nessa época que conheceu o jornalista Luiz Eduardo Merlino, por quem se apaixonou. A união que começou em 1968 foi brutalmente interrompida pela ditadura militar três anos depois, em 1971, quando ele foi preso, torturado nos porões do regime e assassinado. Tinha apenas 23 anos. Ela, 32.

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Fórum Justiça envia denúncias de violações aos indígenas do Rio Grande do Sul durante à ditadura civil-militar para a Defensoria Pública da União

Por Rodrigo de Medeiros Silva

O Fórum Justiça (FJ)[1] já havia feito à denúncia ao Ministério Público Federal (MPF), em 2018, sobre os fatos ocorridos durante à Ditadura com os indígenas. O MPF, então, abriu o Procedimento PP – 1.29.000.004606/2018-88, que tramita no 15º Ofício do Ministério Público Federal do Rio Grande do Sul[2]. Agora, com outros documentos, o FJ faz a provocação à Defensoria Pública da União (DPU), para que atue dentro de sua competência. Ela é expressão do regime democrático, cabendo-lhe a promoção dos direitos humanos e a defesa individual e coletiva dos direitos dos necessitados (artigo 1º, da Lei Complementar nº 80/1994). 

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EUA sabiam da tortura na ditadura brasileira e poderiam intervir se quisessem

Documento oficial aponta pela primeira vez possível destino do militante Stuart Wright, filho de missionários norte-americanos, desaparecido em 1973. Texto diz que, se Washington manifestasse interesse, talvez pudesse “salvá-lo de algumas horas de tortura”

Por Eduardo Reina, no El País Brasil

Mais que influenciar o Governo durante o golpe de Estado em 1964 no Brasil e a ditadura, os Estados Unidos acompanhavam todos os detalhes nos porões militares durante os piores anos da repressão nos anos 1960 e 1970. Promoviam intervenções em casos que envolviam seus interesses diretos. Principalmente se o opositor tivesse cidadania norte-americana. É o que revela documento de dezembro de 1973, apontando que o militante da Ação Popular Marxista Leninista (APML) Paulo Stuart Wright, desaparecido desde então, “foi preso no final de setembro em São Paulo e removido para a Cenimar (Centro de Informações da Marinha) no Rio”. É a primeira vez que um documento oficial aponta o possível destino de Stuart Wright.

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MPF, MPSP e MPT divulgam relatório final sobre participação da Volkswagen na repressão durante regime militar

Com 64 páginas, material esclarece como a empresa se envolveu com a polícia política e ajudou a violar direitos humanos

Ministério Público Federal em São Paulo

“Não me lembro de chorarmos pelo desaparecimento da democracia”. Esta frase traduz o posicionamento de uma das maiores empresas sediadas no Brasil durante a ditadura militar (1964 – 1985) e foi dita por Carl Hahn em uma entrevista à emissora alemã Das Erst. Ele, que chegou a ser presidente do grupo Volkswagen AG na Alemanha, de 1982 a 1993, era diretor de vendas na época retratada pelo relatório Direitos Humanos, Empresas e Justiça de Transição: o Papel da Volkswagen na Repressão Política Durante a Ditadura Militar, elaborado pelo Ministério Público Federal (MPF), Ministério Público do Trabalho (MPT) e Ministério Público do Estado de São Paulo (MPSP).

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PR: Documentário apresenta luta pela terra após construção da usina de Itaipu

Filme narra a história de três irmãos e é fundamental para o entendimento da migração indígena no oeste paranaense

Júlio Cesar Carignano, Brasil de Fato

Foi lançado, na sexta-feira (19), o documentário “Três Alves”, produzido pela L’avant Filmes. O filme conta a história de três irmãos indígenas da etnia Avá-Guarani que lideraram a retomada de terras perdidas pela construção de Usina Hidrelétrica de Itaipu Binacional.

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Brasil em tempos de negacionismo. Por Danilo Pereira Lima

Na Conjur

A defesa da supremacia constitucional e do Estado de Direito contra maiorias eventuais — que porventura tenham o controle do Executivo e do Legislativo — é uma das maiores responsabilidades institucionais do Poder Judiciário. No longínquo século 17, o juiz Edward Coke ensinou uma importante lição por meio do julgamento do Bonham’s case. Segundo esse juiz inglês, diante de qualquer violação do common law, seja ela proveniente do monarca ou do Parlamento, os tribunais deviam assegurar a supremacia do Common Law. No entanto, no mês em que o Brasil aproxima-se rapidamente dos 300 mil mortos por Covid-19, sendo que muitos desses casos poderiam ser evitados se o país não fosse governado por um negacionista da ciência, a maioria dos desembargadores da 3ª Turma do TRF-5 e a unanimidade dos desembargadores da 6ª Turma do TRF-3 preferiram se portar de maneira subserviente diante do negacionismo histórico do governo.

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Volkswagen publica anúncio reconhecendo atuação na ditadura militar no Brasil

A Volkswagen publicou, neste domingo (14.mar.2021),  anúncio na edição impressa dos principais jornais do país em que reconhece a sua atuação junto à ditadura militar (1964-1985). Eis a íntegra (188 KB).

Em comunicado, a empresa diz que “lamenta profundamente as violações de Direitos Humanos ocorridas naquele momento histórico e se solidariza por eventuais episódios que envolveram seus ex-empregados e seus familiares”.

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Henrique de Souza Filho, o Henfil

Uma mente criativa de esquerda antirregime que não deixava passar nada

Por Italo Jardim, em A Terra é Redonda

Em tempos de retomada do autoritarismo, de governo civil-militar, de um renovado e sofisticado sentimento “cucaracho”, a saudade dos combativos e rebeldes vem em forma de nostalgia. Apesar dos tempos difíceis vividos no Brasil da censura e da falta de liberdade (1964-1985), a resistência através das artes e da comunicação era um mecanismo criativo e salutar que atenuava os desgostos de viver sob um regime de exceção. Neste contexto, se destacou o cartunista Henfil.

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Da Revolta dos Malês a uma Revolução Antirracista

A Revolta dos Malês, em Salvador, em 24 de janeiro de 1835 é considerada a mais importante realizada por escravos urbanos nas Américas

Por Raumi Joaquim de Souza*, na Página do MST

A história do Brasil é marcada pelos antagonismos de raças, classes e interesses sociais diversos. A inter-relação dos três pilares terra, raça e classe estão presentes a todo o momento na formação do seu povo. Assim como em todas as regiões do país, na Bahia, há um histórico de revoltas e conflitos agrários, raciais e sociais desde a sua gênese até os dias atuais.

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