Para estudar a fundo a influência africana no Brasil

Alencastro apresenta curso sobre história brasileira a partir da geopolítica do Atlântico Sul. Ligações econômicas e culturais ressurgem, apesar dos preconceitos do bolsonarismo: já temos mais embaixadas na África que na América Latina

por Luiz Felipe de Alencastro, em Outras Palavras

O segundo semestre do curso Temas de história e cultura brasileira, que se inicia no dia 16/7, aborda o período que vai da Independência até o presente. O eixo central do curso é o estudo da história colonial e nacional do Brasil no contexto do Atlântico Sul. As relações com a África são parte integrante da formação do território e da sociedade nacional. Entre 1550 e 1850, de cada 100 indivíduos entrados no Brasil, 86 eram escravizados africanos e somente 14 eram colonos e (depois de 1822) imigrantes portugueses. O Atlântico Sul é também a Argentina, o Uruguai e o Paraguai, que compunham a região chamada Rio da Prata, com as quais o Brasil mantém relações regulares desde o início do século 17. A continuidade e a realidade da consciência latino-americana brasileira também têm suas raízes no Atlântico Sul.

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Vozes do Silêncio: organizações lançam movimento contra impunidade e violência praticada por agentes do Estado

Manifesto requer a autoridades que reafirmem o compromisso com a democracia e o não retrocesso nos direitos sociais, econômicos, culturais, civis e políticos. Iniciativa conta com apoio da PFDC

Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão (PFDC)

Em 31 de março de 2019, milhares de pessoas saíram às ruas, em todo o país, para participar de marchas silenciosas e das mais variadas manifestações realizadas em protesto ao golpe civil-militar de 1964. Foi o maior ato público contra a ditadura militar e a recorrente violência de Estado, desde a Constituição de 1988.

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Recomendação do MPF é acatada por secretarias municipais de Educação para abordarem cultura e história indígena local em sala de aula

Objetivo é levar aos estudantes o conhecimento sobre quem são verdadeiramente os “índios” da região onde moram e quais aspectos dos grupos étnicos estão presentes no município

Procuradoria da República em Mato Grosso

Cuiabá, capital de Mato Grosso, acaba de completar 300 anos. Seus primeiros habitantes, antes mesmo da chegada dos bandeirantes, foram os indígenas da etnia Boe (Boróro), dos quais muito ainda se vê no modo de falar, na culinária e na cultura da cidade. Nas escolas municipais de Cuiabá, desde 2016, principalmente no período de comemorações alusivas ao Dia do Índio, as crianças passaram a conhecer ainda mais a história e a cultura desses habitantes originais da região.

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Petra Costa: “Se soubesse do vazamento do Intercept, não teria parado”

Cineasta de ‘Democracia em Vertigem fala a CartaCapital sobre o processo de construção de sua obra – e a desconstrução em processo do Brasil

Por Flávia Guerra, na Carta Capital

Democracia em Vertigem, o novo filme da cineasta Petra Costa, nem havia estreado na Netflix quando o trailer já batia a marca de um milhão de visualizações (mais que sucessos mundiais como Stranger Things). Para além das visualizações, a polarização entre os cliques em “gostei” e “não gostei” rendia campanhas nas redes sociais por quem ainda não havia visto o documentário mas já se posicionava contra ou a favor do conteúdo do trailer.

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João Cândido: o almirante da revolta

No dia em que faria 139 anos, lembramos de um dos maiores símbolos da resistência brasileira

Por Fernanda Alcântara, na Página do MST

A vida de João Cândido é uma daquelas histórias que comprovam o quanto a história do Brasil é escrita e explorada apenas do ponto de vista dominante. Embora o nome de João Cândido (ou do Almirante Negro) soe familiar devido às canções e homenagens realizadas postumamente, ainda há muito o que aprender sobre esta grande figura.

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Bolsonaro é o primeiro presidente brasileiro a admitir a Operação Condor

“O capitão mais estúpido do planeta, arauto da truculência, se gaba de sua especialidade: matar”

Por Luiz Cláudio Cunha *, Congresso Em Foco

Jair Bolsonaro, o capitão-presidente eleito na democracia, acaba de fazer o que não fez nenhum dos generais-presidentes impostos pela ditadura de 1964: é o primeiro governante brasileiro a reconhecer publicamente a “Operação Condor” — a clandestina, secreta conexão multinacional de repressão montada na sangrenta década de 1970 pelos países do Cone Sul do continente, todos então submetidos a regimes militares que, a ferro e fogo, baniram a democracia da região sob o pretexto da cruzada anticomunista.

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Lançamento de reedição de livro recorda cassação de cientistas

Maíra Menezes, IOC/Fiocruz

Em 1970, sob a vigência do Ato Institucional nº 5, dez pesquisadores do Instituto Oswaldo Cruz foram cassados pela ditadura militar. Apesar de as acusações de subversão e corrupção nunca terem sido provadas, os cientistas ficaram impedidos de atuar em instituições públicas no país e só foram chamados a reintegrar aos quadros do IOC em 1986, cinco anos após a publicação da Lei da Anistia. O episódio ficou conhecido como ‘O Massacre de Manguinhos’, título que o pesquisador Herman Lent – um dos mais reconhecidos entomologistas do país e um dos cassados – deu ao livro publicado em 1978, no qual narra e analisa os fatos relacionados à cassação. Considerada, até hoje, como referência sobre os impactos do regime militar para a ciência brasileira, a obra acaba de ganhar uma nova edição, em projeto liderado pelo Instituto de Informação Científica e Tecnológica em Saúde (Icict/Fiocruz), com apoio do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz), da Casa de Oswaldo Cruz (COC/Fiocruz) e da Editora Fiocruz. 

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O racismo da academia apagou a história de Dandara e Luisa Mahin

Este texto é uma resposta à historiadora Ana Lucia Araujo, que considera perigosa a inclusão no Panteão da Pátria de guerreiras cuja existência não teria sido provada. O projeto, aprovado pelo Senado, ainda depende da apreciação do presidente. 

Por Ale Santos, The Intercept Brasil

A ESCRAVIDÃO INTERROMPEU a história da África e de seus descendentes, roubando séculos de produção intelectual em troca de trabalho forçado. O Brasil só aboliu a escravidão há menos de 131 anos e é natural ver alguns nomes de heróis afro-brasileiros sendo reconhecidos cada vez mais no Panteão da Pátria, um memorial cívico inaugurado em 1986 para homenagear personalidades brasileiras.

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Dandara e Luisa Mahin são consideradas heroínas do Brasil – o problema é que elas nunca existiram

Este texto é uma resposta a Ale Santos. O escritor considera a inclusão das guerreiras no Panteão da Pátria uma reparação ao racismo na história que ignora a importância da tradição oral. O projeto, aprovado pelo Senado, ainda depende da apreciação do presidente. 

Por Ana Lucia Araujo, The Intercept Brasil

O BRASIL É O PAÍS com a mais longa história de escravização nas Américas, mas ainda hoje lida com dificuldade com esse passado trágico. Último país do continente americano a abolir a escravidão em 1888, o Brasil importou cerca de 5 milhões de africanos escravizados. Ainda nos anos 1850, navios escravistas continuaram a desembarcar cativos trazidos da África ilegalmente em praias brasileiras. Ainda assim, desde a abolição da escravidão, um grande número de brasileiros recusa reconhecer que os africanos trazidos acorrentados nos porões de navios e seus descendentes foram aqueles que construíram o país.

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Bolsonaro: 1984 ou Black Mirror?

O atual governo tenta reeditar 1964 – ao pedir que o golpe fosse comemorado como revolução no último dia 31 de março -, como no livro 1984 de George Orwell, em que o personagem Smith deveria falsificar registros históricos para criar um passado de acordo com os interesses do governo.

por Leonardo Lusitano*, Le Monde Diplomatique

Desde que Jair Bolsonaro assumiu a presidência em janeiro, muito tem se falado sobre como sua equipe ministerial estaria tentando reeditar, mais do que 1964, 1984. Estaríamos então numa espécie de distopia, similar àquela do livro clássico de George Orwell. Mesmo que o consenso no campo acadêmico seja o inverso, Vélez, o ex- ministro da Educação, buscava uma versão de 1964 onde não houve golpe nem ditadura e sim uma revolução gloriosa.

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