Saúde do oceano e equilíbrio climático dependem da redução da emissão de CO2 e queima de combustíveis fósseis. Entrevista especial com Marinez Scherer

“O que acontece no oceano tem reflexos na parte terrestre do planeta”, afirma a Enviada Especial da presidência da COP30 para Oceanos

Por: Patricia Fachin, em IHU

O desenvolvimento científico nos habituou a examinar e a compreender a realidade de modo fragmentado, segundo suas partes, mas aquela velha ideia de que tudo está conectado, diz a bióloga Marinez Scherer, “é uma grande verdade”. Um exemplo bastante atual disso é o clima, acrescenta a pesquisadora, ao explicar como o aumento das emissões de gás carbônico aquece e acidifica o oceano, gerando o desequilíbrio climático. “O que acontece no oceano tem reflexos na parte terrestre do planeta. Os efeitos não ocorrem somente nas proximidades das praias. Os municípios e áreas costeiras sofrem os eventos extremos, como inundação e erosão, mas a mudança do clima e essa alteração a ponto de causar mais secas ou mais chuvas influencia o interior do planeta inteiro”, esclarece. (mais…)

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“Falta coragem política, não dinheiro”, diz Fearnside sobre COP30

Cientista norte-americano, prêmio Nobel da Paz por estudos sobre aquecimento global e colunista da Amazônia Real, Philip Fearnside faz um balanço crítico sobre as decisões tomadas (e a falta delas) na Conferência das Partes, em Belém do Pará. Entre elas, estão o fim dos combustíveis fósseis e o desmatamento nas florestas tropicais, responsáveis pelas maiores emissões de gases do efeito estufa, que desequilibram o clima no planeta. “Não se chegou a consenso sobre o aquecimento global. Se não for controlado, simplesmente, vai matar grande parte dessas populações [indígenas] durante as ondas de calor.”

Por Kátia Brasil, da Amazônia Real

Belém (PA)  O cientista de nacionalidade norte-americana e coração amazônico, região que escolheu para trabalhar e viver, Philip Martin Fearnside é um dos 3 mil pesquisadores que dividiram o Nobel da Paz de 2007 com Al Gore, do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC, na sigla em inglês) pelas pesquisas sobre o aquecimento global. Mesmo com essa credencial, ele não foi convidado da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC) para participar da COP30, realizada de 10 a 22 de novembro, em Belém. (mais…)

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Investimento em biocombustíveis perde espaço para petróleo e energia solar

Análise de isenções fiscais e empréstimos do BNDES mostram privilégio de petróleo e importação de painéis solares

Por Guilherme Garcia, Laura Tercic | Edição: Marina Amaral, em Agência Pública

Apesar dos discursos que colocam o país como um líder global na transição para uma economia descarbonizada, dados cruzados da Receita Federal e da Aneel mostram que desde 2002, o BNDES já concedeu R$ 17 bilhões de empréstimos aos derivados de petróleo além de R$ 2,3 bilhões de isenções fiscais em importação concedidas pelo governo federal desde 2017, em análise feita para a Agência Pública. (mais…)

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Decisão final da COP30 ignora fim dos combustíveis fósseis

Diplomacia brasileira sai derrotada da Conferência das Partes, realizada em Belém do Pará, não só com a omissão sobre a eliminação dos combustíveis fósseis, mas também porque países ricos não se comprometeram com mais recursos para proteção ambiental

Por Eduardo Nunomura, da Amazônia Real

A COP30 decidiu convocar o mundo para a união, mas calou-se sobre a causa central da crise climática diante da recusa de nações produtoras de petróleo, como Arábia Saudade e Rússia, em aceitar a transição energética: a queima de petróleo, gás e carvão. No que pode ser considerada a maior derrota política da cúpula de Belém, e da diplomacia brasileira, a plenária dos países eliminou por completo expressões “combustíveis fósseis” ou “eliminação gradual” (“phase-out”, em inglês) do texto final aprovado neste sábado (22). O documento opta por eufemismos, falando em “reduções profundas, rápidas e sustentadas das emissões” e reconhecendo que a transição para o desenvolvimento de baixo carbono é “irreversível”. Mas ignora o “Mapa do Caminho”, como defendeu o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e que contava com o apoio de pelo menos 80 países. (mais…)

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Coiab lança relatório que revela avanço do petróleo e da mineração sobre Terras Indígenas na Amazônia

Levantamento aponta que 13% dos territórios indígenas da Bacia Amazônica, cerca de 320 mil km², já são afetados por petróleo, gás e mais de 114 mil pedidos de mineração

Por Tainá Rionegro, na Coiab

A Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab) divulga um novo levantamento que expõe a dimensão da pressão do petróleo, do gás e da mineração sobre os territórios indígenas da Bacia Amazônica. O estudo indica que mais de 320 mil km² de Terras Indígenas,  área equivalente ao estado do Maranhão, já estão afetados por blocos de exploração de petróleo e gás. (mais…)

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Petróleo: a hipocrisia do Brasil na COP30

Cientistas analisam e criticam ambiguidade e contradições do governo brasileiro na sua política ambiental. Para eles, a postura revela incoerência entre retórica e realidade. Artigo foi publicado na Science, nesta quinta

Por José é Amorim Reis-Filho, Tommaso Giarrizzo, Friedrich Wolfgang Keppeler, Eurico Noleto-Filho, Marcelo Oliveira Soares, Valter M. Azevedo-Santos, Guilherme O. Longo, Mariana Bender, Rafael A. Magris e Philip M. Fearnside, em Amazônia Real

Publicamos uma carta na revista Science [1], disponível aqui, explicando a inconsistência entre o discurso brasileiro sobre aquecimento global e a atuação do governo na exploração de petróleo na foz do rio Amazonas e em outros novos campos de extração propostos. Aqui trazemos este texto em português: (mais…)

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“A vida dos povos indígenas não pode valer o preço do petróleo”

Povos indígenas da Bacia Amazônica denunciam avanço petroleiro em seus territórios e erguem bandeira coletiva de resistência pelo fim da exploração na Amazônia

Coiab

“A vida dos povos indígenas não pode valer o preço do petróleo”. Com essa afirmação, Luene Karipuna, da Articulação dos Povos e Organizações Indígenas do Amapá e Norte do Pará (APOIANP), organização de base da Coiab, abriu a mesa na Zona Azul da COP30 junto a lideranças indígenas da Colômbia, Brasil, Peru e Equador, onde fez um alerta contundente sobre os impactos da expansão petroleira na Amazônia. (mais…)

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