A luta por terras e pelo resgate da memória dos gamela, apagada desde o Brasil colônia

Índios gamela foram atacados no último domingo, em Viana, Maranhão, por agricultores; Eles buscam ser reconhecidos como indígenas, após expulsão de ancestrais

Por Talita Bedinelli, no El País Brasil

Por volta das 16h do último domingo, 30 de abril, uma batalha campal se iniciava em Viana, município de 50.000 habitantes a pouco mais de 200 quilômetros da capital maranhense, São Luís. Em uma região em que quatro de cada dez pessoas é pobre, começava ali uma luta violenta de quem tem pouco contra quem tem quase nada. De um lado estavam indígenas da etnia gamela, que ocupavam uma área que reivindicam pertencer a seus ancestrais, expulsos dali no passado. Do outro, agricultores, alguns donos de uma quantia de gado possível de se contar nos dedos, que pretendem manter seu pedaço de chão para poder plantar. O enfrentamento deixou dezenas de feridos, vários deles com marcas de bala rasgadas pelo corpo. Quatro ainda estão internados em hospitais da capital. Dois indígenas tiveram as mãos quase arrancadas a golpes de facão, em uma cena que lembrou a alguns o tratamento dado, por vezes, a animais que ignoram cercas e entram em terra vizinha. Na pequena cidade, as imagens da barbárie ainda atormentam a população. (mais…)

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Em manifesto, MST denuncia a criminalização e a violência no campo

Ato político-cultural foi realizado na noite da última sexta-feira (5), no Parque da Água Branca, em São Paulo, onde é realizada até o próximo domingo a 2ª Feira Nacional da Reforma Agrária.

Por Gustavo Marinho, da Página do MST

Chovia em São Paulo quando jovens do MST e do Levante Popular da Juventude, em coro, repetiram diversas vezes: “é um tempo de guerra, é um tempo sem sol”, tomando a frente do palco principal da Feira Nacional da Reforma Agrária. A intervenção serviu para lançar um manifesto contra a criminalização dos movimentos sociais e contra a violência no campo, que foi lindo pelo cantor Tico Santa Cruz na noite desta última sexta-feira (5). (mais…)

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Feridos e hospitalizados chegam a 22 depois de ataque a indígenas Gamela no Maranhão

Por Renato Santana, de Viana, Maranhão, no Cimi

Apuração realizada durante esta semana revelou que o número de feridos entre o povo Gamela, atacado no último dia 30 em uma área retomada no Povoado das Baías, município de Viana (MA), é ainda maior: 17 Gamela sofreram algum tipo de ferimento – entre estes indígenas, duas crianças e um pré-adolescente. Somados aos cinco baleados, chega a 22. O dado anterior a esta verificação dava conta de 13, sem os cinco Gamela feridos a tiros – três seguem internados no Hospital Central, em São Luís. (mais…)

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Mais uma liderança rural é assassinada no Pará

A vítima dessa vez foi Kátia Martins, presidente da Associação dos Trabalhadores (as) do assentamento 1º de Janeiro, em Castanhal, nordeste paraense

Por Fátima Gonçalves, da CPT

A trabalhadora e líder rural Kátia Martins, 43 anos, foi assassinada com cinco tiros numa embosca ocorrida na noite desta quinta-feira (4) em sua própria casa, localizada no assentamento “1º de Janeiro”, quase na divisa dos municípios de Castanhal e São Domingos do Capim, no nordeste paraense, a 130 quilômetros de Belém. (mais…)

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CIR: “Ao povo indígena Gamela”

“Enquanto houver persistência, haverá resistência – Vivo até o último índio”

 O Conselho Indígena de Roraima (CIR), organização indígena criada para defender os direitos e interesses dos povos indígenas de Roraima acompanhando durante esses dias o sofrimento e o covarde ataque cometido contra o povo Gamela, no domingo (30), durante uma retomada no território tradicional em Povoado das Bahias, no município de Viana, Maranhão (MA), presta APOIO à luta e a resistência desse povo que de forma cruel, foi atacado por pistoleiros, fazendeiros, políticos, latifundiários e por pessoas sem o menor senso de respeito e humanidade. A esse ataque, também REPUDIAMOS pedindo que a justiça seja feita e os direitos territoriais desse povo sejam respeitados, conforme garantido na Constituição Federal Brasileira de 1988, a única que ainda nos cabe recorrer e assegurar os nossos direitos territoriais originários.    (mais…)

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Nota de entidades, pastorais, movimentos sociais e lideranças da sociedade civil em apoio ao Povo Gamela

Nós, entidades, pastorais, movimentos sociais, articulações e lideranças da sociedade civil, apoiadores do povo indígena Akroá Gamela, manifestamos nossa indignação e repúdio ao golpe violento contra sua autonomia desferido na tarde do dia 30 de abril de 2017, durante mais uma retomada de seu território tradicional. Comandado por fazendeiros, um deputado federal e religiosos fascistas, um grupo armado, que incluía jagunços, desferiu golpes com armas de fogo, armas brancas, paus e pedras contra os indígenas, produzindo feridos em estado grave, cinco deles baleados. (mais…)

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Presidente da Comissão de DDHH da OAB MA sobre ataque aos Gamela: “É um método utilizado na Baixada para cortar e amputar animais que invadem roças”

“… o mesmo método de esquartejamento tentado com relação ao Sr. José de Ribamar, que teve a mão direita decepada, com cortes também por cima, e dois cortes de facão logo abaixo dos joelhos da perna direta e esquerda. Isso não é uma coincidência. Isso é um método muito bem lembrado pela Sociedade Maranhense de Direitos Humanos. É um método utilizado na Baixada para cortar e amputar animais que invadem roças”.

Tania Pacheco

A denúncia acima, do Presidente da Comissão de Direitos Humanos da OAB Maranhão, Rafael Silva, é um dos destaques do vídeo-reportagem de Ana Mendes para o Cimi, sobre o ataque contra os Gamela, no último domingo, 30 de abril. A fala é curta, mas revela de forma brutal o grau de desumanização atingido por alguns seres da nossa sociedade e demarca, por si só, a importância do trabalho.  (mais…)

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