Heroínas desta história. Por Maria Rita Kehl

Prefácio do livro homônimo, relatos de mulheres em busca de justiça por familiares mortos pela ditadura

No A Terra é Redonda

A dinâmica da vida social exige que as práticas de linguagem se renovem continuamente. Novas invenções, novos estilos artísticos, novas práticas sociais exigem novas nomeações. Algumas nascem como gírias e se incorporam ao repertório cotidiano. Outras nascem eruditas, mas o povo se apropria delas e exige que saiam do panteão. No entanto, alguns fenômenos existentes no mundo são impronunciáveis. Talvez pelo horror que evocam, permanecem num estado de exceção em que não podem ser nomeados.

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Sábados Resistentes: “Direito ao Luto, à Memória e à Verdade: ontem e hoje”

Retomando a programação dos Sábados Resistentes deste ano, interrompida desde o mês de março devido à crise ocasionada pelo Coronavírus no país, o Memorial da Resistência, instituição da Secretaria da Cultura e Economia Criativa do Estado de São Paulo e o Núcleo de Preservação da Memória Política retomarão esta atividade mensalmente, a partir deste mês de julho, em formato virtual. Os Sábados Resistentes é um projeto desenvolvido em parceria pelo Núcleo Memória e o Memorial da Resistência desde 2008.

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Os Subterrâneos da Psiquiatria em Sergipe

por Antonio Samarone, em seu Blog

Em meados da década de 1970, a Atalaia Nova, na Barra dos Coqueiros, era uma Arembepe de Província, frequentada por hippies, comunistas, artistas, bichos grilos, maconheiros e desocupados. Era a nossa Praia. Sem contar que o aluguel era barato.

Circulava entre os moradores uma lenda, de que antes do golpe de 1964, morou na Ilha, num barraco isolado, um mulher desconhecida, altiva, bem falante, feminista, poeta, jornalista e escritora. Era vista diariamente na tó-tó-tó, indo e vindo de Aracaju. Se falava que era até comunista.

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Ditaduras, memória e história. Por Henri Acselrad

No Brasil de hoje, o exercício da memória mostra que por mais que se conquistem liberdades, elas nunca estarão conquistadas o bastante

A Terra é Redonda

O retorno à cena pública brasileira de ideias autoritárias e social-darwinistas nos remete a uma antiga discussão sobre as relações entre memória e História: a memória, por um lado, originada em fontes orais; a historiografia, por outro, tendo por base documentos escritos analisados por quem não necessariamente vivenciou a experiência histórica. Aos poucos, firmou-se a ideia de que história e memória se conectam e se complementam. Poderíamos acrescentar que quando, com medo do julgamento da História, os agentes de práticas violentas exercidas em regimes autoritários ocultam e destroem documentos, como foi o caso dos criminosos nazistas na Europa e dos torturadores e promotores do regime de exceção no Brasil, a memória é mais do que um complemento – ela torna-se um instrumento essencial para a própria História. O testemunho dos que viveram este passado é indispensável para se restituir o que ocorreu de modo que historiadores possam, por sua vez, procurar explicar analiticamente por que isto ocorreu.

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As políticas da desigualdade racial no Brasil: uma república erguida com cotas para os brancos

Nunca houve nada de propositivo na história da República brasileira visando a melhoria das condições de vida da população negra. Muito pelo contrário, o que se constata é a construção ativa de inúmeras políticas afirmativas para brancos, com cotas para imigração, trabalho, terras e crédito.

Por Leonardo Fabri, no Blog da Boitempo

No debate público acerca das relações étnico-raciais no Brasil, especialmente no que tange à assimetria existente entre brancos e negros na sociedade, é muito recorrente a ideia de que os quase quatro séculos de escravidão negra seriam o fator nevrálgico para o “estado da arte” da atual desigualdade racial brasileira. No entanto, essa formulação ignora as inúmeras políticas públicas postas em ação, antes e depois da abolição de 1888, responsáveis pela consolidação de nossa demografia racial e a materialidade do racismo. Sem contar a eficácia de “jogar” para um passado longínquo as causas e os proponentes dessa desigualdade, interditando ações concretas para a superação dessa realidade.

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Tebas, o negro escravizado que marcou a arquitetura de São Paulo

O trabalho de Joaquim Pinto de Oliveira chegou a ser apagado das páginas da história, mas ainda resiste ao tempo no centro da capital paulista

Por Regiane Oliveira, El País Brasil

Joaquim Pinto de Oliveira (1721-1811), mais conhecido como Tebas, foi um homem escravizado cuja contribuição para a arquitetura São Paulo passou por um processo de apagamento. Até pouco tempo, sua própria identidade era considerada uma lenda. Não há dúvida, no entanto, sobre a importância de seu trabalho, que resiste ao tempo no centro da capital paulista nas fachadas da Igreja da Ordem 3ª do Carmo e da Igreja das Chagas do Seráfico Pai São Francisco.

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Canudos: Instituto preserva memória de uma história brasileira de resistência

Entidade guarda acervo histórico e reconta uma luta que continua atual

Danielle da Gama, Brasil de Fato 

No último dia 13 comemorou-se 127 anos da fundação do arraial de Canudos. Em 1893, às margens do rio Vaza-Barris, no norte da Bahia, iniciou-se a construção da vila que se tornaria um dos mais importantes focos de resistência popular contra a opressão do Estado e dos coronéis. Nomeada mais tarde pelo seu líder, Antônio Conselheiro, como Arraial de Belo Monte, ela foi destruída pelas forças do governo em 1897, tendo sua história, por muito tempo, sido contada pelas mesmas elites que produziram o massacre.

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Fundação Palmares censura biografias de lideranças negras históricas em seu site

Funcionários contam que extração do conteúdo foi ordenada pelo presidente da instituição, Sérgio Camargo

por Gustavo Fioratti, Nataly Simões e Pedro Borges , em Alma Preta*

Biografias de personalidades negras importantes da história do país vêm sendo censuradas de forma sistemática no site da Fundação Palmares, instituição federal que tem como objetivo zelar por essa memória.

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Juiz rejeita denúncia contra seis por morte de Herzog nos porões da ditadura

Paulo Roberto Netto, no UOL

O juiz federal Alessandro Diaferia, da 1ª Vara Criminal Federal de São Paulo, rejeitou denúncia apresentada pelo Ministério Público Federal contra seis pessoas acusadas de participar da morte e falsificação de laudo médico do jornalista Vladimir Herzog. O caso ocorreu em 1975 na sede Doi-Codi em São Paulo durante a ditadura militar.

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