“Não são as Forças Armadas, estúpido”

Sete medidas certeiras que o Brasil poderia adotar para defender a Amazônia, se o governo não fizesse apenas teatro. E uma questão intrincada: como enfrentar, além de um presidente primitivo, o projeto que se esconde por trás dele?

Por Antonio Martins, em Outras Palavras

Mais uma vez, os militares teriam contido o delírio do governo Bolsonaro. Na quinta-feira, especula hoje o Valor, em texto bem apurado e verossímil, os ministros Fernando Azevedo e Silva, da Defesa, e Augusto Heleno, do Gabinete de Segurança Institucional, interromperam o surto que levava o Palácio do Planalto a negar o forte aumento das queimadas na Amazônia. Uma reunião ministerial de emergência definiu que era preciso mudar o discurso, para salvar as aparências. Vinte e quatro horas depois, o ex-capitão reconhecia, em rede nacional de TV, que o problema é real. Contudo, anunciava resposta controversa: em vez de medidas estruturais em defesa da floresta, nova ampliação dos atributos das Forças Armadas, em operação aparatosa de “garantia da lei e da ordem” (GLO).

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A emergência climática é a questão política central da nossa época. Entrevista especial com Michael Löwy

Por: Patricia Fachin, em IHU On-Line

A  emergência climática “já é, e vai se tornar ainda mais nos próximos anos, a questão política central de nossa época”, diz o sociólogo Michael Löwy  à  IHU On-Line. Defensor do ecossocialismo, um “modelo de civilização baseado na justiça social, na igualdade, na democracia, na solidariedade e no respeito por nossa Casa Comum”, ele explica por que a catástrofe ambiental ainda não está no centro das políticas das esquerdas. “Durante muito tempo, em particular no decorrer do século XX, a esquerda apostava no ‘desenvolvimento das forças produtivas’, no produtivismo e no consumismo, considerando a questão ecológica como um detalhe, ou um assunto ‘pequeno-burguês’”. Segundo ele, “na medida em que, no século XXI, o debate climático se torna decisivo, há uma evolução positiva, ainda que parcial e desigual” desta preocupação entre os partidos progressistas.

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Semana do Clima da ONU começa em Salvador após vaivém de ministro do Meio Ambiente

O evento é realizado até sexta-feira e busca impulsionar a resposta da América Latina e Caribe às mudanças climáticas

Katarine Flor, Brasil de Fato

Com a proposta de discutir a atual emergência climática, começou nesta segunda-feira (19) a Semana do Clima da América Latina e Caribe. Os debates são realizados em Salvador, na Bahia, e seguem até sexta-feira (23). 

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Greve Mundial pelo Clima: agora também no Brasil

Em São Paulo, grupos organizam ato e lançam manifesto. Na preparação, ciclo de cinedebates sobre grandes temas socioambientais brasileiros. Ataque de Bolsonaro contra indígenas, Amazônia e agroecologia pode ter resposta à altura

Outras Palavras

Os protestos socioambientais, que fizeram parte da paisagem política brasileira nas marchas contra a Usina de Belo Monte e na defesa dos territórios indígenas, podem povoar de novo as ruas em breve. Em São Paulo, uma Coalizão pelo Clima — formada por ativistas de diversas origens — decidiu somar-se à Greve Global pelo Planeta, convocada em dezenas de países para a semana entre 20 e 27 de setembro. Haverá manifestação na Avenida Paulista, em 20/9. O ato está sendo organizado em encontros abertos, o próximo dos quais marcado para 17/8. Um manifesto de convocação está pronto, e publicado ao final deste texto.

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Desmatamento dispara no Xingu, um dos principais ‘escudos’ da Amazônia

O desmatamento em unidades de conservação na bacia do rio Xingu, nos Estados do Pará e Mato Grosso, cresceu 44,7% em maio e junho de 2019 em comparação com o mesmo período do ano anterior, reforçando a tendência de alta no desflorestamento da Amazônia e ampliando as pressões sobre um dos principais corredores ecológicos do bioma.

por João Fellet, em BBC News Brasil

Os dados são do Sirad X, boletim publicado a cada dois meses pela Rede Xingu+, que agrega 24 organizações ambientalistas e indígenas. Além de compilar imagens de satélite, o sistema usa radares que permitem detectar o desmatamento mesmo em períodos chuvosos do ano.

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Emergência climática pode ser mais letal à Floresta Amazônica do que desmatamento. Entrevista especial com Vitor Gomes

IHU On-Line

Vitor Gomes faz questão de dizer que é um amazônida e, como ser da floresta, sente diretamente os impactos da degradação ambiental. “Isso despertou meu interesse em utilizar minhas habilidades em tecnologia para desenvolver modelos que pudessem mostrar alguns destes impactos”, revela. Foi por isso que partiu da área da informática para as Ciências Ambientais e acabou coordenando estudos que revelam que há algo ainda pior para a Floresta Amazônica do que o desmatamento: a crise climática. “A conclusão surgiu com base nos resultados sobre a perda de área de distribuição das espécies. As perdas provocadas pelas mudanças climáticas podem ser maiores, pois o clima muda ao longo de toda a região, enquanto o desmatamento se concentra em algumas regiões”, observa, na entrevista concedida por e-mail à IHU On-Line.

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Los humanos de mente plana. Por Eliane Brum

El rechazo a la ciencia y la ascensión de los nacionalismos autoritarios están conectados

El País

Los Gobiernos autoritarios de países como Brasil y Estados Unidos han mostrado que puede ser imposible impedir las catástrofes resultantes del calentamiento global. No estamos enfrentando solo una crisis climática. También una profunda negación de todo lo externo. Desde que la verdad se desconectó de los hechos y se convirtió en una elección personal, el mundo de fuera ha dejado de existir para cada vez más gente.

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Advogado da CPT participa de atividades na Europa e fala sobre a responsabilidade do continente na preservação da Amazônia

A convite da CAFOD, entidade parceira da CPT, José Batista Afonso, advogado da Pastoral em Marabá, no Pará, participou durante o mês de junho e julho, de atividades na Europa com parlamentares, estudantes e igrejas, em que denunciou os crimes cometidos contra os povos do campo, o desmatamento da Amazônia e a importância do bioma para as questões climáticas mundiais.

CPT

Durante reunião com parlamentares europeus em Hove, na Inglaterra, dentro da programação da “The Time is Now”, José Batista se encontrou com alunos da Cardinal Newman Catholic School, que queriam saber o que poderiam fazer para contribuir com a Amazônia. Batista, que também falou sobre como os direitos das comunidades na Amazônia são desrespeitados pelo agronegócio, pela mineração e pela destruição ambiental da Amazônia, destacou que: “precisamos que os jovens nos ajudem nessa luta. Como estudantes, encorajo vocês a estudar quais são as ameaças para a Amazônia. É importante que vocês entendam a Amazônia e seu papel na regulação do clima no mundo, incluindo a manutenção do suprimento de oxigênio, água doce e precipitação para este planeta. Precisamos agir agora para proteger a Amazônia e as pessoas e comunidades que a defendem para todos nós”.

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Aquecimento e desmate podem cortar Amazônia pela metade em 2050

Novo estudo sugere que efeitos combinados reduziriam a riqueza de espécies em até 58% e criariam “duas Amazônias”, com porção fragmentada ao sul

Observatório do Clima

A combinação entre desmatamento e mudança climática pode reconfigurar radicalmente o mapa da Amazônia em 2050. Um estudo publicado nesta segunda-feira (24) por pesquisadores do Brasil e da Holanda indica que esses dois fatores podem cortar a maior floresta tropical do mundo ao meio, com uma imensa porção a sudeste reduzida a fragmentos. A riqueza total de espécies de árvore pode cair em 58%, com quase metade delas sob algum grau de ameaça de extinção.

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A potência da primeira geração sem esperança. Por Eliane Brum

Os adolescentes que lideram a greve climática encarnam a mais importante adaptação ao planeta em colapso e demonstram ser mais próximos dos povos da floresta do que de seus avós de tradição europeia

El País

Em maio, encerrei uma palestra sobre a Amazônia e a criação de futuro, na universidade de Harvard, nos Estados Unidos, afirmando que a esperança, assim como o desespero, é um luxo que não temos. Com um planeta superaquecendo, não há tempo para lamentações e para melancolias. Precisamos nos mover, mesmo sem esperança. Assim que terminei, um grande empresário brasileiro fez uma manifestação apaixonada em defesa da esperança e foi aplaudido entusiasticamente por parte da plateia. A esperança, e não a destruição acelerada da Amazônia ou a emergência climática global, foi o assunto do debate que veio a seguir. Alguns entenderam que eu era uma espécie de inimiga da esperança e, portanto, uma inimiga do futuro (deles). A reação é reveladora de um momento em que a novíssima geração, a das crianças e adolescentes, tem enfiado o dedo na cara dos adultos e mandado eles crescerem.

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