Que COP30 foi essa? Entre as mudanças climáticas e a gestão da barbárie

por Sérgio Botton Barcellos e Gladson Paulo Milhomens Fonseca 

A 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima, a COP30, realizada em Belém entre os dias 10 a 21 de novembro, foi como um evento de dupla face. De um lado, é anunciada como o epicentro das negociações mais relevantes para o futuro do planeta e da humanidade. De outro, transforma-se em um vasto balcão de negócios no espectro do sistema capitalista e no que se denomina como Greenwashing. Essa ambiguidade não é apenas circunstancial. Ela faz parte do próprio funcionamento político e simbólico da conferência, que combina zonas diplomáticas, espaços corporativos e arenas da sociedade civil em uma arquitetura que, cada vez mais, se torna terreno fértil para o avanço preponderante de interesses privados. (mais…)

Ler Mais

COP30: Nem mapa, nem caminho

“Cúpula das Florestas” seguiu o script das negociações anteriores: lobby do petróleo prevaleceu. Caminhos para o combate ao desmatamento e transição energética continuam vagos. Avanços foram pontuais e sequer são “prêmios de consolação” diante da urgência climática

Por Liszt Vieira, em Outras Palavras

O modelo das Conferências Internacionais da ONU sobre Clima, chamadas COPs, parece ter se esgotado. As Declarações Finais com as decisões são aprovadas necessariamente por consenso. E os países produtores de petróleo, gás e carvão jamais concordariam com a crítica aos combustíveis fósseis, apesar das gravíssimas denúncias dos cientistas de que estamos ultrapassando a meta de 1,5º C fixada no Acordo de Paris. (mais…)

Ler Mais

‘Sempre foi com luta’: na COP30, indígenas resistem pelo clima e por nós

É impossível narrar a 1ª COP na Amazônia sem falar dos povos indígenas. Contamos essa história aqui.

Por Isabel Seta | Edição: Bruno Fonseca, em Agência Pública

Em poucos minutos, o auditório de um dos prédios do Tribunal de Justiça do Pará foi tomado pelas cores dos cocares de penas e pelo som dos cantos marcados por maracás. Dez caciques e cacicas se sentaram logo na primeira fileira para falar com as autoridades do Governo Federal e da Presidência da 30ª Conferência sobre Mudanças Climáticas da ONU, a COP30, enfileirados no palco. No restante da plateia, mais de 40 indígenas de 14 povos do Baixo Tapajós também tomaram seus lugares. (mais…)

Ler Mais

COP30 acaba sem mapa para fim de fósseis, avança em adaptação, transição justa e indígenas

Tema mais crítico para combate à crise climática travou negociações, e presidência brasileira propõe saída alternativa

Por Giovana Girardi, Isabel Seta | Edição: Bruno Fonseca, em Agência Pública

A 30ª Conferência do Clima da ONU, a COP30, em Belém, terminou neste sábado, 22 de novembro, com um pacote de decisões sobre temas importantes para a luta contra a crise climática, como objetivos de adaptação e um mecanismo para transição justa, além de avanços inéditos para povos indígenas e afrodescendentes. No entanto, a conferência acabou sem conseguir trazer respostas imediatas para o tema que mais travou os debates nos últimos dias: a ideia de um mapa do caminho que pudesse nos conduzir para longe dos combustíveis fósseis. (mais…)

Ler Mais

Repercussão da COP30 oscila entre frustração e ‘avanço possível’

Mesmo com participação indígena inédita, a COP30 aprovou um texto que evita citar combustíveis fósseis, recua no Mapa do Caminho e limita avanços a um mandato para discutir transição justa

Por Nicoly Ambrosio e Giovanny Vera, da

Belém (PA)   Marcada pela presença massiva e sem precedentes de representantes dos movimentos sociais e ambientais, sobretudo de povos indígenas e comunidades tradicionais, mas vista com preocupação por lideranças, observadores e especialistas ouvidos pela Amazônia Real, a conclusão da COP30 neste sábado (22) impôs uma grande frustração, apesar do reconhecimento de alguns avanços na agenda geral do evento. A plenária final aprovou um documento que convoca cooperação global, mas evita nomear o principal motor do aquecimento climático: petróleo, carvão e gás. Ao suprimir toda menção explícita ao tema e afastar termos como eliminação gradual, a conferência amarga o que muitos classificam como seu maior revés político, inclusive para a diplomacia brasileira. (mais…)

Ler Mais

Decisão final da COP30 ignora fim dos combustíveis fósseis

Diplomacia brasileira sai derrotada da Conferência das Partes, realizada em Belém do Pará, não só com a omissão sobre a eliminação dos combustíveis fósseis, mas também porque países ricos não se comprometeram com mais recursos para proteção ambiental

Por Eduardo Nunomura, da Amazônia Real

A COP30 decidiu convocar o mundo para a união, mas calou-se sobre a causa central da crise climática diante da recusa de nações produtoras de petróleo, como Arábia Saudade e Rússia, em aceitar a transição energética: a queima de petróleo, gás e carvão. No que pode ser considerada a maior derrota política da cúpula de Belém, e da diplomacia brasileira, a plenária dos países eliminou por completo expressões “combustíveis fósseis” ou “eliminação gradual” (“phase-out”, em inglês) do texto final aprovado neste sábado (22). O documento opta por eufemismos, falando em “reduções profundas, rápidas e sustentadas das emissões” e reconhecendo que a transição para o desenvolvimento de baixo carbono é “irreversível”. Mas ignora o “Mapa do Caminho”, como defendeu o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e que contava com o apoio de pelo menos 80 países. (mais…)

Ler Mais

COP30: presidente do Cimi critica priorização do lucro sobre a proteção do planeta

Crítica de Dom Leonardo Steiner converge com o ato Munduruku na COP30 contra obras e decretos federais, expondo o abismo entre o discurso climático e a devastação em curso

Durante o Simpósio Internacional – Igreja Católica na COP30, o arcebispo de Manaus e presidente do Cimi, cardeal Leonardo Steiner, fez uma crítica ao espaço global de negociações climáticas. Segundo ele, mesmo na COP — onde se deveria reafirmar o compromisso com a justiça climática — o horizonte que prevalece nas decisões internacionais não é o meio ambiente, mas a lógica do lucro, responsável pela devastação da casa comum e pela violação dos direitos dos povos indígenas. (mais…)

Ler Mais