A agitação reacionária e os desafios de uma Frente Democrática. Por Christian Lynch

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A eleição de Lula em 2022 se processou em um momento crítico da democracia brasileira, que teria desaparecido debaixo do eventual segundo mandato do populismo reacionário de Jair Bolsonaro. Por isso mesmo, recorreu à formação de uma frente ampla que contou com a apoio de antigos adversários, formada desde a esquerda até segmentos da centro-direita, unidos pelo reconhecimento da ameaça comum.

Ainda assim, sua vitória foi contestada pelos derrotados, que tentaram dois golpes de Estado – o primeiro, gorado ainda em ovo, para ficar no poder; o segundo, tentado, para a ele retornar. Mas a derrota de Jair Bolsonaro, seguida da perda de seus direitos políticos, não pôs um paradeiro em um populismo extremista, que luta por obstruir a ação da Justiça que pode condená-lo à pena de prisão e mantê-lo politicamente vivo. (mais…)

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A ameaça -ainda- sem nome. Por Ruy Castro

Na ABL

Nos anos 1930, o mundo tremia ao ouvir falar do Comintern, a Internacional Comunista. Hoje, sem nome, há uma Internacional da Extrema Direita, e o mundo ainda não se tocou. Ela já detém o governo na Itália, Polônia, Hungria e Holanda. Integra ou apoia o governo na Finlândia, Suécia e Grécia. Cresce a galope na França. Chegou perto nas eleições em Portugal e Espanha. Pândega ou trágica, venceu na Argentina. Promove o terror na Alemanha, no Canadá e na Nova Zelândia. E os EUA podem ter Trump de volta.

No Brasil, Bolsonaro tem processos e acusações suficientes para enjaulá-lo por 500 anos. Isso ainda não aconteceu porque a Justiça tem de seguir o seu curso “normal” —embora se trate de um anormal que, vitorioso na eleição ou no golpe, implantaria uma ditadura que nos faria sentir saudade dos militares. Daí, Bolsonaro continua à solta, arrotando ameaças e pautando a imprensa. (mais…)

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“Quem nega o etnocídio em Gaza é um covarde, o sionismo tornou-se nacionalismo furioso”. Entrevista com Moni Ovadia

No IHU

Moni Ovadia é muitas coisas. Ator, cantor, músico, escritor. Acima de tudo, é um espírito livre, uma consciência crítica que sabe ir contra a corrente, contra o pensamento único veiculado pela comunicação dominante. Sobre Israel, por exemplo. Contra o sionismo. “Como judeu, digo: o que está sendo cometido contra o povo palestino é um etnocídio”.

A entrevista é de Umberto de Giovannangeli, publicada por l’Unità, 02-04-2024. A tradução é de Luisa Rabolini.

Salomone ‘Moni’ Ovadia é um ator, músico, cantor e autor teatral italiano nascido na Bulgária. Suas apresentações teatrais lembram o mundo perdido da cultura judaica oriental, seu núcleo iídiche, com seu profundo “fardo de dor, sabedoria e loucura”, como era antes das devastações do Holocausto cancelá-lo e assassinar quase metade dos falantes mundiais de iídiche (1). (mais…)

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Um evento incomparável? A questão da singularidade do Holocausto e a assimilação do passado. Por Karl Schurster*

Há décadas o debate sobre a singularidade do Holocausto mobiliza historiadores e historiadoras. Mas uma questão derivada desse debate tem passado despercebida de muita gente: a instrumentalização política do passado.

No Café História

Faz tempo que o debate sobre a natureza do Holocausto tira o sono de muitos pesquisadores e pesquisadoras de diversas áreas, do direito à ciência política, passando pela história: teria sido o assassinato em massa de judeus pelos nazistas um evento único e singular na história? Ou teria sido ele um evento comparável e até recorrente na história, uma espécie de lugar-comum que nos ajudaria a compreender outros genocídios? (mais…)

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Milly Lacombe: Então você acha que pode distinguir paraíso de inferno?

Colunista do UOL

Começa com esse verso a canção “Wish you were here” (“Gostaria que você estivesse aqui”), do Pink Floyd: So you think you can tell heaven from hell?

Você é capaz de distinguir céu azul de dor? Um sorriso de um véu? Fizeram você trocar seus heróis por fantasmas? Fumaça por árvore? Ar quente por uma brisa?

Esses versos estão na música composta na metade dos anos 70. A letra fala da falta de capacidade de perceber a realidade ao nosso redor e aponta para as trocas que somos encorajados a fazer na vida. Fala de entorpecimento, de fuga, de quebras, de rompimento. (mais…)

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Um judeu escreve sobre sionismo, judaísmo, racismo e barbárie. Por Ariel Feldman

As discussões em torno do conflito israelo-palestiniano estão repletas de falácias. É preciso desarmar as extorsões argumentativas e pensar na substância do conflito

No Esquerda.net

Nasci em Israel há 44 anos, sou judeu e vivo na Argentina há mais de três décadas. Desde então, visitei várias vezes o Estado de Israel, caminhei por cidades e aldeias árabes, conversei com os chamados árabes israelitas (palestinianos que permaneceram dentro das fronteiras israelitas após a guerra que se seguiu à auto-proclamação do Estado de Israel em 1948), cruzei os check points e percorri os territórios ocupados. Em particular, caminhei mais de uma vez por Hebron – uma das cidades palestinianas com uma forte presença militar e de colonos israelitas – e conversei com famílias e jovens palestinianos que aí residem. Não tive a sorte de conhecer Gaza. Para alguém com nacionalidade israelita, tem sido praticamente impossível fazê-lo desde há 16 anos. (mais…)

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A filosofia precisa se pronunciar acerca do terror. Por Georgia Amitrano

Enquanto as questões conceituais se mantiverem como mero aparato de justificativa de horrores, a própria Filosofia continuará a servir para tudo, inclusive transformar assassinos em juízes

No Le Monde Diplomatique Brasil

Impossível não se sensibilizar com os atos de terror perpetrados nas últimas guerras do século XXI: Ucrânia-Rússia e a, infelizmente recente, Israel-Palestina. Diante das imagens chocantes das últimas semanas, entendo que a Filosofia deva se pronunciar. Conceitos como os de Europa, Ocidente, terror, terrorismo, colonização e o Outro como um Ser sem Ser parecem necessários para esta análise. (mais…)

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