“É preciso que o recurso de 600 reais chegue hoje”. Entrevista especial com Sonia Fleury

Cada favela precisa de um plano emergencial específico, segundo suas especificidades, diz a pesquisadora

Por João Vitor Santos e Patricia Fachin, em IHU On-Line

O coronavoucher de 600 reais para os trabalhadores informais, autônomos e intermitentes, como ficou conhecido o pagamento do auxílio emergencial que será feito pelo governo federal, “pode chegar às pessoas das comunidades, mas para ser operacionalizado, ele requer uma burocracia que pode retardar o recebimento e talvez seja tarde demais”, adverte a cientista política Sonia Fleury. Para ela, a melhor maneira de suprir as necessidades financeiras desses trabalhadores é através de uma renda mínima que possa ser garantida imediatamente. “Um economista liberal disse que deveriam estar jogando dinheiro de helicóptero. É mais ou menos isso; não dá para pensar agora em mecanismos burocráticos, porque as pessoas não têm como prover a renda. Na favela, as pessoas costumam dizer que se vende o almoço para comprar a janta. Se a pessoa não trabalhar, não tem o que comer e isso já está acontecendo”, afirma.

(mais…)

Ler Mais

Governo prepara novo ataque aos trabalhadores

Planalto debate nova MP devastadora: cortes de até 70% nos salários e autorização para afastar todos os funcionários das empresas. Leia também: Correios descontam parte do salário de funcionários que trabalham de casa

Por Maíra Mathias e Raquel Torres, em Outra Saúde

LÁ VEM MAIS UMA

A justificativa é sempre a de preservar os empregos. Primeiro foi a medida provisória 927, que, entre outras coisas, autorizava a suspensão de salários dos trabalhadores celetistas por quatro meses e gerou tanto barulho que, no dia seguinte, veio a MP 928 limando essa possibilidade de suspensão.

(mais…)

Ler Mais

Brasil: a insanidade vai muito além de Bolsonaro

Agora, muitos querem se afastar do capitão. Mas não basta: o que mais enfraquece o país é a política de devastação do Comum e de submissão ao mercado. Comandada por Paulo Guedes, ela ainda é aplaudida pelo poder econômico e mídia

por José Álvaro de Lima Cardoso*, em Outras Palavras

Estudiosos da universidade de Oxford, no Reino Unido, publicaram no dia 15 de março um estudo preliminar comparando as possíveis mortes pelo novo coronavírus no Brasil e na Nigéria. Apesar de ser um estudo preliminar, antecipado em decorrência da importância desse tipo de informação em meio a uma crise sanitária mundial, a projeção é que poderá haver até 478 mil mortes no Brasil. Os cientistas tomaram como referência dois países nos quais o impacto da doença foi bastante diferenciado: Itália, onde o número de mortos é altíssimo e a taxa de letalidade é uma das maiores, e Coreia do Sul, que, apesar de ter um grande número de infectados, tem uma das mais baixas taxas de letalidade (1%).

(mais…)

Ler Mais

Coronavírus: já tínhamos sido avisados

Há seis meses a ONU alertava: um vírus devastador poderia nos levar a uma pandemia. Governantes ignoraram risco iminente. Agora, enfrentarão nova ordem social – e do confinamento pode emergir uma governança solidária e global

Por Juan Luis Cebrián*, no El País España | Tradução de Simone Paz, em Outras Palavras

Em setembro do ano passado, um relatório das Nações Unidas e do Banco Mundial alertava sobre o sério risco de uma pandemia que, além de dizimar vidas humanas, iria destruir a economia e provocar um caos social. O chamado era para nos prepararmos para o pior: uma epidemia planetária, de uma gripe especialmente letal, transmitida por vias respiratórias. Apontava que um germe patogênico desse tipo poderia tanto surgir de forma natural, como ser projetado e criado num laboratório, com o fim de virar uma arma biológica. E fazia um chamado aos EUA e às instituições internacionais para que tomassem medidas para afastar aquilo que já se mostrava, certamente, à espreita.

(mais…)

Ler Mais

Ou desaceleramos ou morremos todos

Na esteira do tráfego aéreo, a pandemia espalhou-se — interrompendo fluxos de produtos e pessoas. Rompeu-se, mesmo à força, o “imperativo da fluidez”, descrito por Milton Santos, revelando: podemos viver sem correr e consumir tanto

por Antonio Gomes de Jesus Neto*, em Outras Palavras

Se há algo inerente à humanidade, é o movimento. Por exemplo, não seria possível pensar o continente africano atual sem as milenares migrações bantu e, na escala mundial, a China se lançou aos mares antes mesmo dos portugueses darem início ao que se chama, romanticamente, de Grandes Navegações. No século XIX, os trens e telégrafos ingleses mudaram a forma (e a velocidade) pela qual o planeta interagia, e daí à aviação comercial, já no século XX, foi um pulo. Assim, entramos no século XXI animados com a possibilidade de circular rapidamente pelo mundo em poucas horas (senão em um clique), mas sem pensar nas possíveis consequências disso.

(mais…)

Ler Mais

Todos viveremos a batalha de Milão

Newsletter do The Intercept Brasil, por Leandro Demori

No dia 27 de fevereiro (que parece século passado), quando a Itália ainda tinha poucos casos confirmados de coronavírus, o prefeito de Milão divulgou em suas redes um vídeo da campanha Milano non si ferma (Milão não para). Em inglês, para atingir sobretudo os turistas que àquela altura já estavam cancelando suas férias na península por causa da epidemia.

Dois dias antes, o prefeito gravara um vídeo garantindo a data de estreia de uma das maiores feiras de móveis do mundo, um evento tradicional na cidade: 16 de junho.

(mais…)

Ler Mais

Alternativas para uma economia pós-coronavírus

Há saídas não-neoliberais: Estado poderia oferecer crédito a cidadãos e empresas, exigindo que mantenham funcionários. Via BNDES, recomprar ações da Petrobras. E elevar a produção de bens e serviços de combate ao covid-19

por Professores do Departamento de Ciências Econômicas da UFRRJ, em Outras Palavras

O governo Bolsonaro, com apoio de Alcolumbre e Maia, ao contrário do que faz todo o mundo, anunciou medidas legais que dão as bases jurídicas para que a economia brasileira aprofunde as tendências recessivas da crise econômico-sanitária. A MP que permite a suspensão de salários no setor privado, pelos próximos meses, somada à PEC emergencial, que prevê a redução dos 25% dos salários dos servidores públicos das três esferas de governo, afetam diretamente aos trabalhadores. Unidas aos obstáculos legais e administrativos para que os mais pobres tenham acesso aos programas sociais e à previdência, se antevê um choque negativo de demanda que vai provocar um desemprego crescente, agravando as restrições de oferta impostas pela estratégia de isolamento social de longa duração para combate ao covid-19.

(mais…)

Ler Mais

Uma fratura na ordem ultraliberal

Em todo mundo, ávidos defensores do mercado, como Macron, na França, agora defendem Estado forte. Até o truculento Trump vai remunerar trabalhadores em quarentena. Já Bolsonaro, na contramão, parece imune ao bom senso…

por Almir Felitte*, em Outras Palavras

Caros compatriotas, precisamos amanhã tirar lições do momento que atravessamos, questionar o modelo de desenvolvimento que nosso mundo escolheu há décadas e que mostra suas falhas à luz do dia, questionar as fraquezas de nossas democracias. O que revela esta pandemia é que a saúde gratuita independentemente de condições de renda, de história pessoal ou profissão, e nosso Estado de Bem-Estar Social não são custos ou encargos, mas bens preciosos, vantagens indispensáveis quando o destino bate à porta. O que esta pandemia revela é que existem bens e serviços que devem ficar fora das leis do mercado. Delegar a outros nossa alimentação, nossa proteção, nossa capacidade de cuidar de nosso modelo de vida é uma loucura. Devemos retomar o controle, construir mais do que já fazemos, uma França, uma Europa soberana que controlem firmemente seu destino nas mãos. As próximas semanas e os próximos meses necessitarão de decisões de ruptura neste sentido. Eu as assumirei”.

(mais…)

Ler Mais

Chomsky: Não podemos deixar o Covid-19 nos levar ao autoritarismo

À medida que a pandemia do Covid-19 revira a ordem política e econômica global, dois futuros muito diferentes parecem possíveis. Em um extremo do espectro, enfrentamos a ameaça de uma recaída no autoritarismo. No outro extremo, temos a possibilidade de aprender com esse desastre (outra colossal falha de mercado aprimorada por um ataque neoliberal e agora pela bola de demolição de Trump): a crise atual oferece um poderoso argumento em favor da assistência universal à saúde e de reavaliarmos os problemas mais profundos de nossas sociedades

Por Noam Chomsky, no blog da Boitempo

Enquanto a pandemia do Covid-19 revira a ordem política e econômica global, dois futuros muito diferentes parecem possíveis. Em um extremo do espectro, as sociedades que enfrentam o tributo imposto pelo vírus podem entrar em colapso no autoritarismo. Mas no outro extremo do espectro, temos a possibilidade de aprender as lições com esse desastre – outra colossal falha de mercado aprimorada por um ataque neoliberal e agora pela bola de demolição de Trump.

(mais…)

Ler Mais

Renda Cidadã, para uma quarentena segura

Sem meios para sobreviver, muitos precisarão romper distanciamento. Mas um conjunto de medidas – para assalariados, precários e pequenas empresas – pode garantir dignidade e Saúde para todos

Por Célio Turino, em Outras Palavras

Em meio à pandemia que se espalha pelo mundo, fundamentos econômicos, que antes se faziam passar por sólidos e racionais, se desmancham na mesma velocidade que o vírus. Caso o Brasil não adote medidas imediatas e eficazes, para além das medidas sanitárias, viveremos uma catástrofe humanitária jamais imaginada. Não há tempo para vacilação e as Instituições políticas precisam agir com objetividade, ética e compromisso com a vida.

(mais…)

Ler Mais