Para entender a crise da democracia, é preciso compreender o senso comum do cidadão médio. Entrevista especial com Henrique Abel

“O maior problema … neste senso comum da classe média … é quando passamos a identificar como “privilegiado” o professor da rede pública, o marginalizado que recebe um benefício social de valor irrisório, o indígena que pede providências ao poder público em nome do respeito às suas terras e cultura, o sem-teto que suplica por moradia, o refugiado que chega a um novo país fugindo da fome, da miséria, de desastres naturais ou de perseguição política etc. Cria-se um círculo vicioso de equívocos e preconceitos por meio do qual … a classe média acaba paradoxalmente por se juntar aos privilegiados em uma luta contra aqueles que vêm a ser justamente os menos favorecidos dentro da ordem social e econômica vigente”. 

por Vitor Necchi, em IHU On-Line (mais…)

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Economia: atenção ao voo das galinhas

Políticas de Bolsonaro e Guedes serão impotentes para tirar país do atoleiro. Mas pode haver soluços de crescimento, provocados pelo entusiasmo do grande poder econômico

Por Paulo Kliass, em Outras Palavras

Há economistas que adoram fazer previsões. A grande imprensa se esmera em estampar as tentativas dos mais ousados, que chegam mesmo a calcular no detalhe da “casa-depois-da vírgula” variáveis bastante complicadas em sua determinação, tais como os índices de inflação, o nível da taxa de juros e o crescimento do PIB. Há outros, um pouco menos afoitos, que preferimos trabalhar mais com análises da dinâmica da economia e tentar apontar cenários possíveis para o futuro próximo. (mais…)

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Neoliberalismo, distopias e Bolsonaro

Lógicas neoliberais. Despolitização e valores individualistas. Perseguição judicial e erros do PT. Combinados, estes ingredientes produziram a tempestade perfeita e o desastre

Por Leda Paulani, em Outras Palavras

A eleição de Jair Bolsonaro para a presidência da república do Brasil deixa o mundo estarrecido. Seu estilo autoritário e agressivo, sua apologia à tortura, suas continuadas ofensas a determinados grupos ao longo de seus quase 30 anos de vida parlamentar (mulheres, negros, LGBTQs) e seu desprezo aos princípios democráticos são tão impressionantes que mesmo para um nome de destaque mundial da extrema-direita, como a francesa Marie Le Pen, ele causa repulsa: “suas declarações são inaceitáveis”, ela diz. Não por acaso, só Trump parece relevar tudo isso e louva, pelo Twitter, a conversa alvissareira que teve, em 30 de outubro, com o presidente eleito. (mais…)

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Por que é preciso extinguir a política

Sem repressão social, sem calar a oposição e, no limite, sem alguma forma de fascismo, tornou-se impossível implementar o programa neoliberal. Mas este será nosso destino inevitável?

Por Daniel Revah*, em Outras Palavras

Faltando menos de uma semana para a realização do primeiro turno das eleições e logo após as massivas manifestações de rua convocadas por coletivos de mulheres contra Bolsonaro, fomos surpreendidos pelo que parecia um contrassenso: Bolsonaro havia subido nas pesquisas e não era pouco. Diversas explicações logo apareceram, como o apoio dos evangélicos e a forte reação conservadora diante da magnitude das manifestações e da suposta ameaça a valores caros para esses setores. Mas o que mais parece ter incidido nesse crescimento e que igualmente foi aventado como uma explicação possível foi o intenso investimento dos partidários de Bolsonaro nas redes sociais, com a produção e difusão massiva de fake news que teriam sido ilegalmente financiadas por várias empresas, segundo foi denunciado recentemente, junto com o inestimável apoio internacional de grupos que têm amplo domínio da tecnologia com a qual já foram ganhas algumas eleições presidenciais, como a do Trump nos Estados Unidos e a do Macri na Argentina, onde a mão invisível da Cambridge Analytica conseguiu manipular uma infinidade de usuários das redes sociais. Com o whatsapp, sobretudo, a extrema direita conseguiu no Brasil a proeza de virar a eleição a seu favor, com um candidato que dispunha de apenas 8 segundos na TV e que parecia ter reduzidas possibilidades de continuar crescendo, dado o espanto que em muitos provocavam os rompantes fascistas do candidato, registrados em cenas e declarações que já fazia algum tempo vinham circulando nas redes sociais. (mais…)

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Eleições 2018 e a economia. Um cenário nada animador. “O maior desafio é político”. Entrevista especial com Marcelo Manzano

por Patricia Fachin, em IHU On-Line

O resultado do primeiro turno das eleições “não é muito animador” do ponto de vista econômico, avalia Marcelo Manzano à IHU On-Line, na entrevista a seguir concedida por e-mail. Segundo ele, “a onda antissistema que foi capitalizada pelo Bolsonaro carrega consigo uma agenda econômica ultraliberal que não tem nenhuma chance de ter êxito em uma economia com as características da brasileira: sem uma moeda forte (conversível), periférica, dotada de um parque industrial relativamente importante – mas obsoleto – e com uma estrutura produtiva bastante complexa”. De outro lado, “a candidatura do PT, que apresentou em seu Plano de Governo uma agenda econômica bastante ousada e consistente, com uma clara estratégia de retomada da produção, do emprego e da renda, será tentada no segundo turno a ‘ceder os anéis’, o que poderá comprometer parte daquela salutar ousadia que a meu ver garantiria um salto de qualidade na política econômica e o retorno a um ciclo de crescimento econômico mais robusto e prolongado”. (mais…)

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Grito dos Excluídos 2018: relação entre neoliberalismo e genocídio da juventude negra em debate na Baixada

por Fabio Leon, em RioOnWatch

O neoliberalismo talvez seja a faceta mais cruel do capitalismo, pois seus efeitos colaterais na sociedade não se restringem somente aos pormenores econômicos. Sua dimensão é plural, em camadas, atingindo todas as representações sociais e políticas que se encontram à margem. Essa é uma das conclusões do seminário Neoliberalismo e Opressões, que ocorreu na Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), campus Nova Iguaçu, no dia 14 de setembro, como parte da programação do Grito dos Excluídos 2018 – Baixada Fluminense. (mais…)

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Argentina: crise, falsa saída e contágio

Fuga de capitais é grave e reflete desajustes da economia global. Mas governo Macri submete-se aos “remédios” do FMI e ataca direitos sociais, para “proteger” investidores externos

Por Mark Weisbrot*, em entrevista a Greg Wilpert, no Democracy Now | Tradução: Inês Castilho, em Outras Palavras

Nos últimos dias, a crise econômica na Argentina está se tornando cada vez mais séria. Semana passada, o presidente Maurício Macri anunciou um novo aumento nas taxas de juros do país, elevando-as a 60% — as mais altas do mundo. A medida visa deter a fuga de capitais e o declínio da moeda argentina. O peso já caiu mais de 50% desde o começo do ano, e despencou mais uma vez no início da semana. Macri planeja também aumentar os impostos sobre exportação e introduzir medidas de austeridade ainda mais duras do que as já introduzidas este ano. O ministro das Finanças do país, Nicolas Dujovne, descreveu assim seu plano: (mais…)

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A pequena Amelia e o neoliberalismo na saúde do Chile

Como a morte de uma garota de dois anos despertou a consciência popular sobre a perversidade de um sistema em que o lucro está acima da vida

Por Rôney Rodrigues, em Outras Palavras

Uma criança de um ano e nove meses morreu na cidade litorânea de Valparaiso, Chile, vítima de uma cruel enfermidade: falta de assistência médica adequada do Estado. A chilena Camila Jorquera, 24, assistente social, mãe em luto há menos de três semanas e que veio a São Paulo para participar de uma atividade da SeLVIP (Secretaria Latino Americana de Vivenda Popular), abre seu tablet. Ela está acompanhada de seu marido, Maurício Salazar, 30 anos, educador popular e líder comunitário do bairro periférico de Las Cañas, que sofreu, em abril de 2014, o maior incêndio urbano da história do Chile, onde quase três mil casas foram destruídas – matando 15 pessoas e desabrigando outras 12.500. Camila dá play em um vídeo no Youtube. (mais…)

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Do lulismo ao bolsonarismo. Entrevista especial com Rosana Pinheiro-Machado

por Patricia Fachin, em IHU On-Line

O que fez com que “uma grande parcela” da população brasileira e, mais especificamente, de Porto Alegre, passasse de uma adesão ao lulismo para uma identificação com o bolsonarismo? Compreender esse fenômeno tem sido o tema de estudo das pesquisadoras Rosana Pinheiro-Machado e Lúcia Scalco. Essa motivação, explica Rosana, surgiu em “uma roda de conversa” realizada com os estudantes no final de 2016, a qual “demonstrou que muitos jovens achavam as ocupações coisa de vagabundo. A partir destas pistas nas narrativas, não foi difícil encontrar uma rede ampla de pessoas que desde 2016 passaram a se identificar com o bolsonarismo — conceito que, para nós, está muito além da figura do candidato, mas corresponde a uma nova roupagem do discurso conservador (que não é novo, evidentemente, nas classes populares)”. (mais…)

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