O conto de fadas de Paulo Guedes

Desigualdade cresce. “Superministro” insiste na desastrosa fábula de “austericídio” fiscal e da privatização de estatais. Não há “boa vontade” do mercado: recuperar o protagonismo do Estado é crucial para sairmos desse desastre neoliberal

por Paulo Kliass, em Outras Palavras

O governo do capitão vai completar cinco meses de vida na semana que vem. O grau de insatisfação no interior das próprias forças políticas que atuaram para sua vitória no pleito de outubro passado só faz aumentar a cada dia. A frustração que acomete uma parcela significativa de nossa população acaba tendo impactos também no interior do próprio Congresso Nacional. Em nenhum momento de nossa História havia sido registrado um grau de impopularidade tão elevado para uma equipe em início de mandato presidencial.

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O dia em que o governo perdeu as ruas

Menos de seis meses após a posse, centenas de milhares protestam contra Bolsonaro. Atos sugerem caminho para enfrentar ultra-capitalismo e ignorância, mas expõem lacuna: falta saída alternativa

por Antonio Martins, em Outras Palavras

Saiu melhor que a encomenda. Os sinais de que a oposição aos cortes de verbas na Educação e Ciência era potente, visíveis há dias em centenas de assembleias, desaguaram caudalosos nas ruas. Mais de cem mil pessoas no Rio, Recife e em São Paulo. Dezenas de milhares em Salvador, Fortaleza, Belém, Brasília, Belo Horizonte, Florianópolis, São Luís e Porto Alegre. Centenas de cidades com protestos numerosos. Mais uma vez, ficou claro que a hipótese de “onda de apatia” é falsa. A tentativa de submeter o Brasil à tirania dupla do ultracapitalismo e do obscurantismo cultural e comportamental tem brechas e contradições. Elas vão se manifestar com mais frequência, daqui em diante. Quando houver sabedoria política – como nas últimas semanas – irão se traduzir em novas derrotas, e provocar divisões no bloco conservador.

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América Latina: e depois dos “Bolsomacri”?

Fracasso do neoliberalismo restaurado era previsível: suas opções internas e geopolíticas já haviam naufragado nos anos 1990. Mas de pouco servirá o fiasco, se a esquerda não recuperar o debate estrutural sobre os rumos da região

Por José Luís Fiori e Rodrigo Leão, em Outras Palavras

Dois temas ocuparam lugar de destaque na agenda das discussões socioeconômicas neste início do século XXI: o redesenho do mapa geopolítico e a polarização crescente da riqueza e do poder mundial; e a pauperização de grandes massas populacionais, sobretudo na periferia do sistema capitalista. Estes não são problemas novos, pois vêm sendo discutidos há muito tempo, no campo teórico e político. Cabe lembrar que tais problemas se intensificaram no período denominado de globalização.

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Jovens, a complicada equação entre trabalho e crime. Entrevista especial com Daniel Hirata

Por: João Vitor Santos, em IHU On-Line

Emergiu com força, nos últimos meses, a retomada de um vocabulário bélico em que a solução para questões sociais profundas reside na “guerra” como categoria sociológica e como controle de pessoas e territórios. Isso leva a pensar as políticas públicas não a partir de um dado concreto sobre a violência, mas a partir do imaginário da sensação de violência, em que populações menos vulneráveis acabam agenciando as políticas de segurança pública, normalmente defendendo o recrudescimento da violência contra os marginalizados. “Alguém exposto a toda uma série de violências e violações por vezes consegue levar sua vida sem entrar em pânico. Isso porque a sensação de segurança é diferente da segurança”, argumenta Daniel Hirata, em entrevista por e-mail à IHU On-Line.

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#VozesdasMulheres | Políticas neoliberais e o aprofundamento das desigualdades de gênero no Brasil

Em novo artigo para a coluna #VozesDasMulheres do site da CPT Bahia, Maria Aparecida Jesus Silva, mulher negra e agente da CPT, fala sobre a investida ultraneoliberal do novo governo contra os direitos sociais e como isso impactará de forma mais dura sobre as mulheres, em especial as mulheres do campo. Confira:

por Maria Aparecida de Jesus Silva*, em CPT

Embora tenhamos avançado na conquista dos direitos das mulheres em nível global, as desigualdades permanecem extremas e podem ser facilmente enxergadas com a verificação de dados estatísticos, ou simplesmente ao observar a rotina de homens e mulheres, sem a lente do patriarcalismo secular que corrói a sociedade. Desta forma, as políticas neoliberais retrógradas, adotadas nos últimos três anos no Brasil, têm consequências mais graves sobre as mulheres.

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Os bispos do Brasil em sua 57ª Assembleia Geral emitem “Mensagem da CNBB ao povo brasileiro”

No documento, os bispos alertam que a opção por um liberalismo exacerbado e perverso favorece o aumento das desigualdades e a concentração de renda em níveis intoleráveis

CNBB / Cimi

O episcopado brasileiro, reunido em sua 57ª Assembleia Geral, de 1º a 10 de maio, em Aparecida (SP), emitiu hoje a “Mensagem da CNBB ao povo brasileiro”. No documento, os bispos alertam que a opção por um liberalismo exacerbado e perverso, que desidrata o Estado quase ao ponto de eliminá-lo, ignorando as políticas sociais de vital importância para a maioria da população, favorece o aumento das desigualdades e a concentração de renda em níveis intoleráveis, tornando os ricos mais ricos à custa dos pobres cada vez mais pobres.

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Paulo Guedes na corda bamba?

Incapaz de traçar qualquer plano para a economia, ministro crê ser salvo pela “mão invisível do mercado”. Mas setores empresariais já se mostram impacientes. A questão é: manterão, apenas em nome da ideologia, fidelidade amorosa ao ex-capitão?

Por Paulo Kliass, em Outras Palavras

A situação de Paulo Guedes no governo do capitão já não pode mais ser caracterizada com a tranquilidade típica de um céu de brigadeiro – expressão com que os pilotos de aeronaves costumam se referir a um voo sem turbulências pela frente. A força do superministro seria inquestionável, a se levar em conta a forma pela qual ele vinha sendo tratado, até bem pouco tempo atrás, pela maior parte dos grandes meios de comunicação. No dizer dos editorialistas, Bolsonaro e sua turma mais íntima podem até ser meio excêntricos, mas o Guedes é o cara que segura a onda.

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A vinculação das receitas é a garantia de que os recursos do orçamento serão destinados à cobertura de políticas sociais. Entrevista especial com Fabrício Augusto de Oliveira

Por: Patricia Fachin, em IHU On-Line

A vinculação das receitas, mecanismo constitucional que permite dar prioridade a determinadosgastos do orçamento público, é importante “pelo simples fato de considerar a democracia representativa falha”, defende o economista Fabrício Augusto de Oliveira, na entrevista a seguir concedida para a IHU On-Line. Contrário à proposta do ministro Paulo Guedes de desvincular as receitas e despesas do orçamentoOliveira argumenta que na definição do gasto públicopredomina uma “correlação de forças” entre grandes grupos econômicos que elegem parlamentares para defenderem seus interesses e os políticos que representam esses grupos, e, portanto, “é evidente que as decisões finais tanto sobre a cobrança de impostos para o financiamento das atividades do Estado como sobre o destino que será dado a estes recursos extraídos da sociedade como um todo tenderão a favorecer estes setores, lançando-se o grande ônus sobre as camadas da população com menor representação nos aparelhos do Estado”.

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Nem todos os economistas se rendem

Entidade a ser lançada em Brasília sustenta: “pensamento único” será superado. Papel da profissão é pensar caminhos para garantir bem-estar, igualdade e projetos que resgatem país do atraso e dependência

Por Paulo Kliass, em Outras Palavras

Dia sim, outro também, os grandes meios de comunicação oferecem alguma manchete para seus leitores afirmando que “os economistas” pensam isso ou propõem aquilo. Nossos jornalões e as redes de televisão não se cansam de se apoiar na suposta narrativa técnica, neutra e isentona dessa entidade inatingível chamada de “os economistas” para oferecer suporte para medidas de política econômica de inspiração conservadora. Em geral, diga-se de passagem, trata-se de decisões a respeito das quais a maioria do povo nem imagina a natureza e muito menos as consequências.

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“Se caio, hermano, te levo comigo”

Em operação temerária, deflagrada a pedido de Trump, FMI torra US$ 57 bilhões na Argentina, para tentar salvar Macri. Fracasso é provável – e exporá miséria do projeto neoliberal. Por isso, Buenos Aires tira o sono de Bolsonaro

Por Hector R. Torres, em Outras Palavras

Em 1958, a Argentina teve de pedir, pela primeira vez, um empréstimo ao Fundo Monetário Internacional. Nas seis décadas seguintes, o país assinou 22 acordos com o Fundo. A maioria descarrilhou mais tarde, ou terminou em fracasso.

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