‘O texto constitucional está em risco’. Para onde a balança do novo governo vai pender? Entrevista especial com Luiz Werneck Vianna

Por Patricia Facchin, em IHU On-Line

“O caminho pelo qual nós enveredamos ainda é muito misterioso e não se sabe para onde a balança vai pender”, diz o sociólogo Luiz Werneck Vianna à IHU On-Line ao comentar os primeiros movimentos do governo de Jair Bolsonaro. O discurso de posse do presidente, avalia, “foi ameaçador” e indica a intenção de fazer a “roda girar para trás” na questão dos costumes e das mulheres, mas “em outros temas ele tem a intenção de que a roda gire de uma maneira diversa da que estava girando, e essa maneira é a maneira neoliberal”. O modelo econômico que orienta o governo, pontua, “não é bom nem mau”, mas é preciso “ver o cenário social e político dele. Para fazer tudo isso, quem tem que ser removido? Quem tem que perder? Esse não é um jogo somente de ganhadores. Há ganhadores e perdedores, e os perdedores, por ora, estão do lado de baixo e devem perder muito mais do que já perderam”, pondera.

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Terra, trabalho e dinheiro na mira da mercadorização total do novo governo à revelia do Estado de Direito

Em artigo, Guilherme Delgado analisa as recentes medidas fundiárias do novo governo

Por Guilherme Delgado*, na Página do MST 

A primeira semana do governo Bolsonaro está cheia de contradições nas áreas – Relações Exteriores, Defesa Nacional, Segurança Pública, Educação e até mesmo política econômica, produzindo uma sensação híbrida de incompetência, que também funciona como espécie de manobra diversionista, planejada ou não, para outras coisas que vem sendo realizadas de maneira mais sistemática. Dessa segunda categoria, certamente que com maior coordenação, incluem-se as providências já antecipadas para estabelecer completa privatização das terras, das relações de trabalho e das finanças públicas (dinheiro).

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Sobre banqueiros e gatunos

Sob as asas de Bolsonaro, Paulo Guedes prepara o desmonte do BNDES, Caixa e Banco do Brasil. Os barões esfregam as mãos. A mídia cala

Por Paulo Kliass, em Outras Palavras

O primeiro dia da segunda semana do governo do capitão e de seus generais representou uma declaração de guerra do povo do financismo contra o nosso sistema dos bancos públicos federais. Ao contrário de todo o tipo de bateção de cabeça que se verificou nas definições das demais áreas da equipe de Bolsonaro, aqui nesse campo parece que o jogo é mais profissional e coordenado.

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As paixões reprimidas de uma massa, o academicismo e a emergência da extrema direita. Entrevista especial com Fabrício Pontin

por João Vitor Santos, em IHU On-Line

Até bem pouco tempo atrás, Olavo de Carvalho era um dos articulistas nacionais que vagava pelas sombras das editorias de opinião. Entretanto, a eleição de Jair Bolsonaro trouxe ainda mais luz aos movimentos de Carvalho, tomado por muitos como um dos centrais pensadores da extrema direita brasileira. Afinal, ele foi capaz de capitanear uma legião de seguidores que o guindaram às seções dos mais vendidos nas livrarias. Mas não é só isso: ele também é mais assistido, twittado, comentado e capaz de inspirar o presidente eleito na formação de seu ministério, inclusive com a indicação direta de nomes. Diante desse fenômeno, é inevitável que se questione: afinal, quem é esse intelectual que se populariza e leva para a pauta o ideário da extrema direita? “’Intelectual’ é um termo estranho para usar com o Olavão, ao menos em qualquer acepção convencional do termo”, destaca o professor Fabrício Pontin. Para ele, Carvalho está muito mais para um polemista. “Ele apela para uma narrativa conspiratória que dá um curto-circuito na tentativa de crítica. Se você diz que o Olavo não entendeu ou está errado, você é parte da conspiração e na realidade sabe que ele está certo, mas está trabalhando para manter todos iludidos”, define.

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Paris queima. O modelo de neoliberalismo com rosto humano entrou em colapso. Por Vladimir Safatle

Na Folha

As cenas da França em chamas há semanas são fortes o suficiente para causar um impacto mundial. Mesmo diante das concessões do governo Macron às exigências dos manifestantes, as mobilizações parecem não esmorecer. Estudantes secundaristas bloqueiam escolas, universidades estão paradas, há ameaças de greves e discussão sobre uma paralisação geral.

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Por que as aposentadorias eletrocutam neoliberais

Bolsonaro quer retomar, já no início do ano, uma contra-reforma da Previdência — agora, ainda mais extremada. Pode sofrer enorme derrota, desde que a oposição finalmente desperte…

Por Artur Araújo, em Outras Palavras

A metáfora do “terceiro trilho de metrô”, aquele que frita quem o toca, é muito adequada para se compreender as enormes dificuldades para a realização do sonho liberal de deformar e até mesmo destruir a previdência estatal no Brasil. É passivo, está lá quietinho, mas ai de quem mexe nele.

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Não há santos no G-20

Trump é, sem dúvida, o mais bizarro. Mas ao defenderem a globalização corporativa, os governantes do grupo, em seu conjunto, tramam o desastre climático

Por Maxime Combes | Tradução: Felipe Calabrez, em Outras Palavras

Intoxicados por combustíveis fósseis e em busca do crescimento econômico a qualquer custo, os países do G20 respondem por 80% do consumo global de energia – e por 78% da emissão de CO² – embora abriguem apenas 60% da população mundial. O relatório publicado recentemente pelo PNUMA (Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente) é claro: Os países do G20, vistos em conjunto, não estão caminhando em direção aos objetivos que eles mesmos fixaram para 2030. Entre os faltosos, podemos incluir EUA e Arábia Saudita, como se poderia esperar, mas também Canadá e União Européia, que em geral apresentam-se como os “Campeões do Clima”. (mais…)

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A renovação da esperança dos frustrados. Entrevista especial com Rosana Pinheiro-Machado

por Patricia Facchin, em IHU On-Line

A eleição de Bolsonaro e a ascensão da nova direita no Congresso representam pelo menos três fenômenos: “a falência dos partidos tradicionais do Brasil; um populismo atroz que mistura o que parece contraditório: ressentimento e esperança popular; e, por fim, o ataque à democracia tal como ela operou no Brasil até hoje”, resume a socióloga Rosana Pinheiro-Machado na entrevista a seguir, concedida por e-mail à IHU On-Line. (mais…)

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Boaventura de Sousa Santos: “O Brasil será uma ‘zona de sacrifício’ na geopolítica dos EUA”

As forças democráticas precisam se organizar, avalia o sociólogo português Boaventura de Sousa Santos

Por Radio France Internationale – RFI / Carta Maior

A uma semana da Cúpula de Líderes do G20 em Buenos Aires, evento no qual Estados Unidos e China trarão sua guerra comercial, o sociólogo português Boaventura de Sousa Santos, em entrevista à RFI Brasil, traçou o cenário de como essa disputa pode impactar na América do Sul a partir da posse do presidente eleito brasileiro Jair Bolsonaro em 1° de janeiro. (mais…)

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Hegemonia e miséria do “management”

Um pilar oculto do domínio neoliberal sustenta: Estado, escola, família e até a vida pessoal devem orientar-se pelas lógicas e éticas das corporações. É uma prisão, mas há rotas de fuga

Por Marco Antonio G. de Oliveira*, em Outras Palavras

É comum ouvir que o problema do Brasil é de gestão. No entanto, se há uma área em que grande parte dos seus termos, conceitos e valores foram disseminados a ponto de se incorporarem ao senso comum da sociedade contemporânea, essa área é a da gestão, dos negócios, do business. Há menos de uma semana, em um simpósio de início de semestre organizado por uma universidade de renome da capital paulista, com cursos em diversas áreas como filosofia, direito, fisioterapia, psicologia, entre tantos outros, ouvi, do atual executivo-chefe (não mais reitor), que a educação do futuro é a educação empreendedora, do aluno empreendedor, polivalente, inovador, de atitude e sem medo de assumir responsabilidades. Em suma, ele recitou o conhecido conceito pregado pelos estudiosos e profissionais de gestão de pessoas como determinante para o sucesso dos alunos de todos os cursos da universidade: o famoso conceito CHA (competência, habilidade e atitude). (mais…)

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