Ruínas do neoliberalismo: Chile, caso precursor

Para entender como emergiu, numa vitrine do sistema, uma oposição tão decidida, é preciso ir além da Economia. Hans Sluga, um estudioso de Nietzche, tem uma hipótese. Ela sugere que a rebelião chilena tende a se espalhar…

Por Eleutério F. S. Prado*, em Outras Palavras

Paulo Guedes, ministro da Economia, pretende reformar o Estado brasileiro para adequá-lo a certas aspirações do neoliberalismo. Porém, quando lhe foi perguntado sobre como explicar os abalos recentes do modelo chileno que julga bem-sucedido, ele minimizou: “democracia é assim mesmo: barulhenta (…) ainda há insatisfação com a desigualdade”. Mas será só isso!? Que um economista neoliberal pouco ilustrado como ele entende de sociedade?

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“O diagnóstico de Guedes de que o crescimento da economia é baixo porque o Estado está inchado não se sustenta”. Entrevista especial com José Luis Oreiro

IHU On-Line

O Plano mais Brasil, num novo pacote econômico enviado pelo governo ao Congresso Nacional na semana passada, que inclui três Propostas de Emenda Constitucional – PECs – a PEC do Pacto Federativo, a PEC dos Fundos Públicos e a PEC Emergencial –, é fundamentado na ideia geral de que “para recuperar o crescimento da economia brasileira de forma mais sustentável, tem que diminuir o tamanho do Estado”, diz o economista José Luis Oreiro à IHU On-Line, na entrevista a seguir, concedida por telefone. Segundo ele, com este pacote o governo diz à sociedade que “é possível reduzir o volume de serviços que o Estado brasileiro presta à população”.

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“Nova” ultradireita, filha dos neoliberais

Eles esvaziaram a democracia, para afirmar a soberania dos mercados. E espalharam ressentimentos, ao concentrar riquezas. Surgiu um Frankenstein — a quem recorrem, sempre que seus super privilégios são ameaçados…

Por Daniel Zamora e Niklas Olsen, em Jacobin| Tradução: Felipe Calabrez, em Outras Palavras

No turbulento ano de 1968, o economista de Chicago e vencedor do Prêmio Nobel George J. Stigler apontou algumas idéias sobre como introduzir o “sistema de preços” no processo da democracia. Stigler era um dos amigos mais próximos de Milton Friedman e fazia parte de seu “pensamento coletivo” neoliberal desde o início. Os dois homens participaram do primeiro encontro da sociedade Mont Pèlerin em 1947, um dos eventos fundadores do movimento neoliberal. Nas décadas seguintes, os dois economistas de Chicago fizeram contribuições vitais para o que, segundo a cientista política Wendy Brown, tornou-se o objetivo principal da agenda neoliberal mundial: “a economização de todas as características da vida”, um projeto que buscava substituir, pelo sistema de preços, as formas mais políticas de tomada de decisão coletiva.

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Pacote Guedes (2): Unidos pelo fundamentalismo

Às turras até a semana passada, Bolsonaro e os velhos jornais voltam a se unir, em torno das propostas do ministro. Neoliberais brasileiros parecem incapazes de se reciclar – e estão senpre prontos a um flerte com os protofascistas

Por Felipe Calabrez*, em Outras Palavras 

Arrefecido o clima de tensão entre o governo Bolsonaro e os velhos jornais, que encontrou seu auge semana passada, quando o presidente disparou ofensas excessivas – até para seus padrões – aos principais veículos de comunicação, sobretudo aos jornalismos da Globo e da Folha de São Paulo, um forte clima de boa vontade com o governo chamou a atenção nessa terça-feira. O motivo: a “agenda econômica” de Paulo Guedes.

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Pacote Guedes (1): Uma distopia cujo tempo passou

Reduzir salários. Desobrigar governantes de investir em Saúde e Educação. Cancelar concursos públicos. Fechar 25% dos municípios. Em realidade paralela, ministro age como se o neoliberalismo não estivesse em crise. Valeria olhar ao Chile…

Por Paulo Kliass*, em Outras Palavras

O roteiro já era mais do que conhecido. Depois de aprovada a “Reforma” da Previdência, o governo passaria imediatamente para a segunda etapa do processo de desmonte de políticas públicas e de destruição do pouco que resta de Estado de Bem Estar Social em nossas maltratadas terras. Bolsonaro ficaria um pouco mais recuado na cena, com o justo receio de se envolver demasiadamente com as propostas tresloucadas de seu superministro para assuntos econômicos.

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Em xeque, o projeto que Guedes quer no Brasil

Desigualdade crescente. Vantagens aos muito ricos, pois “gerarão empregos”. Desmonte ou privatização dos serviços públicos. Injustiça tributária. Pacote que ministro apresentou hoje segue a mesma lógica que está ruindo no Chile

Por Paul Walder* | Tradução de Simone Paz, em Outras Palavras

Uma das políticas preferidas da direita chilena e mundial é a de baixar os impostos, tal como ensinam os pais do neoliberalismo e os governantes desde Ronald Reagan, Margaret Thatcher e o inominável ditador de nossas latitudes. O mito do livre mercado, que os milionários e acionistas não cansam de citar, é baseado num relato tão simples quanto ingênuo. Se os ricos não pagarem impostos, eles irão investir seus grandes ganhos para se tornarem ainda mais ricos. Nesse ciclo de cobiça infinita, vão gerar empregos — geralmente mal pagos, exaustivos e alienantes — que os pobres aceitarão sem muita resistência. O estágio final desse ciclo é o do consumo: os pobres e os não tão pobres irão gastar seus salários em empresas cujos donos são os mesmos ricos.

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Chile volta às ruas e pede que Piñera se vá

Vitrine do projeto neoliberal em chamas, após nova manifestação gigante. População exige Constituinte para superar ditadura dos mercados, e rechaça concessões do presidente. Agora, três cenários. Governo pode não chegar ao fim

Por Paul Walder* | Tradução: Antonio Martins, em Outras Palavras

Fiquem sabendo que, muito mais cedo do que tarde, de novo se abrirão as grandes alamedas por onde passará o homem livre, para construir uma sociedade melhor”. As multidões chilenas pareciam, ontem (4/11), determinadas a cumprir as últimas palavras do presidente Salvador Allende, lançadas pelo rádio em 11 de setembro de 1973, quando, em meio a um golpe militar articulado pelos EUA, a aviação já bombardeava o palácio de La Moneda. Quase 50 anos depois, centenas de milhares tomaram as ruas de Santiago e pediram que o atual chefe de Estado, Salvador Piñera, renuncie – mesmo depois de ele ter cancelado o aumento das passagens de metrô (estopim dos protestos), encerrado o Estado de Emergência e apresentado um tímido pacote de “medidas sociais”.

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O “Outubro Vermelho” e a esclerose brasileira

IHU On-Line

“Que consequências imediatas se devem esperar, e que lições extrair deste “outubro vermelho”? A primeira e mais contundente é que os latino-americanos não suportam nem aceitam mais viver em sociedades com um nível de desigualdade tão extrema e vergonhosa. A segunda é que o mesmo programa neoliberal que fracassou na década de 90 voltou a fracassar exatamente porque não produz crescimento econômico sustentado e acentua violentamente a precarização, a miséria e a desigualdade que já existem em toda a América Latina“.

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Por uma esquerda que dispute o imaginário

É preciso enfrentar o neoliberalismo onde ele foi mais fundo: a construção da subjetividade egoísta, ultracompetitiva, insensível ao outro e ao mundo. Árdua, e frequentemente abandonada, esta luta é possível, e há pistas de como fazê-la

Por Christine Berry* | Tradução: Simone Paz, em Outras Palavras

“A economia é o método: o objetivo é transformar o espírito”. Entender o porquê de Margaret Thatcher ter dito isso é fundamental para compreender o projeto neoliberal — e como devemos caminhar para além dele. Um artigo de Carys Hughes e Jim Cranshaw propõe um desafio crucial para a esquerda com respeito a essa questão. É muito mais fácil contar para nós mesmos uma historinha sobre o longo reinado do neoliberalismo, povoada unicamente por elites onipotentes que impõem sua vontade sobre as massas oprimidas. É muito mais difícil enfrentar com seriedade as maneiras pelas quais o neoliberalismo criou o consentimento popular para levar a cabo suas políticas.

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Bolsonaro, falastrão de sorveteria

Prometeu embaixada em Jerusalém. Dizia que a China queria “comprar o Brasil”. Falava mal da “velha política”. Em menos de um ano, presidente engole o que afirmou, cuida da sobrevivência política e libera Paulo Guedes — mas não tanto…

por Paulo Kliass*, em Outras Palavras

A sabedoria popular costuma nos oferecer frases de senso comum, mas que podem nos propiciar lampejos de elementos importantes para compreender os fenômenos políticos, sociais e econômicos. “A vida é dura!”. “Não se faz o omelete sem quebrar os ovos!”. “Nada como um dia após o outro!”. “É grande a distância entre intenção e gesto!”. “Bem-vindo à realidade!”. “Não dá pra fazer de outro jeito!”.

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