“O ajuste, da maneira que foi feito no Brasil, é totalmente equivocado, pois produziu um desajuste”. Entrevista especial com Luiz Gonzaga Belluzzo

Patricia Fachin – IHU On-Line

As políticas de austeridade que têm sido adotadas em muitos países desde a crise econômica internacional de 2008 “partem do princípio de que hoje a culpa é de vocês, ou seja, do povo, que quer saúde de graça, que gasta demais, que pressiona os orçamentos”, diz o economista Luiz Gonzaga Belluzzo à IHU On-Line, na entrevista a seguir, concedida pessoalmente quando esteve no Instituto Humanitas Unisinos – IHU,participando do ciclo de eventos Intérpretes e suas obras, na última segunda-feira, 09-10-2017, onde apresentou seu novo livro, escrito em conjunto com Gabriel Galípolo, Manda quem pode, obedece quem tem prejuízo (São Paulo: Facamp, 2017). Para ele, a adesão a esse tipo de política é “uma forma de replicar e reproduzir o mesmo sistema de dominação e controle que se tinha ao longo dos anos 1980 e que se acentuou depois”. (mais…)

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“Se os pobres estão distraídos, os ricos nada têm a temer”

Privatizar a Eletrobrás e os rios por um mês de pagamento de jurosEsvaziar o BNDES. Bloquear os caminhos para outro desenvolvimento. Será a toada do golpe, até que a população desperte

Por José Álvaro de Lima Cardoso* – Outras Palavras

O governo arrecadou R$ 12,1 bilhões com o leilão de quatro usinas hidrelétricas operadas pela Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig), no dia 27 de setembro. (mais…)

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Em livro lançado na França, Jacques Rancière faz diagnóstico preciso da atualidade

No IHU

“O raciocínio desmascara a retórica dos que proclamam as vantagens do neoliberalismo como remédio contra a corrupção (como se não tivessem o exemplo recente de uma crise mundial provocada pela voracidade de bancos e mercados desregulados), quando no fundo apenas combatem a igualdade. Não é o Estado, mas o Estado de direito que mais os incomoda”, escreve Bernardo de Carvalho, romancista, em artigo publicado por Folha de S. Paulo, 03-09-2017. Eis o artigo: (mais…)

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‘Práticas fascistas são fundamentais para manutenção do modelo capitalista’

Para o juiz e doutor em Direito Rubens Casara, elementos do fascismo contribuem para formar um pensamento homogêneo que elimina a diferença, só admitida “se puder ser transformada em mercadoria”

por Glauco Faria, para a RBA

São Paulo – Um Estado que retoma o ideário neoliberal e fortalece seu poder repressivo para conter parte da população “indesejável”. Esse é o modelo que caracterizaria a “pós-democracia”, conceito utilizado pelo juiz do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro e doutor em Direito Rubens Casara. (mais…)

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A subordinação da esquerda brasileira ao neoliberalismo e o abandono da Teoria da Dependência. Entrevista especial com Carlos Eduardo Martins

Patricia Fachin – IHU On-Line

Com origem nos anos 1960, as “Teorias da Dependência surgiram como crítica às teses nacionais-desenvolvimentistas que apontavam que, com a industrialização, Brasil e América Latina superariam seus problemas de subdesenvolvimento, desemprego, instabilidade política e falta de autonomia, criando formações sociais com soberania tecnológica, consumo de massas, predomínio das camadas médias e estabilidade política democrática”, resume o sociólogo Carlos Eduardo Martins à IHU On-Line, na entrevista a seguir, concedida por e-mail. (mais…)

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Neoliberalismo: a “grande ideia” que engoliu o mundo

A palavra se tornou uma arma retórica, mas ela nomeia adequadamente a ideologia de nossa era – uma ideologia que venera o mercado e afasta as coisas que nos torna humanos

Por Stephan Metcalf – Voyager

No verão passado, pesquisadores do FMI chegaram ao consenso de uma longa e amarga contenda e debate sobre o “neoliberalismo”: eles admitiram que ele existe. Três economistas sênior do FMI, uma organização não conhecida por seus descuidos, publicou um artigo questionando os benefícios do neoliberalismo. Ao fazê-lo, eles colocaram por terra que a palavra não era nada mais que uma gíria política ou um termo sem nenhum peso analítico. O estudo, gentilmente, acusou uma “agenda neoliberal” de estar desregulando economias ao redor do mundo, por forçar a abertura de mercados nacionais para negócios e capital e por obrigar que governos se encolham através de pacotes de austeridade ou privatizações. Os autores citaram evidências estatísticas da disseminação das políticas neoliberais desde os anos 1980 e sua correlação com o crescimento anêmico, ciclos de boom-and-bust [crescimento rápido, seguido de graves crises ou crash] e desigualdade. (mais…)

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Boaventura: a esquerda sem imaginação

Por não ousar novas formas de Democracia, Estado e Economia; e por não enfrentar articuladamente as três faces da dominação, ela tem sido incapaz de deter a ofensiva brutal do sistema

Por Boaventura de Sousa Santos – Outras Palavras

A dominação social, política e cultural é sempre o resultado de uma distribuição desigual do poder, nos termos da qual quem não tem poder ou tem menos poder vê as suas expectativas de vida limitadas ou destruídas por quem tem mais poder. Tal limitação ou destruição manifesta-se de várias formas, da discriminação à exclusão, da marginalização à liquidação física, psíquica ou cultural, da demonização à invisibilização. Todas esta formas podem-se reduzir a uma só – opressão. Quanto mais desigual é a distribuição do poder, maior é a opressão. (mais…)

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Somos todos Espártaco

Um livro recente revela: globalização tornou a riqueza e o poder tão concentrados como nos tempos de Roma antiga. Mas há gente — inclusive entre a esquerda — empenhada em dizer que o problema são os “populismos”

Por Nuno Ramos de Almeida* – Outras Palavras

No ano 73 antes do nascimento de Cristo, e 106 anos antes da sua crucificação, o gladiador Espártaco liderou uma revolta de escravos que fez tremer Roma. Quase um terço da população da bota italiana era constituída por escravos. A insurreição aguentou dois anos e foi afogada num banho de sangue pelas tropas dirigidas pelo cônsul romano Marco Licínio Crasso. Foram crucificados seis mil escravos para servirem de exemplo de que qualquer veleidade de liberdade seria esmagada com sangue. (mais…)

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O combate às desigualdades exige um novo pacto capaz de atualizar os princípios que deram origem ao Estado de bem-estar social. Entrevista especial com Tatiana Roque

Patricia Fachin – IHU On-Line

A crise da esquerda é “ainda mais profunda” do que os diagnósticos que estão sendo feitos até o momento, porque eles pressupõem a existência de um “projeto de esquerda antenado com a nossa época, logo capaz de disputar a sociedade”. Entretanto, esse projeto “não existe”, constata Tatiana Roque à IHU On-Line, na entrevista a seguir, concedida por e-mail. (mais…)

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Esfera de influência: como os libertários americanos estão reinventando a política latino-americana

Por Lee Fanga, na The Intercept Brasil

Para Alejandro Chafuen, a reunião desta primavera no Brick Hotel, em Buenos Aires, foi tanto uma volta para casa quanto uma volta olímpica. Chafuen, um esguio argentino-americano, passou a vida adulta se dedicando a combater os movimentos sociais e governos de esquerda das Américas do Sul e Central, substituindo-os por uma versão pró-empresariado do libertarianismo. (mais…)

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