Trump e Bolsonaro: em busca dos porquês

Em seu novo livro, filósofo italiano Franco Berardi analisa: ascensão da ultradireita expressa, mais que falência neoliberal, a ineficácia da esquerda em propor alternativas. Desamparada, população buscou saídas de desespero e ressentimento

por João Pedro Moraleida*, em Outras Palavras

Livros tem a capacidade de nos dizerem muito do passado e das coisas que foram pensadas como possíveis numa determinada época e momento específico. Nos surpreende que as realizações das perspectivas abertas em ensaios, estudos e ficções não se apresentem, por vezes, tal como apontadas.

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Depois do senhor Guedes e de seu capitão

Devastação da sociedade e do Estado, com enriquecimento de um punhado de magnatas e banqueiros: a cada dia o Brasil se parece mais com a Rússia dos anos 1990. Como sua ruína e posterior reconstrução nos ajudam a pensar o futuro

Por José Luís Fiori*, em Outras Palavras

Existe uma pergunta parada no ar: o que passará no país quando a população perceber que a economia brasileira colapsou e que o programa econômico deste governo não tem a menor possibilidade de recolocar o país na rota do crescimento?
J.L.F. “A danação da história e a disputa pelo futuro”, Jornal do Brasil, 6/6/19

No início dos anos 90, na véspera de sua dissolução, a União Soviética tinha 293 milhões de habitantes, e possuía um território de 22.400.000 km, cerca de um sexto das terras emersas de todo o planeta. Seu PIB já tinha ultrapassado os dois trilhões de dólares, e a URSS era o segundo país mais rico do mundo, em poder nominal de compra. Além disso, era a segunda maior potência militar do sistema internacional, e uma potência energética, o maior produtor de petróleo bruto do mundo. Possuía tecnologia e indústria militar e espacial de ponta, e tinha alguns dos cientistas mais bem treinados em diversas áreas, como a física de altas energias, medicina, matemática, química e astronomia. E, finalmente, a URSS era a potência que dividia o poder atômico global com os Estados Unidos. Mesmo assim, foi derrotada na Guerra Fria, sendo dissolvida no dia 26 de dezembro de 1991, e depois disto, durante uma década, foi literalmente destruída.

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Paulo Guedes pego na mentira

Blindado pela mídia, superministro quer, às custas de privatizações e retirada de direitos, chegar a uma “economia de trilhão”. Ignora que país já tem esses recursos: só em sonegação, dívidas tributárias e isenções fiscais, são R$ 2,5 trilhões…

por Paulo Kliass*, em Outras Palavras

Os efeitos perversos provocados pela profunda crise econômica e social que nosso País atravessa não cessam de aumentar. Desde 2015 até o momento atual o PIB brasileiro passa pela maior estagnação de que se tem conhecimento por nossas terras. A atividade econômica começou a ser abalada logo depois da vitória de Dilma Rousseff nas eleições de 2014, quando ela conquistou o direito de exercer seu segundo mandato.

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A oposição aos valores do bolsonarismo e a incapacidade de oferecer alternativas. Entrevista especial com Antonio Martins

Por: Patricia Fachin, em IHU On-Line

O “autoritarismo” de Bolsonaro, suas declarações polêmicas e o agravamento das condições de vida da população “abrem um imenso campo para a ação da esquerda”, sugere o jornalista Antonio Martins à IHU On-Line. Mas a retomada do protagonismo político da esquerda, perdido em grande parte após a eleição do presidente Jair Bolsonaro, depende de ela deixar de “repetir automaticamente antigas fórmulas” e de dar-se conta da nova realidade e oferecer respostas a ela, diz Martins. Segundo ele, a “maioria da sociedade opõe-se aos valores do bolsonarismo” e prefere o diálogo à brutalidade e o exame sereno dos problemas do país em vez da polarização primária. Apesar disso, menciona, “o problema é que a esquerda tem sido incapaz, e mesmo indesejosa, de mobilizar estes sentimentos ou de dar consequência a eles”.

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Pesquisadores descobrem trapaça do governo em cálculos da reforma da Previdência

O governo enganou a todos, deputados e senadores, empresários e trabalhadores, com sua proposta de reforma do sistema de aposentadorias

por Carlos Drummond, em CartaCapital

Foi um trabalho de profissionais. O governo enganou a todos, deputados e senadores, empresários e trabalhadores, com sua proposta de reforma do sistema de aposentadorias. O projeto denominado Nova Previdência, ficará claro adiante, é uma falsidade completa, um edifício de planilhas sem consistência construído com dados manipulados para atingir os objetivos austericidas e privatistas do Ministério da Economia.

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O anarcoliberalismo fracassado de Guedes. Por Mauro de Azevedo Menezes*

Leme

Eleito Jair Bolsonaro, os liberais em ascensão no Brasil, entusiasmados pelo sucesso do MBL na mobilização pela queda de Dilma Rousseff em 2016 e pelo charme eleitoral do Partido Novo em 2018, esfregaram as mãos. A sua pauta de reformas eliminadoras de garantias sociais ganharia impulso. E o país desencadearia, afinal, um ciclo de crescimento econômico fundado na priorização absoluta dos negócios. Isso ocorreria ao preço do agravamento, ao menos temporário, dos desequilíbrios sociais. Mas não importava, afinal o PIB decolaria rapidamente com Paulo Guedes à frente da economia.

Certo? Errado.

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SP: Os parques da cidade à venda

Dória segue onda privatizadora: é a vez do Parque do Estado, que abriga o Zoológico, Zoo Safari e Jardim Botânico. Concessão pode comprometer inúmeras pesquisas, de preservação, da Mata Atlântica. Moradores protestam, nesta sexta

Outras Palavras

A Associação de Moradores e Amigos da Água Funda (AMAAF), bairro paulistano localizado na zona Sul, e o Movimento Lute pela Floresta estão organizando um ato nesta sexta-feira, às 11 horas, em frente ao Jardim Botânico de São Paulo. O objetivo da atividade é protestar contra o projeto, proposto pelo governador João Dória (PSDB), de privatização do Zoológico, Zoo Safari e Jardim Botânico. 

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Future-se: a cara de uma elite subalterna

Após cortes de verbas, “solução mágica”. Feito sem consultar Universidades, programa entrega Fundo Soberano do Conhecimento, composto por imóveis e orçamentos públicos, ao mercado financeiro. No fundo, retrato de um capitalismo dependente…

por Luiz Filgueiras*, em Outras Palavras

(O autor se beneficiou das críticas e contribuições de Graça Druck, Professora Titular da FFCH da UFBA)

Introdução

A avaliação criteriosa dos reais objetivos e do significado do Future-se, a recente proposta do Governo Bolsonaro para às Instituições Federais de Ensino Superior (IFES), tem que passar, necessariamente, pela compreensão da natureza estrutural do capitalismo dependente brasileiro e de sua burguesia. E, no plano conjuntural, pela clara caraterização do Governo Bolsonaro e das forças sociais que o sustentam, bem como de suas políticas – em especial aquelas direcionadas à educação. Ao se proceder desta maneira, pode-se afirmar/adiantar as seguintes proposições:

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Agonia (e morte?) do desenvolvimento no Brasil

Breve, neoliberalismo nos levará à terceira década de estagnação. País está esgotado e diante de encruzilhada. Ou sucumbe e aceita fim de sua humanidade possível; ou adota novo projeto, muito distinto do desenvolvimentismo anterior

por Eleutério F. S. Prado1 , em Outras Palavras

Dois padrões de crescimento

Quando se olha o comportamento da economia capitalista no Brasil nos últimos setenta anos de uma perspectiva que fica apenas na observação dos dados empíricos, é absolutamente nítido que dois grandes períodos aparecem: um deles que vai até 1980, o qual não pode deixar de ser considerado como de alto crescimento e um outro, que se inicia em 1990, o qual está caracterizado por uma quase-estagnação. A década dos anos 1980 é de crise e de transição entre esses dois padrões de crescimento do produto interno bruto (PIB).

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“Construímos cidades para que as pessoas invistam, não para que vivam”. Entrevista com David Harvey

IHU On-Line

David Harvey é, sem dúvida, o geógrafo do capitalismo. Claro, é marxista. Nascido em Gillingham, Inglaterra, em 1935, foi professor de universidades como a Johns HopkinsOxford e, na atualidade, a City University of New York. Não era, recorda com um sorriso, um jovem radical. Começou a ler  Marx aos 35 para poder interpretar melhor o que estudava como geógrafo. Livros como Os limites do capital, de 1982, foram um guia para entender as turbulentas paisagens do capitalismo moderno e mostraram que a análise da dinâmica da urbanização permitia compreender o que acontecia na complexa macroeconomia.

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