A proposta singular do Populismo de Esquerda

Democracia está em crise. Corporações e elites, surdas aos anseios da maioria. Ultradireita surge como opção regressiva aos insatisfeitos. Cabe à esquerda deixar comodismo e velhas fórmulas, recuperar espírito rebelde e dialogar com a revolta

por Chantal Mouffe*, em Outras Palavras

Gostaria de deixar claro, desde o início, que o meu objetivo não é acrescentar outra contribuição ao já pletórico campo dos “estudos do populismo”, uma vez que não tenho a intenção de entrar no debate acadêmico estéril sobre a “verdadeira natureza” do populismo. Este livro é uma intervenção política e reconhece abertamente a sua natureza partidária. Definirei o que entendo por “populismo de esquerda” e argumentarei que, na conjuntura atual, ele proporciona a estratégia adequada para recuperar e aprofundar os ideais de igualdade e de soberania popular, que são constitutivos na política democrática.

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Venda de reservas internacionais pelo governo deixará Brasil vulnerável a crises externas

Acumulados nos governos Lula e Dilma, ativos são um “seguro” que o país tem, mas do qual está se desfazendo para implementar a agenda ultraliberal

por Eduardo Maretti, da RBA

São Paulo – No ano passado, o Banco Central (BC) vendeu US$ 36,9 bilhões das reservas internacionais brasileiras, que servem como garantia ou seguro em momentos de crises cambiais. Ao final do ano de 2002, antes de o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva assumir a presidência da República, as reservas brasileiras eram de US$ 38 bilhões. Em março de 2016, em pleno processo de impeachment da presidenta Dilma Rousseff, elas somavam US$ 372 bilhões.

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Em estudo pelo governo, privatização do Inpi, órgão que analisa patentes, deve encarecer medicamentos

Proposta é criticada por empresários da indústria farmacêutica nacional; já a associação que representa as multinacionais não se opõe à medida

Por Diego Junqueira, no Repórter Brasil

“Insana”, “insensata” e “preocupante”. É assim que empresários brasileiros da indústria farmacêutica e especialistas em acesso a medicamentos avaliam a proposta de privatização do Instituto Nacional de Propriedade Industrial (Inpi), atualmente em estudo pelo Ministério da Economia. 

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Qual o papel da austeridade e de políticas neoliberais no surgimento do neofascismo?

Segundo dossiê, preservação do sistema financeiro minou políticas sociais e abriu caminho para escalada conservadora

por Nara Lacerda, em Brasil de Fato / MST

O Instituto Tricontinental de Pesquisa Social publicou, nesta terça-feira (7), o dossiê “O mundo oscila entre crise e protestos”, em que aponta como as políticas econômicas dos últimos 50 anos ocasionaram uma forte insatisfação popular, que vem sendo cooptada por movimentos neofascistas.

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Liberalismo à brasileira: na contramão de movimentos globais, não aquece a economia e não cria emprego. Entrevista especial com Denis Maracci Gimenez

Por: João Vitor Santos, em IHU On-Line

Nesse primeiro ano de governo, a equipe econômica do presidente Jair Bolsonaro repetidamente reiterou, quase como um mantra, que sua orientação é de cunho liberal. No entanto, conforme destaca o professor Denis Maracci Gimenez, em entrevista concedida por telefone à IHU On-Line, o governo tem revelado uma visão bem particular de liberalismo. Isso porque até governos liberais economicamente, como o de Donald Trump nos Estados Unidos, têm agido no sentido de proteger a economia local, mesmo que isso requeira intervenção estatal. No Brasil, a ideia parece ser a de reduzir o Estado e entregar as chaves para o mercado. “Ninguém acredita que, neste momento, o livre jogo das forças de mercado vai produzir o crescimento, o desenvolvimento econômico. Olhando para a experiência internacional no momento atual, essa é uma tese desacreditada e por isso digo que o Brasil vai na contramão do que tem aparecido”, analisa.

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A esquerda, os militares, o imperialismo e o desenvolvimento. Por José Luís Fiori

“As grandes potências são aqueles Estados de toda parte da Terra que possuem elevada capacidade militar perante os outros, perseguem interesses continentais ou globais e defendem estes interesses por meio de uma ampla gama de instrumentos, entre eles a força e ameaças de força, sendo reconhecidos pelos Estados menos poderosos como atores principais que exercem direitos formais excepcionais nas relações internacionais.” (Charles Tilly, Coerção, Capital e Estados Europeus. São Paulo: EDUSP, 1996, p. 247)

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A aliança que sustenta o governo Bolsonaro

Agora, está claro: devastação espantosa prossegue porque presidente apoia-se na ignorância dos neofascistas e nos interesses dos neoliberais. Mas tal coalizão revela precariedade do capitalismo brasileiro e brechas abertas, em tempos de revolta

Por Luiz Filgueiras e Graça Druck*, em Outras Palavras

“Se a esquerda radicalizar a esse ponto,
a gente vai precisar ter uma resposta.
E uma resposta pode ser via um novo AI-5”.
(Eduardo Bolsonaro)

“Sejam responsáveis, pratiquem a democracia. Ou democracia é só
quando o seu lado ganha? Quando o outro lado ganha, com dez meses
você já chama todo mundo para quebrar a rua? Que responsabilidade
é essa? Não se assustem então se alguém pedir o AI-5. Já não
aconteceu uma vez? Ou foi diferente?”
(Paulo Guedes)

O ministro admitiu que o ritmo das reformas desacelerou no Congresso
após a aprovação das mudanças na Previdência e disse que, quando as
pessoas começam a ir para as ruas “sem motivo aparente”, é preciso
“entender o que está acontecendo” e avaliar se é possível prosseguir
com a agenda liberal
(Folha de S.Paulo, 23/11)

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A mutação do mundo do trabalho e a proteção dos trabalhadores – 60% dos empregos serão automatizados. Entrevista especial com Yuri Lima

Por: Por João Vitor Santos, em IHU On-Line

Um levantamento feito pelos pesquisadores do Laboratório do Futuro do Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós-Graduação e Pesquisa de Engenharia – COPPE da Universidade Federal do Rio de Janeiro – UFRJ indica que, nas próximas duas décadas, as atividades realizadas por aproximadamente 60% dos trabalhadores brasileiros serão automatizadas. “Considerando os municípios com mais de 10.000 trabalhadores, o impacto varia entre 56% (Caxias-MA) e 81% (Nova Serrana-MG), sendo a média e a mediana do índice 69%. Todos os municípios do país tendem a ter algum impacto, mas a diversidade entre os casos de cada um dificulta uma análise generalizada”, diz o engenheiro Yuri Lima ao comentar o estudo. De acordo com o pesquisador, esta e outras pesquisas realizadas pelo Instituto do Futuro sugerem que o impacto da automação “tende a se concentrar sobre os trabalhadores mais vulneráveis (menor renda, jovens e menor nível de formação), que terão mais dificuldades para se requalificar”. Para reduzir os efeitos negativos desse processo, aconselha, “será preciso uma atuação conjunta de atores sociais como governos, empresas, sindicatos e instituições de ensino”. E acrescenta: “Não devemos encarar com medo a projeção apresentada, mas sim como uma preocupação que não pode ser ignorada”.

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O discurso autoritário do economista mainstream

Crê-se iluminado pela ciência positiva e despreza vozes divergentes. De seu pedestal, usa teorias e dados para legitimar opressões. Mas fala em nome da Grande Causa, nos termos de Lacan, e assim pode dormir tranquilo frente às injustiças sociais

por Eleutério F. S. Prado*, em Outras Palavras

Três economistas de centro-direita escreveram um artigo para dizer que “políticas equivocadas dos petistas, ignoradas por Lula e seu partido, produziram crise e alimentaram a ascensão da extrema direita”. Em virtude do caráter do argumento que será aqui desenvolvido, os seus nomes, assim como o veículo em que o texto foi publicado, serão de início omitidos. Eis que se deseja focar o padrão implícito da alegação, evitando a eventual acusação de que a crítica aqui feita tem conotação ad hominem.

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2019, o ano do Pibinho do Guedes

Velha mídia apontava ministro como técnico exemplar. Mercado projetava crescimento do PIB em 3%. Meses depois, a decepção: economia não deslancha, desigualdades aumentam e governo deforma estatísticas…

por Paulo Kliass, em Outras Palavras

O governo comemorou ao máximo a divulgação dos resultados relativos às Contas Nacionais divulgados pelo IBGE no início da semana. Segundo o órgão encarregado oficialmente pela elaboração e cálculo do Produto Interno Bruto (PIB), as informações para o terceiro trimestre de 2019 apontaram para um crescimento de 0,6% em relação aos três meses anteriores.

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