Passo a passo para acabar com um projeto de país

Ao aliar políticas ultraliberais com um retrógrado projeto social, governo Bolsonaro coloca em risco a soberania nacional – e risco pode ser mais nefasto que uma ocupação estrangeira

Um ensaio de Samuel Pinheiro Guimarães, em Outras Palavras

1. O Presidente Bolsonaro se propõe regenerar o Brasil e fazer com que a sociedade e o Estado brasileiro retornem à sua pureza original, deturpada que teria sido pelo socialismo, comunismo e petismo.

(mais…)

Ler Mais

Previdência: os porquês da nova guerra

Mais de 90 milhões de brasileiros beneficiam-se do sistema. Ainda que modestos, pagamentos são essenciais para reduzir a pobreza – e revelam a enorme potência da lógica de repartição. Por isso, o ultra-capitalismo não os tolera

Por Eduardo Fagnani, em Outras Palavras

A Previdência é um dos pilares da cidadania social brasileira. Entre 2001 e 2012, o total de benefícios diretos do segmento urbano cresceu 48% (passando de 11,6 milhões para 17,2 milhões de beneficiários), enquanto na Previdência Rural o acréscimo foi de 38% (de 6,3 milhões para 8,7 milhões). Segundo a PNAD (Pesquisa por Amostra de Domicílio) de 2001, do IBGE, para cada beneficiário direto há 2,5 indiretos (membros da família). Em 2012, a Previdência Social beneficiou, direta e indiretamente, mais de 90 milhões de brasileiros.

(mais…)

Ler Mais

Paulo Guedes e a receita para o atraso

Como a política econômica do ministro pode aprofundar nossa condição de produtor de minérios e commodities agrícolas. Por que isso é oposto do que estão fazendo a Alemanha e os demais países que se prezam

por David Deccache, em Outras Palavras

Nas últimas semanas, a Alemanha anunciou que vai intensificar os esforços para proteger setores importantes de aquisições e da concorrência de estrangeiros, enquanto buscará combater o que classificou de crescente protecionismo de EUA e China. Além disso, dos EUA à França, vários líderes políticos prometem proteger suas economias, revertendo o processo de abertura comercial, com o objetivo de acumularem forças para terem condições de competição com países como a China, onde o Estado intervém incisivamente e estrategicamente sobre o comércio externo em parceria com o capital privado nacional.

(mais…)

Ler Mais

O mal-ajambrado Código Moro. Por Patrick Mariano

Na Cult

No mesmo dia em que veio a tona um possível texto da “reforma” da previdência, o ex-juiz Sergio Moro apresentou para alguns governadores um documento que intitulou Projeto de Lei Anticrime. No ambiente virtual, notícias como “65 anos como idade mínima e 25 anos de contribuição” se misturavam a outras como “legítima defesa para policiais” e endurecimento das penas, entre outros termos relativos.

(mais…)

Ler Mais

O mesmo e o outro. Por José Luis Fiori*

A nova geração de militares brasileiros não é menos inteligente nem menos bem-formada. Mas perdeu a bússola estratégica e econômica do passado, e tem dificuldade de retomá-la e refazê-la em sintonia com o século XXI

No Outras Palavras

Os animais se dividem em: 
a) pertencentes ao imperador; 
b) embalsamados, c) domesticados, d) leitões, 
e) sereias, f) fabulosos, g) cães em liberdade, 
h) incluídos na presente classificação, 
i) que se agitam como loucos, j) inumeráveis, 
k) desenhados com um pincel muito fino de pelo de camelo, 
l) et cetera, m) que acabam de quebrar a bilha, 
n) que de longe parecem moscas

M. Foucault, “Uma certa enciclopédia chinesa”, 

(mais…)

Ler Mais

‘O texto constitucional está em risco’. Para onde a balança do novo governo vai pender? Entrevista especial com Luiz Werneck Vianna

Por Patricia Facchin, em IHU On-Line

“O caminho pelo qual nós enveredamos ainda é muito misterioso e não se sabe para onde a balança vai pender”, diz o sociólogo Luiz Werneck Vianna à IHU On-Line ao comentar os primeiros movimentos do governo de Jair Bolsonaro. O discurso de posse do presidente, avalia, “foi ameaçador” e indica a intenção de fazer a “roda girar para trás” na questão dos costumes e das mulheres, mas “em outros temas ele tem a intenção de que a roda gire de uma maneira diversa da que estava girando, e essa maneira é a maneira neoliberal”. O modelo econômico que orienta o governo, pontua, “não é bom nem mau”, mas é preciso “ver o cenário social e político dele. Para fazer tudo isso, quem tem que ser removido? Quem tem que perder? Esse não é um jogo somente de ganhadores. Há ganhadores e perdedores, e os perdedores, por ora, estão do lado de baixo e devem perder muito mais do que já perderam”, pondera.

(mais…)

Ler Mais

Terra, trabalho e dinheiro na mira da mercadorização total do novo governo à revelia do Estado de Direito

Em artigo, Guilherme Delgado analisa as recentes medidas fundiárias do novo governo

Por Guilherme Delgado*, na Página do MST 

A primeira semana do governo Bolsonaro está cheia de contradições nas áreas – Relações Exteriores, Defesa Nacional, Segurança Pública, Educação e até mesmo política econômica, produzindo uma sensação híbrida de incompetência, que também funciona como espécie de manobra diversionista, planejada ou não, para outras coisas que vem sendo realizadas de maneira mais sistemática. Dessa segunda categoria, certamente que com maior coordenação, incluem-se as providências já antecipadas para estabelecer completa privatização das terras, das relações de trabalho e das finanças públicas (dinheiro).

(mais…)

Ler Mais

Sobre banqueiros e gatunos

Sob as asas de Bolsonaro, Paulo Guedes prepara o desmonte do BNDES, Caixa e Banco do Brasil. Os barões esfregam as mãos. A mídia cala

Por Paulo Kliass, em Outras Palavras

O primeiro dia da segunda semana do governo do capitão e de seus generais representou uma declaração de guerra do povo do financismo contra o nosso sistema dos bancos públicos federais. Ao contrário de todo o tipo de bateção de cabeça que se verificou nas definições das demais áreas da equipe de Bolsonaro, aqui nesse campo parece que o jogo é mais profissional e coordenado.

(mais…)

Ler Mais

As paixões reprimidas de uma massa, o academicismo e a emergência da extrema direita. Entrevista especial com Fabrício Pontin

por João Vitor Santos, em IHU On-Line

Até bem pouco tempo atrás, Olavo de Carvalho era um dos articulistas nacionais que vagava pelas sombras das editorias de opinião. Entretanto, a eleição de Jair Bolsonaro trouxe ainda mais luz aos movimentos de Carvalho, tomado por muitos como um dos centrais pensadores da extrema direita brasileira. Afinal, ele foi capaz de capitanear uma legião de seguidores que o guindaram às seções dos mais vendidos nas livrarias. Mas não é só isso: ele também é mais assistido, twittado, comentado e capaz de inspirar o presidente eleito na formação de seu ministério, inclusive com a indicação direta de nomes. Diante desse fenômeno, é inevitável que se questione: afinal, quem é esse intelectual que se populariza e leva para a pauta o ideário da extrema direita? “’Intelectual’ é um termo estranho para usar com o Olavão, ao menos em qualquer acepção convencional do termo”, destaca o professor Fabrício Pontin. Para ele, Carvalho está muito mais para um polemista. “Ele apela para uma narrativa conspiratória que dá um curto-circuito na tentativa de crítica. Se você diz que o Olavo não entendeu ou está errado, você é parte da conspiração e na realidade sabe que ele está certo, mas está trabalhando para manter todos iludidos”, define.

(mais…)

Ler Mais

Paris queima. O modelo de neoliberalismo com rosto humano entrou em colapso. Por Vladimir Safatle

Na Folha

As cenas da França em chamas há semanas são fortes o suficiente para causar um impacto mundial. Mesmo diante das concessões do governo Macron às exigências dos manifestantes, as mobilizações parecem não esmorecer. Estudantes secundaristas bloqueiam escolas, universidades estão paradas, há ameaças de greves e discussão sobre uma paralisação geral.

(mais…)

Ler Mais