Dowbor: o conto ideológico do capitalismo financeiro

Como um sistema que produz sem cessar miséria e desigualdade tenta apresentar-se como legítimo? Resposta inclui esvaziamento da democracia, bloqueio do acesso ao conhecimento e o conto de fadas do “mérito”. Mas as fissuras alargam-se…

Por Ladislau Dowbor, em Outras Palavras

O CONTO IDEOLÓGICO: A NARRATIVA DO MERECIMENTO

Os sistemas precisam construir a justificação ideológica da sua razão de ser. A exploração, ou seja, a apropriação do excedente social por uma minoria, vai buscar uma explicação aceitável, uma narrativa, como hoje dizemos, ainda que enganadora. A superestrutura organizada de poder buscará formar um sistema articulado que se sustente. Será normalmente a combinação de um mecanismo de extração da riqueza social com uma ampla construção ideológica destinada a explicar a exploração em nome de algum tipo de merecimento das classes superiores, justificando uma forma de apropriação do trabalho de terceiros (escravos, servos, assalariados ou, ainda, terceirizados, segundo a época e as regiões), e o uso da força policial e militar em nome da ordem e da segurança do povo.

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Shoshana Zuboff: “O neoliberalismo destroçou tudo. Temos que começar do zero”

A filósofa e professora emérita da Harvard Business School deu nome a um fenômeno que domina o mundo: o capitalismo de vigilância. Acredita que é possível conter o Facebook, o Google e a Amazon

Por Carmen Pérez-Lanzac, no El País

Shoshana Zuboff (Nova Inglaterra, Estados Unidos, 1951) realizou o sonho de todo ensaísta com seu livro The Age of Surveillance Capitalism (a era do capitalismo de vigilância): reconhecer, dissecar e dar nome a uma tendência econômica que já estava em andamento havia 20 anos. A filósofa e professora emérita da Harvard Business School diz que sempre foi “uma ativista em letras minúsculas”, mas que a publicação deste livro a tornou uma ativista em letras maiúsculas. O objetivo é muito importante. Zuboff também é uma das protagonistas de O Dilema das Redes, documentário da Netflix que revela a variedade de efeitos nocivos das redes sociais e que está tendo muita repercussão. Zuboff dá a entrevista de sua casa no Maine (nordeste dos EUA). É cordial, bem norte-americana: te chama pelo nome e de vez em quando ajuda a se fazer entender usando palavras em espanhol.

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Papa Francisco pede fim do ‘dogma neoliberal’ e cita Vinicius de Moraes

Por: Kelly Velasquez, em AFP

O papa Francisco denunciou as desigualdades e o “vírus do individualismo” em sua nova encíclica, com o título Fratelli tutti (Todos irmãos) e divulgada neste domingo (4). Ele também pediu o fim “do dogma neoliberal” e defendeu a fraternidade “com atos e não apenas com palavras”. Em sua terceira encíclica, de 84 páginas, o pontífice argentino retoma os temas sociais abordados ao longo de sete anos e meio de pontificado e reflete sobre um mundo afetado pelas consequências da pandemia de coronavírus.

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A receita bolsonarista para a estagnação neocolonial

Enquanto Pantanal arde e Amazônia é devastada, governo insiste no negacionismo. Descontentes, fundos internacionais e países parceiros ameaçam abandonar acordos. Já desindustrializado, Brasil pode perder até exportação de primários…

por Paulo Kliass, em Outras Palavras

A sociedade brasileira vem experimentando há várias décadas um nítido processo de perda de importância das atividades da indústria no conjunto de sua base econômica e produtiva. No entanto, ao contrário do discurso otimista e enganador dos que defendem tal movimento, por aqui ele não se dá na mesma direção das transformações ocorridas na distribuição dos diferentes setores da economia nos chamados países desenvolvidos.

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Uma “reforma” para devastar o serviço público

Com cobertura da mídia, Bolsonaro & Guedes agem para impor novo ataque ao Social, no pós-pandemia. Corte de salários e serviços. Desestruturação das carreiras. Contratações partidárias. Que está em jogo na “Reforma” Administrativa

Por Graça Druck1, Samara Reis2 e Emmanoel Leone3, da Remir*, em Outras Palavras

Nas últimas semanas, intensificou-se a ofensiva da grande imprensa, em editoriais e artigos de instituições empresariais e seus porta-vozes, alertando para a “crise fiscal” e clamando pela “reforma administrativa” do governo. Com o uso de informações distorcidas e manipuladas, sentencia-se que o Estado está inchado e os servidores públicos ganham muito.

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O antiambientalismo de resultados. Por Henri Acselrad

No A Terra é Redonda

O atual governo se posiciona escancarando que não está nem aí para as relações internacionais multilaterais e que seu projeto é o de desmontar a máquina pública de regulação ambiental no plano nacional

A  literatura explica que a política ambiental explícita – aquela que evocou esse nome por ocasião da criação de uma Secretaria Especial de Meio Ambiente (SEMA) – foi inaugurada no Brasil, nos anos 1970, por duas razões: a de procurar ajustar o país à agenda internacional que se seguiu à Conferência da ONU sobre Meio Ambiente Humano, em 1972; e a de tentar desviar as atenções da opinião pública das ações de luta contra a ditadura, orientando o foco para um conflito aparentemente novo, de caráter ambiental, que opunha, em 1973, associações de moradores e defensores do meio ambiente a uma empresa papeleira, responsável por forte poluição na Região Metropolitana  de Porto Alegre[i]. A ditadura entendia, então, que as lutas ambientais nada tinham a ver com lutas políticas, democráticas e de classe.

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Os R$ 600 e a brecha em meio ao pesadelo

Ao propor o corte do Auxílio Emergencial pela metade, Bolsonaro abre à esquerda uma chance preciosa de mobilização e educação política. As eleições municipais podem ampliá-la. Mas nada garante, no momento, que será aproveitada

Por Antonio Martins, em Outras Palavras

Capturar o sentimento antissistema é um estratagema central da ultradireita – e o Brasil assiste, desde março, a um episódio clássico. O governo Bolsonaro não desejava o Auxílio Emergencial de R$ 600 – aprovado graças a uma articulação da Rede Brasileira de Renda Básica, que atuou em sintonia com a oposição parlamentar. Mas o presidente percebeu, desde o primeiro momento, que não poderia contrapor-se à proposta – e tinha uma chance de se apropriar dela. Conseguiu fazê-lo com maestria até o momento, auxiliado em boa medida pela modorrência e rigidez política dos partidos de esquerda, que perderam todas as oportunidades de disputá-la. A aprovação de Bolsonaro cresceu e ele ameaça penetrar em territórios políticos antes hostis, aproveitando as eleições de novembro para capilarizar sua influência. As contradições inerentes a seu projeto acabam de gerar, porém um antídoto.

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“Temos pouco tempo para decidir se a vida humana sobreviverá”, alerta Noam Chomsky

Não houve outro momento com estas características na história da Humanidade. É o que afirma o prestigioso intelectual e ativista estadunidense Noam Chomsky, que disse que a pandemia de coronavírus fez destes tempos os mais sombrios de que se tem memória.

por La República, com tradução do Cepat / IHU On-Line

Chomsky explicou que o presente representa um “ponto de confluência de diferentes crises muito graves”, entre as quais estão uma ameaça de guerra nuclear, a mudança climática, a pandemia de coronavírus, uma grande depressão econômica e uma contraofensiva racista que tem como epicentro os Estados Unidos, segundo publica o jornal Página/12.

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Censura a 11 matérias visa impedir a divulgação do negócio com big datas públicos. Por Luis Nassif

O juiz que obrigou à despublicação taxou as matérias de levianas. Nem se deu ao trabalho de considerar que, com base nela, procuradores do Ministério Público Estadual de São Paulo ingressaram com uma ação visando anular a licitação da Zona Azul.

No GGN

O que leva um banco como o BTG Pactual a exigir a exclusão de onze reportagens do GGN? A alegação – prontamente acolhida pelo juiz – é que, por ser empresa de capital aberto, as reportagens poderiam  afetar as cotações. Ora, quando foram publicadas nem arranharam as cotações. Qual o motivo então de reavivar os casos com esse pedido para despublicação das matérias?

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