Lula e os reitores: a reunião que não houve

Num encontro constrangedor, governo fez apenas marketing – e desastrado. Nada ofereceu – nem aos grevistas, nem às universidades. E pareceu ausente da realidade do país, atento apenas aos dogmas do neoliberalismo e da Fazenda

por Graça Druck e Luiz Filgueiras, em Outras Palavras

A reunião dos dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (IFES) com o presidente Lula, anunciada desde a semana passada e com conteúdo antecipado pelos ministros da Educação e da Gestão e Inovação (MGI), foi realizada nessa segunda (10/6). Nessa antecipação já se explicitava o seu objetivo, qual seja: o governo Lula anunciar ações e recursos destinados às IFES. (mais…)

Ler Mais

Esquerda além da resistência: não basta enfrentar ameaças fascistas; é preciso voltar a se orientar para o futuro. Entrevista especial com Rodrigo Santaella

“A agência coletiva parece relegada ao segundo plano em nome de prognósticos e diagnósticos acerca do desenvolvimento tecnológico propriamente dito”, constata o cientista político

No IHU

Se, por um lado, o aceleracionismo de esquerda tem riscos e limites ao depositar sua confiança no desenvolvimento tecnológico para garantir avanços e transformações sociais, por outro, esta corrente teórico-política tem o “mérito” de “chacoalhar” a esquerda tradicional, “resignada, acomodada, ordeira, ou seja, uma esquerda que se adequou à ordem e desistiu de qualquer tipo de imaginação política e, no limite, concebeu a ideia de que a sua única tarefa possível é administrar o capitalismo”, resume Rodrigo Santaella na apresentação das principais ideias que marcam o pensamento conhecido como aceleracionismo de esquerda. (mais…)

Ler Mais

Só para ricos: como privatização fez o povo sumir das praias na Itália. Por Estevam Silva

Para ingressar em uma praia privatizada, italianos precisam pagar tarifas que vão de 20 a 150 euros — isso é, de R$ 114 a R$ 912

No Opera Mundi

Com seu território projetado sobre as águas cálidas do Mar Mediterrâneo e um extenso litoral de quase 8.000 quilômetros, a Itália concentra algumas das mais belas praias da Europa. Das enseadas de areias brancas e águas cristalinas da Calábria às encostas rochosas da Ligúria, as praias italianas atraem turistas de todo o mundo e contribuem de forma significativa para as receitas do país. A cultura praieira é um fenômeno enraizado na identidade italiana, e o êxodo massivo de famílias que se dirigem ao litoral para curtir as férias de verão — a “vacanza al mare” — é uma tradição bastante popular no país. Ou ao menos era, antes das praias serem privatizadas. (mais…)

Ler Mais

O desafio de nos reinventarmos politicamente. Por Cândido Grzybowski

em Sentidos e Rumos

Estamos em uma conjuntura histórica de grande ativismo e ataques por parte da velha direita, que vem demonstrando capacidade política de renovação de seus imaginários e métodos, aglutinando suas forças e disputando hegemonia política através de redes sociais e grandes mobilizações nas ruas, com suas concepções e valores autoritários e excludentes, conquistando adesões entre extratos médios e amplos setores populares, especialmente nas periferias urbanas. Parece até que nos contentamos em qualificar de autoritarismo e fascismo tal fenômeno, sem aprofundar a análise da gravidade de sua capacidade de ação e a penetração no seio da sociedade, ameaçando destruir a debilitada democracia de baixa intensidade que temos. Por sinal, trata-se de algo que vem se manifestando no mundo todo de algum modo, como um fenômeno global. Mas o que importa reconhecer é a maior iniciativa e capacidade de articulação global das direitas do que nosso campo,  as forças que as combatem. A direita renovada tem propostas “nacionais” e globais para um capitalismo financeirizado e desgovernado, envolvido em disputas geopolíticas imperiais. Suas propostas, porém, são de “facilitar” o capitalismo, libertando-o das legislações e normas reguladoras  ambientais e sociais, que a direita considera como  promotoras de direitos aos “incompetentes” e dependentes de “favores” por parte do Estado. (mais…)

Ler Mais

Eleições 2024: os polos em disputa nas periferias

Território é diverso e nem tudo é ligado às igrejas. Esquerda erra em disputar valores morais – afinal, evangélicos não usam UBSs, creches ou transporte? Outra frente fundamental: o campo da cidadania periférica contra os filantropos aproveitadores

Por Mateus Muradas, na Revista Forum

O cenário eleitoral de 2024 está escancarando uma disputa ferrenha, entre projetos de cidades e de país que o povo irá escolher. Nada novo, em ano eleitoral. A novidade neste ano é que teremos três polos de disputa, a partir da ótica, exclusivamente, das periferias urbanas e rurais. (mais…)

Ler Mais

Quanto custa uma criança? Por George Monbiot

Privatização da creche e da escola pública está criando um mercado superlucrativo e perigoso. Nele, megafundos e corporações negociam gente. Resultados podem devastar o cuidado, a educação e… esta nova classe de “ativos”

Por George Monbiot, em seu blog | Tradução: Antonio Martins, em Outras Palavras

Sou patrocinador de uma pequena instituição de caridade local que ajuda crianças em dificuldades a reconstruir a confiança e a conexão. Chama-se Equitação Terapêutica Sirona e funciona reunindo meninas e meninos com cavalos resgatados. Os cavalos, como muitas das crianças, chegam traumatizados, ansiosos e assustados. Eles ajudam-se reciprocamente na cura. As crianças que perderam a confiança nos humanos podem encontrá-la nos cavalos, que não as ameaçam nem os julgam, e depois constroem gradualmente essa relação para se reconectarem com as pessoas. (mais…)

Ler Mais

Poderá o SUS salvar nossas utopias?

Frente a um mundo em que o futuro mostra-se cada dia mais ameaçado, como despertar a força necessária para a mudança? Uma chave pode ser o sistema público de saúde brasileiro, projeto centrado no cuidado, com base comunitária e antineoliberal

por Túlio Batista Franco, em Outra Saúde

Tenho dito há algum tempo que é necessário que as pessoas se apaixonem pelo SUS. Um projeto que visa a um grau civilizatório elevado, onde a sociedade cuida dos seus, e todas as pessoas têm os mesmos direitos à saúde e à vida. O que nos move é sobretudo um projeto de futuro. A paixão é um estado de ânimo, capaz de mover com intensidade as forças individuais e coletivas, que funcionam como força propulsora, para a construção do mundo. Nosso mundo é a defesa da vida, da democracia e o fortalecimento do SUS. Essa insígnia da Frente pela Vida colou em nós, como é a luta cotidiana em defesa da saúde universal, com tudo o que isto significa de enfrentamento, por exemplo, com o projeto neoliberal. Devemos pensar em como mobilizar os afetos mais intensos a favor de da política de saúde, mesmo contando com a adversidade dos tempos atuais. (mais…)

Ler Mais