Europa-Mercosul: o acordo de Recolonização

Nada assegura que o pré-compromisso de “livre” comércio assinado em 28/6 torne-se realidade um dia. Se assim for, haverá retrocesso secular. Felizmente, já se anuncia resistência — e não apenas na América do Sul

Por Antonio Martins, em Outras Palavras

Governos em final de mandato, ou precocemente enfraquecidos, são ainda mais propensos a atos espalhafatosos e imprudentes. Na sexta-feira (28/6), em Bruxelas, ministros do Mercosul e o presidente da Comissão Europeia (CE) anunciaram ter chegado ao que poderá ser, um dia, um acordo de “livre” comércio entre os dois blocos. No Brasil, o governo Bolsonaro, representantes das grandes transnacionais e a mídia conservadora comemoraram o fato, que julgam “histórico”. Não há, porém, nenhuma garantia de que os compromissos firmados entrarão em vigor um dia. O caminho para a aprovação final é longo e pedregoso. Os primeiros obstáculos já começaram a surgir – e vão muito além dos movimentos sociais e da “esquerda”. Mas se um dia prevalecer o que se tramou na cidade-sede da União Europeia (UE), haverá três consequências claras. Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai cimentarão sua condição de produtores de bens primários vulgares, em condições sociais e ambientais cada vez mais precárias. Os direitos dos trabalhadores, a natureza e a pequena produção serão atingidos também na Europa. No lado dos ganhadores, estarão apenas as megacorporações e setores econômicos conhecidos por sua ação predatória, como o ruralismo brasileiro.

(mais…)

Ler Mais

China e EUA: história de dois projetos

Economista estadunidense analisa: seu país é dominado por corporações que visam aumentar o lucro dos acionistas e sequestrar a política. Modelo chinês, ao contrário, tem no núcleo empresas públicas comprometidas com o bem-estar do povo

Por Robert Reich, no The Guardian / Carta Maior

Xi Jinping poderia concordar no próximo fim de semana com novas medidas para derrubar o desequilíbrio comercial da China com os EUA, dando a Donald Trump uma maneira de manter as aparências e acabar com sua guerra comercial.

Mas Xi não concordará em mudar o sistema econômico da China. Por que ele deveria?

(mais…)

Ler Mais

Ambientalistas e agricultores europeus consideram acordo UE-Mercosul “inaceitável”

ONGs e políticos ecologistas europeus atacam o acordo, principalmente devido à política ambiental do presidente Jair Bolsonaro; segundo eles, tratado vai destruir “a Amazônia e a agricultura familiar europeia”

Pela RFI, no Opera Mundi

As polêmicas e as resistências contra o acordo “histórico” entre o Mercosul e a União Europeia se multiplicam neste sábado (29/06). A assinatura do tratado comercial entre os dois blocos foi anunciada na noite de sexta-feira (28/06), em Bruxelas. Nesta manhã, o texto é considerado “inaceitável” por agricultores, ONGs do meio ambiente e partidos ecológicos europeus. A política ambiental brasileira está na mira dos opositores ao acordo.

(mais…)

Ler Mais

“O neoliberalismo aplica a necropolítica – deixa morrer pessoas que não são rentáveis”

Clara Valverde, ativista política e social, além de escritora, apresenta seu novo livro De la necropolítica neoliberal a la empatía radical (Icaria / Más madera): “O poder neoliberal faz com que os incluídos não confiem nos Excluídos, que os vejam como estranhos, diferentes, desagradáveis e não se solidarizem com eles.”

Entrevista de Siscu Baiges, para o Catalunya Plural, no Resista!

Valverde apresenta seu novo livro com a alusão a um texto pichado em um muro: “Com a ditadura nos matavam. Agora nos deixam morrer.” Em De la necropolítica neoliberal a la empatía radical (‘Icaria/Más madera’), essa ativista e escritora sustenta que o sistema neoliberal é incompatível com a luta contra a desigualdade. Para ela, esse sistema divide a sociedade em excluídos e incluídos: desconsidera os primeiros e atemoriza os segundos para perpetuar e aumentar o poder e a riqueza dos privilegiados.

(mais…)

Ler Mais

Dinheiro: o novo sonho de controle do Facebook

Um cartel de corporações articulado por Mark Zuckerberg quer substituir os Estados e lançar moeda global. O que significaria privatizar a emissão do instrumento que media a produção, distribuição e consumo de riquezas?

Por Amy Goodman e Juan Gonzalez, do Democracy Now, no Outras Palavras

Em um movimento com o potencial de remodelar o sistema financeiro internacional, o Facebook revelou seus planos de lançar uma nova moeda digital global, chamada Libra. A empresa anunciou seus projetos na terça-feira, depois de trabalhar secretamente na criptomoeda por mais de um ano. A Libra será lançada no ano que vem, em uma parceria com outras grandes corporações como Visa, Mastercard, PayPal e Uber. O Facebook diz que quer criar “uma moeda simples e global, e uma infraestrutura que empodere bilhões de pessoas”.

(mais…)

Ler Mais

A crise do Brexit e o capitalismo impotente

Como a globalização sem regras dissolveu os laços sociais mesmo num dos países mais ricos do mundo. Retratos do impasse: elites divididas, esquerda sem alternativas. A aposta dos super-ricos no caos e a brecha para derrotá-los

Por Paul Mason | Tradução: Marianna Braghini, em Outras Palavras

Uma mulher assedia skatistas brasileiros em uma rua de Londres, exigindo que parem de falar “brasileiro”. O embate, emblemático por sua estupidez, viralizou no Twitter. Os principais diretores de grandes supermercados, além do McDonalds e da KFC, alertaram sobre as interrupções no abastecimento, caso aconteça um Brexit sem acordo. Em janeiro, o governo admitiu que tem planos de contingenciamento de introduzir a lei marcial para evitar “mortes em caso de escassez de comida e medicamentos”. Em seguida, o parlamento britânico votou por algo que não pode colocar em prática: conservadores, membros do Partido Unionista do Ulster e alguns opositores à imigração da ala direita do Partido Trabalhista combinaram de exigir que a União Europeia faça mudanças no acordo que o governo britânico havia fechado em novembro passado. Os líderes da UE imediatamente enfatizaram que nenhuma renegociação de última hora é possível.

(mais…)

Ler Mais

Missão: extinguir o BNDES

Não há apenas inabilidade brutal na demissão de Joaquim Levy. A seu substituto, um economista inexpressivo, Bolsonaro e Guedes encomendaram uma operação que renderá bilhões aos bancos privados

Por Paulo Kliass, em Outras Palavras

Durante as primeiras horas do fim de semana passado, a maior parte dos analistas políticos e os próprios atores da cena política pareciam bastante preocupados em decifrar o “modus operandi” do governo Bolsonaro. Afinal, não era prá menos! Ao longo de poucos dias, o capitão havia exonerado três generais que ele mesmo tinha nomeado para cargos estratégicos no primeiro escalão da Esplanada.

(mais…)

Ler Mais

Bolsonaro e a necropolítica. Artigo de Erik Kayser

IHU On-Line

“Sua campanha eleitoral vitoriosa, tinha na mímica do pistoleiro, com o gesto de armas com as mãos, um claro apelo a saídas violentas. Aliado a uma retórica que não raras vezes explicitava um conteúdo de ódio, provocaram a emergência de uma violência política até então inédita no país”, escreve Erick Kayser, mestre e doutorando em História pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul – UFRGS.

(mais…)

Ler Mais

Fiori: Danação da História e disputa pelo futuro

Em tempos acelerados mais uma reviravolta: guinada à direita na América do Sul parece estar se esgotando. Para evitar a maldição do efeito-gangorra, será preciso novo projeto. Ele exige liquidar a submissão aos Estados Unidos

“Depois de 1940, a Argentina entrou num processo entrópico 
de divisão social e crise política crônica, ao não conseguir se unir 
em torno de uma nova estratégia de desenvolvimento, 
adequada ao contexto geopolítico e econômico criado 
pelo fim da Segunda Guerra Mundial, pelo declínio da Inglaterra, 
e pela supremacia mundial dos Estados Unidos.”

José Luís Fiori, História, estratégia e desenvolvimento, em Outras Palavras

(mais…)

Ler Mais