O que vem depois da globalização neoliberal?

O mundo como o conhecemos é um produto da globalização — e esta era, ao que tudo indica, pode estar chegando ao fim.

Por Branko Marcetic / Tradução: Pedro Silva, na Jacobin

Donald Trump está de volta ao poder e, para dizer o mínimo, não é fã da globalização. O presidente publicamente “rejeitou o globalismo e abraçou o patriotismo” e disse que “isso deixou milhões e milhões de nossos trabalhadores com nada além de pobreza e sofrimento”. Para entender melhor a era atual da globalização que ele tenta encerrar e seu histórico, é útil compará-la com a globalização que ocorreu entre 1870 e a eclosão da Primeira Guerra Mundial. (mais…)

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Universidades públicas em tempos neoliberais

Pesquisadores investigam, em dossiê, os desafios do Ensino Superior no país. Os riscos de desmonte, sob “ajuste fiscal”. Os perigos de ruptura do papel filosófico e cultural. O impacto dos imperativos produtivistas. E as resistências que emergem

Por Graça Druck, João Carlos Salles e Roberto Leher, em Outras Palavras

As universidades públicas têm uma dinâmica singular. Seu modelo, suas mazelas e mesmo seus sonhos não podem ser compreendidos com independência do contexto em que se instalam nem das tarefas que lhes atribuímos. Vivem, assim, o infortúnio das políticas neoliberais como uma tragédia única, sendo infelizes à sua maneira, a um só tempo mitigada em certos aspectos e agravada intensamente em outros. (mais…)

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Por um novo horizonte político de esquerda

Avanço da ultradireita deve-se a uma ausência. Movimentos que encheram as ruas na virada do século foram incapazes de alternativas. No vácuo, emergiu o neofascismo. Onda é reversível – mas exige ir além da mera crítica ao sistema

Por C.J. Polychroniou*, em Outras Palavras

A esquerda está em frangalhos em todo o Ocidente, enquanto partidos de direita e extrema-direita avançam junto à opinião pública. Sustento que a globalização está no cerne desses desenvolvimentos e, portanto, é crucial que a esquerda compreenda os erros em sua abordagem da globalização neoliberal e elabore uma visão alternativa de ordem mundial. (mais…)

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O direito a não desperdiçar a vida. Por Ladislau Dowbor

A luta por dignidade exige novas pautas. Exercer ocupação relevante. Não sofrer a captura da atenção, nas redes sociais. Não perder horas num transporte precário. Não deixar que nossa existência breve seja consumida por sistema em frangalhos

em Outras Palavras*

Observando com honestidade, o ser humano
não precisa de muito para viver
Olga Tokarczuk2

O problema econômico não é — se olharmos para o futuro —
o problema permanente da humanidade
John Maynard Keynes, 19303

Esta é a vida agora: um fluxo constante e interminável
de desconexões e lixo autorreferencial
que passa por nossos olhos e sai de nossos cérebros
na velocidade de uma tela sensível ao toque
Tim Wu, citando Mark Manson

Afinal, não é tanto tempo assim. Se você viver até os 90 anos, serão cerca de 33 mil dias — e como eles escorrem rápido! Mas é o capital de vida com o qual você nasce, e você deve aproveitá-lo ao máximo. É nosso bem mais precioso, o tempo de nossas vidas, nosso ativo básico. Na maioria das vezes, estamos ocupados demais para pensar nisso. Mas não se preocupe, outros estão cuidando dele. Era para ser a nossa vida… (mais…)

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O espectro do burocratismo. Por Luiz Marques

Do ‘poder da escrivaninha’ ao Estado parasitário a burocracia atua como campo de batalha entre controle social, dominação de classe e a luta anticapitalista

A Terra é Redonda

O termo “burocracia” tem origem no francês (bureau-cratie, poder da escrivaninha ou escritório). Apontava para a inconveniência de concentrar-se o comando administrativo. Remetia a uma “praga” disseminada pelo velho continente. Hoje a expressão está no índex proibitivo de think tanks neoliberais que elegem o livre mercado como a via para o progresso. Para Raymond Williams, esta é uma das “palavras-chave” importantes na reconstituição dos sentidos que registram os conflitos sociais – tragédias, farsas, sofrimentos, regozijos – na tortuosa evolução da história contemporânea. (mais…)

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O 13 de maio – e o trabalho digno que nunca chegou

Após a “abolição”, faltou a Coroa assinar a carteira de trabalho. Até hoje, a precarização mostra suas raízes históricas profundas na escravidão. Data pode ser convite para refletir a formação da classe trabalhadora brasileira e seus novos desafios

Por Erik Chiconelli Gomes, no GGN

A formação da classe trabalhadora brasileira constitui um processo histórico singular, profundamente marcado pela transição do trabalho escravo para o trabalho livre a partir do 13 de maio de 1888. Esta data, longe de representar apenas a assinatura da Lei Áurea pela Princesa Isabel, simboliza um complexo processo de lutas e resistências que se iniciou muito antes da abolição formal e continuou muito depois dela. A libertação dos escravizados não foi uma dádiva da Coroa, mas resultado de décadas de rebeliões, fugas, formação de quilombos e pressões do movimento abolicionista, onde os próprios escravizados foram protagonistas ativos, e não meros beneficiários passivos. Após o 13 de maio, os ex-escravizados e seus descendentes enfrentaram a exclusão sistemática do mercado de trabalho formal, a ausência de políticas de integração socioeconômica e o racismo estrutural, fatores que moldaram decisivamente a configuração da classe trabalhadora que emergia. Neste contexto, a experiência compartilhada de exploração, opressão e resistência foi transformando um conjunto heterogêneo de indivíduos em uma classe com identidade e interesses próprios, através de um processo que não se deu naturalmente, mas foi construído nas lutas cotidianas por sobrevivência e dignidade. (mais…)

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