O direito a não desperdiçar a vida. Por Ladislau Dowbor

A luta por dignidade exige novas pautas. Exercer ocupação relevante. Não sofrer a captura da atenção, nas redes sociais. Não perder horas num transporte precário. Não deixar que nossa existência breve seja consumida por sistema em frangalhos

em Outras Palavras*

Observando com honestidade, o ser humano
não precisa de muito para viver
Olga Tokarczuk2

O problema econômico não é — se olharmos para o futuro —
o problema permanente da humanidade
John Maynard Keynes, 19303

Esta é a vida agora: um fluxo constante e interminável
de desconexões e lixo autorreferencial
que passa por nossos olhos e sai de nossos cérebros
na velocidade de uma tela sensível ao toque
Tim Wu, citando Mark Manson

Afinal, não é tanto tempo assim. Se você viver até os 90 anos, serão cerca de 33 mil dias — e como eles escorrem rápido! Mas é o capital de vida com o qual você nasce, e você deve aproveitá-lo ao máximo. É nosso bem mais precioso, o tempo de nossas vidas, nosso ativo básico. Na maioria das vezes, estamos ocupados demais para pensar nisso. Mas não se preocupe, outros estão cuidando dele. Era para ser a nossa vida… (mais…)

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O espectro do burocratismo. Por Luiz Marques

Do ‘poder da escrivaninha’ ao Estado parasitário a burocracia atua como campo de batalha entre controle social, dominação de classe e a luta anticapitalista

A Terra é Redonda

O termo “burocracia” tem origem no francês (bureau-cratie, poder da escrivaninha ou escritório). Apontava para a inconveniência de concentrar-se o comando administrativo. Remetia a uma “praga” disseminada pelo velho continente. Hoje a expressão está no índex proibitivo de think tanks neoliberais que elegem o livre mercado como a via para o progresso. Para Raymond Williams, esta é uma das “palavras-chave” importantes na reconstituição dos sentidos que registram os conflitos sociais – tragédias, farsas, sofrimentos, regozijos – na tortuosa evolução da história contemporânea. (mais…)

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O 13 de maio – e o trabalho digno que nunca chegou

Após a “abolição”, faltou a Coroa assinar a carteira de trabalho. Até hoje, a precarização mostra suas raízes históricas profundas na escravidão. Data pode ser convite para refletir a formação da classe trabalhadora brasileira e seus novos desafios

Por Erik Chiconelli Gomes, no GGN

A formação da classe trabalhadora brasileira constitui um processo histórico singular, profundamente marcado pela transição do trabalho escravo para o trabalho livre a partir do 13 de maio de 1888. Esta data, longe de representar apenas a assinatura da Lei Áurea pela Princesa Isabel, simboliza um complexo processo de lutas e resistências que se iniciou muito antes da abolição formal e continuou muito depois dela. A libertação dos escravizados não foi uma dádiva da Coroa, mas resultado de décadas de rebeliões, fugas, formação de quilombos e pressões do movimento abolicionista, onde os próprios escravizados foram protagonistas ativos, e não meros beneficiários passivos. Após o 13 de maio, os ex-escravizados e seus descendentes enfrentaram a exclusão sistemática do mercado de trabalho formal, a ausência de políticas de integração socioeconômica e o racismo estrutural, fatores que moldaram decisivamente a configuração da classe trabalhadora que emergia. Neste contexto, a experiência compartilhada de exploração, opressão e resistência foi transformando um conjunto heterogêneo de indivíduos em uma classe com identidade e interesses próprios, através de um processo que não se deu naturalmente, mas foi construído nas lutas cotidianas por sobrevivência e dignidade. (mais…)

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Como o SUS garante o Piso da Enfermagem

Repasses feitos pelo Ministério da Saúde permitem pagamentos por estados e municípios. Salário da categoria está entre principais temas de mobilização sindical e política no Brasil – mas para garantir fim da exploração, luta agora é por jornada de 30 horas semanais

por Solange Caetano, em Outra Saúde

O orçamento federal de 2025 prevê o repasse de R$ 11 bilhões destinados ao cumprimento do Piso Nacional da Enfermagem. Essa medida é fundamental para garantir que os profissionais da área, especialmente aqueles que atuam no Sistema Único de Saúde (SUS), recebam a remuneração mínima estipulada por lei — um passo importante no reconhecimento da importância desses trabalhadores. (mais…)

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A militarização da vida: o Estado que só chega com a PM. Por Jessica Santos

No Brasil, educação, saúde e habitação são caso de polícia

Newsletter da Ponte

A presença da PM de São Paulo na Favela do Moinho ao longo de todo o feriado de Páscoa e Tiradentes teve como justificativa o argumento de que a corporação prestava ali um “papel humanitário”. Da Sexta-feira Santa até a segunda-feira, moradores relataram incursões policiais com bombas de gás lacrimogêneo e ameaças a quem mora e construiu a vida naquele local. (mais…)

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Mais Médicos: surge uma contradição na base do SUS

Estaria o programa servindo para precarizar o trabalho na Atenção Básica? Dois médicos de família alertam: já se fazem contratações injustificáveis pelo programa. Sem estratégia para fixar os profissionais a longo prazo, problema da falta de assistência não se resolverá

Marco Tulio Pereira e Ricardo Heinzelmann em entrevista a Gabriel Brito, em Outra Saúde

Festejado pelo governo Lula como grande símbolo da “reconstrução”, o programa Mais Médicos quebrou recordes de adesão e beira os 30 mil profissionais contratados, distribuídos por unidades de saúde de todo o Brasil. (mais…)

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