O “admirável mundo novo” da extrema-direita: a falsa rebeldia e transgressão discursiva nas redes sociais. Entrevista especial com Thomás Zicman de Barros

A retórica histriônica de políticos da extrema-direita catalisa indignações sociais e políticas não raras vezes legítimas, mas seus encaminhamentos não são transformadores, senão reafirmam as hierarquias sociais existentes

Na IHU

Líderes da extrema-direita são eloquentes, possuem um discurso que é visto como indignado e autêntico. A penetração social e influência não são, porém, meramente retóricas, são reais e têm efeitos concretos. “Muitos estudiosos destacam esse estilo: líderes populistas que falam de modo atabalhoado, se vestem de forma desajeitada, parecem ‘simplões’, como se fossem um homem do povo. Outro traço é a agressividade: palavrões, ofensas, ataques diretos. Isso passa a ideia de indignação, de autenticidade”, descreve Thomás Zicman de Barros, em entrevista por e-mail ao Instituto Humanitas Unisinos – IHU. “Mais do que isso, traz à tona temas que antes não podiam ser ditos em público. Rompe tabus e promete um ‘outro mundo’. O problema é que esse ‘outro mundo’ não é novo: ele apenas reafirma as hierarquias sociais já existentes”, complementa. (mais…)

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Nancy Fraser encara o capitalismo canibal

Em seu próximo livro, filósofa feminista sugere: enfrentar sistema, em sua fase mais brutal, exige atualizar o marxismo e rever as concepções de trabalho produtivo. Recriação de sujeitos coletivos, proposta pelo populismo de esquerda, é caminho

Por Martin Mosquera, na Jacobin Latinoamericana / Outras Palavras

Em seus últimos trabalhos, Fraser defende uma síntese entre o prático e o teórico, a fim de evitar o desastre iminente que ela chama, em seu próximo livro, de “capitalismo canibal”: a visão de que o capitalismo, ao invadir todas as esferas da vida, pode destruir suas próprias condições de sobrevivência – e, mais importante, as nossas.

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Viagem ao Brasil. Por Flávio Aguiar*

Em A Terra é redonda

A Chegada

Curioso: para chegar ao Brasil, vindo do estrangeiro, a gente precisa se livrar de uma certa bagagem, ao invés de levá-la. Dou exemplo: na mídia mainstream internacional, o patético (ou pateta?) discurso de Bolsonaro na abertura da Assembleia Geral da ONU foi descrito como “nacionalista”. Por que? Porque reivindicava a Amazônia para seus desmandos e arbítrios.

Pode?

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Ditadura militar e Bolsonarismo: política doméstica e relações internacionais

O populista, que tanto critica o “viés ideológico” de seus opositores, chancela uma política externa subalterna e ideologicamente afinada aos interesses dos EUA, que não coincidem com os interesses nacionais. Tal modalidade de inserção internacional tem contribuído para o enfraquecimento do Mercosul

Por Carlos Eduardo Santos Pinho, no Le Monde Diplomatique

A eleição de Jair Bolsonaro, potencializada pela difusão de fake news por meio de mídias sociais, redefiniu o pacto político da Nova República (1985-1989) e sucumbiu a polarização política entre PT e PSDB, vigente em seis eleições presidenciais. Foi sufragado nas urnas um projeto de poder fortemente conservador nos costumes, radicalmente liberal na economia e submisso, do ponto de vista das relações exteriores, aos interesses econômicos e geopolíticos dos EUA, como mostram as evidências empíricas.

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Por que confundir populistas com fascistas é um equívoco, segundo pesquisador do Holocausto em Israel

Por Paula Adamo Idoeta, da BBC News Brasil

Pesquisador por três décadas do Museu do Holocausto em Israel, Avraham Milgram sugere cautela a quem chama tudo de fascismo.

Historiador, ele defende que há uma distinção objetiva entre fascistas e populistas, apesar de semelhanças históricas como lideranças carismáticas, identidade nacional e crise socioeconômica.

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