Boaventura vê Lula Livre

Sua libertação revela que os EUA não podem tudo: há brechas para a luta política no Brasil. Sua fala, mais à esquerda, sugere que já não cultiva a ilusão de governar em favor de todos. Poderia, em vez de candidato, ser um grande articulador?

por Boaventura de Sousa Santos*, em Outras Palavras

Nos últimos anos, a arrogância da onda conservadora e reacionária assumiu proporções assustadoras. Assistimos à consolidação de uma aliança tóxica entre a voracidade da concentração da riqueza promovida pelo neoliberalismo (e o consequente empobrecimento das grandes maiorias), a agressividade crescente dos discursos e práticas neofascistas, racistas e misóginas, o conservadorismo fundamentalista religioso (cristão, judaico, islâmico, hindu), a manipulação grosseira das instituições democráticas e sistemas judiciais e o negacionismo da iminente catástrofe ambiental. Tudo isto tem contribuído para uma certa paralisação da imaginação política e da potência rebelde dos oprimidos. Como se caminhássemos para um abismo levados por um desígnio demasiado superior às nossas forças para poder ser travado. Nos últimos tempos, contudo, em diferentes partes do mundo, surgiram sinais de que nem tudo está perdido. Do Líbano ao Iraque, do Chile à Argentina, as populações golpeadas pelo poder injusto e corrupto mobilizaram-se nas ruas ou nas urnas para proclamarem bem alto: Basta! O futuro destas mobilizações é incerto mas, pelo menos, graças a elas, parece certo que continuamos a ter direito ao futuro.

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Líbano: de mãos dadas, os manifestantes ligaram o país inteiro

Uma corrente humana atravessou o Líbano este domingo. No décimo dia de protestos os 170 quilómetros da costa do país foram ligados mão na mão numa mobilização sem precedentes. Na sequência dos protestos massivos, o primeiro-ministro, Saad Hariri, anunciou a sua demissão. Notícia atualizada dia 29 de outubro às 18.55.

Esquerda

Durante 25 anos, o Líbano viveu uma guerra civil dilacerante. Depois do seu fim, em 1990, o poder político ficou meticulosamente dividido entre as várias comunidades étnico-religiosas do país. E assim, dizia-se, tinha de continuar.

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Viagem ao Brasil. Por Flávio Aguiar*

Em A Terra é redonda

A Chegada

Curioso: para chegar ao Brasil, vindo do estrangeiro, a gente precisa se livrar de uma certa bagagem, ao invés de levá-la. Dou exemplo: na mídia mainstream internacional, o patético (ou pateta?) discurso de Bolsonaro na abertura da Assembleia Geral da ONU foi descrito como “nacionalista”. Por que? Porque reivindicava a Amazônia para seus desmandos e arbítrios.

Pode?

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Aconteceu em Santiago

O que a explosão popular nas ruas do Chile pode dizer sobre as pernas curtas da “nova” direita, a crise do capitalismo e insuficiência de uma esquerda que parece incapaz de renovar seu projeto

por Antonio Martins, em Outras Palavras

E o Chile – quem diria? – pegou fogo por menos de vinte centavos. No início de outubro, o governo de Sebastián Piñera, composto por neoliberais e direita, autorizou a empresa privada que gere o metrô de Santiago a elevar a tarifa máxima, de 800 para 830 pesos (de R$ 4,63 a R$ 4,80). A Assembleia Coordenadora dos Estudantes Secundários (ACES) sugeriu resistência e evasiones, grandes atos coletivos de pula-catraca. O chamado caiu como fagulha em mato seco e incendiou um país castigado pela desigualdade, redução da vida a mercadoria barata e sensação de que o sistema político é insensível à dor e à falta de horizontes das maiorias.

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“Se não tiver LGBT, não pode ser nossa revolução”

Durante curso LGBT Sem Terra, mesa debate desafios para a resistência LGBT diante da atual conjuntura

Por Yuri Simeon, na Página do MST

Anteontem (19), aconteceu a mesa “Luta LGBTI+ em tempos de resistência, avanços e retrocessos” durante o último dia do XVIII Curso LGBT Sem Terra. A atividade acontece na Escola Nacional Florestan Fernandes (ENFF), em Guararema (SP), de 14 a 19 de outubro, e tem como objetivos a formação política, a auto-organização e o aprofundamento sobre a identidade LGBT Sem Terra.

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Bacurau, libertação e fúria

Numa provocação sobre o papel da violência, a pergunta: ela jorra do sangue dos invasores, ou da tentativa de colonizar e aniquilar o Sertão — com ajuda dos próprios brasileiros? Fica, no entanto, o exemplo: não precisamos morrer todo dia

por Juliana Magalhães*, em Outras Palavras

“No centro do sertão, o que é doideira às vezes pode ser a razão mais certa e de mais juízo!”
Guimarães Rosa

Um dia um artista carioca disse que procuramos no amor uma pureza impossível. Não me lembro se foram essas as palavras, mas sei que o sentido da frase era exatamente esse. A questão é que há também quem busque por uma pureza impossível na arte, no cinema. Há quem procure por uma experiência aconchegante quando entra numa sala de cinema:  problemas que se resolvam com soluções mágicas e fleumáticas. Uma estética que não agrida os olhos ou um suposto bom gosto. Um final feliz para o bom e um final um pouco menos feliz para o mau. Coisas “belas” que Hollywood e os contos de fada fizeram com que o nosso cérebro invocasse quase que imediatamente. Desejam uma espécie de desfecho que as obras realistas não suportam mais. Não falo aqui do movimento realista, mas da realidade em si.

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“Aqui o Marcelo não vai entrar”, reforçam os estudantes da UFFS

O interventor nomeado por Bolsonaro não obteve vitória em nenhum dos segmentos da consulta prévia e sobretudo no Consuni, de 49 votos para composição da lista tríplice ele obteve apenas quatro votos”, detalhou o estudante Dionatan Martins

Por Claudia Weinman, em Desacato. info.

A reitoria da Universidade Federal Fronteira Sul – UFFS está ocupada pela comunidade acadêmica desde o dia 29 de agosto, quando foi publicada no Diário Oficial da União a nomeação por Jair Bolsonaro e o MEC do interventor Marcelo Recktenvald, contrariando a decisão democrática da comunidade. Na noite de ontem, terça-feira, dia 3 de setembro, o Portal Desacato fez m registro exclusivo junto aos estudantes e apoiadores, sobre a luta na ocupação.

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Wallerstein, o sociólogo da descolonização. Por Boaventura de Sousa Santos

Ele difundiu o conceito de sistema mundo, que permitiu às ciências sociais enxergar além dos espaços nacionais. Longe de se limitar à teoria, apoiou movimentos anticoloniais e reconstruiu comunidades científicas em países liberados

por Boaventura de Sousa Santos*, em Outras Palavras

A morte de Immanuel Wallerstein é uma perda irreparável para as ciências sociais. Foi, sem sombra de dúvida, o mais notável sociólogo norte-americano do século XX e o de maior projeção internacional. O seu maior mérito foi ter levado gerações sucessivas de sociólogos a deixarem para trás a unidade de análise em que se tinham treinado (as sociedades nacionais) e a debruçarem-se sobre o sistema mundo (a economia-mundo e o sistema de Estados soberanos).

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