Bolívia: e os indígenas resistem ao golpe…

Dez dias (e 23 mortes) passaram-se, mas ultradireita não foi capaz de silenciá-los. Exilado, o vice-presidente descreve a caça às cholas, a ação das milícias, a traição dos generais. E a covardia da classe média, tropa de choque do racismo colonial

Por Álvaro García Linera* | Tradução: Simone Paz, em Outras Palavras

Feito densa neblina noturna, o ódio percorre ferozmente os tradicionais bairros de classe média urbana da Bolívia. Seus olhos transbordam de ira. Não gritam, cospem; não reclamam, impõem. Seus clamores não são pela esperança nem pela irmandade, são de desprezo e de discriminação contra os índios. Montam suas motos, sobem em suas caminhonetes, agrupam-se em suas confrarias e faculdades privadas e saem à caça dos índios atrevidos que tiveram a coragem de arrebatar-lhes o poder.

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“Em um Brasil deserto de lideranças, Lula vai fazer a festa”, afirma o cientista político Jairo Nicolau

Um deserto. Essa é a imagem utilizada pelo cientista político Jairo Nicolau para descrever o atual cenário político do país. Autor de livros importantes sobre o sistema eleitoral brasileiro, ele acredita que a escassez de lideranças cria o cenário ideal para a atuação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva fora da prisão.

por João Soares, emr Deutsche Welle / IHU On-Line

“Lula está nadando de braçada, não tem ninguém no cenário político brasileiro que se contraponha a ele em capacidade de liderança e articulação. É um território desértico, e ele vai fazer festa”, avalia Nicolau em entrevista à DW Brasil.

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Boaventura vê Lula Livre

Sua libertação revela que os EUA não podem tudo: há brechas para a luta política no Brasil. Sua fala, mais à esquerda, sugere que já não cultiva a ilusão de governar em favor de todos. Poderia, em vez de candidato, ser um grande articulador?

por Boaventura de Sousa Santos*, em Outras Palavras

Nos últimos anos, a arrogância da onda conservadora e reacionária assumiu proporções assustadoras. Assistimos à consolidação de uma aliança tóxica entre a voracidade da concentração da riqueza promovida pelo neoliberalismo (e o consequente empobrecimento das grandes maiorias), a agressividade crescente dos discursos e práticas neofascistas, racistas e misóginas, o conservadorismo fundamentalista religioso (cristão, judaico, islâmico, hindu), a manipulação grosseira das instituições democráticas e sistemas judiciais e o negacionismo da iminente catástrofe ambiental. Tudo isto tem contribuído para uma certa paralisação da imaginação política e da potência rebelde dos oprimidos. Como se caminhássemos para um abismo levados por um desígnio demasiado superior às nossas forças para poder ser travado. Nos últimos tempos, contudo, em diferentes partes do mundo, surgiram sinais de que nem tudo está perdido. Do Líbano ao Iraque, do Chile à Argentina, as populações golpeadas pelo poder injusto e corrupto mobilizaram-se nas ruas ou nas urnas para proclamarem bem alto: Basta! O futuro destas mobilizações é incerto mas, pelo menos, graças a elas, parece certo que continuamos a ter direito ao futuro.

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Líbano: de mãos dadas, os manifestantes ligaram o país inteiro

Uma corrente humana atravessou o Líbano este domingo. No décimo dia de protestos os 170 quilómetros da costa do país foram ligados mão na mão numa mobilização sem precedentes. Na sequência dos protestos massivos, o primeiro-ministro, Saad Hariri, anunciou a sua demissão. Notícia atualizada dia 29 de outubro às 18.55.

Esquerda

Durante 25 anos, o Líbano viveu uma guerra civil dilacerante. Depois do seu fim, em 1990, o poder político ficou meticulosamente dividido entre as várias comunidades étnico-religiosas do país. E assim, dizia-se, tinha de continuar.

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Viagem ao Brasil. Por Flávio Aguiar*

Em A Terra é redonda

A Chegada

Curioso: para chegar ao Brasil, vindo do estrangeiro, a gente precisa se livrar de uma certa bagagem, ao invés de levá-la. Dou exemplo: na mídia mainstream internacional, o patético (ou pateta?) discurso de Bolsonaro na abertura da Assembleia Geral da ONU foi descrito como “nacionalista”. Por que? Porque reivindicava a Amazônia para seus desmandos e arbítrios.

Pode?

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Aconteceu em Santiago

O que a explosão popular nas ruas do Chile pode dizer sobre as pernas curtas da “nova” direita, a crise do capitalismo e insuficiência de uma esquerda que parece incapaz de renovar seu projeto

por Antonio Martins, em Outras Palavras

E o Chile – quem diria? – pegou fogo por menos de vinte centavos. No início de outubro, o governo de Sebastián Piñera, composto por neoliberais e direita, autorizou a empresa privada que gere o metrô de Santiago a elevar a tarifa máxima, de 800 para 830 pesos (de R$ 4,63 a R$ 4,80). A Assembleia Coordenadora dos Estudantes Secundários (ACES) sugeriu resistência e evasiones, grandes atos coletivos de pula-catraca. O chamado caiu como fagulha em mato seco e incendiou um país castigado pela desigualdade, redução da vida a mercadoria barata e sensação de que o sistema político é insensível à dor e à falta de horizontes das maiorias.

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“Se não tiver LGBT, não pode ser nossa revolução”

Durante curso LGBT Sem Terra, mesa debate desafios para a resistência LGBT diante da atual conjuntura

Por Yuri Simeon, na Página do MST

Anteontem (19), aconteceu a mesa “Luta LGBTI+ em tempos de resistência, avanços e retrocessos” durante o último dia do XVIII Curso LGBT Sem Terra. A atividade acontece na Escola Nacional Florestan Fernandes (ENFF), em Guararema (SP), de 14 a 19 de outubro, e tem como objetivos a formação política, a auto-organização e o aprofundamento sobre a identidade LGBT Sem Terra.

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Bacurau, libertação e fúria

Numa provocação sobre o papel da violência, a pergunta: ela jorra do sangue dos invasores, ou da tentativa de colonizar e aniquilar o Sertão — com ajuda dos próprios brasileiros? Fica, no entanto, o exemplo: não precisamos morrer todo dia

por Juliana Magalhães*, em Outras Palavras

“No centro do sertão, o que é doideira às vezes pode ser a razão mais certa e de mais juízo!”
Guimarães Rosa

Um dia um artista carioca disse que procuramos no amor uma pureza impossível. Não me lembro se foram essas as palavras, mas sei que o sentido da frase era exatamente esse. A questão é que há também quem busque por uma pureza impossível na arte, no cinema. Há quem procure por uma experiência aconchegante quando entra numa sala de cinema:  problemas que se resolvam com soluções mágicas e fleumáticas. Uma estética que não agrida os olhos ou um suposto bom gosto. Um final feliz para o bom e um final um pouco menos feliz para o mau. Coisas “belas” que Hollywood e os contos de fada fizeram com que o nosso cérebro invocasse quase que imediatamente. Desejam uma espécie de desfecho que as obras realistas não suportam mais. Não falo aqui do movimento realista, mas da realidade em si.

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