Bacurau, libertação e fúria

Numa provocação sobre o papel da violência, a pergunta: ela jorra do sangue dos invasores, ou da tentativa de colonizar e aniquilar o Sertão — com ajuda dos próprios brasileiros? Fica, no entanto, o exemplo: não precisamos morrer todo dia

por Juliana Magalhães*, em Outras Palavras

“No centro do sertão, o que é doideira às vezes pode ser a razão mais certa e de mais juízo!”
Guimarães Rosa

Um dia um artista carioca disse que procuramos no amor uma pureza impossível. Não me lembro se foram essas as palavras, mas sei que o sentido da frase era exatamente esse. A questão é que há também quem busque por uma pureza impossível na arte, no cinema. Há quem procure por uma experiência aconchegante quando entra numa sala de cinema:  problemas que se resolvam com soluções mágicas e fleumáticas. Uma estética que não agrida os olhos ou um suposto bom gosto. Um final feliz para o bom e um final um pouco menos feliz para o mau. Coisas “belas” que Hollywood e os contos de fada fizeram com que o nosso cérebro invocasse quase que imediatamente. Desejam uma espécie de desfecho que as obras realistas não suportam mais. Não falo aqui do movimento realista, mas da realidade em si.

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“Aqui o Marcelo não vai entrar”, reforçam os estudantes da UFFS

O interventor nomeado por Bolsonaro não obteve vitória em nenhum dos segmentos da consulta prévia e sobretudo no Consuni, de 49 votos para composição da lista tríplice ele obteve apenas quatro votos”, detalhou o estudante Dionatan Martins

Por Claudia Weinman, em Desacato. info.

A reitoria da Universidade Federal Fronteira Sul – UFFS está ocupada pela comunidade acadêmica desde o dia 29 de agosto, quando foi publicada no Diário Oficial da União a nomeação por Jair Bolsonaro e o MEC do interventor Marcelo Recktenvald, contrariando a decisão democrática da comunidade. Na noite de ontem, terça-feira, dia 3 de setembro, o Portal Desacato fez m registro exclusivo junto aos estudantes e apoiadores, sobre a luta na ocupação.

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Wallerstein, o sociólogo da descolonização. Por Boaventura de Sousa Santos

Ele difundiu o conceito de sistema mundo, que permitiu às ciências sociais enxergar além dos espaços nacionais. Longe de se limitar à teoria, apoiou movimentos anticoloniais e reconstruiu comunidades científicas em países liberados

por Boaventura de Sousa Santos*, em Outras Palavras

A morte de Immanuel Wallerstein é uma perda irreparável para as ciências sociais. Foi, sem sombra de dúvida, o mais notável sociólogo norte-americano do século XX e o de maior projeção internacional. O seu maior mérito foi ter levado gerações sucessivas de sociólogos a deixarem para trás a unidade de análise em que se tinham treinado (as sociedades nacionais) e a debruçarem-se sobre o sistema mundo (a economia-mundo e o sistema de Estados soberanos).

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Brasileiros no exterior, uma frente contra o retrocesso

Avança resistência entre emigrados brazuca. Grupos de 40 países reúnem-se na Alemanha, para denunciar governo, exigir soberania nacional e o fim das agressões à Amazônia e povos indígenas

por Flavio Aguiar, em Outras Palavras

Começado no dia 16 de agosto, sexta-feira, em Berlim, e terminado no domingo, dia 18, o II Encontro Internacional da Frente de Brasileiras e Brasileiros pela Democracia e contra o Golpe (FIBRA), definiu 11 objetivos prioritários para seu programa de lutas pelos próximos dois anos.

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As trapaças do gozo individual

Num texto que viralizou, Lira Neto propõe desfrute como forma de lutar contra a maré obscurantista. Descontrair não serve como saída política. Nesse caso, reduz-se a individualização e fuga. Lutar pelo comum é criá-lo, no prazer da luta coletiva

por Veridiana Zurita, por Outras Palavras

Na aceleração frenética que movimenta as redes sociais, onde recebemos mensagens instantâneas, postamos, compartilhamos, retweetamos, “likamos” ou selecionamos emoticons que resumem as nossas reativas emoções, recebi diversas vezes posts que replicavam uma mesma receita para suposta superação ao obscurantismo bolsonarista. No geral, tais posts, ecoam aquela lógica de autoajuda que para todo e qualquer sofrimento há um cardápio positivo de superação. Mas a que mais me impactou, já com 8.997 retweets e 26.674 likes, foi um tweet do jornalista e escritor Lira Neto que dizia:

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De Olho na História (I) — Margarida Maria Alves: “Da luta não fujo”

A camponesa de Alagoa Grande (PB) foi assassinada a mando de latifundiários em 1983; os criminosos não foram condenados, mas Margarida tornou-se inspiração para milhares de mulheres que, como ela, resistem a injustiças e retrocessos

Por Maria Lígia Pagenotto, em De Olho nos Ruralistas

Nascimento: 5 de agosto de 1933 em Alagoa Grande (PB), município da região do Brejo Paraibano, a 100 quilômetros de João Pessoa.

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Marchar é um ato de valentia e resistência!

A mobilização, que teve como lema: Marcha Estadual em Defesa da Soberania, pela Terra e pela Manutenção dos Direitos”, foi construída pelo MST e pela CPT

Por Eva Bezerra, na Página do MST 

Cerca de 1000 Sem Terra – em sua maioria mulheres – saíram em marcha pelas ruas da Paraíba nesta segunda-feira (12). A marcha  saiu do município de Conde que fica há 23 km da capital João Pessoa.

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Christiane, Aida, Marcia, Maria, Adelia: cinco histórias de Margaridas

Mulheres de todas as idades, do campo e da cidade, levaram para Brasília diferentes pautas para o encontro de camponesas; em comum, a intenção de fortalecer a luta por seus direitos 

Por Priscilla Arroyo, em De Olho nos Ruralistas

Luta, esperança e coragem. As palavras resumem os propósitos das milhares de mulheres que ocuparam as ruas de Brasília com um chapéu na cabeça e um sorriso no rosto durante a Marcha das Margaridas, nos dias 13 e 14, maior evento de luta feminina da América Latina. Apesar dos desafios impostos pela política, estavam felizes por encontrar as companheiras e ter as suas vozes ampliadas. Elas falam, cada uma a seu modo, sobre as mudanças que gostariam de ver no Brasil.

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