O congresso Pós-COP30: o Brasil que promete e o Brasil que devasta. Por Celso Pinto de Melo

O Congresso demonstra que as regras ambientais brasileiras podem ser reescritas ao sabor da madrugada, da bancada e da barganha

No Le Monde Diplomatique Brasil

“Nós não herdamos a Terra de nossos antepassados;
nós a tomamos emprestada de nossos filhos.”
Wendell Berry

A derrubada, pelo Congresso Nacional, dos vetos presidenciais à Lei Geral do Licenciamento Ambiental tornou-se um dos contrastes políticos mais estridentes de nossa história recente. Belém prometera um país; Brasília entregou outro. Menos de uma semana após o Brasil encerrar, em Belém, uma COP30 marcada por elogios ao protagonismo climático do país, Brasília assistiu ao ressurgimento do chamado “PL da devastação”, descrito por redes de pesquisadores e organizações socioambientais como o maior retrocesso ambiental desde os anos 1980[1]. O país que discursava na Amazônia não era – e nunca foi – o mesmo que legislava no Planalto Central. (mais…)

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Quem ganha com o fim do licenciamento ambiental?

Devastar é uma ordem. Eis o desejo da máquina transnacional de extração, processamento e exportação de commodities, num país regredido à periferia do capitalismo tardio. Mas estão reservadas surpresas aos que tentam silenciar o que é vivido e rememorado de forma coletiva

Por Luís Fernando Novoa Garzón, em Outras Palavras

É o que anunciam os votos da distorcida maioria parlamentar no Brasil que derrubaram os vetos presidenciais ao PL da devastação (Projeto de Lei 151.90/2025). Presente de Natal antecipado de valor incalculável oferecido para os patrocinadores do capitalismo brasileiro de desastres: um licenciamento ambiental mormente declaratório. (mais…)

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Retomada Guarani: Viver da terra ou morrer por ela

No MS, indígenas reocupam território ancestral invadida por um latifúndio. Ação ocorreu sob ataque de pistoleiros. Terra indígena já foi reconhecida, mas demarcação atrasa. Fugidos da fome, 120 famílias de aldeia lutam por direito de produzir sua comida

Por Gabriela Moncau, em O Joio e o Trigo

Alvos de ataques de pistoleiros por três madrugadas seguidas desde que retomaram parte do seu território, no Mato Grosso do Sul, indígenas Guarani Kaiowa do tekoha Pyelito Kue no município de Iguatemi (MS) reconstruíram barracos de lona incendiados e afirmam que não vão arredar o pé de seu território tradicional. “A sensação é de que é hoje ou nunca. Se a gente obedecer eles [fazendeiros e pistoleiros], nunca vão demarcar nossa terra”, resume o indígena Xe Ryvy Rendy’i: “É demarcação ou morte”. (mais…)

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Ibama multa bancos e fazendeiros por financiar desmatamento ilegal na Amazônia

Operação Caixa-Forte 2 aplicou R$ 11,2 milhões em multas e identificou R$ 25 milhões em créditos irregulares concedidos a áreas embargadas

Ibama

O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) deflagrou a Operação Caixa-Forte 2 para combater o financiamento de atividades agropecuárias em áreas desmatadas ilegalmente na Amazônia. A ação mira o elo financeiro por trás da destruição ambiental, buscando frear o estímulo econômico aos crimes ambientais e a competição desleal no setor rural. (mais…)

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Derrota do governo em MP do IOF esconde articulação do agro para barrar imposto sobre bets

Além de aumento mais modesto que proposta do governo, membros da bancada ruralista propuseram reduzir impostos para bets

Por Caio de Freitas | Edição: Ed Wanderley, Agência Pública

Antes mesmo de a oposição ao governo derrubar a Medida Provisória (MP) 1303/2025, que elevaria impostos sobre setores da economia para aumentar a arrecadação a partir de 2026, as bets já tinham saído vencedoras. (mais…)

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Última esperança: MPF pede federalização de reserva que teve 75% da área desmatada e invadida por 765 fazendas de gado

Unidade criada para proteger extrativistas virou polo de pecuária ilegal e alvo de milícias rurais em Rondônia

Por Rodrigo Chagas, no Brasil de Fato

“As famílias foram expulsas com violência. Hoje, muitas vivem deprimidas, sem renda, pedindo ajuda no distrito. Mas ainda têm esperança de voltar”, diz Lincoln Fernandes de Lima, extrativista e presidente da Associação Bentevi. Morador da Reserva Extrativista Jaci-Paraná desde 1989, ele é uma das poucas lideranças que seguem resistindo à devastação provocada por invasores e grileiros dentro da unidade de conservação (UC). (mais…)

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PL tenta proibir transporte de animais vivos e evitar tortura em mercado de R$ 2 bilhões

Projeto propõe fim da exportação de bois vivos em 5 anos e regula transporte e bem-estar animal antes de data-limite

Por Guilherme Cavalcanti | Edição: Ed Wanderley, Agência Pública

Carcaças de bois tomaram rios do estado do Pará e impregnam comunidades pesqueiras da região com um forte odor podre. Cerca de 5 mil bovinos foram parar na água após um navio afundar no porto de Vila do Conde (PA), deixando, além do rastro de morte, manchas por aproximadamente 4 km no mar Atlântico após o derramamento de 700 toneladas de óleo diesel. O ano era 2015 e o episódio ainda é um dos exemplos mais concretos dos impactos pouco discutidos oferecidos pela exportação de animais vivos, um mercado de mais de R$ 2 bilhões anuais. (mais…)

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