“Uma transição energética justa deve colocar comunidades no centro, e não tratá-las como obstáculos à extração e ao processamento de minerais”, adverte cientista político canadense. O risco central envolvido neste processo, pontua, é “o apagamento de culturas e sistemas de conhecimento que sustentam a Amazônia há milênios”
Por: Patricia Fachin, em IHU
A disputa global por terras raras e territórios fundamentais para assegurar a transição energética limpa não se restringe aos países distantes que estão no centro dos conflitos políticos atuais. A corrida já começou na Amazônia brasileira e se materializa particularmente no Pará, que sediará a COP30 no próximo semestre. A transição energética baseada nos “minerais verdes”, como os recursos estão sendo chamados, numa inversão linguística que altera o significado das palavras para justificar a extração mineral num contexto de mudanças climáticas, está repleta de contradições. “Empresas estão buscando agressivamente licenças em áreas ricas em minerais, muitas vezes sobrepostas a terras indígenas e unidades de conservação. Estamos testemunhando o início de uma ‘corrida do ouro verde’, em que a urgência de combater as mudanças climáticas tem sido usada para justificar a extração de recursos em escala industrial em uma das regiões ecologicamente mais sensíveis do planeta”, declara Robert Muggah, na entrevista a seguir concedida por e-mail ao Instituto Humanitas Unisinos – IHU. (mais…)
Ler Mais