Categoria: Artigo

A Transposição e a Seca

Por , 22/05/2012 08:50

Roberto Malvezzi (Gogó)*

Pode parecer uma atitude menor de nossa parte reiterar críticas à Transposição nesse momento de seca, afinal, o sofrimento das pessoas e dos animais é infinitamente mais relevante que nossas divergências sobre determinadas obras.

Entretanto, é exatamente em função desse sofrimento, e da busca incessante para encontrar caminhos de solução, que tal debate mais uma vez se coloca na ordem do dia.

Ninguém acaba com a seca. Ela é um fenômeno natural e normal da região semi-árida. Portanto, essas matérias sensacionalistas que gostam de falar de “terra esturricada, mata morta, animais morrendo”, revelam ignorância a respeito da região. Ela é assim e assim será. Por isso os índios já chamavam essa mata de “caatinga”, que quer dizer exatamente “mata branca”. Nada está morto, ao contrário, a caatinga hiberna, adormece para enfrentar um período sem chuva. Com as primeiras chuvas tudo volta à vida. Apenas o ser humano e os animais, trazidos de fora, não hibernam. Esses precisam comer e beber, enquanto a natureza se defende por conta própria.

Mas, se a natureza não muda (a não ser por uma profunda mudança no clima global), a infra-estrutura para adequar o ser humano a essa realidade precisa ser mudada. É a única saída inteligente. Costumamos repetir que os povos do gelo aprenderam a viver com o gelo, os povos do deserto aprenderam a viver no deserto, e que nós já deveríamos ter aprendido a conviver com o semi-árido. Essa cultura inovadora está em construção, mas sofre resistências terríveis de quem aprendeu a ganhar poder e riqueza à custa da miséria do povo. Continue lendo… 'A Transposição e a Seca'»

Pão molhado na CPI

Por , 19/05/2012 14:55

José Ribamar Bessa Freire - Diário do Amazonas

Depois de um jantar opíparo de pirarucu-de-casaca regado à pimenta murupi, fiquei jiboiando diante da televisão. No noticiário, já de madrugada, vi que a CPI do Cachoeira engavetou os requerimentos para ouvir três governadores, cinco deputados e o dono da Delta, Fernando Cavendish, negando também pedidos de quebra do sigilo bancário, fiscal e telefônico deles.

A CPI não chamou qualquer tubarão para depor, nem ouviu ainda o vilão, senador Demóstenes Torres, que em algum momento chegou até a ser cogitado para candidato a presidente da República pelo DEM (vixe, vixe). O próprio Carlinhos Cachoeira, chefe da quadrilha, conseguiu se safar provisoriamente, graças à chicana protelatória de seu advogado, Márcio Thomaz Bastos, o criminalista mais caro do país. A CPI até agora só convocou peixe pequeno, arraia miúda. Continue lendo… 'Pão molhado na CPI'»

A internet e a farra dos comentários intolerantes 3: homofobia

Por , 18/05/2012 11:54

Leonardo Sakamoto

A Secretaria dos Direitos Humanos da Presidência da República registrou uma média de 3,4 denúncias por dia de violência contra homossexuais no Brasil em 2011. Para relembrar que ainda precisamos caminhar horrores no combate à homofobia e ao machismo para sermos considerados minimamente civilizados, escolhi alguns comentários de leitores em posts meus que tratavam de universalização de direitos. Não são os piores, acreditem. Após cada um deles, uma breve réplica deste humilde blogueiro. Esta é a terceira edição da democrática compilação “A internet e a farra dos comentários intolerantes”.

Aproveitei a comemoração do Dia Internacional contra a Homofobia e a Transfobia, nesta quinta (17), para publicar as pérolas (algumas tiveram que ser resumidas – eram verdadeiras teses). A data nasceu para relembrar que, há 22 anos, a Organização Mundial da Saúde finalmente retirou a homossexualidade de sua lista de doenças mentais (!). 

Por essas e por outras, nunca é demais lembrar: Todo homem é um inimigo até que tenha sido devidamente educado para o contrário.

“Queria ver você ter um filho homossexual.”

Pode ser. Mas meu planejamento prevê filhos apenas um pouco mais para frente. Depois da Copa, talvez. Continue lendo… 'A internet e a farra dos comentários intolerantes 3: homofobia'»

Em Belo Horizonte, caveirão para os pobres que lutam

Por , 17/05/2012 12:04

Cerca de 300 famílias jogadas ao relento sob uma noite fria.

Gilvander Luís Moreira [1]

Ai daqueles que pisam nos pobres, que tripudiam sobre a dignidade de crianças recém-nascidas, idosos, deficientes e indefesos, todos pobres!

Por ter acompanhado estando junto, eu vi e nunca esquecerei. Vi e dou testemunho.

Vi os pobres se organizarem durante meses buscando se libertar da cruz do aluguel, que come no prato do pobre, que é veneno para quem ganha só salário-mínimo.

Vi os cansados da humilhação de sobreviver de favor dar um grito de liberdade: Pátria Livre! Venceremos!

Vi na madrugada do dia 21 de abril de 2012 cerca de 350 famílias sem-terra e sem-teto ocuparem um terreno devoluto do Estado de Minas, área abandonada há mais de 40 anos.

Vi as cerca de 1.500 pessoas resistirem bravamente e não serem despejadas já no primeiro dia da ocupação.

Via o MLB – Movimento de Luta nos Bairros, Vilas e Favelas – coordenar a Ocupação Eliana Silva [2] com idoneidade, com participação ativa e paixão defesa dos pobres. Continue lendo… 'Em Belo Horizonte, caveirão para os pobres que lutam'»

Mudança nos contratos para baixar preço da energia elétrica

Por , 15/05/2012 09:25

Heitor Scalambrini Costa*

A reestruturação do setor elétrico brasileiro, iniciada em 1995, impôs um modelo privatista-mercantil que está sendo catastrófico para a sociedade brasileira. Além de herdarmos apagões, racionamento de energia, baixa qualidade no fornecimento; as tarifas a cada ano têm aumentos extorsivos. Enquanto os salários dos trabalhadores sobem pela escada, as tarifas sobem pelo elevador.

A promessa de que o processo de privatização das distribuidoras de energia elétrica iriam favorecer a concorrência e oferecer melhor qualidade dos serviços e a modicidade nas tarifas, acabou sendo uma enorme decepção para aqueles que nutriram esperanças na transferência da gestão publica para a privada.

Hoje com as distribuidoras privatizadas, as tarifas pagas pelo consumidor brasileiro é uma das mais caras do mundo, tanto para o consumidor residencial, como para o comercial, e para o industrial. Para alguns é a carga de imposto embutido nas tarifas, a principal responsável pelo descalabro. Sem dúvida são cobrados impostos sobre impostos, tributo sobre tributo. Diretamente, além do consumo, tributos e contribuições vêm discriminadas na conta como o PIS/Pasep, Cofins, ICMS e contribuição para o custeio da iluminação pública, que é municipal. O ICMS é perverso. Originalmente, seria de 25%, mas da forma como é aplicado representa, na verdade, 36% sobre o valor do fornecimento de energia. Continue lendo… 'Mudança nos contratos para baixar preço da energia elétrica'»

Eu sou você amanhã: a experiência chilena e o ‘Minha Casa, Minha Vida’

Por , 11/05/2012 09:04

Raquel Rolnik*

Acabo de retornar de uma visita ao Chile, onde fui conhecer a política habitacional do país e os processos de reconstrução pós-terremoto de fevereiro de 2010. O Chile foi um dos primeiros países do então terceiro mundo a adotar, durante a ditadura de Pinochet, no final dos anos 1970, as fórmulas neoliberais propostas pela Escola de Chicago em vários domínios das políticas, reduzindo, em tese, a intervenção do Estado, promovendo a participação do mercado e focalizando subsídios públicos aos grupos de extrema pobreza. Setores como a educação e serviços públicos foram privatizados, e políticas públicas, como as de habitação, foram reformadas. Continue lendo… 'Eu sou você amanhã: a experiência chilena e o ‘Minha Casa, Minha Vida’'»

O processo de educação básica das crianças guarani-kaiowá

Por , 27/04/2012 12:03

Tonico Benites*

Os povos guarani-kaiowá são resistentes pelo fato de ter vivido, até hoje, praticando os seus rituais religiosos, profanos e falando a sua língua materna. Sobretudo, o povo guarani-kaiowá continua educando as crianças conforme o seu modo de ser e viver autêntico e específico teko porã.

A base de organização social do povo guarani-kaiowá é centrada na família extensa. A família extensa é formada por pelo menos três gerações: avô, avó, filhos e filhas, genros e noras, netos e netas. Esta organização social é administrada e representada por um líder político e um xamã ou líder religioso que perdura até os dias atuais.

No passado, cada família extensa vivia de forma autônoma no seu território ancestral de controle exclusivo e residia numa única habitação grande construída nas cabeceiras das minas da água e próximo dos rios, distanciando-se dez (10) e vinte (20) quilômetros de outra grande família. Nesta habitação e no seu entorno os adultos educavam os jovens e as crianças, sendo as atividades cotidianas educativas divididas segundo o sexo e a idade. Recentemente, após o processo de aldeamento/confinamento da família extensa ocorreu o desaparecimento da casa grande que não significou uma mudança na centralidade desta organização da família extensa.

A família extensa é fundamentada na prática de reciprocidade e bela conversa. Aqui a reciprocidade significa, antes de tudo, a base de estabilidade e proteção no sentido emocional-afetivo, sobretudo fonte de alegria da criança. Como metodologia educativa, é transmitida a ideia de pertencimento à determinada família, fundamentada no princípio de dar e receber alguns bens materiais e imateriais. Esta prática educativa começa com as crianças e é reforçada no decorrer do processo de formação do jovem e do adulto. Continue lendo… 'O processo de educação básica das crianças guarani-kaiowá'»

O poder do escracho

Por , 24/04/2012 10:23

Apontar os torturadores é legítimo. E eficaz, como comprovam Argentina, Chile e Uruguai

Francisco Foot Hardman* – O Estado de S.Paulo

Escracho ou esculacho? Você decide. Porque, de repente, eles estavam por toda parte. Cartazes, pichações, faixas, imagens desenhadas ou pintadas no asfalto da rua. Pois é das ruas que se trata, de uma nova significação do espaço público normalizado pela “boa vizinhança” e pela operação sistemática de produzir o esquecimento para apagar, das memórias individuais e coletivas, os últimos traços de medo que teimavam em sombrear a alma vazia desses homens sinistros. Pouco importa, nesse caso, a privacidade do “lar, doce lar”, a solenidade do local de trabalho. É preciso botar a boca no trombone e assinalar essa geografia do “antilugar”, do “não lugar”, desvelar esse inconsciente de uma história que teima em reaparecer quando muitos a imaginavam sepulta.

Os espectros dos desaparecidos são o GPS real que guia essas alegres levas do Levante. Boa parte das centenas de jovens e representantes de familiares de desaparecidos da ditadura que se espalharam em manifestações políticas contra o esquecimento e a impunidade de torturadores e outros responsáveis pelas ações do aparato de terrorismo do Estado durante a ditadura militar em cidades como São Paulo, Porto Alegre, Belo Horizonte, Belém, Fortaleza, não viveu aqueles anos. Isso é tanto mais notável quanto virou ideia fixa repetir que o Brasil é o país da desmemória. Quantos Harry Shibatas precisarão ser ainda desmascarados? Porque é certo que esse médico-legista coqueluche da “legalização” dos extermínios praticados por agentes da Oban e do Deops não foi caso único no amplo aparato do terror instalado pelos serviços da inteligência do regime militar. Quantos mais foram cúmplices dos perpetradores, administrando a ciência médica a serviço da “otimização” das dosagens de tortura? Quantos juramentos de Hipócrates rasgados sem nenhuma punição dos conselhos regionais ou nacional de medicina? Continue lendo… 'O poder do escracho'»

Tia Suzana, meu amor

Por , 23/04/2012 10:37

José Ribamar Bessa Freire

“Aquilo que vivemos não está no mundo, está na maneira como olhamos para ele”. É o que nos diz o romancista português Antônio Alçada Baptista, autor de uma vasta obra. Tudo depende, então, dos significados que cada um atribui àquilo que viveu. Quem concorda com essa definição é Gabriel Garcia Márquez, que acrescenta, no entanto, mais duas dimensões, além do olhar: a memória e a capacidade de narrar.

- A vida não é aquela que uma pessoa viveu, mas a que ela recorda e como recorda para contá-la – escreveu o escritor colombiano.

Pensando bem, parece que os dois têm razão. Nossa vida acaba sendo isso mesmo: o que olhamos, o que lembramos e o que narramos. No frigir dos ovos, é a isso que a vida se reduz. Se não lembramos, se não narramos, não existiu. Se lembramos e narramos de uma determinada forma, é essa forma que prevalece. “The rest is silence”, nas últimas palavras de Hamlet, antes de morrer. Ou “o resto é farofa de abobrinha”, na tradução do meu sobrinho Pão Molhado, que gosta de filosofar.

Lembrei do Antonio Alçada agora, nesta semana em que celebramos a presença dos índios no Brasil, por causa de uma história que ele contou, em 1982, a mim e ao escritor amazonense Márcio Souza, quando juntos o visitamos, em Lisboa, no Instituto Português do Livro do qual ele era, então, presidente.

Alçada, falecido há três anos, era um grande contador de histórias, divertido e sedutor. Escrevia, ainda, crônicas saborosas no jornal O Dia, do qual foi redator-chefe. O fato que nos contou ocorreu em uma viagem de turismo de barco que ele fez pelo sul do Mar Egeu com um grupo de amigos portugueses. Continue lendo… 'Tia Suzana, meu amor'»

Pinheirinho: ex-moradores da comunidade estão em situação precária. É urgente que se busque uma solução definitiva

Por , 20/04/2012 09:55

Raquel Rolnik*

Ontem fui a São José dos Campos, a convite de ex-moradores da comunidade do Pinheirinho, para acompanhar a situação das famílias removidas em janeiro deste ano. Embora a Prefeitura da cidade afirme que fez tudo que foi possível para dar atendimento às famílias, o que eu vi é que ainda há muita gente vivendo em condições extremamente precárias de moradia. A principal iniciativa implementada pelo poder público municipal, o bolsa-aluguel, tem se mostrado extremamente limitada. O primeiro efeito que o lançamento de mais de 1.500 benefícios causou foi o aumento imediato do valor da locação de imóveis populares na cidade. Segundo ex-moradores do Pinheirinho, é impossível alugar uma casa adequada somente com o valor da bolsa.

Conversando com eles, deu pra perceber que cada família tem se arranjado do jeito que pode. Algumas dividem imóveis com outras e racham o aluguel, outras pedem a parentes para alugar em seus nomes – ou porque há muito preconceito contra ex-moradores do Pinheirinho (ouvi relatos de que muitos locatários se recusam a alugar para estas famílias) ou porque, simplesmente, estes moradores não têm documentos nem renda necessários para atender à burocracia exigida pelas imobiliárias. Mulheres solteiras com filhos também enfrentam preconceito. No fim das contas, muitas famílias terminam alugando imóveis em condições insalubres ou situados em áreas de risco, em fundos de serralherias… Continue lendo… 'Pinheirinho: ex-moradores da comunidade estão em situação precária. É urgente que se busque uma solução definitiva'»

Ver a Amazônia na sua intimidade

Lúcio Flávio Pinto

A nova palestra que fiz há duas semanas no auditório do Museu Emílio Goeldi, sobre a relação do jornalismo com a ciência, foi mais uma oportunidade para plantar a semente da maior ideia que me surgiu em quase meio século de peregrinação pela Amazônia: o kibutz científico.

Conforme sua aptidão e o seu zoneamento ecológico-econômico, a região receberia kibutzim espalhados por toda sua extensão. Eles seguiriam um plano global, que os articularia e complementaria. Seus alunos ficariam nesses kibutzim da graduação até obterem o título de pós-doutorado. Não com uma tese em abstrato, meramente formal e intelectual: com um experimento. Se bem sucedido, seriam aprovados. Se fracassassem, ficariam sem o título. Levariam um comprovante de frequência e uma declaração das suas aptidões.

Para esse desafio ser bem enfrentado, os estudantes seriam instalados em locais confortáveis e adequados à pesquisa. Teriam uma bolsa de alto valor. Recursos para financiar seus experimentos. Assistência e ensinamentos dos melhores nomes da ciência no mundo. E a bonificação de se tornarem proprietários particulares quando seus experimentos se tornassem realidade. A ciência saltaria à frente de todas as frentes pioneiras na busca da harmonia entre saber e fazer. A última tentativa de salvar a Amazônia da sua descaracterização ou destruição. Continue lendo… 'Ver a Amazônia na sua intimidade'»

Quem são os donos do cardápio infantil?

Por , 11/04/2012 09:18

Atraídas por propagandas fascinantes que prometem um mundo de sonhos em um pacote de salgadinhos ou um pirulito, por brindes-brinquedos e pelas intermináveis coleções, as crianças se tornaram as principais vítimas desses alimentos e passaram a influenciar nas compras de toda a família. Quais as conseqüências de seguirmos ao sabor do vento das grandes corporações fabricantes de alimentos? E de não termos controle sobre a publicidade dirigida ao público infantil?

Noemia Perli Goldraich*

Há 40 anos trabalho como Nefrologista Pediátrica. Não recordo de ter identificado, antes dos anos 90, um único caso de pressão alta em criança que não estivesse relacionada a algum problema grave como doença nos rins, nas artérias renais, na aorta ou a tumores raros. Pressão alta era uma doença de adultos. Era!  Continue lendo… 'Quem são os donos do cardápio infantil?'»

De quem é a terra na Bolívia?

Por , 10/04/2012 10:21

O delicado problema de conflitos fundiários e de territórios, que por tantos anos foi ignorado, começa a ser discutido no país

Por Lídia Amorim, na Revista Forum

Todos os dias, antes que o sol saia no horizonte, Octavio Yauquirena se levanta para trabalhar. A divisão de trabalho na comunidade onde vive se dá de acordo com o que o coletivo decide, distribuindo-se tarefas como caçar, pescar, cuidar das árvores de cacau silvestre, plantar, colher, limpar terreno. Octavio é indígena guarayo, e vive na comunidade de Urubichá. A poucos quilômetros dali está o que antes era a fazenda de Laguna Coração e agora é uma comunidade campesina. No local, vive Ceferino Cuentas. Quando a fazenda foi expropriada, ele veio com sua família de La Paz, e hoje tem seu pequeno pedaço de terra onde planta produtos orgânicos em sistemas diversificados. E, ao lado do grupo de camponeses, separados apenas por uma pequena estrada de chão, está uma grande propriedade de soja. Continue lendo… 'De quem é a terra na Bolívia?'»

Programação feita por Ricardo Álvares, utilizando uma versão modificada do tema Panorama, criado por Themocracy.