Após adular fundamentalistas religiosos, ministro da Cultura prova do veneno deles

Sérgio Sá Leitão é insultado na Câmara por deputado da bancada evangélica, que comparou performance com a mãe do ministro “de perna aberta”

Por Cynara Menezes, no Socialista Morena

No início do mês, o ministro da Cultura, Sérgio Sá Leitão, decidiu tomar partido e ficar do lado dos fundamentalistas religiosos que atacaram a performance La Bête, no Museu de Arte Moderna de São Paulo. Na performance, o artista Wagner Schwartz, nu, interagia com a plateia, inclusive com crianças levadas pelos pais. Para adular a bancada evangélica, o ministro declarou que a obra representava “um claro descumprimento do que determina o Estatuto da Criança e do Adolescente” e que jamais levaria seus filhos para ver algo semelhante.

O ministro, que se define em seu perfil no twitter como “liberal”, deu as declarações em uma reunião com parlamentares que representam três frentes religiosas na Câmara que, juntas, reúnem nada menos que 279 deputados: a Evangélica, a Católica Apostólica Romana e a Frente em Defesa da Família. Após suas declarações conservadoras repercutirem mal no meio artístico, o ministério soltou nota oficial dizendo que Sá Leitão não disse o que disse.

“O ministro da Cultura, Sérgio Sá Leitão, não afirmou, em reunião realizada em 4/10/2017 com deputados federais para debater a exposição ‘QueerMuseu’ e a performance ‘La Bête’, que a performance em si é criminosa. Afirmou, conforme está na gravação da reunião, que em sua opinião pessoal a situação que aparece no vídeo divulgado sobre a performance, em que uma criança é induzida pela mãe a interagir fisicamente com o artista, que se encontra nu, fere o Estatuto da Criança e do Adolescente. Opinião, aliás, compartilhada por diversos juristas e psicólogos”, dizia a nota.

Pois ontem, em audiência pública na Comissão de Segurança Pública da Câmara, o ministro experimentou a ira dos fundamentalistas religiosos que cortejou. O deputado Givaldo Carimbão (PHS-AL) insultou Sá Leitão dizendo que “queria pegar a mãe do ministro e colocar com as pernas abertas”. Indignado, com toda razão, o ministro de Temer quis abandonar a mesa e pediu respeito à sua mãe, já falecida. A sessão teve de ser suspensa e, em seguida, encerrada. Os insultos foram apagados das notas taquigráficas.

O ministério da Cultura soltou nota lamentando o episódio e disse que Sérgio Sá Leitão “reitera seu respeito a todos os parlamentares e ao Congresso Nacional, e seu desejo de construir um debate amplo e respeitoso, fundado no verdadeiro diálogo, que possa contribuir de fato para o fortalecimento da cultura, da democracia e do estado de direito em nosso país”.

OPINIÃO:

É lamentável a agressão ao ministro da Cultura e a sua mãe. Mas, como diz o ditado, quem se mistura com porcos, farelos come. Enquanto os “liberais” flertarem com o fundamentalismo religioso, a agenda obscurantista ganhará cada vez mais espaço no Brasil.

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