Manifestantes fazem protesto em shopping contra racismo

Por Henrique Almeida, em A Tarde

Pelos corredores do Shopping da Bahia, os manifestantes gritavam em uníssono: “Não ao racismo institucional”. Na tarde deste sábado, 16, dezenas de pessoas se reuniram no estabelecimento para pedir igualdade de direitos, fim da exclusão social e da violência contra a população negra.

Batizado de “rolezinho das caras pretas”, o ato foi impulsionado pelo episódio da última segunda-feira, quando um segurança do shopping tentou evitar que um cliente pagasse o almoço de uma criança (veja vídeo). Professores, estudantes e representantes dos movimento Aquilombar e Resistência Poética estiveram na ação, que incluiu música, poesia, gritos de resistência e discursos.

Como parte da manifestação, estava a ideia de entregar o livro “Parem de nos matar”, da escritora Cidinha da Silva, ao gestor do shopping. A obra seria entregue pelas mãos de João Vitor Lessa, de 9 anos, e Edila Queiza, 9. Como apenas a gerente de marketing estava no local, os manifestantes preferiram retornar depois. “Vamos nos organizar e marcar uma data para outro rolezinho. Essa entrega é uma ação para a desconstrução do racismo em todas as esferas, inclusive na relação comercial”, diz a professora da Universidade Federal da Bahia, Amanaiara Miranda.

A assessoria do Shopping da Bahia afirmou que está aberta ao diálogo e que o segurança envolvido no caso havia sido afastado das atividades de atendimento ao público. “A postura adotada [pelo segurança] não condiz com o treinamento recebido pelos funcionários, tanto que a atitude tomada pelo supervisor de segurança reforça o direito do cliente e o acolhimento com a criança. Reforçamos que nossa operação atua em alinhamento com órgãos de defesa dos direitos humanos, como o Conselho Tutelar e o Juizado de Menores”, afirma em nota.

Integrante do movimento Resistência Poética e um dos líderes da manifestação, Rilton Júnior destaca que o “rolezinho” não foi uma atitude contra toda uma “estrutura social’, que violenta a população negra em todas as camadas e relações sociais. “Não é só pelo Matheus [garoto envolvido no caso] é por toda a população negra que sofre diariamente”, afirma.

* Sob a supervisão da jornalista Jane Fernandes

Foto: Raul Spinassé | Ag. A Tarde

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