Comunidades Impactadas pelo agronegócio no Piauí criam Coletivo de Resistência e unificam lutas

“Queremos ser respeitados e que ninguém negue esse direito que é nosso, e sagrado” Juvercino Silva

Por CPT Piauí

Comunidades do Piauí, impactadas pelo agronegócio na região do MATOPIBA, se reuniram em Santa Filomena, dia 19 de junho, em busca de mecanismos fortalecedores da resistência aos grandes projetos do agronegócio e na defesa de seus territórios. Segundo o Sr.João da Silva, morador da comunidade Melancias, muitas comunidades vem sofrendo pelas ações desenfreadas dos projeteiros (donos de projetos e fazendas), “eles desmatam, usam veneno, o agrotóxico usados nas lavouras da soja empurra as pragas pra as roças das famílias nos baixões e tem muitas violações dos direitos fundamentais das pessoas”.

Uma ferramenta adotada pelos presentes durante o encontro foi a criação de um Coletivo das Comunidades Impactadas, que terá como propósito a unidade das lutas na defesa dos territórios e contra o agronegócio. Um calendário de reuniões trimestrais foi aprovado pelo coletivo, com o intuito de construir estratégias em comum de enfrentamento e resistência. As comunidades definiram que o lema “luz” desse coletivo é: TODOS POR TODOS, ou seja, um problema enfrentado por uma comunidade passará a ser enfrentado em conjunto.

O Coletivo trará visibilidade à caminhada das comunidades tradicionais do Piauí que lutam contra as atrocidades causadas pelo agronegócio na região. “O coletivo vem fortalecer a lutas das comunidades, e mostrar o Estado que nós existimos muito antes dessa soja que ta aí, gerando riqueza pra quem é de fora e gerando fome e pobreza pra quem nasceu e se criou aqui nas comunidades. Nós somos povo e comunidade tradicional do cerrado do Piauí, queremos ser respeitados e ninguém negue esse direito que é nosso, e sagrado”, relata Juvercino da Silva, morador da comunidade Chupé.

Já o Sr Antonio, presidente do STTR de Santa Filomena, reforça que a resistência deve ser pensada e planejada de modo que venha permitir a permanência da terra, “não devem se conformar apenas com a regularização fundiária, mais também com os territórios e muito mais projetos que venham melhorar as vidas das famílias, das comunidades”.

Como encaminhamento importante dessa primeira reunião, ficou marcada a Primeira Assembleia de Povos e Comunidades do Cerrado do Piauí, agendada para o mês de novembro e será preparada pela coordenação do coletivo, apoiada pelo STTR de Santa Filomena, AISA, Rede Social de Justiça e Direitos Humanos, FIAN e CPT Piauí.

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