Lula, Bolsonaro e Temer foram os “elefantes na sala” do debate presidencial. Por Leonardo Sakamoto

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Havia três elefantes na sala, quer dizer, no palco do debate entre os candidatos à Presidência da República, realizado pelo SBT, o UOL e a Folha de S.Paulo, nesta quarta (26).

O primeiro elefante está preso na Polícia Federal em Curitiba, cumprindo pena. Defendido por Fernando Haddad e atacado repetidas vezes por Álvaro Dias, estava em primeiro lugar nas pesquisas eleitorais até ser proibido de concorrer – no Datafolha, de 22 de agosto, ele despontava com 39% das intenções de voto.

A mesma pesquisa apontou que o PT contava com 24% da preferência do eleitorado, o maior índice entre os partidos. A campanha de Haddad acredita que ele deve atingir um patamar superior a esse número por conta da migração dos votos de Lula antes de 7 de outubro. Enquanto isso, Ciro atacou o PT a fim de conquistar votos de eleitores de Geraldo Alckmin e Marina Silva, além indecisos, nulos e brancos, colocando-se como alternativa a Haddad e Bolsonaro. Mas, fora do debate, ele tem acena àquela parte do eleitorado lulista que acredita que ele seria um candidato mais capaz de derrotar o ex-capitão num segundo turno.

Chamado de ”aberração” pelo próprio Ciro, o segundo elefante está internado no hospital Albert Einstein, em São Paulo, após a faca que levou em 6 de setembro.

Ele podia não estar fisicamente no estúdio, mas os cálculos dos candidatos levaram em conta sua presença. Tanto que buscou-se o voto das mulheres – fatia que ele tem rejeição de metade do eleitorado e que conta com um grande número de indecisas. Nesse sentido, Guilherme Boulos ainda lembrou que Bolsonaro defendeu o direito do empresariado pagar menos para mulheres quando exercem a mesma função que os homens.

Alckmin evitou citar o nome do ex-capitão, preferindo falar do candidato da ”discriminação”. Soou forçado, parecendo o ”aquele-que-não-deve-ser-nomeado” das histórias de Harry Potter. Talvez para não repetir Ciro, que pediu aos eleitores que evitassem Bolsonaro e o PT.

O terceiro elefante estava no Palácio do Planalto, ou no Jaburu, esperando o mandato acabar. Temer era o elefante-bomba, sem eleitores, que ninguém queria por perto. Em determinado momento, Marina trucou e jogou Temer no colo de Haddad, Haddad pediu seis e devolveu, dizendo que ela havia apoiado sua chegada ao poder. Marina, por fim, gritou nove, deixando Temer mais Renan Calheiros, aliado do PT nessas eleições, com o ex-prefeito.

O desconforto com a popularidade do presidente, menor que a da broca do dentista, é tão grande que até seu candidato não quis se comprometer. Questionado se daria um cargo de ministro a Temer, Henrique Meirelles respondeu que sempre escolheu equipes de qualidade, competência e integridade. E que, ele próprio, é ficha limpa. E calou-se sobre Temer. Ou seja, vai ter DR em casa.

Temer, o presidente mais impopular da história recente do país, ensaiou várias vezes sair candidato para defender o que acredita ser seu legado. Foi desaconselhado em seu próprio partido que acabou fazendo um acordo com Meirelles, capaz de autofinanciar sua campanha inteira, garantindo que os recursos do fundo eleitoral fossem usados para a reeleição de deputados e senadores. Lula foi condenado em segunda instância e teve sua candidatura rejeitada pelo Tribunal Superior Eleitoral, mesmo com uma decisão liminar do Comitê Direitos Humanos que demandava que ele concorresse. Bolsonaro recebeu uma facada de, ao que tudo indica até agora, um lunático contaminado pelo clima político tóxico em um atentado que tirou de circulação, mas não da internet.

O fato dos três elefantes estarem, neste momento, longe daquele palco é significativo. Seria mais saudável para a democracia que estivessem por lá para defenderem seus projetos para o país e responderem sobre seu passado. Os eleitores mereciam isso.

Pelo menos, tivemos a volta do Cabo Daciolo, que estava jejuando num monte no Rio de Janeiro e, com isso, perdeu parte dos debates, sabatinas e entrevistas. Nesta quarta, ele disse que o banqueiro Meirelles ainda aceitará Jesus, mandou um ”eu te amo” para a mãe e a esposa que estavam na plateia e profetizou que irá ganhar no primeiro turno com mais de 50% dos votos.

Com isso, a única certeza, por enquanto, é que Daciolo deveria ser garantido em todos os debates eleitorais das próximas eleições.

Foto: Nelson Almeida/AFP

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