Rosa Weber diz que declaração de Eduardo Bolsonaro “pode ser compreendida como inadequada”

Mesmo sendo extremamente grave, a presidente do Tribunal Superior Eleitoral amenizou declaração de Eduardo Bolsonaro sobre fechar o STF

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Apesar da gravidade, Rosa Weber, ministra do Supremo Tribunal Federal (STF) e presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) amenizou os efeitos da declaração do deputado Eduardo Bolsonaro, filho do militar e candidato à presidência pelo PSL, em vídeo divulgado neste domingo (21). Bolsonaro filho, entre outras citações pouco elogiosas à Corte, diz que bastam um soldado e um cabo para fechar o STF.

A jornalista Mônica Bergamo, colunista da Folha de S.Paulo, tuitou a opinião de Rosa Weber sobre o caso: “Rosa Weber sobre filho de Bolsonaro e o fechamento do STF: ‘O vídeo foi desautorizado pelo candidato. No Brasil as instituições estão funcionando normalmente. E juiz algum que honra a toga se deixa abalar por qualquer manifestação que pode ser compreendida como inadequada”’.

Depois de uma ameaça à Corte Suprema, principal instituição do judiciário brasileiro, era de se esperar uma manifestação mais firme e contundente daquela que preside o TSE e, além disso, é ministra do STF, órgão diretamente afetado pela ameaça feita pelo filho de Jair Bolsonaro.

“Criativas teses”

Além disso, durante entrevista coletiva neste domingo (21), na sede do TSE, Rosa Weber afirmou, também, que não há “base empírica” para as “criativas teses” em mensagens de conteúdo falso que lançam suspeitas sobre o processo eleitoral.

“As criativas teses que intentam contra a lisura do processo eleitoral não possuem base empírica. Estão voltadas à disseminação rápida de conteúdos impactantes sem o compromisso com a verdade. A resposta da instituição, ao contrário, há de ser responsável, após análise das imputações. Reafirmo: o sistema eletrônico eleitoral é auditável. Qualquer fraude nele necessariamente deixaria digitais, permitindo a apuração das responsabilidades”, declarou.

Além de Rosa Weber, participaram da entrevista os ministros Raul Jungmann (Segurança), Sergio Etchegoyen (Segurança Institucional) e Grace Mendonça (Advocacia-Geral da União); os ministros do TSE, Og Fernandes e Tarcísio Vieira de Carvalho Neto; o vice-procurador-geral eleitoral, Humberto Jacques; e o presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Claudio Lamachia.

Questionada a respeito de uma eventual falha do TSE no combate à disseminação de mensagens com conteúdo falso, ela negou. “Não houve falha alguma da Justiça Eleitoral”, respondeu.

O ministro do Tarcísio Vieira de Carvalho Neto, do TSE, destacou que o tribunal jamais desprezou os efeitos das notícias falsas, mas que está preocupado com um tipo específico de informação falsa: a que abala e coloca em risco a confiabilidade da votação eletrônica.

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