Protesto lembra vítimas da barragem da Vale, em Brumadinho

Uma sirene foi tocada para simular emergência em caso de rompimento de barragem; cruzes foram colocadas no asfalto da Praça da Liberdade.

Por G1 Minas

Para marcar um mês do rompimento da barragem da mina Córrego do Feijão, em Brumadinho, cerca de 400 pessoas se vestiram de preto para pedir justiça na manhã deste domingo (24), em frente ao Memorial Minas Gerais Vale, na Praça da Liberdade, Região Centro-Sul de Belo Horizonte.

O protesto foi organizado por ambientalistas, artistas e moradores de regiões próximas a barragens de minério. Para a ambientalista, Maria Tereza Corujo, não se pode deixar a tragédia cair no esquecimento:

“O nosso objetivo é relembrar que há um mês houve essa tragédia provocada pela Vale e nós não podemos calar nossa voz jamais porque os outros atores todos que deveriam fazer a coisa certa e que não fizeram na época da Samarco querem que isso não seja tratado como crime e isso é muito grave não podemos deixar isso acontecer mais. ”

O ato foi marcado por muito simbolismo: faixas, cartazes, cruzes pelo chão e a maquete de uma barragem por onde escorre sangue ao invés de lama. No peito, os manifestantes carregavam nomes de pessoas que perderam a vida na tragédia de Brumadinho.

A artista e moradora da região de Casa Branca, em Brumadinho, Dudude Herman enfatizou a importância do ato: “É uma forma de honrar quem precisou morrer para a gente estar aqui, essa aqui é uma pessoa que já não existe mais nesse mundo real, ela foi uma das atingidas e todos nós somos atingidos. ”

Muita gente se emocionou quando houve o toque de silêncio, seguido pelo soar de uma sirene que simulou um alerta de rompimento de barragem. O protesto terminou ao som de violinos e muita gente deixou a praça com o receio de que Minas Gerais não esteja livre de tragédias como as de Mariana e Brumadinho.

Preocupação com o futuro

Os ambientalistas também protestaram contra as políticas de licenciamento ambiental adotadas no estado mesmo depois da tragédia e criticaram a volta da mineração na Serra da Piedade, em Caeté, Região Metropolitana de BH. De acordo com o ambientalista Anderson Ribas de Menezes a mobilização é importante para evitar novas tragédias:

“A impunidade segue. Houve uma importante vitória do projeto de lei aprovado na Assembleia: ‘Mar de lama nunca mais’. Mas a coisa está tão contraditória que no mesmo dia, no Copam [Conselho Estadual de Política Ambiental] deu a licença pra reativação da mineração na Serra da Piedade”, destacou.

Manifestantes pedem fim de tragédias e mortes relacionadas com a mineração. Foto: Reprodução TV Globo

Foto: Reprodução TV Globo

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